APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

UTOPIA DO AMANHÃ - Professor Ismael André


UTOPIA DO AMANHÃ
Professor Ismael André

Alimentado pelo negrume da noite fria
Acalmado pela resplandecência das estrelas belas
Celebrando o decesso de um amor de utopia
Encharcando um ser, chorando mazelas

Relembro teu cheiro, perfume suave
Recordo tua pele de veludo envolvente
Memorizo teus lábios, fazendo um conchave
Evoco dos deuses que eu não seja incidente

A brisa me acalma, me abraça e me beija
O brilho na alma me afaga e deseja:
“Novo bem-querer, carnal e verdadeiro”

A treva me acolhe, me mostra o caminho
O tempo me escolhe, me faz um carinho:
“Virá um outro dia de amor justiceiro”!!!



Um coração amargo chorado em mim, 27/5/2016.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

GIL RIBEIRO EM ACRÓSTICO - Gilberto Cardoso dos Santos

Recebi do valioso amigo e poeta Gil Ribeiro a seguinte estrofe bem construída:

Poeta declamador, Faça um verso pra mim Em forma de folhetim Que dou o maior valor, Você é um professor Que faz verso muito bom... Foi Deus que lhe deu o dom De fazer versos pra nós Quero ouvir a sua voz Com seu magnífico tom..

E veio-me à inspiração escrever um merecido acróstico a este que tanto tem feito pela cultura de sua terra, Serra de São Bento:

Grande amigo educador
Instruído no saber
Lembre ao se entristecer
Real é o seu valor
Inspirado professor
Bom poeta e cidadão
Esqueça a ingratidão
Invista em felicidade
Resista a toda maldade
Ouça a voz do coração.



MINHA PAIXÃO - Minerva Gomes


A paixão que por ti eu alimento
Me confisca de longe sem saber
Que distante de ti vivo a sofrer
Embora aumente ainda mais meu sentimento
No dilema de amor vivo o tormento
De pensar que pra ti eu não existo
porém desse amor eu não desisto
Eu criei esse amor só pra nós dois
Que do hoje, amanhã se faz depois
Por esse amor que é tão lindo eu insisto.



c   Minerva Gomes e o poeta Xexéu (seu pai)

OS TRÊS ANCHIETAS - Gilberto Cardoso dos Santos


OS TRÊS ANCHIETAS  
(Gilberto Cardoso dos Santos)

Um Anchieta no passado
Quis ao Brasil consertar
Com autos, com poesia
Tentou aos índios salvar
Tem Anchieta Dali
Cantor espetacular
E o Anchieta daqui
Um artista potiguar
Que ajunta cacos, pedaços
E tenta glamorizar
Em imagens e paisagens
Dignas de se mirar
Com arte, com competência
Ao mosaico da existência
Procura sentido dar.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

SE EU MORRER SEM GOZAR DO TEU AMOR MINHA VIDA ACABOU SEM TER VALIA


SE EU MORRER SEM GOZAR DO TEU AMOR
MINHA VIDA ACABOU SEM TER VALIA
glosa: Marciano Medeiros
Quantas vezes na minha mocidade
Lamentei por motivo de paixão,
Feri muito meu pobre coração,
Caminhando nos becos da cidade.
Me tornei seu refém sem ter vontade
Navegando no mar da fantasia
Pra poder derrotar a nostalgia,
Recebi os remédios de um doutor:
Se eu morrer sem gozar do seu amor
Minha vida acabou sem ter valia

Lembro tanto dos sonhos coloridos
Quando eu quis acabar a inocência,
Seu abraço me dava à preferência,
Entre os muitos rapazes presumidos.
Só eu pude atender os seus pedidos
Dominado por tanta simpatia,
Mas você me falou que não queria,
Promovendo, tristeza, choro e dor:
Se eu morrer sem gozar do seu amor
Minha vida acabou sem ter valia.

Mote: Poeta Regiopídio

FOTOS DO LANÇAMENTO DO LIVRO FUI AO CROATÁ EM SANTA CRUZ - RN



Em 25.05.2016, com início às 14 horas, foi lançado o Livro Fui ao Croatá... uma GeoLoveHistory, da autoria de Epitácio Andrade, no auditório da FACISA, em Santa Cruz - RN.

Professora Luciana, coordenadora do evento, fez a apresentação do autor

Sessão de autógrafos




MERECIMENTO - Izabela Ferreira

MERECIMENTO

Eu já sei, tudo foi só falsidade:
O carinho, cuidado e atenção
Nunca teve lembrança nem saudade,
Tudo em nós não passou de ilusão.
Mas, agora, ciente da verdade
Agradeço a você... E com razão
Por não ter que ficar sendo a metade
De quem não vale a dor da minha mão
Pelo mal que causou, pela ferida
Você vai se acertar com a própria vida...
Ela pode tardar, mas não esquece
E aí, quando a dor se aproximar
Não questione o motivo, é só lembrar:
“Cada um tem aquilo que merece”.

Izabela Ferreira

terça-feira, 24 de maio de 2016

UMA AULA DE CRÔNICA - Professor Ismael André


UMA AULA DE CRÔNICA
Professor Ismael André

Cheguei disposto a ensinar a construir crônicas, material todo pronto, esquematização do plano de aula estava perfeito nas minhas correntes cerebrais, que fizera durante toda madrugada no repouso da escuridão.
Inicio a minha aula, faço as considerações iniciais, e já estava adentrando ao conteúdo, quando fui interrogado:
- Mas professor, o que é crônica?
Tentei ser menos técnico do que de costume e disse que crônica era uma narrativa histórica que expõe os fatos do cotidiano seguindo uma ordem cronológica. Exemplifiquei que as mesmas são frequentes em jornais e revistas periódicas.
- Relaciono a crônica com a notícia. A notícia é o registro técnico do fato, a crônica, por sua vez, é a notícia idealizada numa linguagem poética, literária. O cronista é um literato que pode ser jornalista...
- Ah, professor, então minha vó é cronista!!!
- Ela faz crônica, Samuel? – fiz a pergunta num tom tão curioso.
- Ora se não faz!!! Ela é brilhante nisso...
- Tem textos publicados? – a euforia do amar escrever me deixava mais entusiasmado em conhecer uma conterrânea da minha modesta cidade. Afinal, nunca fui conhecedor que alguém naquela cidadezinha tivesse se destacado na literatura.
- Nada, professor!!! Minha vó nem sabe ler, que dirá escrever!!! O cronista não pode usar somente da fala?
- Na verdade, pode sim. Mas, o ideal é que se registre na escrita. Mas, por que você diz que sua vó é cronista, menino?
- Porque toda tarde, professor, ela senta na calçada, no que o senhor chama aqui de mesa redonda, mas não tem mesa... rsrsrs... com um grupo de amigas... e relata numa precisão tão grande, que até me admiro todos os fatos ocorridos na cidade... E são em ordem cronológica, narrados numa linguagem bem coloquial, em narrativas curtas...
- Sério?
- Sério! Ela comenta: Oh Comadre Maria, você viu que a menina do José passou na direção da rua do Hospital já era umas dez da noite e logo depois o filho da Alzira vinha de lá? Oh Comadre Joana, você viu que foi só o esposo de Antonieta sair e o vizinho passou para lá? Mas, Comadre Zefa, era umas quatro da manhã quando um carro rondava a praça, o que será que queria, será que vão assaltar o banco daqui?
E continuava a descrever a fala da avó, até que o interrompi:
- Samuel, sua vó sabe de tudo isso?
- E muito mais, professor!!! Inclusive hoje, ela me disse que o senhor deixou a namorada em casa por volta de umas dez da noite de ontem e logo depois parou na praça e dizia ao celular: quando eu chegar em casa, eu resolvo seu problema, esquematizo tudo para amanhã e ponho nas suas mãos, porque só gosto de fazer isso de madrugada, na calmaria da noite.


Aos 24 de maio de 2016, precisamente às 12h40min.


VERSOS SOBRE ROMERO JUCÁ TEMER E OUTROS POLÍTICOS


Zenóbio Oliveira Das Aguilhadas

Tem um ditado aqui, no meu lugar,
Que o pau do Jucá quebra Machado,
Agora se inverteu nosso ditado,
Quem quebrou dessa vez foi o Jucá.






segunda-feira, 23 de maio de 2016

HOJE ACORDEI COM SAUDADE DOS BEIJOS DO MEU AMOR... - Jarcone Vital


O teu jeito de gostar
Foi o que mexeu comigo
Jeito de correr perigo
Sem ter medo de arriscar
Teu prazer em maltratar
Já me causou muita dor
Por isso peço um favor
Volte se amar de verdade,
HOJE ACORDEI COM SAUDADE
DOS BEIJOS DO MEU AMOR...

O teu ponto de partida
Da solidão foi chegada
As curvas da tua estrada,
Flagelos da minha vida
Nesse beco sem saída
Sinto somente o sabor,
Os cheiros da tua flor
Transcendem a realidade
HOJE ACORDEI COM SAUDADE,
DOS BEIJOS DO MEU AMOR...


A tristeza tomou conta
Fez morada no peito
Procuro, mas não tem jeito,
Sua falta me desmonta
O teu descaso me aponta
Um romance enganador
O tamanho dessa dor
Só cresce em profundidade
HOJE ACORDEI COM SAUDADE
DOS BEIJOS DO MEU AMOR...

sábado, 21 de maio de 2016

WESCLEY – O apanhador no campo dos sentidos


WESCLEY – O apanhador no campo dos sentidos
(Gilberto Cardoso dos Santos)

Mais que cantar IMAGINE
E executá-la ao piano
De fato quer ser humano
A poesia o define
Quantos Marks - maus leitores
Se opõem aos sonhadores
em suas antipatias
tentam apagar as brasas
mas livros abertos – asas
alçam voo às utopias.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

A AULA DE VAL - Gilberto Cardoso dos Santos


Um olhar - sol de ternura
Calor de língua materna
Uma voz de brisa terna
Uma aura de candura
Um andor para a cultura
em procissão magistral
Bicho-homem racional
Vira ave, sai da jaula
Tudo isso tem na aula
De Valdenides Cabral

quinta-feira, 19 de maio de 2016

AUTODECRETO - Professor Ismael André


AUTODECRETO

Professor Ismael André

Um certo dia muito além do imaginar
Sentado na solidão do meu viver
Buscarei no infinito a contemplar
Os resquícios fabulosos do meu ser

Chorarei lágrimas jamais vividas
No tocante de mim, lamento estar
Sonharei com glórias já vencidas
Como as águas do rio para o mar

Nos meus versos, cantarei um canto amargo
No intuito de fugir, não há embargo
Assinando o meu óbito com feitura

Olharei para o ontem melancólico
Num presente tão pasmo e tão caótico
Assistindo eu entrar na sepultura!!!


As 19h10min do dia 18/05/2016.

O REAL DA MATRIX - Teixeirinha Alves



O REAL DA MATRIX
Uma trilogia inesgotável! É o mínimo que se pode dizer dos filmes Matrix (1999), Matrix Reloaded (2002) e Matrix Revolutions (2003). Dirigidas pelos Irmãos Wachowski, e estreladas pelos renomados atores Keanu Reeves e Laurence Fishburne, essas obras cinematográficas se aprofundam em tantos temas, que um mero texto como este abarca um mínimo do mínimo que se pode “colher” ao assisti-las.
Utilizando como pano de fundo uma futura (e verossímil) guerra entre homens e máquinas, os autores da Trilogia Matrix discutem questões fundamentais para a Humanidade, destacadamente: inteligência artificial, pertencimento e lealdade, conhecimento, busca de si mesmo, distinção entre real/virtual, espiritualidade/religião, guerra, paz, amor,...
Diria que o filme inicial já possui o embrião de tudo o que os criadores da trilogia pretendem passar para seus espectadores e que assisti-lo seria suficiente. Todavia não ver Matrix Reloaded e Matrix Revolutions é impor-se uma dívida cinematográfica pessoal de enorme dimensão, tendo em vista os diversos desdobramentos do que no primeiro filme aparece como germe.
Identificamo-nos com Neo (Keanu Reaves), o escolhido, uma espécie de guia religioso (como Cristo, Buda e Maomé), não por suas habilidades extraordinárias dentro e fora do grande sistema digital de controle, mas porque ele procura permanentemente se autoconhecer, pondera seus limites/possibilidades e ama alguém (e a própria vida) profunda e intensamente.
O entrelaçamento entre mundo digital e mundo físico é estonteante, tornando necessários muitos retornos de cenas (e muitas visualizações do filme por inteiro) para que se comece a compreender o sentido da miríade de aspectos da obra. Um filme difícil, portanto?! Não! Um clássico extraordinário, cuja compreensão vai-nos chegando ao longo de nossa vida.
“Tudo começa com uma escolha!” Escolher ver a trilogia é uma das melhores que se pode fazer!



TEIXEIRINHA ALVES DA SILVA




quarta-feira, 18 de maio de 2016

O OUVO SIM DO SECRETÁRIO DO RIO E A ESCOLHA DE MENDONÇA FILHO - Gilberto Cardoso dos Santos





AS APARÊNCIAS ENGANAM - Professor Ismael André


AS APARÊNCIAS ENGANAM
Professor Ismael André

Aquele grupo de amigos da universidade já tinha discutido todas as temáticas possíveis em uso na sociedade atual, porém, em meio ao respeito à diversidade de ideias, naquele dia, sucumbiram detalhes na discussão sobre o conceito moderno de família. Afinal, aquele grupo era eclético, principalmente, religiosamente falando, doeria no pesar das discussões.
- Para mim, o conceito de família é o núcleo formado a partir da união entre homem e mulher – afirmou um amigo, de essência e defensor da sociedade patriarcal.
O outro amigo refutou:
- Que nada, o conceito de família passou a ser baseado mais no afeto do que apenas em relações de sangue, parentesco ou casamento. Daí, podemos concluir que família de homem com homem, mulher com mulher, é aceitável socialmente.
As discussões continuaram. E naquele dia, me parece que tudo ocorreria sincronicamente: temática discutida com realidade vivenciada.
Seguiram para o almoço, os cinco amigos: Jó Maranhão, Gil Cruz, Renovaldo, Frantenor e Gerlumede.
Dois deles, Renovaldo e Gil Cruz, sempre foram considerados os mais chegados na amizade, amigos inseparáveis desde que se conheceram nos primeiros momentos da universidade. Renovaldo, homem sóbrio, respeitado, mas com certo nível de gracejador. Sempre contido. Gil Cruz, um baita cara genial, inventivo, talentoso, extremamente brincalhão. Tão astuto, que muitas vezes excedia sua genialidade. Um homem de natureza poética.
Ao entrarem no restaurante, todos se direcionaram a fila do almoço, de forma particular, os amigos inseparáveis seguiram lado a lado fazendo seus pratos. Entre muitos sorrisos e papos trocados, todos iam aos poucos se contentando nos seus afagos e contendo a verborragia.
A frente dos amigos, arrumava seus pratos um casal, uma bela senhora de sorriso meigo, cabelos lisos, olhos castanhos e seu esposo, um senhor bem humorado, elegante.
Se dirigindo para pesar os pratos e efetuar o pagamento, a moça que estava no caixa pergunta ao casal:
- Posso pôr juntos os valores?
- Pode sim – disse aquela senhora num ato de complacência e felicidade.
Os amigos Renovaldo e Gil Cruz eram os próximos a pesar seus pratos e trocavam entre si boas conversas, sorrisos, afagos de bons e verdadeiros amigos.
Quando Renovaldo se aproximou do balcão, a moça perguntou:
- Posso pôr juntos os valores?
- Como assim juntos? – Indagou, ressabiado, Renovaldo.
- Os senhores, não é um casal?
- Que história de casal, moça? Sou um homem de respeito, onde já se viu isso? – e continuou o discurso de indignação.
- Mil desculpas, senhor! É que com o novo conceito de família, eu achei...
- Eu achei, nada! A senhorita tenha mais cuidado nos seus achismos. Que situação!!!...
Os demais amigos, assistindo o episódio, riram naquele momento. Depois refletiram que por mais eclético que alguém afirme, sempre é desagradável aceitar uma conveniência alheia, embora a respeite.



terça-feira, 17 de maio de 2016

Quando Cristo voltar pra o julgamento Vai achar pouca gente preparada - John Morais


Se tentarem fazer o somatório,
De quem vive matando e humilhando,
Contra o Espírito Santo blasfemando
E roubando na hora do ofertório,
Ninguém passa se quer no purgatório
Terá logo o inferno por morada
E tem gente que fica preocupada 
Que a quantia vai quase em cem por cento
Quando Cristo voltar pra o julgamento 
Vai achar pouca gente preparada

*
Através das sagradas escrituras
Descobri um portal pra o paraíso,
Só que lá está claro que é preciso
Mudar todas malignas estruturas,
Que a cobiça, a inveja e as falsas juras
Não trarão a mansão abençoada
E esta frase que eu disse está grafada 
No antigo e no novo testamento 
Quando Cristo voltar pra o julgamento 
Vai achar pouca gente preparada.

*
Quem buscar ir pra o céu, não tem mistério,
Honre os pais e não chame Deus em vão,
Nunca mate e nem furte que o ladrão
Não consegue chegar ao planisfério,
Seja casto, abomine o adultério,
Deixe a festa ao domingo cancelada...
Quem fizer isso tudo sem errada
Pode ser que contemple o firmamento...
Quando Cristo voltar pra o julgamento 
Vai achar pouca gente preparada.

Crônica aos Amigos - Cecília Nascimento


Crônica aos Amigos

Nesse momento de pura nostalgia, vem-me uma ânsia de escrever e fico a indagar-me como aliviar essa angústia sem nome. Parece-me bom escrever aos Amigos... Àqueles que, pensando tê-los, não tenho; àqueles que, quero e não terei; aos que me querem sem que eu saiba e aos raros que sei que são meus. São tantos os tipos de amigos!
Os duradouros trazem lembranças mistas com gostinho de salada de frutas, produzem o ranço do caju, com o doce do leite condensado, uma contradição que fortalece e agrada.
Os recentes soam como lindas canções ao som do saxofone... Suaves, adocicam a alma; fortes, impactam-nos as recorrentes lembranças de frases, sorrisos e breves despedidas.
Os de tempo médio cheiram a rosas, lindas, mas nos espetam com a hipótese do murchar... Não sabemos se essas Rosas seguirão a Lei da Natureza e desfalecerão, ou se a Lei do Amor e Eternizarão.
Os amigos que não temos são um suspiro solto no ar... Deixam uma lacuna que nem sabemos se as vão ocupar. Essa falta faz doer, mas poderá se tornar em uma linda canção, tocada naquele velho saxofone.
Os amigos que sabemos ter e temos... Ah, esses requerem suspiração... São Um, Dois, Três, ou nem tanto ou nada mais... Não são tipos, não precisam ser antigos, mas precisam ser Amigos. Amigos num sentido que não se explica, nem se conceitua, só se sente e se percebe em atos ou até hiatos. Nascem de surpresas afetivas, que não são essenciais à vida, mas plantam sementes de vida. Crescem à luz de muita verdade, regados pela sinceridade e adubados com afeto e perdão. Fortalecem-se a cada passo conjunto, a cada segredo calado junto, a cada desejo frustrado que a dois ou a três foi esquecido. Uns frutificam em um grande e lindo amor... Outros preservam na Amizade o mesmo fiel sabor.
E, quando morrem, passam-se anos e a amizade permanece na memória dos filhos, dos colegas, dos vizinhos, dos livros daqueles sinceros amigos. E, após gerações a fio, é possível captar nos resquícios sepulcrais um doce aroma destilado pela Amizade que jamais sucumbirá.

Aos meus Um, Dois, Três, ou nem tanto, ou não mais que isso: Meus Amigos.

domingo, 15 de maio de 2016

RISO DE PÁSSAROS - Gilberto Cardoso dos Santos


Boca que ri e devora
olhos vorazes, focados
são antropomorfizados
em meio à fauna e a flora
Com o acaso inconsciente
Espelhado em nossa mente
Gestos faciais trocamos
por prazer nos iludimos
Pois quando tristes, caímos
quando felizes, voamos.


Gilberto Cardoso Dos Santos




sábado, 14 de maio de 2016

DIA 13 – SEXTA-FEIRA - Zé da Luz


DIA 13 – SEXTA-FEIRA

 

Acordo para o dia e para o mundo

Mundo de labirintos e escadas

Mundo de gatos pretos e encruzilhadas

Nada temo, acordo.


Caminho através de becos sem saída

Piso firme o pé esquerdo

Sapatos furados e sandálias emborcadas

Nada temo, caminho.


Cruzo com moribundos e ladrões

Piso firme o pé direito

Perpasso a multidão ruidosa

Nada temo, avanço.


A noite cai sobre os assustados

Lua cheia e duendes

Uivos prolongados e gemidos distantes

Nada temo, adormeço.


Dia 13 sexta-feira, um dia comum

– Para um homem de fé.

 

 

                                                                                                  (J. Luz) Santa Cruz, 1983.