APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 2 de março de 2015

A máfia das funerárias Causa asco à humanidade - Gilberto Cardoso dos Santos



Cadáveres são presuntos
Para estes desalmados
São urubus disfarçados
Chamados papa-defuntos
Sem qualquer constrangimento
Se aproveitam do momento
Agem com impiedade
São empresas mercenárias
A máfia das funerárias
Causa asco à humanidade

Torcem em seu coração
Pra que morra muita gente
Se aproximam do parente
Na hora da aflição
Mostram um certo pudor
dizem entender a dor
Mas é tudo falsidade
São pessoas ordinárias
A máfia das funerárias
Causa asco à humanidade.



domingo, 1 de março de 2015

APENAS UM HOMEM-PÁSSARO A VOAR POR ENTRE AS BOAS METÁFORAS DA VIDA!


Fui ver, ontem, o ganhador do Oscar 2015, BIRDMAN (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA). E, ao contrário do que alguns da crítica especializada publicaram, o filme não é chato, apesar dos diálogos intermináveis, não é insosso, mesmo não tendo eu comido da pipoca exibida, e, muito menos, confuso, embora tenha tido eu me atrapalhado na compra tecnológica do bilhete. Drama psicológico simples, vivenciado pelo protagonista Riggan Thomson (Michael Keatton, aquele mesmo que interpretou o 1º e 2º Batman, nos anos de 1989 e 1992, respectivamente). Birdman, se não me falha meu limitado inglês, quer dizer Homem-Pássaro. E o filme começa com um meteoro a descer atmosfera abaixo, numa velocidade ígnea que só os pássaros da ficção nos permitem a angústia dos grandes apocalipses holydianos. Aí pensei, “acho que errei de sala!” Não! Era o filme mesmo, e a bola de fogo é a sacada melhor da película, pois nos leva a viajar nas muitas metáforas de nossas catarses. É como se eu fosse co-autor do enredo. E adoro isso, além das funções da linguagem que a 7ª arte também nos propicia, e, neste caso, a metalinguagem, o código a falar de seu próprio código, o drama a mostrar-se nas suas intimidades, com as câmeras, palco, textos, intrigas, invejas, egos, fracassos, vícios e luzes bem no centro de sua trama. E isso foge aos padrões do cinema americano, com seus efeitos especiais, sua riqueza incomensurável e aquele ufanismo arrogante, bem ao tempero de suas melhores humilhações. Birdman é o pássaro homem herói de 3 filmes de estrondoso sucesso de RIggan, que se recusa a fazer o 4º filme, por não querer ser conhecido apenas com aquele personagem. (Lembrei-me de Zé Carneiro, Tonico Pereira, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, ao chutar o balde de suas inconformações e sair do seriado exatamente por não querer ser conhecido apenas por único personagem), uma vez que, segundo ele, tinha muito talento pra tão pouco. E Riggan pensou assim, igual a Zé Carneiro, e chutou o seu balde de estrelismo, voltando-se para suas escolhas, ao adaptar um texto para a Broadway, mas revoltando-se a cada ensaio, com os obstáculos que se lhe mostravam reais. Michael Keatton também recusou-se a filmar o Batman 3 e despencou atmosfera abaixo, numa velocidade ígnea que só os pássaros da ficção nos permitem a angústia dos grandes apocalipses holydianos. Seria o Birdman uma autobiografia de Michael Keatton? Seria aquele meteoro do início e do fim do filme apenas uma bola de fogo a me sacanear no pobre pensar de meu ingênuo engano da sala cinematográfica? Não sei, até porque pouco ou nada sei da inesperada virtude de minha ignorância pueril neste mundo de ficção. Mas sei que aquela bola de fogo é a melhor de todas as metáforas de Birdman e de seu justíssimo Oscar 2015. 

(Nailson costa, 28.02.2015)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Não há quem prove no mundo, Da verdadeira riqueza

Mote de Aristóteles Pessoa

Aristóteles Pessoa: 

Há quem diga que os metais,
São os bens mais preciosos,
Outros dizem orgulhosos,
Que a saúde é muito mais,
Têm quem fale é bom demais,
Ter saúde e ter grandeza,
Eu lhe digo com franqueza,
Sem conhecer bem profundo,
Não há quem prove no mundo,
Da verdadeira riqueza.


Gilberto Cardoso dos Santos:

A riqueza verdadeira
não tem a ver com dinheiro
pois tudo é passageiro
e sempre acaba em canseira
no fim é tudo besteira
se acaba toda esperteza
de nada se tem certeza
e a morte vem num segundo
Não há quem prove no mundo
da verdadeira riqueza.


Aristóteles Pessoa: 

Procurei ser coerente
Entendedor perspicaz
Estudioso e contumaz
Pra decifrar consciente
A ostentação aparente
Dos mortais da avareza
Que vivem na tacanheza
E são ricos moribundos
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

Gilberto Cardoso dos Santos:

A riqueza que se busca
Parece uma miragem
Encantadora paisagem
Que na penumbra se ofusca
O tempo de forma brusca
Vem feito uma correnteza
Põe sobre nós a tristeza
Leva ao abismo profundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

Aristóteles Pessoa: 

Quem tem grande patrimônio
Sua medida nunca é cheia
Vive sempre com a ideia
De nunca entrar em declínio
O dinheiro é seu fascínio
Mas o tempo com certeza
Vai frenar sua destreza
e eu lhe aviso num segundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.


Gilberto Cardoso dos Santos:

Nada no mundo é perfeito
E tampouco permanente
O homem é geralmente
Um eterno insatisfeito
O prazer perde o efeito
A força vira fraqueza
E o homem vê com clareza
Ser infeliz lá no fundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

UMA INJUSTIÇA CONTRA OS IDOSOS - Gilberto Cardoso dos Santos



Acho uma coisa espantosa
Difícil de acreditar
Ver a justiça a cobrar
Pensão duma avó idosa
De maneira vergonhosa
A “justiça” tem agido
Toda vez que tem prendido
Um pacato cidadão
Que suporta humilhação
Por crime não cometido.

Quanta gente perigosa
Pratica corrupção
Mas não vai para a prisão
Só porque é poderosa
É pouco criteriosa
Essa determinação
É uma injusta solução
Extremamente mesquinha
Castigar uma velhinha
Por causa duma pensão.

Se quem tem culpa é o neto
ou se o filho é culpado
Penalizar um  coitado
Não me parece correto
De fato é algo abjeto
Uma tal legislação.
Vamos botar na prisão
Quem realmente merece
Não um pobre que padece
Prenda o político ladrão!




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

FEIJÃO VERDE FALSO E VERDADEIRO

Desonestidade hoje
é coisa de espantar
é do maior ao menor
todos tentam enganar
até mesmo feijão verde
estão a falsificar!

Aprenderam com políticos
sobre a desonestidade
tentando sobreviver
enganam a humanidade
São uns Pedro Malasartes
mas sem traços de bondade.

Como saber se o feijão verde foi falsificado? Veja no vídeo



Grupo é preso por usar corante para falsificar feijão verde em Fortaleza



Três mulheres e um homem foram presos na noite do sábado (21) por vender feijão verde falsificado. Segundo a polícia, o grupo usava corante para tingir de verde o feijão branco. Com a nova cor, eles cobravam dos clientes o preço do feijão verde. De acordo com a polícia, o saco era vendido por R$ 3.
O grupo foi preso na esquina das ruas Pedro Pereira e Major Facundo. As mulheres estão presas na Delegacia de Capturas, e o homem no 34° Distrito Policial, no Centro da capital.
De acordo com a Polícia Civil, eles vão responder por estelionato. O corante, usado para mudar a cor do feijão, também foi apreendido pelos policiais e vai ser analisado pela perícia. Em contato com água, o pó adquire a cor verde. Se for a substância for tóxica, o grupo preso também poderá responder por lesão corporal.

Os sacos de feijão eram vendidos no Centro de Fortaleza. (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/02/grupo-e-preso-por-vender-feijao-verde-tingido-no-centro-de-fortaleza.html

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PRÊMIO SESC DE LITERATURA


Até o dia 01 de março estão abertas as inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura, nas 

categorias Contos e Romances.

A novidade deste ano é que os escritores interessados poderão enviar sua obra 

diretamente online!

Para ter acesso ao link de inscrição e o edital completo, vá em


http://bit.ly/inscricoesabertaspremiosesc

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UMA HISTÓRIA DE CORNO - Luiz Berto


Eu conheci Marco Aurélio quando ele ainda estava de
porre, curtindo a imensa desgraça que foram os chifres bem
enterrados na testa pela esposa infiel.
Jururu, num canto de sala com o copo não mão, ele foi−
me apresentado pelo irmão e veio logo puxando conversa:
− Menino, eu tenho um negócio pra te contar. Tu me
parece gente boa...
Foi bruscamente interrompido pelo irmão:
− Fica quieto! Tu tem que sair contando isso pra todo o
mundo, é?
No que replicou de pronto, com a cara mais lavada do
mundo:
− Que é que tem? O corno sou eu e eu conto pra quem
bem entender...
E desfiou a história da traição da mulher, sua fuga com o
"pé−de−urso" num carro alugado em direção à praia.
− E eu sou um corno tão besta que ainda paguei a corrida.
A mulher mandou o motorista cobrar de mim. É peia, né não?
Professor de Literatura, alma sensível, cativante à primeira
vista, Marco Aurélio era chegado a uma glosa. Tão chegado,
que fez uns versos gozando os próprios chifres. Transcrevo do
jeito que ele me passou:

Por ser assim desleixado
Vivia bebericando
De lado as coisas deixando
Sem querer tomar cuidado
Eu era bem muito amado
No amor eu era assim
Mas o que sobrou pra mim
Eu nem quero fazer conta:
Foi ‘ponta" por sobre "ponta"
No amor fui muito ruim.

Por mais décima que eu faça
Por mais bebida que eu beba
Por mais bonito que eu seja
Por mais que gostem de mim
Por mais que eu faça assim
Relembro a minha desdita
De me casar com a maldita
Sem amor e sem afim
Por mais que eu goste da vida
No amor fui muito ruim.

Arranjei um querubim
Nesta vida passageira
Que me foi tão traiçoeira
Mas ela nasceu assim
Para mim foi estopim
Para mim foi a desgraça
Me deixou até sem calça
Por um tipinho assim
Que mesmo assim nesta graça
No amor fui muito ruim.

Marcante ausência, Marco Aurélio já não me escreve há um bom tempo. 
Perdemos o contato nas curvas deste oco de mundo.
Guardo viva na lembrança sua cara de surpresa, rematando a 
história dos chifres:
− Depois que todo mundo sabia de minha história em
Palmares, resolvi pedir transferência do Banco para outra cidade. Escolhi 
Paulista, perto de Recife. Aqui, não dava mais.
Aí, fiz um requerimento e, onde era pra escrever "motivo", eu
botei lá: "problemas em decorrência de infidelidade conjugal".
Quando cheguei em Paulista, pensando que ninguém me
conhecia, já tava todo mundo esperando "o corno de Palmares".
Agora, me diga: é ou não de lascar o cano?



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MATUTO NO CARNAVAL - Hélio Crisanto

Quando é carnaval, o matuto se dana
Consegue uma grana, vai pro litoral
E num mela-mela todo especial
Segue pela estrada numa caravana.
No meio do caminho, se lasca na cana
Derrama araruta pega a se melar
Chegando na praia põe-se a vomitar
Vomita galeto espremendo o papo
E a onda marota dá nele um sopapo
Levando a farofa pra dentro do mar
(Hélio Crisanto)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CANÇÃO DO RETIRANTE - Jorge Fernandes


Entrou janeiro o verão danoso
Sempre aflitivo pelo sertão...
Cacimbas secas nem merejavam...
O moço triste disperançado
Fez uma trouxa de seus teréns...

De madrugada - sem despedida -
Foi pra São Paulo pras bandas do sul...

A moça triste se amurrinhou
Ficou biqueira
Virou ispeto
- Ela que era um mulherão -
Inté que um dia já derrubada
De madrugada
Foi pra São Paulo...

Pra um São Paulo que ninguém sabe não...


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Seu Lunga - Tolerância zero!



Tolerância zero
(Ismael Gaião)

Eu vou falar de Seu Lunga
Um cabra muito sincero,
Que não tolera burrice
Nem gosta de lero-lero.
Tem sempre boas maneiras,
Mas se perguntam besteiras,
Sua tolerância é zero!

Ao entrar num restaurante
Logo depois de sentar,
Um garçom lhe perguntou:
O Senhor vai almoçar?
Lunga disse: não Senhor!
Chame o padre, por favor,
Vim aqui me confessar.

Lunga tava na parada
Com Renata perto dele.
Esse ônibus vai pra praia?
Ela perguntou a ele.
Ele, então, disse à mulher:
- Só se a Senhora tiver
Um biquini que dê nele!

Seu Lunga tava pescando
E alguém lhe perguntou:
- Você gosta de pescar?
Ele logo retrucou:
- Como você pode ver,
Eu vim pescar sem querer,
A polícia me obrigou.

Pagando contas no Banco
Lunga viveu um dilema
Pois com um talão nas mãos,
Ouviu de Pedro Jurema:
O Senhor vai usar cheque?
- Ele disse: não, moleque,
Vou escrever um poema.

Em sua sucataria
Alguém tava escolhendo,
- Por quanto o Senhor me dá,
Essa lata com remendo?
Lunga, sem pestanejar,
Disse: não posso lhe dar,
Porque eu estou vendendo.

E ainda irritado
A seu freguês respondeu:
Tudo que eu tenho aqui,
Eu vendo porque é meu.
Se o Senhor quiser ver,
Coisas sem ser pra vender
Vá visitar um museu.

Lunga foi comprar sapato
Na loja de Barnabé
E um rapaz bem gentil
Perguntou: é pra seu pé?
Ele disse: não esqueça,
Bote na minha cabeça,
Vou usar como boné.

Lunga carregava leite
Numa garrafa tampada
E um velho lhe perguntou:
Bebe leite, camarada?
Ele disse: bebo não!
Depois derramou no chão.
- Eu vou lavar a calçada.

Seu Lunga tava deitado
Na cama, sem se mexer.
E um amigo idiota
Perguntou, a lhe bater:
- O senhor está dormindo?
Lunga disse: tô fingindo,
E treinando pra morrer!

Seu Lunga foi a um banco
Com um cheque pra trocar
Um caixa muito imbecil
Achou de lhe perguntar:
O Senhor quer em dinheiro?
- Não quero não, companheiro,
Quero em bolas de bilhar.

Lunga olhou pro relógio
Na frente de Gabriela
Quando menos esperava,
Ouviu a pergunta dela:
- Lunga viu que horas são?
Ele disse: não, vi não,
Olhei pra ver a novela!

Seu Lunga comprava esporas
Para correr argolinha
E o vendedor idiota
Fez essa perguntazinha:
- É pra usar no cavalo?
- É não, eu uso no galo,
Monto e dou uma voltinha.

Seu Lunga tava pescando
Quando chegou Viriato
- Perguntando: aqui dá peixe?
Lunga falou: é boato!
No rio só dá tatu,
Paca, cutia e teju,
Peixe dá dentro do mato.

Lunga foi se consultar
Com um Doutor que era Crente
Esse logo perguntou:
- O Senhor está doente?
- Lunga disse: não Senhor,
Vim convidar o Doutor,
Para tomar aguardente.

Seu Lunga, com seu cachorro,
Saiu para caminhar
Um besta lhe perguntou:
É seu cão, vai passear?
Lunga sofreu um abalo,
Disse: não, é um cavalo,
Vou levar para montar.

Lunga trazia da feira,
Já em ponto de tratar,
Uma cabeça de porco,
Quando ouviu alguém falar:
- Vai levando pra comer?
Ele só fez responder:
- Vou levando pra criar!

Lunga foi à eletrônica
Com um som pra consertar
E ouviu um idiota
Sem demora, perguntar:
- O seu som está quebrado?
- Tá não, está estressado.
Eu trouxe pra passear.

Seu Lunga foi numa loja
Lá perto de Itaqui
- Tem veneno pra rato?
- Temos o melhor daqui.
Vai levá-lo? Está barato.
- Vou não, vou buscar o rato
Para vim comer aqui!

Seu Lunga tava bebendo,
Quando ouviu de Tião:
- Já que faltou energia,
Nós vamos fechar irmão!
Lunga falou: que desgraça!
Eu vim pra tomar cachaça,
Não foi tomar choque não!

Lunga tava em sua loja
Numa preguiça profunda
Quando escutou a pergunta
Vindo de Dona Raimunda:
- O Senhor tem meia-calça?
- Isso em você não realça,
Ou você, tem meia bunda?

Seu Lunga ia pescar
E um amigo encontrou
Depois de cumprimentá-lo
Seu amigo perguntou:
Lunga vai à pescaria?
Seu Lunga só disse: ia.
Pegou a vara e quebrou.

Jacó estava querendo
Apostar numa milhar
Vendo Lunga numa banca
Disse: agora vou jogar!
E foi gritando dali:
- Lunga, passa bicho aqui?
- Passa sim! Pode passar.

Seu Lunga sentia dor
Procurou Doutor Ramon
Que começou a consulta
Já perguntando em bom tom:
Seu Lunga, qual o seu plano?
Lunga disse: sem engano,
O meu plano é ficar bom!

Lunga tava em seu comércio
Despachando a Zé Lulu
Que depois de escolher
Fava e feijão guandu.
- Disse: vou levar fubá.
E o arroz como está?
Lunga respondeu: Tá cru!

Lunga com uma galinha
E a faca pra cortar,
Seu vizinho perguntou:
Oh! Seu Lunga, vai matar?
Com essa pergunta burra,
Disse: não, vou dar uma surra,
Logo depois vou soltar.

Lunga indo a um enterro
Encontrou Zeca Passivo
- Seu Lunga pra onde vai?
Ao enterro de Biu Ivo.
- E Seu Biu Ivo morreu?
- Não, isso é engano seu,
Vão enterrar ele vivo!

Lunga mostrou um relógio
Ao filho de Biu Romão
- Posso botar dentro d’água?
Perguntou o garotão.
Lunga disse sem demora:
- Relógio é pra ver a hora,
Não é sabonete, não!

Lunga fez uma viagem
Pra cidade de Belém
E quando voltou pra casa
Ouviu essa de alguém:
- Oh! Seu Lunga, já chegou?
- Eu não, você se enganou,
Chego semana que vem!

Lunga levou uma queda
De cima de seu balcão
- Quer tomar um pouco d’água?
Perguntou o seu irmão.
Lunga logo, respondeu:
Foi só uma queda, meu!
Eu não comi doce não!

Na porta do elevador
Esperando ele chegar
Seu Lunga escutou um besta
Pro seu lado perguntar:
- Vai subir nesse momento?
- Não, que meu apartamento,
Vai descer pra me pegar.

Se encontrar com Seu Lunga
Converse, mas com cuidado,
Pois ele pode ser grosso
Mesmo sendo educado.
Eu já fiz o meu papel
Escrevendo este cordel
Pra você ficar ligado!