APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Uma noite na Pedra da Boca. - Maria Stella Dantas



Costumo passar os domingos na casa dos meus pais e me delicio com as histórias que contam sobre sua infância e juventude no Nordeste. Já ouvi várias vezes que quando jovem e vaqueiro, meu pai ia da Paraíba para São José do Campestre no Rio Grande do Norte visitar seu tio também vaqueiro Manoel Pinheiro.  Em sua narração há sempre a descrição do caminho percorrido, uma pedra com o formato de uma mulher e uma outra que tem uma boca, essa localizada em Passa e Fica. Desde que falou sobre essa tal pedra com uma boca fiquei curiosa para conhece-la.



Pesquisei na internet e quando vi as fotos do local fiquei maravilhada e decidi que iria conhecer a Pedra da Boca. Queria unir o útil ao agradável, passar pelos caminhos que meu pai quando jovem e vaqueiro passou e aproveitar para fazer umas trilhas, gosto muito de trilhas! O local é o paraíso da escalada e rapel.  Então consegui o contato do guia mais famoso de lá, Seu Tico , um paraibano de 57 anos, super simpático, cujo quintal é o Parque Estadual da Pedra da Boca. O Parque encontra-se na cidade de Araruna/PB, mas sua entrada está mais próxima de Passa e Fica/RN. Estava hospedada em Natal e me programei para sair no ônibus das 5h15, chegar em Passa e Fica às 8h, ir direto subir a pedra , descer, almoçar, trilhar de novo,  dormir e no dia seguinte fazer a trilha das grutas. Ainda em Natal perguntei ao Seu Tico se ele oferecia hospedagem e ele me disse que me alugaria uma rede. Na minha completa ingenuidade pensei que ele dispunha de um quarto cheio de redes (um redário). Bem, após as trilhas, veio a janta e o cair da noite, e eu me perguntando onde dormiria, até que Seu Tico me sai de sua casa com uma rede azul bem fornida e arma no alpendre de sua casa, local utilizado para colocar as mesas do seu “restaurante”. Ele proseou um pouquinho comigo, falamos de seu mural de fotos e ele se recolheu. Entrou, fechou a porta e fiquei do lado de fora com Xerete, cão de estimação da família, dois sapos enormes, um silencio interrompido pelos grilos, uma negritude cortada pela lâmpada do poste e uma chuvinha fina e constante.  


Indescritível a sensação, não tão positiva, de ter que passar a noite sozinha do lado de fora da casa em uma cidade desconhecida, para uma mulher e ainda por cima carioca, que vive com o alerta ligado mesclada com a deslumbrante experiência de subir a famosa pedra e paisagem lindíssima. Tenho o hábito de dormir lá pelas 23h e tive que me recolher as 19h! A noite foi longa, afinal não tenho o costume de dormir a noite toda numa rede. Aproveitei para contemplar o silêncio, sentir o frescor da noite e refletir sobre minhas andanças pelo interior do Nordeste e o meu pertencimento a essa região. Lembrar de meus antepassados que por muitas e muitas vezes passaram por aquelas terras a pé ou a cavalo e agradecer a oportunidade de ter conhecido um lugar tão lindo e único! Não sei bem explicar, mas  esta noite mexeu comigo, me tornando mais corajosa do que naturalmente sou.  Lamentavelmente devido a chuva não pude fazer a trilha das grutas, e em algum momento voltarei a Pedra, o que farei com muito prazer.


Maria Stella Dantas
Secretaria da Diretoria
Bio-Manguinhos/FIOCRUZ

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VERSOS PRA MINHA MULHER - Gilberto Cardoso dos Santos


Maria “dulce” Maria
Bela na simplicidade
Minha fonte de alegria
Sossego e felicidade
Que tem todo meu respeito
Ela só tem um defeito:
“d” feito no nome AnDrade.

Quem a conhece descobre
O quanto é inteligente
Seu comportamento nobre
Mostra o quanto é prudente
Eu tive bastante sorte
Pois mulher com esse porte
Não se acha facilmente.

Acho seus olhos tão belos
Gosto de seu bom humor
E nos seus gestos singelos
Vejo expressões de amor
Digo no verso e na prosa
É uma mulher virtuosa
De inegável valor.

É minha melhor amiga 
além de esposa amada
se às vezes a gente briga
é uma briguinha de nada
que logo se desvanece
quando ela me aquece
no frio da madrugada.


domingo, 14 de dezembro de 2014

MULHERES ESTENDENDO PANO - Gilberto Cardoso dos Santos

Pintura de  Wagner di Oliveira

Mulheres estendem panos
Enfrentam grande peleja
Ventos perturbam seus planos
Mas para quem as corteja
Numa exposição qualquer
O vento sopra onde quer
Mostra o que o olhar deseja.

O pincel com sutileza
faz algo extraordinário
Um cheiro bom de limpeza
se espalha no imaginário
de ondulante magia
se reveste a ventania
no quadro extraordinário.





sábado, 13 de dezembro de 2014

DIA DE MAZELAS - Hélio Crisanto



Certo dia de mazelas
Pisei no rastro de um corno
A rede caiu do torno
Fraturei duas costelas
Pra completar as sequelas
Quando sai pro mercado
Botei num bolso furado
O dinheiro da verdura
E pra levar a mistura
Fiz a feira no fiado

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CONVITE: HOJE TEM ESPETÁCULO - Shirley Felipe



Mais uma vez o PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO DA ESCOLA ESTADUAL COSME MARQUES, abrilhantando com um espetáculo divino. Agradecemos a todos que participaram desde a sua elaboração até a sua culminância. 

Ainda não acabou, HOJE (11.12.2014) tem mais. Venham assistir esse evento tão esperado por todos nós, às 19:00 no Teatro Candinha Bezerra.


O SOLDADINHO DE CHUMBO E A BAILARINA








quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

SAÚDE MENTAL NA ESCOLA COSME F. MARQUES - Ana Glória


Escola Estadual Cosme Ferreira Marques
Ensino Fundamental e EJA
Rua Aluízio Bezerra, 165, Centro, Santa Cruz-RN
Telefone: 3291-6935


Aos dias dois de dezembro do corrente ano (02/12/2014), reuniram-se, nesta instituição de ensino, o médico psiquiatra Epitácio Andrade Filho, gestores, professores do turno vespertino e demais funcionários para juntos realizarem uma oficina de trabalho, pautando a temática Saúde Mental na Escola.
Dr. Epitácio destacou a importância do PSE - Programa de Saúde na Escola – que, junto ao PSF - Programa de Saúde Familiar do bairro - , pode consolidar  uma importante parceria a fim de que  a escola possa concretizar projetos referentes à Saúde Mental na Escola e buscar soluções para os problemas detectados.
A vice-diretora Shirley Felipe relatou casos de estudantes com distúrbios já diagnosticados por psiquiatras ou psicólogos.
Os professores falaram das dificuldades vivenciadas e de casos em que suspeitam haver alunos com problemas de ordem psiquiátrica ainda não diagnosticados.
Dr. Epitácio deu sugestões de como a escola deveria proceder no caso de constatação ou suspeita de desequilíbrios mentais.  Falou que, primeiramente, será de suma importância comunicar à família e ao PSF. Depois, destacou estratégias para os professores lidarem adequadamente diante de alguns casos específicos que incomodam a todos. Por exemplo, o aluno com habilidade significativa em algum esporte, deve ser incentivado a desenvolver mais e mais essa sua competência e utilizá-la para amenizar os déficits das demais competências e em benefício dos colegas.
Outro ponto pertinente na oficina de trabalho foi a discussão acerca de conceitos de problemas relacionados a saúde, como: o que é Depressão? O que é distúrbio de personalidade? O que é ser um psicopata? O que é distúrbio de conduta? Para tais indagações, Dr Epitácio, discorreu com muita proficiência. A seguir mencionou o alto índice de consumidores de remédios controlados, em Santa Cruz e refletiu sobre possíveis causas.
Para o momento, também falou sobre a criação e o papel do CAPS e da importância que a entidade teve e tem em relação aos tratamentos das pessoas com problemas de saúde mental, haja vista que a mesma surgiu em substituição aos manicômios, onde o ser humano era tratado de forma muitas vezes desumana.
Dr. Epitácio indicou aos professores algumas atividades lúdicas que poderiam contribuir para um melhor entendimento de como funciona a mente dos alunos e a respeito de possíveis deficiências. Também deu dicas de como tais temas poderiam ser aprofundados em pesquisas do Google.
Em suma, a oficina de trabalho Saúde Mental na Escola foi muito proveitosa para nossa instituição. Além dos conhecimentos adquiridos e das informações repassadas, ficamos mais preparados para lidar com problemas que porventura venham a surgir no processo ensino-aprendizagem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Olhando a vida - Rita Luna


Cessa a chuva vem o sol suave e tímido
Dar seu expediente incansavelmente
Seca a folha da mangueira verdejante
Cala o ódio, seca o pranto, cessa o medo vem o canto

No canto da cerca o garoto tira a goiaba da goiabeira
Divide o fruto com vespas e lagartas, bobeira...
Balança o galho da laranjeira
Desprendem-se as gotas caindo em chuva sorrateira

Bebe a chuva, sente a brisa, aquece ao sol
Gira o corpo, vira a mente, morre o sol no arrebol
Cresce a vida, gira o girassol focando o sol

Chuva ou sol, canto ou pranto
Gira a vida, cresce e morre em cada canto
Bom ou ruim depende da semente que hoje eu planto

Rita Luna 13-06-13

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

5º FESTIVAL FELINTO LÚCIO DANTAS E A CAMPANHA DA APAE

O 5º Festival Maestro Felinto Lúcio Dantas transcorreu conforme já se esperava: sucesso de público. 
O TRIO ARAPUÁ, mais uma vez, contribuiu grandemente para o sucesso do evento, preenchendo os intervalos entre uma banda e outra com música de qualidade. Parabéns ao grupo!




As bandas mais uma vez arrancaram muitos aplausos e garantiram a permanência do público até o final.








O festival também teve um caráter filantrópico. A ASFOT disponibilizou centenas de belas fotografias à venda. O valor arrecadado se destina à APAE e visa a construção duma sede própria. Parabéns aos oito fotógrafos pelo belo trabalho que fizeram e pela decisão que tomaram de beneficiar esta importante instituição. Além da venda dos quadros, a APAE está vendendo cartelas (valor 5 reais) para um bingo com o mesmo objetivo. Quem quiser contribuir com a campanha, procure Maria José, a responsável pela APAE, que aparece na última foto.






domingo, 7 de dezembro de 2014

SOBRE O 5º FESTIVAL MAESTRO FELINTO DANTAS


Na primeira noite do V FESTIVAL MAESTRO FELINTO DANTAS, o Teatro Candinha Bezerra esteve lotado, como  tem acontecido a cada ano. Trata-se de um dos eventos mais esperados de nosso calendário cultural. 

Mais uma vez as expectativas foram atendidas. Os muitos aplausos a permanência da plateia até o final deixaram claro que o evento teve grande aceitação.

Parabéns às 3 bandas da primeira noite, ao maestro Camilo Henrique, à ASSOMUSC e a todos que contribuíram para que esse evento desse certo. Parabéns também ao TRIO ARAPUÁ pelo enriquecimento que trouxe ao evento.

Neste domingo, 07.12.2014, teremos a segunda noite deste importante festival. Quem não foi na primeira parte, não deixe de ir neste segundo dia. Aconselhamos que vá cedo para que não fique sem assento.





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

MINHA GRATIDÃO POR SANTA CRUZ - Maria Stella Dantas


Caro Gilberto,

Sou descendente de nordestinos, nasci e vivo no Rio de Janeiro. Não tive a oportunidade de conhecer meu avô, vaqueiro afamado no Brejo Paraibano, mas  recebi de presente há anos sua certidão de casamento, onde cita seu local de nascimento: Santa Cruz do Inharé.  O que não sabia é que duas décadas depois essa preciosa informação iria me levar a uma grande  e feliz descoberta de minhas raízes. Meu bisavô João Pinheiro migrou do Seridó (Fazenda Chapado  - Tangará) para a Paraiba em 1922 e faleceu em 1964, era também vaqueiro e muito famoso pelo seu aboio mavioso e cheio de encantamento. Cresci escutando muitas estórias de seus feitos como derrubador de gado, curador de rastro e vaquejadas. Mesmo morando no Sudeste sempre tive uma ligação muito estreita com o Nordeste e uma admiração enorme pelos vaqueiros.

Dos costumes do interior guardo o de ter uma costureira, gostar de escolher tecidos e modelos. Uma das peças que ainda me falta é um colete de couro com os ornamentos de vaqueiro. Para tal resolvi pesquisar na internet roupas de vaqueiro e uma foto de um chapéu de couro colorido me chamou a atenção. Ao clicar fui direcionada para o blog da Cidade de Barcelona, o qual fala sobre o vaqueiro e ao lado da tal foto havia um tópico sobre O Aboio do Vaqueiro, uma transcrição fiel do livro Retalhos do Meu Sertão de José Fernandes Bezerra.  O texto citava João Pinheiro como extraordinário aboiador do Rio Grande do Norte, as vaquejada que ele participava em Santa Cruz e imediatamente me lembrei que essa era a cidade que meu avô havia nascidoLi o relato com mais calma e ao ver o nome da fazenda tive a certeza de QUE tratava-se de meu parente. Quanta alegria!!!

 Desta forma saber que meu avô nasceu em Santa Cruz fez toda a diferença para que  lesse o texto com mais atenção e descoberto a grande habilidade de meu ascendente!



Em novembro desse tive a oportunidade de conhecer essa cidade charmosa, sua feira enorme, diversificada e farta, pessoas acolhedoras e o imponente Santuário de Santa Rita de Cássia com sua maravilhosa vista para a Serra.  Além do que através de uma entrevista na Rádio Comunitária de Santa Rita consegui contatar parentes desconhecidos que ainda moram em Santa Cruz.

Um abraço.

Maria Stella Dantas
Secretaria da Diretoria
Bio-Manguinhos/FIOCRUZ





terça-feira, 2 de dezembro de 2014

POETA MESMO OFENDIDO SABE OFERECER AFETO. ( Hélio Crisanto X Maciel Souza)

Maciel SouzaHélio Crisanto


 Mesmo de alma ferida
O poeta tem doçura
Se alguém lhe esconjura
Ele oferece guarida
Não guarda mágoa na vida
Esse dilema eu decreto
Se é julgado de abjeto
Ninguém vê o seu gemido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto


 
 Maciel Souza

Poeta distribui flores
Inspirado nas canções
Confortando os corações
Diminui as nossas dores
Acima dos pecadores
Tem um sentido eterno
Contagia quem tá perto
Dá luz pra quem tá perdido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto


Nos seus ombros de menino
Carrega as dores do mundo
Seu sentimento é profundo
Seu canto parece um hino
Se é vitima do destino
Não desvia o seu trajeto
Seu repertorio é seleto
O seu caminho é florido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto


Poeta sabe o caminho
Que nos conduz à alegria
Compartilha simpatia
Quando sofre dá carinho
Se chora, chora sozinho
Lágrimas transforma em verso
Quando com ele converso
A vida ganha sentido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto.


Todo poeta carrega
Um fardo de sofrimento
No verso procura alento
A alma, a Deus ele entrega
Na matéria não se apega
Amar é o seu dialeto
Seu universo secreto
De muito amor é nutrido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto


Sofrendo viveu Bandeira
Numa fase muito escura
Tuberculose sem cura
Consumindo a vida inteira
Drummond em rima certeira
Da pedra fez-se arquiteto
Sofreu com José por perto
Tristonho, desiludido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto
.


Augusto por ter talento
Sofreu grande preconceito
Mesmo ferido no peito
Não desistiu do intento
Morreu no seu aposento
Nunca teve um desafeto
Sempre foi homem dileto
Um cidadão instruído
Poeta mesmo ferido
Sabe oferecer afeto


Castro Alves se feriu
Com tiro no pé à-toa
Fez muita poesia boa
Espalhada no Brasil
Padre Anchieta sentiu
Dores por nosso alfabeto
A Joaquim e Adalberto
Ensinou Tupi benzido
Poeta mesmo ferido
Sabe oferecer afeto


Gregório já foi taxado
Como o boca do inferno
Mas nem por isso o caderno
Deixou de ser rabiscado
Depois de ser censurado
Mudou de vida o projeto
Foi um poeta completo
Antes de ser redimido
Poeta mesmo ferido
Sabe oferecer afeto


José de Alencar cursou
Seu sonho advocacia
E na sua freguesia
A política ele adotou
Denúncias como escritor
Escreveu lá do seu teto
Embora estivesse certo
Não foi bem compreendido
Poeta mesmo ferido
Sabe oferecer afeto.


O famoso patativa
Viveu da agricultura
Mas em nós sua cultura
Continua sempre viva.
Sua obra nos cativa
Do verso foi arquiteto
Mesmo sendo analfabeto
Foi um poeta aplaudido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto


Que bom eu aqui teclando
No face compartilhado
Com Hélio do outro lado
Eu e ele aqui versando
Colegas acompanhando
Torcendo para dá certo
E pra quem deseja veto
Sinta-se muito aplaudido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto.


Sensível e sentimental
Sofre com a dor alheia
Sua vida vive cheia
De sorriso e bom astral
Não tem tendência pro mal
Seu caminhar é correto
Tem a paz como projeto
E ver o pão repartido
Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto