APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 24 de julho de 2016

Domingo de Sol - Cecília Nascimento

Domingo de Sol


Hoje, nem o mar está na vibe... Acordou cinza, sem vontade de domingar. Clamou ao Sol que por misericórdia não o viesse visitar... Convidou a chuva para compactuar com sua tristeza e afugentar os indesejados...
A despeito de sua dor, o Sol apareceu. Contou, no entanto, com a companhia da chuva e do forte vento... Estava composto o cenário para minha inquietante manhã de domingo.
Sento na areia como quem busca inspiração para continuar respirando... Poucas crianças ensaiam a ternura das brincadeiras de castelos de areia... Ao longe, uma grávida oferece seu ventre para o Mar beijar o bendito fruto que, breve, iluminará ou embaçará ainda mais o mundo dos mortais. Mas, o Mar, a meu exemplo, também não está para beijos. Ele sacode, irritadíssimo, alguns surfistas que não entenderam ainda seu momento deprê... não interessa se hoje é domingo e se o Sol, esse insensível, não atendeu ao seu apelo... que se dane!
Sentada, já decidida a me escrever, o mar invoca à praia e recebo uma rajada de areia na face entorpecida... uma tentativa frustrada de me impedir... Mas não há força capaz de parar uma crônica quando ela já nasceu dentro de nós...
Como quem finalmente despertou após semanas de marasmo, pego minha caneta rosa e meu bloquinho artesanal de papel, que, diga-se de passagem, na saída para esse passeio foi dissuadido de ir à praia, com quem ouve que ali não era lugar para compromissos ou notas, só esquecimento... e comecei a escrever.
Bom seria mesmo, para o Mar e para mim, que nesse lugar só reinasse o esquecimento... Mas, lamentavelmente para ambos, é impossível contemplá-lo sem trazer a lume um mar de recordações, rajadas de sensações, nem sempre doces, e fincar os pés na mais pura nostalgia... Isso porque para gente que já nasceu dolorida nem todo domingo é dia de Sol... mesmo que ele apareça no final.

Cecília Nascimento

24/07/2016

AMÉM SEM ACENTO - Gilberto Cardoso dos Santos


quinta-feira, 21 de julho de 2016

JURAS DE AMOR; - Minerva Gomes


Quantas lutas perdidas sem pensar
Quantas vidas vividas sem amor
Quantas vezes você me fez chorar
Me enganando enganaste a tua dor

Quantas vezes juramos amor sem fim
Quantos sonhos pra nós foi projetado
Quantas juras de amor falou pra mim
Fui tua cúmplice e seguia lado a lado

Quantas dores batendo no meu peito
Quantas noites escuras vejo agora
Quantas faltas eu sinto em nosso leito
Essa dor que eu sinto e me devora

Quantas lembranças levo em meu caminho
Quanta certeza que um dia fui amada
Quando triste sigo agora em desalinho
E por você serei eterna apaixonada.


Minerva Gomes.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O bullying na arte do comer bem - Cláudio Edijanio de Araújo


     
O bullying na arte do comer bem

por Cláudio Araújo

É interessante como algumas atitudes ou ações humanas só são debatidas, aceitas ou combatidas após serem conceituadas e receberem um nome. O bullying, por exemplo, é uma palavra desconhecida do meu tempo de infância. Cursei os níveis pré-escolar, fundamental e médio sem ouvir essa palavra. Nas camadas mais baixas da sociedade, eram comuns os termos populares bulir e bulinar, que dependendo do contexto em que eram empregados se alternavam quanto ao grau de gravidade.

Bulinar na verdade se escreve com o bolinar. Sua grafia com u é mais uma prova da sabedoria popular, quando tratada no mesmo nível fonético de palavras tão próximas. Em algumas situações, uma é consequência da outra: começa-se bulinando e culmina-se, de uma vez, por bulir. Por isso, sempre que ouço algo como Fulano foi vítima de bullying!”, me pego traduzindo mentalmente: “Bulinaram fulano!”

Deixando os buliçosos e bolinadores de lado, gostaria de discorrer sobre a palavra bullying e como ela está a cada dia ganhando espaço e se alastrando tal qual uma epidemia até em nossos costumes mais banais. Em bom português “internetizado”: o bullying “viralizou”.

Segundo o Dicio (Dicionário Online de Português), Bullying é uma palavra de etimologia inglesa, cujo significado é: “Forma de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e persistente, sendo direcionada contra um ou mais colegas, caracterizando-se por atingir os mais fracos de modo a intimidar, humilhar ou maltratar os que são alvos dessas agressões. Sendo sinônimo de ameaça, humilhação, intimidação, maltrato, opressão e tirania.

Putz! Como uma palavra tão medonha passou despercebida por tanto tempo? Confesso que não sei a resposta, mas isso pouco importa. O que importa mesmo é que descobri que sou vítima disso já faz algum tempo e não percebia.

E como comigo todo castigo parece ser mais pesado, sou alvo de bullying em um dos momentos mais sagrados do dia: na hora de comer. Eu tenho todo um ritual para esse sublime momento. Faço tudo com a maior calma e organização, desde o momento de montar o prato, a mastigação e a preocupação com a posição em que a comida fica à medida que vou comendo. E é aí que o bullying acontece: se é pela manhã, dizem que vou emendar o desjejum com o almoço; se é de noite, perguntam-me se vou fazer turno, pois pela demora vou passar a noite comendo — acham um absurdo eu arrumar a comida, separando suas partes, se vai tudo para o mesmo lugar… E por aí vai.

Seguindo o ditado “Aquilo que não me mata, me fortalece!”, resolvi tecer alguns comentários em minha própria defesa, na esperança de ser o pioneiro em um movimento que batizarei de bullying reverso.

Meu amigo, o que há de mais prazeroso e importante para o homem do que o ato de comer? Não responda agora. Tente passar uma semana sem comer e sem paliativos para o desejo de comer. Já nos dois primeiros dias você sentirá uma falta, uma ausência, uma impacienciazinha. Do terceiro dia em diante, a crise de abstinência lhe trará suores noturnos e sonhos com temática recorrente. No quinto dia, você perderá parte da capacidade de raciocínio e passará a ver comida em tudo quanto é lugar. Então, algo tão vital para nossa saúde física e mental não merece ser aproveitado em cada segundo?
Lamento pelos que sofrem de compulsão por comer rápido e não aproveitam sequer trinta por cento do processo. Comer é muito mais que abocanhar e engolir.

O primeiro passo é a sedução. Perceba que a comida não vai até você, a menos que alguém a leve. E mesmo nessa situação, é você quem a escolhe. Ou seja, ela lhe atrai com a sua aparência, charme e cheiro — o que lhe faz julgá-la “gostosa”.

Você se interessaria por uma comida suja, toda bagunçada e gosmenta? Decerto que não! A exceção seria se você estivesse cinco ou seis dias sem comer. Nesse caso, já à beira da loucura, você veria sabor até onde não há.

Diante do exposto, é mais que natural fazer do ato de comer uma arte.

Inicie apreciando a paisagem: olhe para a comida, sinta seu aroma, todo seu frescor, toda sua vitalidade. Toque-a com respeito e carinho, use a ponta da língua para verificar se a temperatura está boa, se ela está bem temperada, e aproveite para certificar-se que outras sensações isso lhe despertará. Lembre-se de que ela lhe proporcionará prazer, bem-estar, leveza de pensamento, equilíbrio em seu dia e seja grato por isso. Faça-a sentir que a missão dela é importante. Saiba que, ao saciar sua fome, ela também realiza seu desejo mais íntimo: ser saboreada, ser desejada, ser comida em toda a sua plenitude.

Organizar a comida enquanto comemos é uma forma de expressar que ela é importante e que você se preocupa com seu destino. Por isso, estou sempre mexendo nela, colocando-a ora de um lado, ora de outro. Isso permite visualizar o momento, despertando novas possibilidades.

Contenha seu impulso, não há vergonha nisso. Saboreie a comida devagar. Tenho certeza que ela saberá lhe recompensar por isso. Imagine o desperdício que é comer uma trufa recheada com avidez, engolindo-a praticamente inteira ou mordendo-a com toda a pressa. O recheio não passará de uma tênue lembrança, pois não foi valorizado. Agora, se você coloca lentamente a trufa na boca, sente sua textura, mordisca sua “casca” de forma precisa e sem anseios por romper a sua estrutura. Você poderá senti-la pulsar, sentirá a sua “pele” fina e delicada ficando mais lisa e, de repente, ela lhe presenteará com o seu néctar interior, inundando a sua boca e lhe proporcionando uma enorme satisfação.

Comer é tão bom que pode ser feito de várias formas. Pode-se comer deitado enquanto se assiste a um filme; de lado, se o local para comer for imprensado (há quem fique até viciado em comer assim); em pé, que pode ser um pouco cansativo; e também sentado, que acaba sendo uma forma bem confortável e altamente prazerosa. Só não é possível comer dando as costas para a comida. Percebe o desrespeito? Porém, manipulando-a, virando-a de frente ou de trás, você poderá comê-la do mesmo jeito, com toda a alegria.

Comendo dessa forma, a sesta será um descanso merecido, além de um preparo para a próxima refeição.

Agora, se um dia você olhar para a comida e sentir uma vibração de insatisfação, traduzida na ânsia de comer rápido, como se ela estivesse a desejar que você termine logo, é hora de rever seus conceitos, pois tenha certeza de uma coisa, amigo: você não está comendo direito!



domingo, 17 de julho de 2016

PERGUNTAS A DEUS - por Leandro Gomes de Barros e Ariano Suassuna


Por que Existem o Mal e o Sofrimento Humano?

                                                                       Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando se chega pra cá?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que é que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Vivemos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?




Transcrição:

“Eu acredito em Deus por uma necessidade. Se Ele não existisse, a vida seria uma aventura amaldiçoada. Eu não conseguiria conviver com a visão amarga, dura, atormentada e sangrenta do mundo. Então, ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum. Bastaria a morte para tirar qualquer sentido da existência. Um grande poeta popular, Leandro Gomes de Barros, meu conterrâneo da Paraíba, escreveu três estrofes que eu creio que formulam aquele que eu acho o problema filosófico mais grave da Humanidade. Veja você: Camus, o grande escritor franco-argelino, tem um livro em que começa dizendo que o único problema filosófico realmente sério é o do suicídio. O suicídio é uma coisa muito grave: a pessoa avalia o mundo, avalia a si própria e acha que não vale a pena. Mas apesar dessa frase ser muito bonita, Camus, a meu ver, estava errado. O problema filosófico na verdade não é o do suicídio, que é apenas um aspecto dele. Mais grave, para mim, é o problema do mal e do sofrimento humano. Então, sinto que Leandro Gomes de Barros formulou muito melhor que Camus essa questão. Essa é a pergunta mais séria que as pessoas que não acreditam em Deus podem fazer às que acreditam. Repare:

Se eu conversasse com Deus
iria Lhe perguntar
por que é que sofremos tanto
quando viemos para cá?
Que dívida é essa
que o homem tem de morrer para pagar?
Perguntaria também
como é que Ele é feito
que não come, que não dorme
e assim vive satisfeito.
Por que foi que Ele não fez
a gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
e outros que sofrem tanto,
nascidos do mesmo jeito,
criados no mesmo canto?
Quem foi temperar o choro
e acabou salgando o pranto?

Veja que coisa linda! Isso coloca em questão a própria existência de Deus. É como se Deus tivesse querido temperar o choro e acabou errando na mão, como se Deus fosse capaz de dar um erro, e infringido um sofrimento terrível ao ser humano... Então, para mim Deus é uma necessidade. Então, repito: se eu não acreditasse, seria um desesperado”. - ARIANO SUASSUNA


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ADVERTÊNCIA - Gilberto Cardoso dos Santos


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Noite de Autógrafos com Epitácio de Andrade

Festa de Santana - Currais Novos/RN

Imagem de Santana – Currais Novos/RN

Escritor Epitácio Andrade está convidado para Noite de Autógrafos em Currais Novos

Epitácio Andrade com família

O médico psiquiatra e escritor Epitácio de Andrade Filho está entre os convidados da Noite de Autógrafos que ocorrerá no dia 14 de julho de 2016, às 20 horas, no Salão de Eventos da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Currais Novos. O evento faz parte da programação cultural da tradicional Festa de Santana de Currais Novos, Capital do Seridó oriental do Rio Grande do Norte, que está na sua 208ª edição. O evento é aberto para convidados. Na ocasião, o escritor fará uma exposição de banners temáticos e lançará seu novo livro Fui ao Croatá...-Uma Geolovehistory.

                  Capa do livro Fui ao Croatá...-Uma Geolovehistory

Matéria transcrita do blog Cosmogonia, do escritor Epitácio Andrade.

3 POEMAS SOBRE DEUS - Ângela Pontes


Aprendizado

Deus me ensinou
Erguer-me em cada vontade de cair
E entender que só Ele me faz sorrir
Acreditar em outros suas fraquezas
Deixar fluindo em mim a Sua grandeza
Esperar na calmaria do Seu tempo
As maravilhas que verei num dado momento
Só nEle minha fé se fortalece
E assim Lhe entrego todas minhas preces
Porque cada ser que nesse mundo viver
Há de plantar, como há de colher




Deus, meu amor maior

E quando eu me fiz pequena, Deus me fez gigante
E quando eu sentia dor, Deus me aliviava as feridas
E quando eu chorava, Deus me mostrava sua graça
E quando eu fraquejava, Deus me erguia na oração
E quando eu estava sozinha, Deus vinha falar comigo
E quando as noites eram intermináveis, Deus mostrava um lindo amanhecer
E quando eu silenciava, Deus tocava uma canção de amor
E quando tudo parecia perdido, encontrei-me nos braços de Deus
E Ele me colocou de volta a vida.



Inquietação

E nas perguntas que fiz a Deus
Ele silenciou
Não entendi
Era minha forma humana  esperava palavras
E quando tudo estava apascentado
Encontrei-me em suas mãos
E se fez próximo à compreensão
Que eram  teus desígnios em mim

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ESQUECENDO - Francisca Araújo.


ESQUECENDO...
Um folheto na agenda rabiscado
Vez por outra, me faz lembrar você
Nele tem um soneto inacabado
Com rasuras de amor, que ninguém vê.
Nosso sonho de vez, foi descartado
Por razões que questiono em um 'por quê'!
E o papel ficará sempre manchado
Mas, as marcas da dor não se prevê.
Minha rima porém, não fica vaga!
Se a borracha do tempo nunca apaga,
Os sintomas que trazem agonia...
Seguiremos, sem traumas mesmo sós.
Assim, quando quiser pensar em nós
Eu só vou recordar da poesia!
Francisca Araújo

sábado, 9 de julho de 2016

O carregador de celular (Cecília Nascimento)


O carregador de celular
(Cecília Nascimento)

Benício, menino tranquilo do interior do Ceará, virou Beninha, na adolescência,  e levava os dias a viajar com uma trupe de atores itinerantes pelo interior do estado, exalando arte, cultura e muito mais... A essa altura, contava já com os seus 20 anos e sempre foi simpático e cordial com todos os convivas.
Nos últimos dias, havíamos acampado numa cidadezinha qualquer, alugado um casebre onde dividíamos as despesas. Um dia, fazíamos shows nos barzinhos à noite em troca de jantar, noutro, apresentávamos teatro de rua na praça pública e passávamos o chapéu. Éramos ao todo uns 18 e com os trocados que recebíamos, comprávamos pão, pinga e cigarros, pro dia nascer feliz.
Naquela semana, em especial, Beninha estava atordoada não sabemos por que... Ouvi até ela dizer-me que iria à igreja, precisava orar para se acalmar. E assim o fez. Mas, naquela tarde, chegou ao casebre onde estávamos alojados e perguntou-nos a cada um onde estava o carregador do seu celular... Meus colegas e eu não sabíamos ou, se alguém tomou posse do mesmo, certamente não assumiria; tão unidos que sempre fomos; só que não...
Beninha reuniu toda sua indignação, estilo e determinação e informou-nos que sairia e quando retornasse, queria que seu carregador estivesse posto numa mesa à vista de todos. Saiu, voltou e não teve seu desejo atendido... Como gostasse de mim, disse:

_ Querida, pegue suas bolsas e suma daqui que vou tocar fogo nessa casa e é agora!

_ Oxe, amiga, deixe de onda! É claro que não vai fazer isso! Retruquei-lhe.

Naquele momento, eu acabara de lavar a louça e sentara-me à mesa, com meu recém-preparado almoço.
Beninha sumiu por alguns instantes e reapareceu com um colchão velho... Posicionou-o na porta da cozinha e gritou:

_ Salve-se quem puder que vou tocar fogo nessa casa agora!

Eu, ainda sem acreditar, continuava a pôr colheradas na boca, desatenta a qualquer sinal de perigo, mas observando tudo como quem assiste a um jornal sem dar a menor atenção às notícias.
Beninha, já com um rolo de papel amassado na mão, deu de garra de um isqueiro e queimou o papel que, com velocidade, abraçou o colchão velho com muita paixão. Para acabar de arrebentar, pegou um desodorante aerossol e disparou o jato de baixo para cima, o que fez subir uma lavareda imensa até o teto.
Rapidamente as chamas se alastraram por todo o casebre. Ainda concentrada em mim mesma, ouvia ao longe os companheiros gritando e me chamando... Um deles, veio, agarrou-me pelo braço e me puxou pela porta dos fundos... Outro, magrinho que só ele, não se sabe como arranjou força e coragem, mas agarrou-se com o fogão e o botijão de gás e lançou-os à sala de estar, salvando-nos de uma explosão.
Já na calçada, a ficha foi caindo e me dei conta de todo o alvoroço... A vizinhança corria atônita para prestigiar o espetáculo horrendo... Meus colegas choravam, imaginando-se churrasquinhos por pouco e finalmente tive a ação de juntar água num balde e lançar às chamas, que, com a ajuda de alguns vizinhos, cessaram-se.
Apagado o fogo, não restara eletricidade ou móveis no ambiente... Mas, minha fome permanecia. Então, entrei na cozinha acinzentada, abri a geladeira queimada e retirei de dentro dela uma garrafa de água ainda gelada, garrafa esta indiferente aos acontecimentos externos, pois não se deixara levar pelo calor da emoção. Com a determinação daquela garrafa, fiz uma limonada, sentei-me na calçada e fui terminar de almoçar... Não ia perder um pratão daqueles de comida... sabe-se lá quando eu iria comer novamente...
Quanto à Beninha... ninguém mais a avistou. O dono da casa anda a sua procura, louco da vida com os prejuízos causados... Uns dizem que voltou para a casa dos pais... Outros que se converteu e foi pras missões... E outros ainda que, a exemplo daquelas chamas, aguarda resolutamente o pré-juízo final.


08/07/2016 – 23h51 min.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Beijo com amor... roubado tem mais sabor - Damião de Andrade Lima


QUAL É A SUA ESCOLHA? - Vanessa Morais


QUAL É A SUA ESCOLHA?

Como é difícil fazer escolhas!
Ainda mais quando essas escolhas são contrárias aos que nos cercam.
Coração apertado segue em conflito quase interminável com a mente.
No fundo sabemos o que queremos...
Não queremos, na verdade, desagradar...
Todavia, essa via que tomamos de querer sempre agradar, nos direciona a um caminho duplo.
Que direção tomar?
Se em meio a uma decisão você sempre pensa: “o que será que as pessoas vão dizer?”.
Muito provavelmente está dando uma grande importância à opinião alheia.
Inverta o pensamento!
Se permita escolher o que realmente você quer.
As pessoas não sabem o que se passa, os seus desejos, seus sonhos...
Elas simplesmente tendem a julgar previamente, com o que os seus olhos conseguem enxergar, pois isso é inerente ao ser humano.
Não se perca nessa tentativa frustrante de querer agradar a todos.
Clarice Lispector disse: “Quem muito agrada, desagrada”.
Por que ser “bonzinho” o tempo todo? As pessoas nem sempre fazem o mesmo por você.
Aprenda a dizer não!
Diga sim a sua alma.
Se agrade, faça suas escolhas, não tenha medo, viva!
Será que é egoísmo ser feliz?
Eu escolhi ser feliz!

Vanessa Morais, 17 de novembro de 2013.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

STF - Gilberto Cardoso dos Santos



Deus pra mim sempre foi um sustentáculo Nos momentos ruins que atravessei. - Zé de França e Jonh Morais

Zé de França

Jonh Morais

Jonh Morais (Acopiara-CE) / Zé de França (Paulista-PB)
Mote: Jonh Morais 
Nos momentos mais duros dessa vida
Enfrentei tendo em Deus minha defesa ,
Fiz da fé no senhor a lâmpada acesa
Que deu luz para a pista a ser seguida ,
Cada causa perdida era suprida
Com a paz dos pai nossos que rezei
E cada gota de lágrima que chorei ,
Mais me fez ver de Deus seu tabernáculo
"Deus pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos ruins que atravessei "
(Zé de França)
Eu não sou um cristão tão fervoroso
Mas de Deus eu pressinto o seu fervor,
Vai comigo a qualquer lugar que eu for
Me resguarda e protege do invejoso.
Quando enfrento um problema tenebroso
Ele mostra as saídas que não sei
E por troca só quer que eu siga a lei
Que se estampa na luz do seu vernáculo.
Deus pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos ruins que atravessei.
(Jonh Morais)
No pináculo da Serra abri um pé
Quando um taco de pedra me cortou
E quando o sangue do pé se derramou
Eu me vali de Jesus de Nazaré,
Uma voz da montanha disse Zé
Tenha fé ,creia em mim que eu sou rei ,
Essa voz foi tão forte que eu passei
A descer com sucesso do pináculo
"Deus Pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos ruins q atravessei "
(Zé de França)
Se eu parar pra falar do que Deus fez
Pra livrar-me das tentações terrenas
Mil estrofes talvez vão ser pequenas
Pra falar tanta coisa de uma vez.
Nas palavras do Salmo vinte e três
Quantas vezes meu foco redobrei,
E ,na bíblia , foi lá que encontrei
As receitas pra cada obstáculo
Deus pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos ruins que atravessei.
(Jonh Morais)
No preâmbulo de cada aprovação
Fiz pomada de fé passei no peito
Certa vez com a dor do preconceito
Fiz um templo pra Deus no coração
Engoli uma cápsula de oração
E logo a dor se sumiu quando eu tomei
Fui cantar num congresso e arranquei
O primeiro lugar do espetáculo
"Deus pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos difíceis que passei"
(Zé de França )
Nos clamores da minha fé católica
Superei o que era insuperável,
Combati o que era inquebrantavel
E venci a cilada diabólica,
Hoje mesmo na dor mais melancólica
Não me rendo e com Deus eu seguirei
Com a espada cristã já me armei
Pra cortar do diabo o seu tentáculo.
Deus pra mim sempre foi um sustentáculo
Nos momentos ruins que atravessei.
(Jonh Morais)

POEMAS DE CLARICE FALCÃO



sábado, 2 de julho de 2016

NATUREZA OCULTA - Gildo Fernandes







Gildo Fernandes
Quando adormecem as tempestades No despertar dos Vulcões Não creem, nem terás amizades Que o Demônio não explica as razões Natureza do sentido oculto Palidez de um homem imortal Tão humano, sofrido e adulto Nas danças dos Vampiros do mal Destiladas correntes perdidas Chicotadas em seres soberanos Provocando no corpo feridas Como se eles não fossem humanos Hemisférios fatais multiplicam Entre fendas punhais e pavor Na certeza que não te explicam Na agonia, na morte, um terror.