APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 28 de julho de 2013

A ESTRANHA MÚSICA DE DJAVAN - LAMBADA DE SERPENTE


Um amigo riu quando eu disse que Djavan tem um estilo musical estranho e belíssimo. Mas é isso mesmo que penso. Ele diz coisas e canta em melodias inusitadas, cheias de beleza.
Vejam só que expressão: "Lambada de serpente". Penso que ninguém nunca disse isso antes.
Nosso imaginário se acostumou com o sentido brega, folclórico, que foi emprestado ao termo lambada. Logo pensamos naquelas músicas de ritmo quente, comuns em festas populares de um passado não muito distante.
Mas vamos ao Dicionário Online, impulsionados pela curiosidade que Djavan nos causou, e descobrimos que lambada significa "Golpe aplicado com pau, chicote ou objeto flexível" e no sentido figurado "Crítica severa; descompostura". Claro que também significa "Dança e música sensuais e em ritmo rápido", sentido com o qual estávamos acostumados.
"Nunca ninguém falou como este homem", disseram a respeito de Jesus. Poderíamos dizer algo semelhante à obra de Djavan: "Nunca ninguém cantou como este homem".
Numa entrevista concedida ao jornal TRIBUNA DO NORTE, o cantor se mostrou familiarizado e despreocupado com a aplicação do adjetivo "estranho" à sua obra. Diz ele:


"Quando fui ser ouvido pela primeira vez pelos produtores, já houve essa polêmica. “Você tem algum talento, mas a música que você faz é muito estranha. Não se sabe onde está a primeira parte, é complicado, você tem que mudar isso, fazer uma coisa mais acessível para facilitar sua própria vida.” Tinham razão os que falavam assim, mas outros também disseram: “Não, essa coisa estranha é o seu trunfo, não mexa nisso. Você vai sofrer mais, vai ter mais problemas, mas vá em cima disso”.

A estranheza se dá, obviamente, pelo fato de estarmos a ouvir algo que nos parece inédito. Também por estarmos a ver uma coisa que, à primeira leitura/escuta, não nos penetra o entendimento. Quando nos pomos a tentar acompanhá-lo, sentimo-nos como se nos
expressássemos num outro idioma. Sentimo-nos papagaios repetindo o que alguém disse. Todavia, aquilo que só entendemos a custo, nos soa belíssimo, extremamente poético. Por ser poético, compreendemos, trata-se de algo indizível. Temos que nos contentar com o pouco que conseguimos ver, mas que nos faz tanto bem. 

Ouça: LAMBADA DE SERPENTE - Rádio APOESC

Cuidá dum pé de milho
Que demora na semente
meu pai disse meu filho, noite fria, tempo quente

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor

No chão da minha terra
Um lamento de corrente
Um grão de pé de guerra
Pra colher dente por dente

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor


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