APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Morte do poeta Letácio Pereira - Nota de Pesar


Nós, da APOESC (Associação de Poetas e Escritores de Santa Cruz) comunicamos o falecimento do senhor Letácio Pereira, conhecido poeta da cidade. 

Nasceu  em Santa Cruz, à rua Dr. Elói de Souza, aos 25 de dezembro de 1935. teve como primeiros educadores: Dona Santinha Marques, Dona Elisete Pessoa, Nenen Galdino e Terezinha Cury. Ingressou no curso de admissão do Grupo Escolar Quintino Bocayuva em 1940, recebendo o seu diploma em 1945;  cursou no Ginásio Comercial todo o 2º grau e em seguida foi trabalhar com seu pai, o então tabelião João Ataíde Pereira, sendo nomeado em 1957, ajudante de Cartório. Por vários motivos óbvios, permaneceu no atual cartório, vindo aposentar-se pelo mesmo ofício na década de 80. 

Letácio foi membro da ASPE e participou de várias antologias, dentre elas Santa Prosa em Cruz e Verso, em 2004. Também teve poemas seus publicados em jornais da cidade.

Nas palavras do poeta e historiador Edgar Santos "A cultura literária perde um excelente e lírico poeta." 

Apesar da pouca saúde, era uma pessoa carismática, dotada de inegável inteligência e de coração generoso.

Nosso sincero pesar à família do poeta.


O  POETA  E  O  MAR (Autor: Letácio Pereira)


Certo  dia  eu à  beira  do velho mar
Contei  minhas  dores  a  quem  sofria
Entre  grande  barulho  a  rugir a vagar
Atentamente  me olhava  e  me  ouvia
           
Contei  meus  amores,  que  tinha  a  amar
E muito sério  a  continuar  mui  rugia
Contrariando  o  tempo  e  sem  parar
Sem  amor  e  sem  ninguém  ali  gemia

Conversando ali  aquele  dos  seus  amores
Confessou-me  que  os  não possuíam
Que  apenas  amava as  belas  flores...
           
Fui  saindo de  sua  orla  pensativo
Pois o  poeta  e  o mar  não tinham
Somente  do  grande  Deus  ser cativo!

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EVANGELHO DAS SELVAS


            Carlos, após sua rápida refeição bem cedinho um pouco de leite, um napo de pão, era apenas isso; Cinco  e meia da manhã e o poeta Carlos apanhava um caderninho e também um lápis, costumava levá-los consigo, e ainda um livro como hábito seu.

            Caminhando pelas calçadas, rumava em direção ao poente, muito embora o sol estivesse no nascente; daí em diante aquele poeta, de costumes rudes, que poderíamos até chamá-lo poetaço, dobrava à primeira esquina, rumava e dobrava a esquina seguinte, redobrando simultaneamente mais uma.  Aproximava-se do Arrabalde da cidade e daí o perímetro urbano (início do matagal) avizinhando-se do matagal, daí adentrava a selva, e abandonava à zona urbana.

            Porém Carlos, nosso personagem, tornava-se “anfitrião” do “Campinas”, pássaro que o maravilhava o qual sempre àquela hora cantarolava em meio  a grande árvore; Quando ele  o escutava em repetidas melodias por três vezes seguidas, saciava o seu desejo matutino e, daí caminhando novamente à selva.  Chegando mais ou menos três quilômetros mata adentro, parava – E logo puxando o seu lápis e seu caderninho e também seu livro inexplicável, encostava-se em uma das variadas árvores, - como fazia antes ao seu “Campinas”.  E por várias  horas estando a meditar, movia-se com gestos ensaiados – como a  reclamar a falta de alguém.

            Balbuciando, talvez alguns versos de sua autoria ou improvisos.  Após esses monótonos gestos e palavras imperceptíveis, isso, ininterruptamente.  Dir-se-ia que nosso personagem fazia juras e perjuras a alguém mui amada, que perdera no caminho da existência...  Carlos, encostado na árvore de sua preferência,  meditava  mais uma vez um quarto de hora;  Daí ansioso inicia o retorno a cidade; volta pensativo por não ter de muitas, mais uma vez, sequer, visualizada em sua personalidade, sua amada.

            Nosso Carlos, retorna em passos cadentes pela mesma trilha, que sempre o leva todas as manhãs.  Quando aproxima-se da cidade, o barulho toma todo seu interior – e o “Evangelho das Selvas” deixa de possuí-lo  na mente e na alma.  Carlos, chega novamente ao casarão e daí em diante o “Evangelho das Selvas”, o que o traz e o leva nas ruas da cidade.           



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

UM LUGAR QUE NÃO EXI$TE - Mais que resenha, uma recomendação



UM LUGAR QUE NÃO EXI$TE - Mais que uma resenha, uma recomendação

Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.” (Lc 17:10).

"Um lugar que não exi$te" - frase irônica apropriada, aplicada a uma realidade tão nossa - foi o título escolhido para o filme de Hailton Mangabeira, cordelista, contista (detentor de múltiplos talentos, em suma); para uma película que retrata de forma pitoresca (e ao mesmo tempo tão realista!) o que ocorre nos pleitos eleitorais do Brasil, mas principalmente do Nordeste. Não trata propriamente de política, mas da politicalha nacional, sem eximir o povo de sua parcela de culpa.

Recomendo-o, não propriamente por boas atuações ou por se tratar duma história bem costurada e com bom clímax; atores amadores e populares contracenam sem muita preocupação de que tudo não passa duma grande brincadeira, representativa  de uma realidade tão danosa à sociedade. Recomendo-a,  não por se tratar propriamente duma ótima comédia, mas pela clara intenção do autor em nos trazer uma lição de cidadania. Os que ainda forem assisti-la, relevem quaisquer aspectos negativos. Degustem-no como quem come peixe, sem esmorecer diante das espinhas. A boa vontade do Hailton e do Lula fazem-se bem evidentes. Foi algo feito com muito amor; e o amor, diz a Bíblia, cobre uma multidão de pecados.

Hailton é, antes de qualquer coisa, um educador nato e em todas suas produções culturais, percebendo-o ou não, nos dá aulas. Ao mostrar com bom humor a realidade, aponta-nos  o que poderíamos vir a ser, caso mudássemos de mentalidade. Nas entrelinhas, o autor apela à sensatez humana, dá um voto de confiança à capacidade cognitiva das potenciais plateias. Diz-nos: "Ei, erga a cabeça. Pare de olhar para o seu próprio umbigo. Veja o que sua indiferença, inocência e/ou egoísmo têm feito."

À semelhança de um bom anfitrião, Hailton e sua equipe deram o melhor de si para nos trazer tão importante recado. Nesta produção, obviamente distante de qualquer coisa que pudéssemos chamar de hollywoodiana, Lula Borges (que também é educador) fez bem mais com menos e teve êxito em atingir os alvos pretendidos, com muita graça e, talvez, quase de graça. Não se trata de arte pela arte, mas duma produção artística engajada. Um longa engajado, mas sem teor panfletário.

Já que feito por dois educadores, vejamos tal trabalho como um projeto interdisciplinar que visa ir além da comunidade escolar. Algo grandioso e nobre em suas pretensões.

Tenho certeza que, à semelhança do que ocorreu com o eu poético de Drummond, havia uma pedra no meio do caminho desse poeta e do produtor - uma não, diversas - mas eles passarinharam sobre os obstáculos humanos e desumanos dos descrentes, indiferentes e  opositores.

A trilha sonora é impecável.

Trata-se de uma mensagem contundente, digna de toda nossa atenção!

Valeu pelos esforços e por se tratar de uma obra concebida para circular nos trilhos da ética.

À semelhança dos serviçais bíblicos citados no início deste texto, Hailton e Lula Borges se voluntariaram para nos servir. Após o serviço, tímida e humildemente aguardam nosso feedback. Mudamente nos dizem: "fizemos apenas o que devíamos fazer".

Quanto a mim, expectador satisfeito, o mínimo que posso fazer é lhes dizer com sinceridade: Vocês fizeram, sim, o melhor que podiam. Se faltou algo, deveria ser imputado à negligência dos que  poderiam ajudá-los mas não o fizeram. De modo algum vocês foram inúteis em seus esforços. Neste filme vocês optaram por promover nossa cultura (nos outros também) e por nos alfabetizar politicamente. Parabéns por tentarem nos  conscientizar de maneira lúdica e por disponibilizarem gratuitamente o penoso fruto de vosso trabalho no Youtube.



Link para o filme:




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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

INEVITÁVEL

O eterno partiu Junto com o pôr do sol. Tão fria era a noite quando adormecia. Silencioso o seu pranto e daquela lua que não mais sorria. Em versos e controversos inquietos cada segundo. O relógio tão parado apreciava o doloroso anseio do amanhecer do dia. E o eterno? Se foi, Não lamentando a fuga, E o sol já nascia.

Fernanda Cândido

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Um Conto Moderno - A filha , a mãe e o celular



A filha chega em casa com ar de muito preocupada e diz à mãe:

- Mãe, perdi meu celular!!

- Mas minha filha, aquele celular comprei pelos olhos da cara. Pelo amor de Deus, vá procurar! - disse a mãe já chateada.

-Já o procurei por todos os lugares por onde estive ou passei, mas não o encontrei. Não sei mais o que fazer.

A mãe e a filha já estavam muito tristes, quando,  minutos depois alguém liga do próprio celular perdido e diz:

- Bom dia, aqui é o Antônio, gari de Honestina. Encontrei este celular no chão da praça e achei o mais correto devolver ao dono ou a dona. Sou pobre, mas sou honesto.

- Obrigada, senhor Antônio! Só Deus vai lhe retribuir pelo seu ato de homem bom, honesto e de caráter!

Horas depois, a mãe e a filha chegam à casa humilde do gari, onde ali recebem o celular igualzinho como tinha sido perdido.

Os três se abraçam: a mãe,  a filha e o senhor Antônio. Aquele celular era um dos mais caros e valeria um mês de trabalho, de suor para o funcionário da limpeza pública!

Poucos fariam o que Seu Antônio fez. Ainda há muitas pessoas  honestas no mundo e Seu Antônio é uma delas.



* João Maria de Medeiros é professor , poeta e cronista.

Uma Coisa de Cinema (Gilberto Cardoso dos Santos)

Uma Coisa de Cinema (Gilberto Cardoso dos Santos)

Ao ver o tema da redação do ENEM de 2019 – “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, tive a curiosidade de ler os textos motivadores e logo me lembrei do antigo cinema de minha cidade (Cuité-PB), onde muitos choraram vendo Coração de luto e se contorceram nas cadeiras diante de King Kong. Fiquei imaginando o que eu escreveria naquela redação e o que realmente seria tentado a escrever caso a tivesse feito.

O tema me chamou a atenção para a abundância de filmes de que dispomos hoje na tela do celular, da tevê e do computador. Pensei nas antigas salas de cinema, hoje convertidas em igrejas ou em centros igualmente comerciais. Achava-se que o cinema estava morto, mas ele ressurgiu nos Shoppings.

Lembrei-me das vezes que entramos na fila para ver ou rever uma película. A hipnose cinematográfica começava na música de abertura, na chamada para a exibição. Recordei-me dos filmes de karatê, dos faroestes, das películas românticas... sempre me virava para ver a fonte de onde procediam aquelas maravilhas. Lembro-me do espanto que tive quando peguei um pedaço de fita de filme e vi apenas uma sequência de fotos que pareciam se repetir a cada quadro. Foi um misto de decepção e de espanto.

Mágicos eram os momentos que ali vivíamos. Enriqueciam nossa imaginação na rotina dos dias e afetavam nosso comportamento. De uma exibição à outra, sempre havia a expectativa de grandes emoções e isso alegrava a cidade. 

Eu era fã de Bruce Lee. Em casa, dava golpes nas paredes, em telhas e tijolos. Lembro-me de dar golpes de karatê em pontas de pregos fincados numa tábua. Seguindo a receita, passava sal na parte ferida. Diziam que isso fortaleceria a mão e aprimoraria o golpe. Com muito orgulho, certa vez, ouvi alguém de minha idade dizer: “Gilberto, você tá parecendo Bruce Lee. Anda do mesmo jeito.”

E o que dizer dos duelos ou tiroteios em que eu me sentia um Sartana? Como era bom pegar um pedaço de pau com aparência de arma e alvejar os inimigos escondidos por trás de moitas próximas às nossas casas... Às vezes tínhamos certeza de que o tiro atingira o peito do adversário, mas este relutava em admitir. Ficava difícil para nós comprovarmos, pois as balas eram invisíveis. Quanta adrenalina nesses momentos em que saltávamos duma moita a outra.

Hoje vou ao cinema do Shopping com a família, mas já não tem o mesmo encanto. Ali, na poltrona confortável, recordo-me do cinema de Seu Jovino, do barulho da máquina, das vezes em que a fita quebrava e das consequentes vaias até que houvesse o conserto; do facho acinzentado de luz, oriunda do lugar alto e escuro; dos pedidos de silêncio e da censura aos que queriam se levantar durante a exibição ou erguiam a mão para projetar a sombra na tela.
Seu Jovino, o maçom da cidade, o católico praticante, o cidadão de bem, tinha uma aparência e comportamento que impunham respeito. Mas que seu eu objetivamente a respeito de Seu Jovino? Quase nada. Sei apenas o que minha imaginação pintou a seu respeito, como fazia com os heróis da telona.

No cinema de hoje, tudo é muito perfeitinho e já não nos espantamos com o que a Computação Gráfica pode fazer. King Kong hoje, por mais convincente que seja numa exibição 3D, não se compara com aquele, tosco e de movimentos robotizados do cinema de meu tempo.

É muito bom estar ali, no Shopping, mas por causa da família e das boas recordações que o momento me traz. Enquanto assisto ao filme, maquiavelicamente produzido para agradar a toda a família, vejo outras películas. Afinal, não há espaço cinematográfico melhor que o da nossa imaginação. Nossa mente é uma coisa de cinema.

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No vídeo abaixo, uma entrevista feita com meu irmão Antônio Cardoso – o Nego Tota – a respeito do antigo cinema de Cuité.



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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O fabuloso caso do amor e seus desencontros - André Ipoema da Silva Domingos.



O fabuloso caso do amor e seus desencontros
                                                                                          André Ipoema da Silva Domingos.

Amor... Duas vogais, duas consoantes e milhares de significados. Impressiona uma palavra tão simples ter sentido tão amplo. Aquilo que sentimos por nossos pais, filhos, irmãos, ou pelo ser enamorado. Quando pensamos em amor relacionado a “outro alguém”, a rima imediata que pensamos é “dor”, mas não estou escrevendo a fim de inspirar algum jovem poeta apaixonado (por mais que queira), e sim para refletirmos sobre o quanto é difícil o envolvimento emocional em tempos difíceis para sonhadores (como diria Amelie Poulain), em que as pessoas se fecham para o amor.
“O amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”, já dizia Camões sobre o assunto. E dói mesmo! Em uma sociedade onde o egoísmo atinge parte das pessoas, o amor tornou-se escasso, tornou-se 3º plano nos planos de pessoas que se separam, se isolam e até mesmo nunca mais se falam. O filósofo Bauman nos disse que “Vivemos em tempos líquidos, nada é feito para durar”, teria o grande Bauman sofrido com a dor do coração partido? Talvez sim, talvez não... Mas é fato que falta a nossa sociedade mais empatia, alteridade, respeito, e isso só será possível quando permitirmos que o amor floresça em nossa vida.
Florescer... assim como uma flor no jardim em tempos de primavera, pois, o sentimento que está em nós precisa ser cuidado, lapidado. O amor próprio é uma das coisas mais belas que o ser humano pode ter, e mais lindo ainda é quando compartilhamos nossa história com alguém que também está disposto a florescer. Amar é cuidar e não se esquecer disso é uma das premissas do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, ambos os personagens estão cansados de tanta correria, de tanto ter que provar seu amor (que deveria ser espontâneo), cansados de apenas sobreviver e não viver a felicidade. E viver é ter surpresas, arrepios, reflexões, poder sentir na pele um abraço carinhoso, um beijo apaixonado, entoar num coro só com nossa companheira (o) “Ah, vai... me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar...” (Isso mesmo! Aquela música da Los Hermanos). Nos resta pensar fora da caixa e romper a zona de conforto para viver bem mais intensamente.
Por fim, coragem! Para ir vivendo um dia de cada vez e ir vencendo o medo de amar, as decepções ao decorrer da nossa “Timeline da vida real” e seus obstáculos. Com um pensamento positivo e ao contemplar as belezas que nos rodeiam, fazemos jus ao pensamento de Aristóteles: “ Em todas as coisas da natureza existe algo maravilhoso. ” Já convidou o amor da sua vida para tomar um café hoje? Permita-se!




terça-feira, 22 de outubro de 2019

AOS CUITEENSES DO FUTURO (Gilberto Cardoso dos Santos)


A pedido de Eliel Soares, educador e historiador, fiz o seguinte poema para a cápsula do tempo que se encontra enterrada no Museu Homem do Curimataú, em Cuité - PB. Só será aberta em 2068.



Aos cuiteenses do futuro (Gilberto Cardoso dos Santos)

Nasci em sessenta e quatro
Vi minha Cuité crescer
Hoje observo as mudanças
Sinto a saudade bater
Contemplando o que restou
Cuité se modernizou
Sem sua essência perder.

O antigo Cuité-Clube
Em museu foi transformado
Converteu-se num baú
Dos tesouros do passado
Tudo que de bom havia
Hoje virou poesia
No que ali é conservado.

Sou de Cuité dos Furtado,
Dos Venâncio, dos Medeiros
Dos Pereira, dos Fialho
Sujeitos bons e ordeiros
Do tempo dos Ascendino
Dos Palmeira, dos Galdino
Cuiteenses verdadeiros.

Dinamérico é de meu tempo
E comigo conviveu
Foi um artista de peso
Que Cuité reconheceu
Pelo importante legado
E foi imortalizado
Numa sala do museu.

No Olho D'água da Bica
Banhei-me na puberdade
Hoje a água ainda escorre
Servindo à comunidade
Bem perto vê-se o progresso
De jovens fazendo ingresso
Na bela universidade.

Foi transformado em abrigo
Um antigo cabaré
Feito pelo Nego Tota
Que hoje vive da fé
De modo bem respeitoso
Busca tratar-se o idoso
Sem condições de Cuité.

Em espaços importantes
Bons nomes são colocados
O Largo José Soares
Ecoa fatos passados
No antigo Bar de Biléu
A lembrança ergue o seu véu
Primórdios são resgatados.

As lembranças me embriagam
Diante do  ex Drink Bar
Ou do mercado central
De existência secular
Abaixo, com novo emblema
Vê se o antigo cinema
Que tanto nos fez sonhar.

Grande troca de poder
Cuité ora vivencia;
O espetáculo da Paixão
De Cristo se evidencia
Como parte da cultura
Que ao passado emoldura
Com a tecnologia.

Ecoa em meu pensamento
a voz de Zé Luzia
Nos tempos da Mobralteca
declamando poesia
Lembro do bar de Braulino
Onde eu ainda menino
Lanche e cachaça servia.

Sou do tempo de Aécio,
Poeta, ator, pensador;
Cresci junto com Ramilton
Bom contista e educador.
E percebo que Israel,
Júnior de Moca e Eliel
Fazem algo de valor.

Pois lutam pela cultura
Com Crisólito e Zé Pereira
Na defesa de Cuité
Enfrentam qualquer barreira
Com paixão obsessiva
Querem ver corada e viva
A cultura brasileira.

Claro que há acidentes,
Que aumentou a violência
Nada que em outros lugares
Não esteja em evidência
Mas com ações pontuais
Medidas racionais,
Venceremos a imprudência.

Há muita coisa a dizer
Mas prefiro ser sucinto
Contemplo a minha Cuité
E é grande a emoção que sinto
Apesar do que sofreu,
Cuité saudável cresceu,
Tornou-se um lugar distinto.

Daqui a cinquenta anos
Muita coisa irá mudar
Aqui não mais estarei
Não poderei contemplar
Os avanços do progresso
Mas com confiança expresso
Que tudo irá melhorar.

Daqui a 50 anos
Uma nova geração
De 3 séculos de existência
Fará comemoração
Muito do que hoje vemos
Com certeza não teremos
Além da recordação.

Ao pensar que estarei morto
De mim mesmo sinto dó
Mas que fazer? É a vida
Irei, mas não irei só
Milhares que aqui estão
Na presente geração
Terão retornado ao pó.

Você que está no futuro
Adulto, velho ou criança
Saiba que escrevo estes versos
Repleto de confiança
Em um porvir radiante
Numa "cuité" transbordante
De paz, amor e bonança!


Santa Cruz, 13.07.2018











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