APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

QUANDO A CABEÇA PINTA... A PINTA BAIXA A CABEÇA



Eu quero dar um recado
pra quem completou sessenta,
que a cabeça está cinzenta
e com motor enguiçado,
do seu tempo de tarado
é bem melhor que se esqueça.
à lei da vida obedeça
que sessenta não é trinta.
E quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

Eu com cinquenta de idade,
meu cabelo já pintou
e o que era brabo ficou
manso, demente e covarde.
Trabalha pela metade,
tudo impede que ele cresça.
Sua força está de terça 
e vai findar numa quinta. 
Que quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

O Egídio anda sem fé,
pra o  chamego é incapaz
tenta fazer mais não faz
pois,  nada fica de pé.
Sei que homem Egídio é,
mas de ser macho ele esqueça. 
Se conforme e  reconheça
que já inteirou dois trinta.
E quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

E o Ivo só diz que é macho
mas nisso eu não acredito,
sua bola está sem pito
e seu pino está pra baixo.
Seu fruto murchou do cacho
e nada faz que ele cresça.
Só falta que ele esclareça,
diga a verdade não minta.
Que quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

Me disseram que Zequinha, 
há certo tempo passado,
de galo até foi chamado, 
pela fama que ele tinha.
Hoje vai pra camarinha
e ronca até que amanheça,
daqueles tempos ele esqueça,
somente saudade sinta.
Pois quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

Roberto já está pintando,
e isso não é bom sinal.
E garanto que esse mal,
doutor nenhum tá curando.
O cabelo branqueando,
da juventude se esqueça.
A uma escala obedeça,
seja na sexta ou na quinta.
Que quando a cabeça pinta,
a pinta baixa cabeça. 

E aos jovens que aqui estão,
que ficaram me gozando,
vejam se já estão pintando,
se não estão, ficarão.
Cuidado com a gozação,
de orgulho não padeça.
Para que não aconteça,
de pintarem antes dos trinta.
pois quando a cabeça pinta,
a pinta baixa a cabeça.

Autor: Chico Gabriel


Mais versos neste mote:




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O ABOIO DO VAQUEIRO JOÃO PINHEIRO

JOÃO PINHEIRO 
                              Ao Dr. Odorico Ferreira de Souza

Patrão vaimicê se alembra
du nego véi João Pinheiro,
u mió aboiadêro
                     i bóiadô?

Si alembra seu Dôtô
qui quando ele aboiava
as rua regurgitava
                     di gente?

inda trago bem patente
u abôio sintimentá,
aquele abôio sem iguá
                     no Norte...

Guela chêa, peito forte
tipo mermu du vaqueiro,
mi alembro dôtô, mi alembro
du abôio di João Pinhêro...

Autor: Cosme Ferreira Marques, livro Canastra Véia



Fonte: José Fernandes Bezerra, Livro Retalhos do Meu Sertão, pág. 17


terça-feira, 28 de outubro de 2014

POEMA SOBRE JAPI E NOTA DE FALECIMENTO



MINHAS BOBAGENS (FRANCISCA DE OLIVEIRA CONFESSOR)

Japi, velho japi
Reprodutor das cenas
Do caboclo dançarino
Das mais bonitas morenas
Do canário cantador
Das borboletas serenas

Não espero ganhar ponto
Não tenho capacidade
Mil novecentos e vinte e dois
Nove anos minha idade
Meu pai fez a primeira casa
Onde hoje é a cidade.

Japi da pedra do tacho
Com seu mistério divino
Que batendo nela eu acho
Escutar a voz do sino

E a pedra do meio da serra
Onde o caboclo se inspira
E a lua ilumina a terra
Vê a rocha e admira

Japi da pedra da barra
E a serra dos três irmãos
Onde canta a cigarra
Quando muda a estação.

Pedra da negra, letreiro
Que fica na cordilheira
Boqueirão do aguaceiro
Onde forma a cachoeira

Japi das pedras pretas
E do tanque do urubu
Vaca morta em retreta
Onde canta o sanhaçu

Tem a pedra do letreiro
Onde canta a jati
De onde vem o roteiro
Para o nome de japi.

Contemplando o firmamento
Vejo grandeza daqui
A mansa brisa do vento
A beleza de japi

A grande baraúna
Bem pertinho da cidade
Onde cantava a craúna
Hoje só resta saudade.



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No bojo da sepultura todos nós somos iguais

(Marquinhos Freitas, autor)

Dentro do João XXIII
Ou do Izabel Delfino
Será o último destino
Meu e de todos vocês
Que o cemitério é xadrez
Que prende os restos mortais
E o prisioneiro jamais
Arrebenta a fechadura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais

Em novembro quem visita
O cemitério e as covas
vê buquê de flores novas
grinalda e laço de fita
uma mensagem bonita
escrita em um cartaz
e o retrato de quem jaz
desbotado na moldura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

A morte é como um castigo
Pra o ser humano entender
Que Deus é quem tem poder
E nos iguala no jazigo
Tanto faz ser um mendigo
Como Hermínio de Moraes
Um vai na frente outro atrás
E a podridão se mistura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

No momento que Jesus
Manda chamar a pessoa
Sem asas a alma voa
Quando o espírito é de luz
Enterra o corpo e a cruz
Por ser pequena demais
Só cabe as iniciais
Do nome da criatura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

Mata anão, médio e gigante
Rico, pobre, preto e branco
Gordo, magro, fraco e franco
Maltrapilho e elegante
Babá, bebê e gestante
Velho, mocinha e rapaz
Que a morte é bruta e voraz
E com ela a parada é dura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

Tem mulher que se orgulha
Usando uma roupa nova
E nem imagina que a cova
E a mortalha lhe embrulha
Num mar de ilusão mergulha
Sonhando alto demais
Quer ser Juliana Paes
No perfil e na altura
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

A morte mata prefeito
Deputado e presidente
O pai e a mãe da gente
Médico e juiz de direito
Pra que tanto preconceito
E diferenças raciais
Se pra Jesus tanto faz
Pele clara ou pele escura?!
No bojo da sepultura
todos nós somos iguais.

sábado, 25 de outubro de 2014

DEBATE ELEITORAL - Humorista Márcio Américo

Humorista e escritor pé vermelho, ex-morador da Vila Nova – eterna adversária da Vila Recreio – lança canal no youtube com o nome “Descarga Elétrica”. A parceria é com a produtora Take a Take, de São Paulo. O roteiro é produzido por Américo, que gravou ontem algumas cenas com o tema do momento: debate eleitoral das eleições presidenciais. O tema no canal da internet promete ter muita crítica social e política. - http://blogs.odiario.com/pacocacomcebola/2014/10/14/marcio-americo-lanca-canal-no-youtube/


PAPO CULTURA NA EXPOSIÇÃO DO ARTISTA PLÁSTICO-WILARD MONTEIRO- PARTE- I




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O POETA MARCIANO MEDEIROS GANHA VIII Prêmio COSERN!


Cordelista Marciano Medeiros fica em 1º lugar na Categoria Livre do VIII Prêmio COSERN de Literatura de Cordel

A Cosern - Grupo Neoenergia e a Comunique Editora anunciam com prazer os nomes dos vencedores e vencedoras do VIII Prêmio Cosern Literatura de Cordel. Com a temática “Comportamento seguro – a vida acima de tudo”, esse ano, o concurso envolveu 46 participantes.
A equipe organizadora por intermédio de Karine Severo, agradeceu a todos que participaram e parabenizou aos que se destacaram com os seus trabalhos! “Reforçamos o nosso encantamento e o nosso reconhecimento pela importância da literatura de cordel. E parabéns aos poetas que vivem e lutam pela cultura popular”, mencionou Karine, após anúncio dos vencedores. O poeta Marciano Medeiros ficou em primeiro lugar na categoria livre.

Vencedores da categoria Ensino Fundamental:

1º lugar: Saulo Gabriel Q. de Souza, com o cordel Vivendo e se libertando.
2º lugar: Isaque Gomes Holanda, com Trânsito consciente, vida segura.
3º lugar: Daniel Garcia Vieira de Freitas, com Um trânsito seguro.

Categoria Ensino Médio:

1º lugar: Ohanna Macena Dezidério, com Todo cuidado é pouco.
2º Jailson Matias Leandro, com O perigo do trânsito, uma reflexão profunda.
3º lugar: Monique Stefhany S. Ferreira, com Cidadão cuidado – Vida segura no trânsito.

Categoria Livre:

1º lugar: Marciano Batista de Medeiros, com Confissões de um sedutor.
2º lugar: Hélio Alexandre Silveira e Souza, com O brando sopro da vida nas armadilhas mundanas.
3º lugar: Hélio Pedro Souza, com Como um bom comportamento pode preservar a vida.

Escolas vencedoras:
Ensino Médio – IFRN – Campus São Gonçalo do Amarante.
Ensino Fundamental: Escola Municipal Rotary (Mossoró)



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O VOTO OBRIGATÓRIO

Quem concorda?


“Eu sou a favor do voto obrigatório. Por que eu sou a favor do voto obrigatório? Nós temos que entender que a participação política é um dever do cidadão, não é um direito. Nós temos que entender que este dever deve ser, caso não cumprido, sancionado. Nós temos que incutir na pessoa, no cidadão, a ideia de que se ele vive em sociedade e se ele vive em uma nação, ele tem obrigações com essa nação. E a primeira obrigação que ela tem é de não se omitir.” - José Antonio Dias Toffoli




domingo, 19 de outubro de 2014

A DIDÁTICA DO CORDEL



Autores: Arievaldo Viana e Zé Maria de Fortaleza 
(TRECHOS) 

Quando ainda não havia 
O Rádio e a televisão 
E os jornais não chegavam 
Pra toda população 
O folheto de CORDEL 
Era o JORNAL DO SERTÃO 

Lendo folhetos, então 
O nosso povo sabia 
Lenda de rei e princesa 
E fato que acontecia... 
Por ser cultura do povo 
Inda resiste hoje em dia. 

Muita gente o aprecia 
Nas camadas populares 
Porque leva informação 
E divertimento aos lares 
É cultura que resiste, 
Forte, apesar dos pesares. 

Conheço muitos lugares 
Nos cafundós do sertão 
Onde o cordel é usado 
Para a alfabetização 
É o Professor Folheto 
Herói da educação. 

Leandro Gomes, então, 
Foi o grande pioneiro 
Na publicação de versos 
Por este Brasil inteiro. 
Nasceu lá na Paraíba 
Esse vate brasileiro. 

Usando o canto guerreiro 
Da Gesta Medieval, 
Antigas lendas Ibéricas, 
Contos de fada, afinal, 
Foi que Leandro moldou 
Essa arte magistral. 

Deu ao folheto, afinal, 
Um formato brasileiro. 
Revendo o “Ciclo do Gado”, 
Criou o “Boi Mandingueiro”, 
Falou de Antônio Silvino 
Um famoso cangaceiro. 

De títulos quase um milheiro 
Nosso Leandro escreveu. 
Sustentou mulher e filhos 
Com a arte que Deus lhe deu. 
Propagou pelo Nordeste, 
Somente disso viveu. 

Quando Leandro Morreu 
O cordel continuou... 
João Martins de Athayde 
Muito tempo publicou 
Obras de vários poetas 
E assim o consolidou. 

A informática chegou 
Com a globalização 
Com antenas parabólicas 
Espalhadas no sertão 
Mas o folheto garante 
Boa comunicação. 

Agora, na EDUCAÇÃO 
O folheto faz figura. 
As escolas descobriram 
Que o cordel é cultura. 
Meus parabéns para nossa 
Popular literatura.