segunda-feira, 15 de abril de 2024

NAS CINZAS DO FIM DO MUNDO - Hélio Crisanto














NAS CINZAS DO FIM DO MUNDO


Hoje as nuvens denunciam

Que no céu há explosão 

Humanos se digladiam

Nação combate nação.

A estupidez humana

Embrutecida e insana

Mata e fere num segundo…

Seu ódio vai destilando 

E os restos da paz queimando

Nas cinzas do fim do mundo.


Hélio Crisanto

ANJO DE NEVE - Nelson Almeida

 



ANJO DE NEVE


Anjo de neve

Não peça ao céu

Que a brisa leve

Seja cruel

O malfeitor

Tempo virá

Virar os barcos 

Ver naufragar

Todos os sonhos

De guerra e paz

Que o próprio tempo

Faz e refaz

Desfaz de tudo

Tempo cruel

De um som mudo

Mudar ao léu 

Quem viu teus tons

Verde aurora

O branco Norte

Teus tons implora

Terreno vasto

Cabras pastando

Pastor no pasto

Pastoreando

A sua dor

Não cabe em mim

Viver assim

Nunca foi leve

Anjo de neve

Quando se for

Me leve.


Nelson Almeida. Natal, 14/04/24. 19:19.

domingo, 14 de abril de 2024

SUSSURROS DE LIBERDADE - Cordel de Hélio Pedro

 Parabenizamos ao poeta caicoense Hélio Pedro Souza, membro da ANLiC, por sua boa colocação no concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel. Seu texto foi escolhido para fazer parte da antologia Ditadura Nunca Mais.



SUSSURROS DE LIBERDADE

 

O Brasil, desde Cabral,

procura seus ideais;

perdeu vidas e riquezas,

e entre as lutas desiguais,

a que mais nos atormenta

surgiu nos anos sessenta...

Ditadura nunca mais!

 

Os governos militares,

com marcas de repressão,

suprimem a voz do povo,

asfixiando a Nação...

E beirando a insanidade

tiram toda a liberdade,

reprimindo o cidadão.

 

No Brasil daqueles tempos

subiu a temperatura,

com militares impondo

uma cruel ditadura,

cercearam liberdades

e distorceram verdades

num caldeirão de censura. 

 

Quem resistiu ao regime

teve os atos censurados;

muitos dos que se opuseram

foram banidos, caçados...

Alguns desapareceram,

não se sabe os que morreram

e os que foram exilados.


Em março de oitenta e três,

foi aumentando a fratura

entre os tantos oprimidos

sob aquela conjuntura,

protesto aqui e acolá,

pedindo “Diretas Já”

fez trincar a ditadura.


Em abril de oitenta e quatro,

as pressões foram gerais,

se juntaram aos partidos

lideranças sindicais,

e todo esse movimento,

agregado ao sentimento,

foi manchete nos jornais.

 

Deixo meu grito de alerta

contra esses riscos reais,

demonstrando aos brasileiros

que não se esqueçam jamais;

e a liberdade, entre nós,

proclame a uma só voz:

Ditadura nunca mais!


Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html


Poema que obteve a 4ª colocação no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/dos-rincoes-aos-litorais-ditadura-nunca.html

sábado, 13 de abril de 2024

ROSEANA MURRAY - Homenagens Poéticas



Roseana Murray, renomada poetisa, foi atacada por três pitbulls enquanto caminhava na rua onde mora. Devido à gravidade das mordidas, ela perdeu o braço direito e uma das orelhas. Após o ataque, ela foi levada de helicóptero para o hospital, onde passou por cirurgias.

Em suas primeiras postagens após o ataque, ela expressou sua determinação em voltar a escrever. Disse: "Eu vou reaprender a escrever com a mão esquerda ou botar um braço biônico. A vida é aprendizado". Sua resiliência e maturidade diante da trágica ocorrência são admiráveis, típicas de uma alma verdadeiramente poética.

Leitores e amigos poetas de todo o Brasil ficaram comovidos ante o trágico incidente e expressaram em versos seu enorme carinho pela escritora. – Gilberto Cardoso dos Santos

*********

A direita dilacerada.
O abraço vem da esquerda.
A poesia segue viva.

José Luz

*********

Poetrix carinhosamente escritos por acadêmicos da ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX para 

Roseana Murray 



                                                                           MURRAY 

eu não a conhecia
seu lugar é à esquerda
agora, mora em meu peito

Pedro Cardoso

*********

POETA ROSEANA 

Manhã como outra manhã
Uma luta desproporcional
Teus versos continuarão

*********

Marilia Tavernard

*********

ROSEANA MURRAY

Leveza e afeto nos versos
Braço forte pra defender a vida
Poesia é amor e garra

José de Castro

*********

NA DESTREZA ORA PERDIDA

Valentia em luta vista.
Vida sã se fez dorida.
Esperança está prevista!

Oswaldo Martins

*********


SUPERAÇÃO

Felicidade desfocada
Hiato desafia a vida
Sangra a poesia.

Valéria Pisauro

*********

A LUTA DA POETA CONTRA TRÊS PITBULLS

perde o braço, mas não perde o verso
a palavra sobrevive vangogheanamente
vida à esquerda!

Lílian Maial

*********

MURRAY

a caneta ninguém lhe tira
de suas páginas, a heroína
fez-se autora da própria vida

Sandra Boveto

*********

QUATRO DÉCADAS DE POESIA

"Fardo de carinho" na bagagem
infantes abraçaram Roseana
"Emaranhado" de sensibilidade

Cleusa Piovesan

*********

ATAQUE DE CÃES A POETA

No chão o verso sangra
Poesia em carne viva
Um anjo demitido

Andréa Abdala

*********

ATAQUES DA VIDA

Surpresas dilacerantes
Feridas a preço de sangue
partes perdidas... reconstruídas

Marcelo Marques

********* 

O PINTOR E A POETA

um perde a orelha direita
ambos ganham um brilho nos olhos
a arte estava à esquerda

Francisco José


PRESENTE DE MÃO DIREITA, VIDA

Eterna mão perdida
Memória celular em versos
A que fica agradece o existir

Dirce Carneiro

quinta-feira, 11 de abril de 2024

60 ANOS DO GOLPE - Cordel de Sandreilson Moreira



Parabenizamos a Sandreilson Moreira, cearense de Tabuleiro do Norte, pela ótima colocação (8º lugar) no concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel, em alusão aos 60 anos do Golpe Cível Militar ocorrido em 1º de Abril de 1964. Seu poema foi escolhido para constar no livro que conterá os sessenta melhores cordéis do concurso.


Sessenta Anos do Golpe

O Brasil hoje é potência Uma nação soberana Destemida e governada Por força republicana Com ordem, progresso e glória Mas já registrou na história Fase obscura e tirana. Sofreu em sessenta e quatro Um golpe à democracia Onde o poder militar Fazia o que bem queria Sem sequer ser questionado Foi um período marcado Por intensa tirania. A força brutal e o medo Compunham a ditadura Violência, muitas mortes A desumana tortura Essa vil autoridade Pôs um fim na liberdade Com rigorosa censura. Os ditadores chamavam De ação revolucionária O que na verdade foi Intervenção arbitrária Pois esse horrendo regime Pune, maltrata e reprime Manifestação contrária. Durou vinte e um longos anos O regime da maldade Dito cível militar Requintado em crueldade Em oitenta e cinco, sim A barbárie chega ao fim Ressurgindo a liberdade. Triunfa a democracia Porém, lamentavelmente Esse fantasma perverso Vive de forma latente Depois de sessenta anos Homens cruéis tem nos planos Que ele surja novamente. Nosso país hoje é livre Temos direitos iguais Não sofremos represálias Dos algozes maiorais Gritamos com poesia Vivas à democracia, Ditadura nunca mais!


Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html


Poema que obteve a 4ª colocação no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/dos-rincoes-aos-litorais-ditadura-nunca.html

quarta-feira, 10 de abril de 2024

DO GOLPE ÀS DIRETAS JÁ - Cordel de Marciano Medeiros



Parabéns ao confrade Marciano Medeiros, cordelista serra-bentense, que participou do concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel e obteve ótima colocação.  A respeito de sua participação, disse Marciano:

"Conquistei um honroso sétimo lugar no primeiro concurso promovido pela Estação do Cordel, em Natal. Vou fazer parte de uma antologia de  60 poemas com este tema: Ditadura nunca mais."


DO GOLPE ÀS DIRETAS JÁ 


Durante sessenta e quatro

Após grave quartelada,

Quando o presidente Jango 

Teve a cassação firmada, 

Viu muita gente apoiar —

Golpe Civil-Militar,  

Que trouxe a lei da pancada.  


A tortura no Brasil 

Caminhou de forma rara, 

Pois Carlos Brilhante Ustra, 

A voz do tempo declara, 

Foi o rei dos pervertidos, 

Com prazer fez os detidos

Sofrerem no pau de arara. 


E os golpistas se atacaram 

Sem comportamento franco,

Muitos suspeitam da trama 

Que engoliu Castelo Branco. 

Depois em nova esparrela, 

Vêm Lamarca e Marighella, 

Cada qual tomba em seu flanco.  


Castelo Branco queria, 

De maneira legalista,

A volta das eleições 

Com disputa pluralista. 

Mas antes da decisão,

Morre em queda de avião, 

Muito “estranha” e fatalista. 


Teve Ulysses Guimarães, 

Que sempre em discursos breves, 

Lutou nas Diretas Já, 

Colado a Tancredo Neves. 

Lula também resistiu,  

Igual um vulcão surgiu,  

Dando erupção às greves. 


O sangue dos esquerdistas 

Gotejou nas mãos da história, 

Herzog sendo esmagado, 

As lesões lhe deram glória. 

Outro cidadão de brilho

Foi Luiz Maranhão Filho, 

Morto sem escapatória. 

 

E após os sessenta anos 

Do golpe, li nos jornais,  

Que Teotônio Vilela 

Até seus dias finais,

Em defesa das pessoas, 

Bradou com palavras boas: 

— Ditadura, nunca mais!


(Marciano Medeiros )


Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html


Poema que obteve a 4ª colocação no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/dos-rincoes-aos-litorais-ditadura-nunca.html


8º Lugar no Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/60-anos-do-golpe-cordel-de-sandreilson.html


segunda-feira, 8 de abril de 2024

DOS RINCÕES AOS LITORAIS: DITADURA NUNCA MAIS! - Cordel de Cléber Aduão

Parabenizamos ao poeta e musicista baiano Cléber Aduão pela quarta colocação no concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel, dedicado à temática "Ditadura Nunca Mais".



DOS RINCÕES AOS LITORAIS: DITADURA NUNCA MAIS!

Cléber Eduão


A história do Brasil
Foi forjada na fornalha
De um "Estado" autoritário
Contra o povo que trabalha.
Os seus contos são de fardas
Escritos por espingardas
Em mil campos de batalha.

Um percurso engendrado
De massacres e opressões
De indígenas litorâneos
Aos quilombos dos sertões.
Territórios e terreiros
Camponeses, Conselheiros
Resistindo escravidões.

A invasão portuguesa
Foi um golpe em Pindorama;
Da Colônia ao Império
Muito sangue se derrama.
Essa “pátria-mãe-gentil”
Que tem nome de Brasil
Já faz tempo que reclama.

Do Império em decadência
Do período monarquista,
Ao início da República,
Não foi nada pacifista.
O poder da oligarquia,
Com rudeza e tirania,
Se juntou ao belicista.

Se fez no Estado Novo
Mais um golpe militar;
E na década de sessenta
Outro golpe a costurar.
O milico assombrado
Com fantasmas do passado
Não demora a se mostrar.

Escritores, cineastas,
Estudantes, jornalistas,
Movimentos sociais,
Professoras e artistas;
Em tempos de ditadura
São tratados com censura
Conclamados terroristas.

Nessa saga brasileira
Os tiranos não cochilam;
Volta e meia se inflamam,
Meia e volta se assimilam.
DOS RINCÕES AOS LITORAIS:
— DITADURA NUNCA MAIS!
Cordelistas não vacilam.

Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html


Poema que obteve a 5ª colocação no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/dos-rincoes-aos-litorais-ditadura-nunca.html


ZIRALDO - Homenagens Poéticas

 





Hoje o céu se desenhou

Para receber Ziraldo

Nossa arte empobrecida

Não contabiliza saldo

E o menino maluquinho

Perdeu seu maior respaldo


Hélio Crisanto





O respaldo de Ziraldo
Enriqueceu a nação
O Menino Maluquinho
Com dor em seu coração
Ficou com tanto desgosto
Que as lágrimas do seu rosto
E a panela foram ao chão.

Gil Ribeiro (Serra de São Bento)



sábado, 6 de abril de 2024

Ditadura Nunca Mais! - Cordel Premiado



"Ditadura nunca mais!", do várias vezes premiado autor Francisco Gabriel Ribeiro, obteve o 3º Lugar no concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel. Parabéns ao trovador e cordelista que tão bem desenvolveu o tema solicitado! - Gilberto Cardoso


Ditadura Nunca Mais!

Francisco Gabriel (Pseudônimo: O Pescador de Sonhos)


1

Nosso céu foi encoberto

por uma fumaça escura

e, nela, o anjo da morte,

envolto numa armadura,

desfraldou um estandarte,

nele estampado um encarte,

subscrito: DITADURA!

2

Nossas Marias choraram,

nossos filhos se perderam…

calaram nossa justiça,

e os jornais emudeceram.

E, quem não ficou omisso,

no vento, levou sumiço,

ou nos porões padeceram.

3

Às margens do Araguaia,

no meio dos carrascais,

jovens banhados de sangue

lutaram por ideais,

na mais cruenta disputa,

numa solitária luta

entre forças desiguais.

4

Alienaram ativistas,

calaram nossos cantores;

Marighella foi à tumba,

Lamarca sofreu horrores…

Gabeira saiu fugido,

e Vandré foi perseguido,

só porque falou das flores.

5

Na “falsa democracia”,

o seu telhado de zinco

tinha furo em todo canto,

e a porta não tinha trinco…

mas perdeu qualquer razão,

depois da publicação

do repulsivo “A.I Cinco.”

6

Sobre o “Sete de Setembro”,

Márcio Moreira falou:

”Fique em casa, minha gente!”

e à “casta” desagradou.

Por esse ato “atrevido”,

foi cassado e perseguido,

e no Chile se exilou.

7

Nos vinte e um anos de treva,

em mãos ditatoriais,

morreram quase quinhentos,

conforme está nos anais…

Por isso, expresso em meus brados,

por milhões de torturados:

“DITADURA, NUNCA MAIS!”¨


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html


Poema que obteve a 4ª colocação no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/dos-rincoes-aos-litorais-ditadura-nunca.html


INTERLIGADOS PELO CLIMA

 


INTERLIGADOS PELO CLIMA


Nas zonas de guerra, o fogo explodindo tem o papel de aquecer e destruir, não só quem está perto. A necessidade dos ares-condicionados que o digam. A conta de energia sobe. Corre-se para dentro dos compartimentos refrigerados enquanto as explosões continuam a aquecer o planeta. Todos pagamos pela guerra que, apesar de estar longe, manda seu recado pelo bafo quente como se fosse um telegrama climático. 

Ninguém pode fugir dos conflitos já instalados nos campos de gelo, nas areias dos desertos ou nos morros do Rio. Somos todos coadjuvantes desse inferno que já está mostrando sua cara através da elevação da temperatura. 

Mais e mais explosivos são criados e detonados a cada segundo. Enquanto estamos aqui lendo, mais focos de destruição contra o clima da terra permanece em atividade. Só um cego não ver que as bombas estão chegando até nós através do ar aquecido por elas.  

A indústria da destruição dá emprego. O comércio de armas prospera. Não dá para fazer poesia com tudo isso. Calor é a linguagem da natureza gritando que paremos com isso.  

Os vídeos viralizam quando um caça é abatido ou um tanque é explodido, mas ninguém conta que aquela área aquecida amanhã virá bater na sua e na minha porta nos obrigando a correr para o refúgio da sala climatizada. 

A conta de luz sobe novamente, para deleite dos vendedores de energia. Para muitos, as guerras precisam continuar, só assim se faz valer a indústria dos ventiladores, refrigeradores e armamentos. 

Transformamos nossas casas em bunker contra o aquecimento global, só que na feira não tem ar refrigerado; no roçado, também não; na praia, o ar que nos chega é trazido por correntezas aquecidas pelos testes nucleares feitos no pacifico. Será que há alguém com interesse em ler ou reler a obra de Dante?   


Heraldo Lins Marinho Dantas

Natal/RN, 06.04.2024 - 07h25min.




sexta-feira, 5 de abril de 2024

A ARTE AMORDAÇADA - Edson de Paiva





O poema A Arte Amordaçada obteve o 2º Lugar no Concurso promovido pelo Ponto de Memória Estação do Cordel. Parabéns ao poeta Edson de Paiva, ilustre filho de Rafael Godeiro (RN), autor do texto premiado, que tão bem desenvolveu o tema sugerido: "DITADURA NUNCA MAIS".   - Gilberto Cardoso


A ARTE AMORDAÇADA


Lágrimas descem no rosto,

Quando falam de censura

E que impuseram limites

Para expressar a cultura,

Se não borrar o papel,

Vou tentar pôr, em Cordel,

Abusos da ditadura.

 

Tudo o que fosse criado

Passava na comissão,

Feita para avaliar

Toda insubordinação,

Peças, músicas, pinturas,

Com as ideias obscuras,

Não tinham liberação.

 

Utilizando pseudônimos,

Alguns deram seu jeitinho

E com “Jorge Maravilha”,

Chico passou por Julinho

Com Gilberto Gil tentou

Mas o Cálice encontrou

A tesoura no caminho

 

Tom Zé com “Todos os Olhos”

Passou sem ser censurado,

Tal qual Chico e Caetano

No disco “Sinal Fechado”

Enquanto “O Abajur Lilás”,

De Plínio Marcos, não faz

Os interesses do Estado.

 

Muitos foram para o exílio,

Cito Geraldo Vandré,

Taiguara, Raul, Caetano,

Jorge Mautner, Macalé,

Chico, Gil, Nara Leão,

Que, sem nenhuma razão,

Tiveram que dar no pé.

 

Também entraram na mira

Célebres intelectuais,

Poetas, Artistas plásticos,

Diretores Teatrais,

Um bloco de cientistas,

Arquitetos, jornalistas,

Dirigentes sindicais.

 

Os dias foram difíceis,

Com tortura e covardia,

Mas como em todos embates

Triunfa a democracia,

Pensadores exilados

Voltaram, de braços dados,

Exaltando a POESIA.

 

Edson de Paiva


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Poema que obteve o primeiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/versos-licoes-e-reveses-dos-ecos-da.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

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quinta-feira, 4 de abril de 2024

VERSOS, LIÇÕES E REVESES DOS ECOS DA REPRESSÃO - 1º lugar no concurso de cordel



Parabenizamos ao poeta caicoense e membro da ANLiC (Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel) Hélio Alexandre Silveira e Souza pelo 1º Lugar no concurso organizado pela Estação do Cordel relativo ao tema "Ditadura Nunca Mais". Embora o autor tenha se sentido surpreendido pelo resultado, não é a primeira vez que recebe prêmios dessa natureza. Além de exímio poeta, o nobre advogado é um excelente ilustrador.

Em sua página do Instagram 

(https://www.instagram.com/no_vai_e_vem_dos_versos/) Hélio Alexandre postou: 

"Parabéns a todos os participantes! De tudo, essencialmente, faz-se indispensável lembrar que a simbologia desse evento e de todos os escritos dele originados é, talvez, a conexão do ontem, do hoje e do amanhã. Bem sabemos dos riscos, das intenções e manobras que, sorrateiramente, espreitam a nossa democracia. Assim, espero que todas as vozes caladas em tempos idos de repressão e obscurantismo possam falar hoje através dos nossos atos, nossa consciência e nossos sentimentos."

Varneci Nascimento, Cristine Nobre e Aderaldo Luciano compuseram a Mesa Julgadora que determinou a vitória para Hélio Alexandre (1º lugar), Edson Paiva (2º lugar), e  Francisco Gabriel (3º lugar).

Em 1964, ocorreu no Brasil o Golpe Militar, que resultou em um período de ditadura que durou até 1985. Em 2024, no mês em que ocorreu esse concurso, completamos 60 anos desse traumático acontecimento. O Ponto de Memória Estação do Cordel pretende lançar ainda em 2024 uma antologia com 60 cordeis classificados no dito concurso e desenvolver outras ações nesse sentido.

Nando Poeta, principal responsável e idealizador, deve receber nossos aplausos não só pela realização do concurso, mas pela temática escolhida e pela lisura na escolha dos vencedores. 

 - Gilberto Cardoso dos Santos


VERSOS, LIÇÕES E REVESES DOS ECOS DA REPRESSÃO

Autor Hélio Alexandre (Pseudônimo utilizado no concurso: Clarissa J. Herzog)


Nas sombras da insensatez,

onde o mal firmou raízes,

militares invocaram

as piores diretrizes,

roubando os sonhos que havia, 

ceifando a democracia

e deixando as cicatrizes.

 

Tristes anos que vão longe,

mas com dores tão presentes;

uma ferida profunda

nos corpos, almas e mentes…

Podaram sonhos e vozes,

enquanto os atos atrozes

sufocaram inocentes.

 

Homens covardes de farda

com base em falsos valores,

sedentos por mais poderes,

desprovidos de pudores,

fizeram, na Ditadura,

um festival de tortura

contra os seus opositores.

 

No auge do show de horrores

surgem atos mais letais:

como AI-5, entre outros

atos institucionais,

com prisões, mortes sumárias,

perseguições arbitrárias

e repressões ilegais.


Tensos tempos em que livros,

filmes e canções sutis

foram as armas mais fortes

nas mãos dos pobres civis

contra a cruel truculência

e a nefasta violência

dos gatilhos dos fuzis.

 

As mãos da democracia

não devem baixar a guarda!

A fúria dos opressores

esmorece, mas não tarda;

seguem tramando malfeito

com fanatismo no peito

e sangue manchando a farda.

 

Guardemos, pois, as lições

desse passado feroz,

que a sanha vil dos golpistas

não suprima a nossa voz;

no futuro e no presente,

que esses ovos da serpente

não germinem entre nós.


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


Veja o poema que obteve o 2º Lugar no concurso:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/a-arte-amordacada-edson-de-paiva.html


Poema que obteve o terceiro lugar no 1º Concurso da Estação do Cordel:

https://apoesc.blogspot.com/2024/04/ditadura-nunca-mais-cordel-premiado.html