segunda-feira, 12 de setembro de 2011

TURISMO NO EGITO - Entrevista com Joelle LeGrand

Titi (François, esposo de Joelle) no templo de Abou Simbel

Joelle e seu amigo Michel no templo de Louxor

GILBERTO: Joelle, em que países já esteve e com que idade começou esse impulso para conhecer outras culturas?

JOELLE: Gil, há os países onde vivi vários anos e os que visitei como turista.

Os paises onde vivi são:- A Argélia, onde nasci e onde permaneci até à idade de 3 anos.- A ilha da Guadalupe, onde passei a minha infância e uma parte da minha adolescência.- E claro, a França.

Os paises que visitei são

-A Martinica (uma ilha próxima da Guadalupe )

-A Suíça - A Alemanha - A Itália - A Espanha -A Inglaterra - O Egito

-A ilha Trinidad, ao Sul das Caraíbas, perto da Venezuela.

-Tenerife, uma ilha da Espanha que faz parte das ilhas Canárias, no oceano Atlântico

-Portugal

- E o Brasil (onde sou meio residente kkkk ).

O meu gosto pela descoberta de outras culturas, creio tê-lo em mim desde a minha mais tenra infância.

Os azares da vida fizeram que fosse criada ao contato de culturas diferentes; Isto fez-me gostar de viajar e a sentir vontade de ir ao encontro dos outros .

Diria que isso faz parte das minhas necessidades vitais como beber, comer, dormir..... É um estado de espirito natural !!!

GILBERTO: Fale-nos sobre sua ida ao Egito. O que mais chamou sua atenção naquele país?

JOELLE: Teria muito a contar mas vou tentar fazer uma resposta sucinta. Em primeiro lugar passei três dias ao Cairo .

Fui ao planalto de Giseh, perto do Cairo, onde pode-se admirar o Sphinx e as grandes pirâmides .

Mas o que interessou-me muito no Cairo é sobretudo o museu das antiguidades e a cidade. Este museu contém muitos tesouros do Egito antigo e o mais famoso é o de Toutânkhamon.. Podemos ver tambem numerosas múmias . É uma verdadeira riqueza para compreender esta civilização.

O Cairo é a maior cidade do Egito e mesmo da África .É uma cidade onde o passado e o presente estão lado a lado harmoniosamente .

Os cairotes são calorosos e sempre prontos para prestar serviço . Pude passear sozinha no souk árabe onde fui convidada a fumar o narguilé.

As conversações faziam-se em inglês porque muitos Cairotes o falam .

Seguidamente, empreendi de subir o curso lento e majestoso do Nilo, de Louxor até Assouan. Pude então visitar numerosos templos e o que me impressionou são as suas dimensões majestosas e os hieróglifos que contam a história do Egito e de seus faraós com muitos detalhes .

No vale dos mortos, encontra-se os túmulos de numerosos faraós e visitá-los foi um encanto .Rivalizam pela beleza das suas pinturas e pela sua engenhosa concepção . Para contar tudo que pude ver neste bonito país, demoraria horas e horas, tanto há a dizer.

O que posso dizer ,é que no Egito é um pais de contrastes . É um país que contem grandes riquezas arqueológicas mas que é também de uma grande modernidade . As paisagens são também muito variáveis . Passamos muito rapidamente das paisagens verdejantes do delta do Nilo ao deserto mais árido .

Como dizia o meu guia de roteiro ( é um livro )

"A Bíblia evocou outrora as 10 feridas do Egito, mas a única da qual sofrerá será a nostalgia de uma viagem que subjuga"

GILBERTO: É permitido ao turista entrar nas pirâmides? Que impressão estas lhe causaram? Descreva detalhes do que viu. Alguns imaginam que o ser humano, por si só e naquela época seria incapaz de conceber e erguer uma tal estrutura. Creem que houve influência de alienígenas. Que pensa a esse respeito?

JOELLE: Certamente, é possível visitar certas pirâmides. Visitei a pirâmide do rei Teti à Saqqarah . O acesso no quarto funerário faz-se por um corredor em declive .O quarto funerário é ornado de textos e o tecto está coberto de estrelas. Contem um enorme sarcófago de basalto. Em geral as pirâmides são pouco decoradas contrariamente aos túmulos do vale dos reis e aos templos.São muito mais impressionantes pela suas dimensões e a concepção arquitetônica. Penetrando na pirâmide, tive a sensação de ser Indiana Jones à procura de um tesouro. (risos)

A Giseh, onde encontra-se as grandes pirâmides de Kéops, Képhren e Miquérinos , pode-se também visitar a pirâmide de Kéops. Já visitando uma pirâmide, preferi ver o barco solar descoberto ao lado da pirâmide de Kéops. Este barco de cedro do Líbano (42m de comprimento) está em perfeito estado de conservação.

Ela teria levado, no Nilo, o Faraó para sua última casa. Uma maravilha !!!

Certamente, em frente destas construções gigantescas, nós fazemos muitas perguntas... Como eles trouxeram materiais de edifício, que técnicas eles usaram?? Alguns imaginam que as pirâmides foram construídas por extraterrestres. Apesar de todas as teorias avançadas, aquilo permanece ainda hoje um grande mistério. Mas, é necessário ter em conta que, na época, havia um poder teocrático muito potente, uma mão de obra abundante, grandes conhecimentos empíricos e o país era rico e próspero. Todos estes fatores reunidos vão ter importância na construção das pirâmides .

Muitos cientistas pensam que o Nilo estava ligado com as pirâmides, isto poderia explicar o encaminhamento dos materiais. Os cientistas pensam também que os egípcios utilizaram rampas para construir as pirâmides. Explicações muito técnicas que não vou

detalhar aqui. Mas o pouco de vestígios arqueológicos encontrados sobre o lugar não permite afirmar com certeza . Não tenho ideias firmadas sobre o assunto mas gosto de pensar que os engenheiros e os arquitetos da época tinham conhecimentos muito elaborados que permitem erigir tais monumentos com meios apropriados.

Mas para mim, os túmulos muito decorados do vale dos reis e os templos de Louxor, Edfou, Philae, Karnak, Abou Simbel foram as minhas mais bonitas descobertas. Será talvez o assunto de uma outra pergunta?

GILBERTO: Certamente, Joelle! Queremos que nos fale sobre tais túmuloso e outras coisas que a encantaram no Egito.

JOELLE:Tive a oportunidade de visitar três túmulos no Vale dos Reis.É necessário saber que o Vale dos Reis abriga também os túmulos de certas esposas, das crianças do Faraó e também os túmulos de certos dignitários que os Faraós quiseram recompensar.

Penetra-se em todos os túmulos por um grande corredor em declive . No túmulo encontra-se vários quartos cujo número varia de acordo com a importância do túmulo. O sarcófago contendo a múmia sempre está no quarto mais distante ..Todos os túmulos contados no vale foram pilhados, incluindo o de Toutankhamon .Mas ainda que de inestimável tesouro assim desapareceram , estes túmulos são a eles só um real tesouro .

A cada passo ficava deslumbrada por tanta beleza!!! Nos túmulos que visitei, as paredes eram pintados de cenas representando Faraó no meio das divinidades e cenas da vida diária. Tambem havia textos sagrados gravados. Os textos e algumas pinturas relatam a viagem noturna de Re, à qual o rei assimila-se para reviver. A noite, o Deus solar atravessa o mundo subterrâneo povoado de perigos e a manhã, reaparece triunfando ao horizonte do céu.Todo foi decorado magnificamente por pintores, escultores que eram verdadeiros artistas .Todas as representações tinham por objetivo ajudar o faraó na sua viagem para o além.

GILBERTO: Fale-nos dos templos, Joelle, e do Rio Nilo. Como sabe, este último se fez mundialmente conhecido devido os relatos bíblicos. Como lhe pareceu de perto?

JOELLE: Existe duas espécies de templos, os templos divinos consagrados a um Deus e os templos funerários consagrados ao culto do Faraó antes e após a sua morte (o templo de Hatshepsout é um exemplo).O templo divino é a residência de um Deus e a sua função primordial é de preservar o equilíbrio do universo mas ele tem também uma função econômica, cultural e política..
É o domínio dos padres que praticavam o culto ao lugar do Faraó .Os egípcios pensavam que os Deuses dispensavam os seus benefícios enquanto residissem sobre a terra. O templo não era apenas um lugar de oração, era a residência terrestre do Deus.Os Deus habitavam os templos sob forma de estátuas divinas .

Os primeiro templos divinos que visitei foram os templos de Louxor e de Karnak dedicados ao Deus Amon-Rê .

Desde Louxor, eu peguei o barco para visitar os outros templos (Edfu, Kom Ombo, Philaé, Abou Simbel).O que também me permitiu de subir o curso do Nilo de Luxor até Assouan . Cruzeiro magnífico, fascinante !!!

Para qualificar todos os templos, usaria as palavras, monumentais, perfeição, majestosos, obras-primas. Seria demasiado longo descrevê-los nos detalhes. Mas, o que posso dizer, é que pude ver uma profusão de estátuas, de colunas muito bonitas e gigantescas, cada uma mais bonita que outra. As paredes são cobertas de magníficos desenhos e inscrições em partes côncavos ou relevos que forçam a admiração e ajudam-nos a compreender o que era esta grande civilização .

O Nilo, como cada um sabe, é como o Amazonas, o maior rio do mundo. O que recordo do Nilo, são as suas águas azuis (infelizmente poluídas) de uma calma repousante, as suas ribanceiras verdejantes que precedem o deserto e os seus magníficos pores-do-sol.
É um rio onde a vida exprime-se a cada momento. Os barcos dos pescadores e os guias turísticos (felouques), às margens onde vê-se as pessoas cultivar a terra, as pequenas aldeias rústicas e os edifícios antigos que o limitam dão-lhe uma dimensão surrealista, fora do tempo . Que beleza!!!!

GILBERTO: Os aspectos negativos, censurados, do Egito escapam à vista do turista? Em suas viagens você não se contenta com aquilo que é posto para agradar os visitantes. O que conseguiu perceber?

JOELLE: Claro que o governo egípcio quer mostrar para os turistas apenas os aspectos positivos . Mas quando cheguei ao Cairo ,havia greves e uma grande manifestação n centro do Cairo .Aquilo obrigou o nosso ônibus a alterar o seu itinerário e assim pudemos ver os bairros pobres e degradados do Cairo. As visitas são muito enquadradas ..... mas isso ocorre também para assegurar a segurança dos turistas

GILBERTO: Quantas vezes esteve no Egito? Pretende visitá-lo novamente?

JOELLE: Fui uma vez no Egito . Claro que pretendo visitá-lo novamente! Gostaria muito de visitar a cidade de Alexandria ,outros museus ,outros templos . Tenho ainda muito a descobrir. O Egito é um estaleiro permanente. Novas descobertas fazem-se cada dia .

GILBERTO: Ao fim desta primeira entrevista, que diria aos nosso leitores e amigos sobre a importância de ter ido ao Egito? Mudou algo em sua compreensão do mundo e da vida?

JOELLE: Foi uma viagem enriquecedora e maravilhosa!!! Ao ritmo do Nilo eu dei um regresso no tempo impressionante.As pessoas são amigáveis e acolhedoras. Por pouco que interesse à eles, são muito afáveis e gostam de trocar ideias sobre a sua cultura e o seu modo de vida. Rapidamente, pude fazer encontros inesqueciveis e tenho em lembranças numerosas anedotas.Embora seja politicamente um país instável, é um país que vale o a pena e que não deixa ninguém insensível.

Sobre a segunda parte da tua pergunta, Gil, diria que havia lido muitos livros sobre o Egito (mais de 30). Mas, como disse Rousseau ,“não é necessário ler, é necessário ver”.Certamente, não é necessário tomar esta citação ao pé da letra.Quero sobretudo explicar que qualquer viagem dá, aos nossos conhecimentos, ao nosso gosto para a descoberta, uma outra dimensão. A dimensão humana! Nenhum livro substituirá a visão que há a descobrir e nenhum livro substituirá a troca humana .Não sou uma grande analista para pretender dizer que esta viagem me permitiu ter uma melhor compreensão do mundo, mas tomei consciência de muitas coisas.

Tive consciência, sobretudo, que na vida tudo é efêmero ao exemplo desta grande civilização.Também tive a confirmação que há ainda sobre a terra muitas pessoas que vivem em condições difíceis e que lutam por sua liberdade.





Clique e confira postagens já publicadas, divididas em colunas:


13 comentários:

  1. Que maravilha de entrevista. Isso me faz aumentar o desejo de conhecer este país tão magnífico. Parabéns ao blog pela rica entrevista e a Joelle pela aula de história e pelo privilégio de ter visitado um dos berços da civilização.

    ResponderExcluir
  2. Gilberto, grande entrevista! A Senhora Joelle é de uma riqueza cultural extraordinária! No início deste ano, o mestre M. Cavalcanti me convidou para conhecermos, em breve, a França. Com essa entrevista, sugerirei-lhe, agora, o Egito. Um abraço a todos.

    ResponderExcluir
  3. Obrigado, amigos, pelas palavras de apreciação que se fazem incentivadoras.

    ResponderExcluir
  4. Magnifica entrevista, confesso que viajei junto.

    ResponderExcluir
  5. muita bonito entrevista sobre meu paiz
    fiquei muito feliz

    Abdul al farah

    ResponderExcluir
  6. Parabéns,Gilberto,pela gloriosa entrevista!
    Minha amiga Joelle é realmente muito culta e nos dá um banho de cultura dessa civilização egípcia.

    ResponderExcluir
  7. Ler sua entrevista Joelle fez-me lembrar o meu tempo de professor de História do extinto Sítio do Pica Pau Amarelo, quando nos detínhamos a discorrer sobre esse grande berço da civilização oriental, que rivaliza com a Grécia em importância para a história da humanidade. Os mistérios ontológicos e mitológicos de sua religião milenar, seu sistema político centralizador, a planície de Gize com a enigmática esfinge, guardiã das três maiores pirâmides do Egito; a riqueza do templo de Luxor, suas magníficas e gigantescas estátuas. Eis um país que vale a pena visitar.
    Joelle, você deu um pequena mostra de seu conhecimento, de sua sólida cultura. Imagine caro leitor, quantas descobertas nos aguardam quando da publicação do livro que ela vem escrevendo.
    Meu caro Nailson, vamos ver se o desejo se torna relidade um dia. Conhecer qualquer país (menos os Estados Unidos) ao seu lado, será sempre um prazer.

    ResponderExcluir
  8. Alessandro Nóbrega13 de setembro de 2011 15:52

    Esse casal é fantástico e possui uma luz maravilhosa. Fico feliz de ser amigo deles. Um forte abraço Joelle e François.

    ResponderExcluir
  9. POXA QUE ENTREVISTA ENTERESSANTE ESSA, CULTURA VIVA

    GENIVAL VALDIVINO

    ResponderExcluir
  10. Joelle, confesso que também fiquei maravilhado após ler essa sua magnífica entrevista. E conforme lia, fazia uma viagem junto com você através da imaginação. Que lugares impressionantes e encantadores! Realmente faz lembrar os filmes egípcios de Indiana Jones. Abraço Joelle e parabéns Gilberto por mais essa brilhante entrevista.

    ResponderExcluir
  11. Demorei pra responder pq estava viajando ......sim ,de novo !!! kkkkkkkkkk
    Quero agradecer vocês todos para as vossas agradáveis palavras e particularmente Gil por ter-me feito a honra desta entrevista .
    Nailson , a França tb é linda e tem muitos tesouros a descobrir( arqueológicos, culturais...) .Vc não vai ficar decepcionado !!! rsrsrs
    Para Abdul al farah , quero dizer que esta viagem no seu país foi um sonho acordado .Tenho apenas boas lembranças deste bonito país e dos seus habitantes.

    ResponderExcluir
  12. Gilberto e Joelle, parabéns pela belíssima entrevista. Realmente é impressionante o legado cultural que Joelle detém. Durante o seu relato sobre a viagem ao Egito fiquei encantada e vivi momentos imagináveis no túnel do tempo rsrs!

    ResponderExcluir
  13. Amiga Joelle, o comentário acima pertence a
    Luciene Araújo rsrsr! abração

    ResponderExcluir

Comentários com termos vulgares e palavrões, ofensas, serão excluídos. Não se preocupem com erros de português. Patativa do Assaré disse: "É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada”