APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Definição de TEMER


terça-feira, 19 de setembro de 2017

VERSOS SOBRE CURA GAY - Jadson Lima


Doença?
Doença é seu preconceito!

Vamos amar sem medida
Só o amor é perfeito
Não encha o peito de ódio
Exclua esse preconceito
Doença é intolerância
Desrespeito e arrogância
Pois cada qual tem sei jeito.

Ao invés de criticar
Junte-se, ame também
Não se importe com o outro
Pois pra o mundo, o que convém
É somente nosso amor
Felicidade e pudor
E hoje poucos o têm.

Não trate como doença
As mil formas de amores
Doença é ter no país
Imorais como os senhores
Estuprando a educação
Assassinando o irmão
E milhões trabalhadores.

O ódio mostra os desastres
Em notas, dentro das malas
Mostra a educação
Sendo agredida nas salas
E o grito da insegurança
No choro de uma criança
Se desviando das balas.

Defendo de peito aberto
Qualquer forma de amar
Se o amor é a chave
Se abra pra o bem entrar
Pois se existe uma doença
Vou lhe dar uma sentença...
AME se quer se curar.

Jadson Lima
Bom Jesus-RN

Setembro de 2017


HOMENAGEM EM VERSOS A MARCELO REZENDE



Hoje Marcelo Rezende
Começou nova jornada

Marciano Medeiros

Marcelo saiu do ar
Deixou nossa dimensão
Legando para o Brasil
Imensa recordação
Quando combateu o crime
Em nossa televisão.

Foi imensa a provação
Contra a doença brutal
Seus olhos mostravam medo
Da morte fera letal
Mas agora emancipou-se
No plano espiritual.

Deixou a vida carnal
Plantando muita saudade
Foi jornalista decente
Teve grande austeridade
Combatendo os desatinos
Da tal criminalidade.

Lutou com serenidade
Sem perder seu otimismo
Querendo viver bastante
Falava com realismo
Mas a morte o conduziu
Pela lei do fatalismo.

Ficou triste o jornalismo
Vestindo luto fechado
Marcelo partiu do mundo
Fazendo o grande translado
Acredito que Jesus
O fez ficar preparado.

Será muito relembrado
Pelas tevês do Brasil
Por ter usado a palavra
Mais forte do que fuzil
Para combater o crime
De modo muito viril.

Olhando o céu cor de anil
Irei meu cântico entoar
Pra que os anjos dedicados
O botem num bom lugar
Aliviando o sofrer
Na dimensão singular.

Desejo homenagear
Registrando num cordel
Os passos que deu na vida
Nesse planeta cruel
Onde lutou fortemente
O jornalista fiel.

Sou um simples menestrel
Falei com simplicidade
Pra família de Marcelo
Envio sem falsidade
Meu abraço caloroso
Com solidariedade.

O prazo de validade
De modo firme escorreu
A morte não discrimina
Conduz de rei a plebeu
Mas somente o corpo morre
Voltando ao chão que nasceu.

A divulgação se deu
De forma emocionada
Conforme a notícia triste
Que se tornou divulgada
Hoje Marcelo Rezende
Começou nova jornada.

Feito a noite de 16/09/2017.



Sobre a própria ausência - Cecília Nascimento



Sobre a própria ausência Onde estará aquela garota que trazia sempre um fone nos ouvidos e um chiclete a mascar? Seu semblante era tão triste... volta e meia a víamos cantarolar suas músicas que imaginávamos ser de rock, devido às roupas que usava... jamais parecia empolgada... sempre cabisbaixa, vez ou outra deixava cair suas lágrimas ao pedalar a bicicleta, correr na esteira ou usar qualquer máquina... Nenhum exercício parecia produzir nela a endorfina que a nós outros. Era como se ela viesse pra academia apenas para exercitar os músculos faciais, pois mais chorava que treinava aquela garota.
Por que será que ela parava tanto tempo naquela janela? O que será que estava a imaginar? Será que percebia que alguém a estava a observar? Provavelmente não; tão distraída que sempre foi, parecia até que se achava invisível. Mas o fato é que aquele ar tristonho, aquela aparência sombria inundava este lugar... Não importava o quão animados os ritmos da ginástica estivessem tocando, era só ela entrar que tudo parecia um campo solitário, onde pensamento algum passava despercebido mesmo em detrimento do barulho exterior.
Que fim levou aquela garota? Terá se encontrado? Terá se perdido? Terá recebido algo inesperado? Não se sabe... O que eu sei é que depois que ela se foi eu não tive mais com o que me distrair e agora a única tristeza que encontro por aqui é a minha.

Cecília Nascimento

domingo, 17 de setembro de 2017

VAZIO - Nelson Almeida


VAZIO

Tenho dentro de mim Um vazio de outrora Carrego dentro de mim A dor e a nulidade do agora Cresce dentro de mim A vontade de ir embora Agora que não existo Morro de dentro para fora.


Nelson Almeida


ROSAS PARA SAMUEL, DO SKANK


sábado, 16 de setembro de 2017

FORA - Gilberto Cardoso dos Santos


A REALIDADE NÃO EXISTE - Ramilton Marinho

A REALIDADE NÃO EXISTE

Monstros, Sereias, Harpias & Minotauros

Você sonhou estar em um labirinto? Sem pista alguma a apontar o seu início ou fim? Um labirinto eterno cujas paredes, altas e escurecidas, parecem possuir a propriedade de se estenderem para onde tudo for sempre?
Não se assuste! Esse quase pesadelo é tão antigo quanto á própria humanidade. Os gregos fizeram-no famoso na mitologia do Minotauro, criatura meio touro e meio homem, que todo ano, por sorteio, devorava num banquete fantástico sete rapazes e sete moças perdidos nesse labirinto da morte.
Desde a infância dos tempos; de forma descuidada, inocente ou tensa e dolorosa, erguemos dentro de nós as paredes mágicas desse labirinto sem fim.
Nesse labirinto eterno, os dias e as noites se confundem, as idéias se prendem uma as outras em uma cascata infinita de significados que mudam a cada nuance e se deslocam para ser outra coisa que na realidade nunca seriam.
Nesse labirinto não inventaram a palavra, a lógica, nem o enfadonho percurso das causas e efeitos. Nele a razão se dobra como faz a luz diante da gravidade e o tempo torna-se pastoso, elástico e relativo como só Einstein previu. Nesse pântano a nossa lógica cartesiana afunda, a nossa vontade reluta, e as nossas certezas desvanecem - para desespero dos Iluministas, adeptos incondicionais do racionalismo.
Tal labirinto esconde e revela em todos os vãos, percorrido em vão, os nossos ódios e desejos negados, deslocados e adiados pelo peso sagrado e profano da civilização judaico-cristã.
Habitat de monstros épicos: lascivos e profundos como as Sereias, amedrontadores como o Dragões do caos e das trevas, sombrios como as Esfinges do oculto, temerosos como as Harpias da morte e da destruição, cegos e rastejantes como Édipos; esses labirintos são o avesso, do avesso, do avesso.
E os monstros que os habitam são criados no reverso do espelho do pecado, do bom senso, da moral e dos bons costumes. São os anti-narcisos.
E tememos em olhar nos seus olhos, para não ver algo que teimamos em esquecer, negar, sufocar, para continuar a viver a ilusão da vida normal, de um cidadão que aos domingos vai ao zoológico dar pipocas aos macacos e acredita que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social – como ironizou Raul Seixas.
E sob esse peso ancestral seremos cordiais, sensatos, monogâmicos e pontuais, paramos ao sinal vermelho, decoramos orações para serem repetidas antes de dormir, cortejamos pessoas amadas com flores, vinhos e poesia, erguemos catedrais para os nossos Deuses oniscientes e palácios para nossos Senhores onipotentes, e mandamos correntes pela internet buscando a salvação, o alívio e a cura.
Mas, sob esse tormento, também fabricamos forcas e máquinas de tortura, promovemos massacres, guerras e genocídios, jogamos as Pragas sobre o Egito, rasgamos o mal com Martelo das Bruxas, trucidamos os vestígios do medo pelo giro caleidoscópico da suástica, e propagamos nas redes mensagens obscuras nas quais heróis travestidos de discursos e carapaças aparecem como salvadores do mundo e da vida normal dos homens de bem.
Caetano Veloso cantou: “De perto ninguém é normal”. De perto somos labirintos sem fim, dimensões múltiplas de seres obscuros, fabricados mais pelos delírios do sonho do que pela matéria da realidade. Diante do espelho somos tudo o que continuamos a desconhecer, precisamos desconhecer, rezamos pra desconhecer.


_______________
Ramilton Marinho Costa é Doutor em Sociologia e professor da UFCG

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O que eu faço? - Cecília Nascimento


O que eu faço? O que eu faço? Eu leio? Escrevo? Remeto? Ou desfaço? O que eu faço? Eu falo? Me calo? Entalo? Ou disfarço? O que eu faço? Eu bebo? Eu fumo? Eu como? Ou rechaço? O que eu faço? Eu olho? Cumprimento? Me atormento? Ou perpasso? O que eu faço? Eu digito? Eu apago? Eu envio? Ou estilhaço? Não importa O que eu faça Nada passa Essa vontade De passar Dessa vida... Como faço?





Cecília Nascimento


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A DIVINA COMÉDIA DE DANTE - Gilberto Cardoso dos Santos

A DIVINA COMÉDIA DE DANTE - Gilberto Cardoso dos Santos

1.Eis a Divina Comédia imponente, 
meio arredia à compreensão, 
obra importante para o Ocidente.                                  
2. Decerto digna de toda atenção. 
Arrepiante, mas fonte de riso 
fruto de um tempo de superstição.
3. No Purgatório, Inferno e Paraíso 
De tão humana  e trágica odisseia 
vemos alguém que usa seu bom siso 
4. sem retirar viseiras da ideia. 
Ler traduzida traz-nos prejuízo 
mas com certeza farta é a colmeia. 


Gilberto Cardoso dos Santos


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

CARTAS DE SATANÁS PARA O PRESIDENTE TEMER


A CARTA DE SATANÁS
PARA O PRESIDENTE TEMER

Ao chegar à presidência,
Temer se disse moderno,
E prometeu para o povo,
Ser um governo fraterno,
Mas, junto com a sua gang,
Fez do Brasil um inferno.

Satanás, sabendo disso,
Ficou de cabeça quente,
Porque não admitia
Ter na terra um concorrente,
Por isso fez uma carta
E mandou pro presidente.

Para surpresa de Temer,
O Satanás se zangou,
E, numa carta raivosa,
O bicho desabafou.
Eu vou descrever agora
O que o Satanás falou:

Meu prezado amigo Temer,
Tô ficando apavorado,
Pois sempre reinei nas trevas,
Sem medo, despreocupado,
Porém tu, meu camarada,
Tás me deixando assustado.

Sou Lúcifer, sou Pai das Trevas,
Rei das fortes tentações,
Sou maligno, sou Satã,
Causador de aberrações,
Mas sou um pobre coitado,
Perto das tuas ações.

Tu, junto com teus comparsas,
Derrubaste a presidenta,
Porém fazes no governo
Outra gestão fraudulenta,
E fazes tanta maldade
Que o povo já não aguenta.

Criticaste a honradez
Dos dois governos passados,
Pois lá havia ministros
Que foram denunciados,
Mas no teu, só tem suspeitos
E todos investigados.

Tu tens tirado direitos
Do povo trabalhador,
Comprando parlamentares
Pra votar a teu favor,
Só para aumentar o lucro
De quem é empregador.

A bíblia atribui a mim
Os pecados capitais,
Porém, para os brasileiros,
És pior que Satanás,
Diminuindo os recursos
Para as ações sociais.

Até nossa Previdência
Tu mandaste reformar,
Pra fazer com que o povo
Viva só pra trabalhar,
Chegando aos oitenta anos
Sem poder se aposentar.

Eu sou o Diabo, Demônio,
Belzebu, Bicho Malvado,
Capeta, Cão, Besta Fera,
Maldito e mais um bocado,
Mas cabra ruim como tu
Eu nunca tinha encontrado.

A Reforma trabalhista
Usas pra fazer o mal,
Aumentando a carga horária
De trabalho semanal
E com terceirização
Do negócio principal.

Teu pacote de maldades
É só pra lascar o povo.
Por isso, aqui no inferno,
Jamais terás meu aprovo,
Pois, se eu não tiver cuidado,
Farás um inferno novo.

O rombo da Previdência
Existe há anos atrás,
Mas, pra funcionários públicos,
O desconto aumentarás,
Porém não cortas salários
Dos famosos marajás.

Tu e todos os políticos,
Com as suas avarezas,
Só querem aumentar impostos,
Mas nunca cortam as despesas,
No afã de sempre aumentar
As suas próprias riquezas.

Não querem diminuir,
Os gastos nas eleições,
Mas todos partidos criam
Institutos, Fundações,
Que não servem para nada,
Só para corrupções.

Tu foste denunciado
Por corrupção passiva,
Mas distribuíste verbas,
De forma corporativa,
Para comprar deputados,
Numa gastança abusiva.

Eu sei que a bíblia revela
Que sou pessoa real
E também sou poderoso
Para praticar o mal,
Porém, comparado a tu,
Perco prestígio e moral.

Quem trabalha contra o povo,
Faz isso sem embaraço,
E, no meio dos parceiros,
Tem um que é teu amigaço,
Pois fez uma tatuagem
Com o teu nome no braço.

Destruíste, por decreto,
A Reserva Nacional
Do cobre na Amazônia
D’exploração mineral,
Fazendo essa exploração
Deixar de ser estatal.

Permitirás a empresários
Fazer a mineração,
Que aos poucos vai destruir
Áreas de conservação,
E o próximo passo será
Leiloar a região.

Assim, tu e teus comparsas,
Com essa e outras medidas,
Desprezando a natureza,
Fizeram mais investidas,
Para acabar, no Brasil,
Áreas que são protegidas.

Para vender o país,
Fazes tudo e não te acanhas,
Igual a tantos políticos,
Que só pensam nas barganhas,
Roubando milhões do povo
Pra fazer suas campanhas.

Dos políticos do Brasil
No inferno eu não aguento,
Tenho alguns conhecidos
Por Anões do Orçamento
E muitos que aqui chegaram
Vieram do parlamento.

Aqui, já tem deputados,
Prefeitos, vereadores,
Governadores de estados,
Ministros e senadores,
Que viviam no Brasil
Só pra praticar horrores.

Muitos corruptos daí
Já foram pro caldeirão,
E já tem lugar guardado
Pra todos do Mensalão
E pra muito mais corruptos
Do Governo e oposição.

O inferno já está pronto,
Com todo seu aparato.
Tem enxofre e fogo quente,
Eu falo, não é boato,
Só esperando os corruptos
Que estão na Lava Jato.

Todo político corrupto
Tem seu lugar no inferno,
E podes te preparar...
Aqui sou eu que governo,
Sendo chefe dos demônios,
O meu poder é eterno.

Teus atos são diabólicos
E teus anseios, sinistros,
Por toda tua maldade,
Já estás nos meus registros.
O meu caldeirão te espera,
Ao lado dos teus ministros.

Por tudo que tu tens feito,
Quando teu dia chegar,
O teu lugar no inferno
Não será só pra morar,
Tu queres chegar aqui
Pra tomar o meu lugar.

Por essa tua intenção,
Num bom castigo eu te encaixo,
Pois meu caldeirão te espera
Com o fogo aceso embaixo.
Aqui, queimarás pra sempre!
E é de cabeça para baixo.

Quando tu aqui chegares
E entrares no caldeirão,
Não vou gritar “Fora Temer!”,
Vás queimar feito carvão.
Daí, tu tiraste Dilma;
Daqui, não me tiras, não!!!

Ismael Gaião.



Carta de Satanás a Michel Tremer
Por Adriano Santori

Escrevo essas negras linhas
Pois ando preocupado
Com suas más atitudes
Naquilo que tens tramado,
Pelo que estou sabendo
O senhor anda querendo
Deixar-me  um pouco de lado!

Queres me passar pra trás
No quesito da maldade?
Sendo pior do que eu
Fui em toda eternidade?
Vai procurar o seu chão,
Ou a espada do Cão
Lhe corta pela metade!

Sou o Rei da Ruindade,
Mas ando meio tristonho,
Você anda fazendo coisa
Que nem mesmo em sonho
No inferno, eu pensaria
Que alguém me superaria
Com um plano assim tão medonho.

Congelastes por vinte anos
Investimento à nação,
Aumentando combustível,
Matando Educação...
Tirando de onde é preciso,
Causando mais prejuízo,
Que o cangaço fez no sertão.

Queres ver o pobre faminto,
Cortar a aposentadoria
De quem perdeu tanto tempo
Enricando quem não queria...
E hoje morre esquecido,
Transformado em bandido
O trabalhador de outro dia.

Mas um negócio o qual
Tem me causado insônia,
É a sua proposta vil
De desmatar a Amazônia...
Num outro golpe ligeiro
Entregá-la ao estrangeiro
Sem nem fazer cerimônia.

Destá, viu, coleguinha,
Um dia você me aparece!
Seu canto está ajeitado
Do jeito que o nobre merece.
Venha, não demore mais...
Assina aqui:  Satanás,
Adeus! Abraço e se aveche!

                     * * *

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

CADA PRÉDIO EM SÃO PAULO CONSTRUIDO TEM O SAL DO SUOR DO NORDESTINO - HÉLIO CRISANTO



CADA PRÉDIO EM SÃO PAULO CONSTRUÍDO
TEM O SAL DO SUOR DO NORDESTINO
MOTE: Andorinha

Se um cassaco viaja pro sudeste
A procura de pão pra sua gente,
É taxado de pobre e penitente,
Como muitos que vem lá do nordeste.
Ao chegar, de pedreiro faz um teste
Pega um prumo, enfrenta o sol a pino
Ergue fábricas, faz casa de grã-fino
Mesmo assim nunca é reconhecido
Cada prédio em São Paulo construído
Tem o sal do suor do nordestino

Sem dinheiro no bolso e sem mobília
Pega um ônibus pra terra da garoa
Dá um beijo na testa da patroa
Se despede do lar e da família
Na estrada, três noites de vigília
Com três dias alcança o seu destino
Pra juntar-se com João e Severino
Num barraco que há pouco foi erguido
Cada prédio em São Paulo construído
Tem o sal do suor do nordestino

Diversão para ele é coisa rara
Quando a grana recebe vem mirrada
No canteiro de obras faz morada
Pois se aluga uma casa é muito cara
O seu chefe briguento nem repara
As agruras do pobre peregrino
Que suado parece um clandestino
Sem história, cansado e esquecido
Cada prédio em São Paulo construído
Tem o sal do suor do nordestino

Se depois do almoço ele descansa
Adormece num banco de concreto
Sem diploma, esse pobre analfabeto
Já não acha na vida uma esperança.
A saudade maltrata, o tempo avança
A distância lhe deixa em desatino
Só lhe resta pedir ao Deus divino
Que a miséria não o deixe aborrecido
Cada prédio em São Paulo construído

Tem o sal do suor do nordestino

São coisas do meu sertão - Hélio Crisanto


Na sombra da oiticica
Uma jumenta viçando
Gavião se peneirando
Esperando uma peitica
Um moleque maluvido
Imzambuado e perdido
No meio da procissão
Foguetão dando pipoco
Galinha tirando xôco
São coisas do meu sertão


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A NADA FÁCIL ARTE DE EDUCAR - Gilberto Cardoso dos Santos


A NADA FÁCIL ARTE DE EDUCAR - Gilberto Cardoso dos Santos


Vi uma entrevista de um famoso pianista, cantor e compositor americano, concedida a Amaury Júnior. 

Foi perguntado ao sexagenário artista a quais pessoas ele agradecia por tão bem sucedida carreira. Sua resposta foi curta, sem titubeios: “Agradeço a minha mãe”.

Ante o aparente espanto do entrevistador, explicou: “Minha mãe me botava pra praticar, praticar, praticar... Eu odiava aquilo, detestava música! Mas ela insistia pra que praticasse ao piano. Se não fosse por ela eu não estaria aqui sendo entrevistado por você, não teríamos o que conversar. Talvez hoje eu trabalhasse numa loja de roupas, seria qualquer outra coisa... Portanto, tudo que sou devo a ela”.

Aquela entrevista, assistida por acaso, deixou-me pensativo sobre a difícil arte de educar. Qual o limite entre o não e o sim, pergunto-me. Até que ponto, devemos considerar os desejos, a felicidade imediata, disposições e indisposições de nossos filhos naquela idade em que o que mais importa é a diversão? Seria o correto, como fez aquela mãe, desagradar no presente para produzir um bem futuro? Teria hoje ele tão reverente sentimento de gratidão (observem que não citou ninguém, além dela!) caso ela o tivesse deixado à vontade e tivesse dito “Está bem, filho, se não quer fazer os exercícios, não tem problema”? 

Creio que através da disciplina – amarga naquele momento - aquela mãe o conduziu à autodisciplina. Consequentemente, esmerou-se na arte de tocar. Entre os momentos áureos de sua carreira, consta o dia em que tocou para o presidente Barack Obama.

Que orgulho daquela genitora ao longo da vida ao ver seu bebezão brilhando nos palcos, hiper feliz e bem sucedido! Será que valeu a pena para aquela mãe ser odiada durante o período em que insistia com o filho? Doía imaginar que em seu íntimo o filho a adjetivava de CHATA, mas aquela mãe diria que SIM, valeu a pena!


Será que valeu a pena sacrificar parte da infância para submeter-se aos desejos da mãe? O pianista responderia SIM, indubitavelmente. Para Rosely Sayão, famosa psicóloga, "Educar pressupõe sempre desagradar à criança".Todavia, não dá para ser taxativo, não há uma receita única. Qual nível de chatice se mostrará benéfico à criança? Em que medida e em que áreas deveríamos ser democráticos? Decerto é inspirador o testemunho do pianista  e com certeza útil a quem mima em excesso. Mas cada ser é único, cada caso é um caso. O que funciona com um pode não dar certo com outro. 

domingo, 20 de agosto de 2017

VERSEJANDO MANGA E CHUPANDO VERSOS




 Resposta ao grande vate Valdeilson:

Todos têm um lado angélico
E também um lado cão
Mistura de Yng e Yang
Eu creio que todos são
Os de toga e os de tanga
Todos têm seu lado manga
Na labial sucção.

(Gilberto Cardoso dos Santos)







quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ZACK MAGIEZI E DRUMMOND: INTERTEXTUALIDADE




BORDANDO PALAVRAS COM HÉLIO CRISANTO, ÀS CUSTAS DE PIERRE BORDIEU - Gilberto Cardoso dos Santos


BORDANDO PALAVRAS COM PIERRE  E HÉLIO CRISANTO (Gilberto Cardoso dos Santos)

O que é poesia, professor? Poesia é devaneio, meu amigo, como disse Bachelard. Poesia é fugir da linguagem comum, atrapalhar a ordem natural do discurso, saltar pra fora da asa, como disse Manoel de Barros.
Hélio Crisanto, poeta santa-cruzense, de Campestre, disse-me que recebeu a incumbência de escrever um cordel sobre um tal de Pierre Bordeau e, naturalmente, estranhou a pronúncia do sobrenome, que em nossa língua soa como verbo “perfeitamente” conjugado, sem deixar margem para dúvidas:  - bordou ou não bordou? - E ficamos a conversar a respeito da proposta. No meio de nossas divagações, criei um mote (Pierre bordou a blusa que Cláudia Cunha comprou) E Hélio fez outro (Pierre bordou a saia da mãe de Napoleão), e assim foram produzidas algumas estrofes. Vejamos:

Eu fiz:

Pierre, quando menino,
adorava confusão
Bordava e pintava o sete
comia que só o cão
com gente da sua laia
Pierre bordou a saia
Da mãe de Napoleão.

Se ele bordou ou não
É melhor ficar calado
O eleitor de Bolsonaro
Vai ficar meio cismado
Com o que ele aprontava
Pois se Pierre bordava
Com certeza era viado.

Pelo que observei
Pierre era educador
De formação esquerdista
Vermelha era sua cor
Educador destemido
Que ficou mais conhecido
Na função de bordador.

Na defesa dos aflitos
Pierre era muito afoito
Sua comida preferida
Era café com biscoito
Ele era um infitete
Depois que pintava o sete
Pierre bordava oito.

E Hélio continuou:

Napoleão Bonaparte
Quando era o rei da França
Fez uma grande festança
Juntando o povo da arte
Botou a mãe como parte
Dessa comemoração
E num ato de paixão
Levou a velha na praia
Pierre bordou a saia
Da mãe de Napoleão.

E eu disse:

Pierre era meu colega
Nós caçava passarinho
Ele era bem baixinho
E ajudava uma cega.
Gostava de música brega
Roubava manga e mamão
Tornou-se um bom artesão
Seguidor de Malafaia
Pierre bordou a saia
Da mãe de Napoleão.

Prosseguiu Hélio:

Pierre quando menino
Tinha fama de teimoso
Por ser muito corajoso
O chamavam Virgulino
Torava corda de sino
Era ruim que só o cão
Entre tanta profissão
Já fez forro de “cangaia”
Pierre bordou a saia
Da mãe de Napoleão.

Eu concluí:

Pierre era professor
Por um décimo reprovava
E o povo reclamava
De seu imenso rigor
Então o governador
Tirou ele da função
E ele achou seu ganha-pão
Fazendo arte em cambraia
Pierre bordou a saia
Da mãe de Napoleão.


Poesia é isso, uma “útil inutilidade” que resulta num sorriso, ainda que breve, ou faz cair uma lágrima indevidamente represada. O cordel sobre Pierre (ainda) não saiu, mas bordamos essas bobagens a respeito dele.