APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 29 de julho de 2014

RUBEM ALVES E ARIANO - Gilberto Cardoso dos Santos


Rubem Alves e Ariano
Dois grandes educadores
Poetas e prosadores
Exemplos de ser humano
mineiro e paraibano,
com linguagens diferentes,
prosadores envolventes,
cheios de sabedoria
destilaram poesia
no coração dos viventes.
                                           
Cumpriram uma missão
De resultado inconteste
Um defendeu o Nordeste
O outro a Educação
Eram homens de visão
E inegável bondade
Com toda simplicidade
Buscavam nos ensinar
Que é preciso batalhar
Pelo bem da humanidade.

Um com a prosa mineira
e o outro sempre engraçado
com seu sotaque pesado
erguendo a nossa bandeira
A cultura brasileira
certamente empobreceu
quando essa dupla morreu
feriu nossos corações
só nos restam as lições
que cada um deles nos deu.

sábado, 26 de julho de 2014

VISITA À CASA DO CORDEL - João Melo


CONHECI UM LAR ENCANTADO EM NATAL A CASA DO CORDEL,LÁ FOMOS BEM RECEBIDOS PELO POETA ERIVALDO LEITE MAIS CONHECIDO POR ABAETÉ O MESMO NOS MOSTROU SEUS BELOS TRABALHOS E TAMBÉM APRESSOU SUA EQUIPE DE MÚSICOS E ARTESÃO E O INTERESSANTE QUE A CASA DO CORDEL SE SUSTENTA ATRAVÉS DOS APOIOS CULTURAIS E DE SUA LOJA COM PRODUTOS MUSICAIS DE ÓTIMAS QUALIDADES, QUADROS, LIVROS, ARTESANATOS E ANTIGUIDADES, VALE A PENA CONHECER ESSE LUGAR ENCANTADO. ANOTE O ENDEREÇO:
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Quando morre um poeta nordestino Nasce um pé de saudade no sertão - Hélio Crisanto

Quando a morte fustiga um cantador
Uma ave tristonha já não canta,
Fica preso seu grito na garganta,
A viola se cala e sente a dor.
Enlutado com a morte, um trovador
Já não toca sequer uma canção
Na capela com pressa o sacristão
Puxa a corda chorando e bate o sino
Quando morre um poeta nordestino
Nasce um pé de saudade no sertão



sexta-feira, 25 de julho de 2014

O PERIGO DO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO - Gilberto Cardoso dos Santos




Que terrível crueldade
Em nome de um Deus de amor
Homens que pregam terror
E fazem tanta maldade
Não têm qualquer piedade
Sentimento de altruísmo
Demônios do sexismo
Infernizam a existência
São filhos da violência
Escravos do fanatismo.

Acho desesperador
Imaginar que o futuro
Poderá ser obscuro
Um verdadeiro terror
Religiões sem amor
Estão em franca expansão
Causam dor e divisão
Em toda a sociedade
levando a humanidade
À autodestruição.

Precisamos encontrar
Um jeito de reagir
Se a gente não se unir
A coisa vai piorar
O mal pode prosperar
Pela nossa indiferença
Creio que nem toda crença
Mereça o nosso respeito
Precisamos dar um jeito
Antes que o mal nos vença!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

AO MESTRE ARIANO - Adriano Bezerra


Cumpriu sua sina
Mais um baluarte
Um gênio da arte
Tão rica, tão fina...
Porém não termina
Aqui seu legado
Serás recordado
Mestre Ariano
Ano após ano...
Imortalizado.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O GRANDE LEGADO DO FINADO ARIANO - Gilberto Cardoso dos Santos


Não tive a oportunidade de conhecer Ariano Suassuna pessoalmente. Conheci-o literariamente, através de A Pedra do Reino, de O santo e a porca, do filme O auto da compadecida, de seus poemas... mas principalmente conheci-o através de algumas palestras suas disponíveis na internet.

Creio que seu principal legado tenha sido o de elevar a autoestima do nordestino. Ele resguardou-nos de desenvolvermos um infundado complexo de inferioridade em relação às demais regiões do Brasil e do mundo. Sua ferrenha defesa não era apenas da cultura nordestina, mas do Brasil. Dizia ele dos mais variados modos e sempre com gracejo que não temos razão alguma para envergonhar-nos de nossas raízes e supervalorizar o que vem de fora.


Era alguém que brigava por nós. Brigava  brincando, feito um hábil lutador.

Seu sotaque pernambucano, propositalmente carregado, era um convite a assumirmos nossa nordestinidade. Por seu exemplo, dizia-nos ele que não devemos nos envergonhar do modo como falamos, da maneira que somos. Sua luta, ignorada por muitos que se acham cultos e até mesmo por educadores, tem o respaldo da moderna linguística.

Num mundo globalizado, não temos que nos igualar, prestar subserviência a uma cultura supostamente superior e renunciar ao nosso folclore. Pelo contrário: é preciso que nos apeguemos mais firmemente às diferenças, que salientemos nossas riquezas imateriais para que o mundo, tendente à uniformidade, continue colorido e rico em seus diversos aspectos e segmentos. Que prossiga a confusão de línguas iniciada lá em Babel e cada um de nós enraíze-se mais e mais na dimensão histórica e geográfica que nos coube.

Ariano Suassuna foi bem mais que um nordestino engraçado. Era uma porta aberta no presente que escancarou diante de nós os tesouros que havíamos trancafiado no quarto de despejos. Modernidade pra ele só tinha valor quando não atentava contra a cultura popular. E quem disse que a cultura popular era detentora de uma arte inferior, digna de nossa complacência? Mestre Ariano colocou-a em pé de igualdade com todas as outras e até um pouco acima. Entre uma culta tragédia grega e um ritual de dança indígena, ele ficaria com a segunda opção. A Grécia e o Egito até poderiam nos dizer alguma coisa, mas seria através das vozes de João Grilo, Chicó, Pedro Malazartes e outros tantos personagens dos folhetos de cordel.

Era impossível não gostar de nós mesmos quando ouvíamos Ariano! Ele nos abria os olhos para o  que temos de melhor.

Ariano se foi, mas antes de ir deixou-nos curados. Foi um psicanalista que bem cumpriu o seu papel. É hora de sair do divã e assumir nossa matutice.  Não mais precisamos que alguém nos diga a importância que temos, pois sua voz  ecoará dentro de nós sempre lembrando-nos disto.

HOMENAGENS EM PROSA E VERSO AO MESTRE ARIANO

Obrigado mestre! pela música, pela poesia, pela dramaturgia, pelo bom humor, fica a obra, isso nos alenta - Hélio Crisanto
.
O Mundo não acabou, mas ficou mais pobre.
Ontem a tarde, conversando com minha filha sobre o difícil estado de saúde de Ariano Suassuna, assim como das perdas recentes de grandes figuras da literatura e da cultura, como Rubem Alves , João Ubaldo Ribeiro e do Mestre Antônio da Ladeira dizia eu pra ela:
"Minha mãe dizia que se Frei Damião morresse o mundo se acabaria! Ele morreu e o mundo não acabou. Mas eu digo que se Ariano Suassuna morrer o mundo se acaba!!"
Infelizmente hoje, é com muita tristeza que acabo de saber da noticia da morte dele; 
O mundo não acabou, mas o Brasil e o mundo acabam de perder um grande homem, um grande escritor, dramaturgo; um árduo defensor do Movimento Armorial, da cultura nordestina; da cultura popular como um todo!!!

Onde estivesse, Ariano defendia nosso jeito de falar, nossa cultura, com muita propriedade, com muita autoridade. E isso não é pra qualquer um!
A morte de Ariano Suassuna vai deixar uma lacuna muito grande. Não tenho dúvida disto.
A nós mortais nordestinos e brasileiros, só nos resta um consolo:ele nos deixa , mas a obra dele (Auto da Compadecida, O Santo e a Porca. A Pedra do Reino, etc) ficará eternizada!

***João Maria de Medeiros -- cronista, contista, poeta e professor.


CORDEL PARA ARIANO SUASSUNA - Gustavo Dourado

Ariano Villar Suassuna:
Em João Pessoa nasceu...
Nossa Senhora das Neves:
A sua bênção lhe deu...
Filho de João Suassuna:
Dona Cássia o concebeu...

Dia 16 de junho:
1927, o ano...
Por graça da divindade:
Veio ao mundo Ariano...
Brasileiro por excelência:
Nascido paraibano...

[...]

8 décadas de Ariano:
Quintessência social...
Por justiça e liberdade:
Sua arte é vital...
Ariano é um luzeiro:
Da cultura nacional...

Cultura Popular Brasileira:
Movimento Armorial...
Estética e erudição:
Sapiência cultural...
Mamulengo e Cordel:
Ariano é sem-igual...

Parceria com Capiba:
E com Ascenso Ferreira...
Inspirou-se no Cordel:
E na cultura brasileira...
Com Hermilo Borba Filho:
Fez teatro de primeira...
[...]

Do Clássico ao Popular:
De Cervantes ao Cordel...
Euclides da Cunha e Dante:
De jogral a menestrel...
Shakespeare e Dostoiévski:
Gil Vicente e Rafael...

Pela poesia começou:
No conto é experiente...
O teatro é sua glória:
No romance é sapiente...
Teatro dos Estudantes:
A voz do povo presente...

Aleijadinho e Leonardo Mota:
Unamuno e Conselheiro...
Eça, Gautier, Villa-Lobos:
Mamulengo presepeiro...
Romance e cantoria:
Ariano é candeeiro...

Ariano romancista:
Poeta e professor...
Dramaturgo e filósofo:
Luminoso pensador...
Cultivador da estética:
Universal criador...

Gustavo Dourado - Autor do cordel



AO MESTRE ANTÔNIO DA LADEIRA - Adriano Bezerra

Mestre Antônio da Ladeira
Pelo Mestre foi chamado
Certamente pra alegrar
O povo do outro lado
Mas o seu valor sem par
Para sempre vai ficar
Entre nós eternizado.


terça-feira, 22 de julho de 2014

MESTRE ANTÔNIO DA LADEIRA - Homenagem em versos (Gilberto Cardoso dos Santos)


Hora de queimar o boi:
A festa silenciou
O nosso guia se foi
Sua missão terminou
Foi-se quem tanto apoiou
A cultura verdadeira
A nossa alma brejeira
Feito criança ficava
Quando se apresentava
Mestre Antônio da Ladeira

A cultura foi seu guia
Durante longa existência
Na dança e na poesia
Ele firmou a vivência
Enfrentou com resistência
O progresso sem fronteira
Que destrói na terra inteira
O que o passado teceu
Com seu boi permaneceu
Mestre Antônio da Ladeira

O passado jaz à porta
E não deve ser varrido
Feito uma coisa morta
Que perdeu todo sentido
Que não seja enfraquecido
O brilho dessa fogueira
Que nossa saga roceira
Resplandeça em sua glória
E não tire da memória
Mestre Antônio da ladeira.

Os 3 reis do Oriente
No céu estão a dançar
Junto com seu boi valente
Mestre Antônio vai chegar
Sem hora pra terminar
Tem início a brincadeira
Vão passar a noite inteira
Com anjos se divertindo
E alegremente seguindo
Mestre Antônio da Ladeira

Ele fez o que podia
Pra manter a chama acesa
A cultura que trazia
Era cheia de beleza
Vem dançando a realeza
Numa nuvem de poeira
Mas a morte sorrateira
Veio à festa estragar:
Era hora de levar
Mestre Antônio da Ladeira.

Num planeta iluminado
Que ao progresso cultua
Nos espelhos do Reisado
Falta o clarão da lua
Mas a festa continua
O boi desce a ribanceira
A Catirina faceira
Chega para conquistar
Em vão tenta despertar
Mestre Antônio da Ladeira

Nosso mestre adormecido
Sonha com outro Reisado
E está tão envolvido
Que não será acordado
Resta-nos o seu legado
Pra cultura brasileira
Vamos fechar a porteira
Para o progresso inclemente
E guardar em nossa mente
Mestre Antônio da Ladeira.

A  ladeira da cultura
É difícil de subir
Cercados de amargura
Muitos querem desistir
É preciso persistir
Não se entregar à canseira
Erguer bem alto a bandeira
Nem sempre reconhecida
Como fez por toda a vida
Mestre Antônio da Ladeira.

HOMENAGEM A MESTRE ANTÔNIO DE HÉLIO CRISANTO


A mão cega do destino
Turvou a segunda feira
Ceifando esse baluarte
Mestre Antônio da ladeira
Com o seu chicote e chapéu
Foi ser brincante no céu
Deixando a arte solteira.