APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 11 de setembro de 2011

ADRIANO BEZERRA (COLUNA)

QUANDO CHOVE NO SERTÃO - Adriano Bezerra


Antes da chuva o sertão
É seco de fazer pena
Chega dói olhar a cena
Das plantas secas no chão,
Dos bichos sem ter ração,
Com sede, bebendo lama,
Do agricultor que clama
Dia e noite sem parar
O sustento do seu lar
No mais pesaroso drama.

Quando chove e molha a terra
Devastando a sequidão
Faz festa de animação,
E o rebanho alegre berra,
O sapo se desenterra,
Vai pras águas de mansinho
Enquanto que o passarinho
Com todo o contentamento
Põe no bico o alimento
E leva para o seu ninho.

Transbordam rios, barreiros,
Cacimbas e cacimbões...
Os patos e os mergulhões
Nas águas nadam faceiros,
As galinhas pros poleiros
Resolvem subir mais cedo,
E o tatu sentindo medo
Corre ligeiro e se entoca
Na brecha de uma loca
Esculpida no rochedo.

O agricultor contente
Louva a Deus e agradece
E quando o dia amanhece
Pega cedo no batente
Limpa o chão, joga a semente
Com força e disposição
O ano inteiro tem pão
Vai embora sede e fome
Todo mundo bebe e come,
Quando chove no sertão.
DROGA OU LEVA PRA CADEIA OU LEVA PRO CEMITÉRIO - Adriano Bezerra


Quem escolhe esse caminho

Achando que ele é jóia

Só pode ter paranóia

Que não pensa direitinho

Entra nesse desalinho

Sabendo que é tão sério

Vai parar num necrotério

Ou preso levando peia

Droga ou leva pra cadeia

Ou leva pro cemitério.


Um chega faz o convite

E o cabra sem pensar

Aceita e começa usar

Depois cheio de palpite

Se sente rei da elite

Dono de grande minério

Mas no fim o seu império

É a cana ou a areia

Droga ou leva pra cadeia

Ou leva pro cemitério.


Acaba tudo o que tem

Depois começa a roubar

Sem mesmo se preocupar

Se é parente ou outro alguém

Não importa aonde ou quem

Com ele não tem mistério

Adota qualquer critério

Pra dopar de novo a veia

Droga ou leva pra cadeia

Ou leva pro cemitério.


Sai na rua noite ou dia

Numa vontade incessante

Querendo mais todo instante

Pra suprir sua histeria

Mas toda essa heresia

Além de causar ditério

Leva ele ao deletério

Pois a substância é feia

Droga ou leva pra cadeia

Ou leva pro cemitério.


Os seus pais enlouquecendo

Sem ter sossego e nem paz

Sem forças pra lutar mais

Vêem seu filho morrendo

Pra droga a luta perdendo

Mesmo tendo com cautério

Através do magistério

Ensinado de mancheia

Droga ou leva pra cadeia

Ou leva pro cemitério.


Adriano Bezerra

Na criança abandonada / Sinto as dores de Jesus. - Adriano Bezerra


NA CRIANÇA ABANDONADA

SINTO AS DORES DE JESUS


Adriano Bezerra


Que forte e cruel tristeza

Minha alma está ferida

Vendo a criança caída

Norteada e indefesa

Na realidade presa

Às escuras sem ter luz

Carregando a dura cruz

Pela vida desprezada

Na criança abandonada

Sinto as dores de Jesus.


Sentindo o gelado frio

Exposta sem cobertor

Tentando sanar a dor

Se embrulha no vazio

Seu corpo sente arrepio

E encolhida se reduz

A neblina lhe conduz

Pela fria madrugada

Na criança abandonada

Sinto as dores de Jesus.


Faminta sem ter comida

Clamando um simples pão

Com grande lamentação

Mendigando pela vida

Numa vontade incontida

Seu estômago traduz

No eco que reproduz

Pede pra ser saciada

Na criança abandonada

Sinto as dores de Jesus.


Como dói meu Deus ao ver

Essas pobres criancinhas

Jogadas, tristes, sozinhas

Sem ninguém pra socorrer

Queria ter um poder

Pra na hora fazer jus,

Como a arte que reluz

Uma fada encantada

Na criança abandonada

Sinto as dores de Jesus.

MINHA INFÂNCIA NO CAMPO



MINHA INFÂNCIA NO CAMPO

Adriano Bezerra

1

Recordo com muito gosto

Do tempo da minha infância

Se vivi qualquer desgosto

Não quero dar importância

Quero lembrar simplesmente

De onde eu alegremente

Brincava sem ter censuras;

Junto a outros garotinhos

Nas veredas, nos caminhos,

Pelos galhos, nas alturas...

2

Fiz diversas travessuras

Correndo pelos terreiros,

Vivi muitas aventuras

Subindo nos umbuzeiros,

Tomei banho de açude,

E brinquei o quanto pude

De bola e também de tica;

Meu cavalo era de pau,

E o osso no meu curral

Uma fazenda bem rica.

3

Tudo na lembrança fica

Da lata eu fazia um carro,

Tomava banho de bica,

Fazia arma de barro,

Brincava de tou no poço

Com água pelo pescoço

Tirava uma garotinha;

Depois cheio de desejo

Abraçava ou dava beijo...

Momento melhor não tinha.

4

Eu vejo a nossa casinha

Com toda a simplicidade,

Lembro da minha mãezinha,

De papai, já com saudade,

De todos os meus irmãos,

Das crianças e anciãos,

E de toda a vizinhança;

Queira Deus que não se rasgue

Da mente, e nunca se apague

Tão prazerosa lembrança.


Santa Cruz, Santa Rita e o Santuário

Adquira o novo trabalho do cordelista Adriano Bezerra:

Eis algumas estrofes para sua apreciação:


SANTA CRUZ

Santa Rita Padroeira

Oh madrinha dos sertões

Ilumine a minha mente

Pra que as inspirações

Me permitam relatar

Um pouco desse lugar

Que encanta as multidões.


Fiéis chegam sem cessar

A essa terra bendita

E se encantam quando vêem

Essa obra tão bonita

O nosso cartão postal,

Refúgio espiritual...

O Alto de Santa Rita.


Vem gente dos arredores

De todo o nosso país

E até do Exterior

Seguindo o que a fé lhe diz

Demonstrando devoção

De alma e de coração

Alegre e muito feliz.


E para toda essa gente

Eu quero um pouco falar

Sobre como foi fundado

Esse bendito lugar

De fé, esperança e luz

Nossa terra Santa Cruz

Como pôde aqui chegar...


[...]


SANTA RITA

Agora passo a contar

Um pouco da bela história

De Santa Rita de Cássia

Que na sua trajetória

Muitas dores recebeu

Mas na fé permaneceu;

E essa fé lhe deu a Glória.


No ano mil e trezentos

e oitenta e um nasceu

Na Itália o seu país

Onde lá também cresceu

Numa cidade pequena

Chamada Roccaporena

E ali muito aprendeu.



O seu pai Antônio Lotti

Homem simples, bom cristão

E a mãe Amata Ferri

Mulher de bom coração

Tiveram muitos sinais

E visões Celestiais

Sobre a sua vocação.


Desde a sua juventude

Rita sentia vontade

De seguir servindo a Deus

Nas obras da Divindade

Dedicando a sua vida

Salvando alma perdida

Com amor e lealdade...


[...]


O SANTUÁRIO

Chegamos ao Santuário

Nessa obra tão Divina

Erguida com competência,

Em uma estrutura fina

Que a faz ser hoje eleita

A maior estátua feita

Da América Latina.


E entre as religiosas

Não existe outra igual

Pra medir a sua altura

No espaço mundial

Convido você a ver

Pra de perto perceber

O quanto é fenomenal.


E para você saber

Qual a sua dimensão

Tem cinquenta e seis metros

Da coroa até o chão

Desse número total

Os seis são do pedestal

Que sustenta a construção.


A coroa ou resplendor

Como prefira chamar

Tem oito metros e pesa

Você pode acreditar

Acima de sete mil

Fabricada no Brasil

Abençoado lugar...

HOMENAGEM ÀS MÃES Adriano Bezerra

HOMENAGEM AS MÃES

Adriano Bezerra

Mãe berço de humildade,

Mãe amável, mãe bondosa,

Mãe santa, mãe defensora,

Mãe meiga, mãe carinhosa...

Teu amor nunca se finda

És doce, formosa, és linda,

És pura e maravilhosa!


És a rosa mais cheirosa

Dentre todas do jardim,

Ramalhete perfumado

Como as flores do jasmim

És o brilho dos cristais,

Dos rubis, dos minerais...

Tesouro que não tem fim.


És o anjo querubim

Que protege noite e dia,

Rainha, deusa serena

Formosa, que tem magia

Mãe guerreira e destemida

Capaz de dar sua vida

Pra salvar a sua cria.


Mãe bela de voz macia

Quão puro é teu coração!

Teu amor é infinito...

Além da compreensão,

Mãe razão do existir

Deus prolongue o seu sorrir

Com a Sua proteção.

VISITANDO A NATUREZA - Adriano Bezerra


VISITANDO A NATUREZA

Adriano Bezerra

Certo dia eu acordei

De manhã bem muito cedo,

E sem um pingo de medo

Para um bosque caminhei

Lá chegando me encantei

Com sua imensa beleza,

Vi um mundo de pureza

Algo sem explicação;

Me enchi de emoção

Olhando pra natureza.


Lindos pássaros cantavam

Louvando o amanhecer,

Em forma de agradecer

Melodias entoavam

E seus cantos ecoavam

Ao longe, melodiosos...

Sublimes, maravilhosos

Com perfeita simetria

Enchi-me de alegria

Com hinos tão maviosos.


Fui entrando mais além

Apreciando a paisagem,

Ao longe vi uma imagem

Que me encantou também;

Numa fonte que contém

Águas claras cristalinas,

Que desciam em cortinas

Do alto da ribanceira

Caindo da cachoeira

E voando pelas colinas.


Vi um beija-flor beijando,

Um preá correr aflito,

Do macaco ouvi o grito,

E um sapo sair pulando,

Dois concrizes gorjeando,

Com encanto e proeza;

Foi quando tive a certeza

Que o Supremo Criador

Deu vida com muito amor

Aos seres da natureza.

PARABÉNS AO TRABALHADOR - Adriano Bezerra

A você trabalhador

Que trabalha noite ou dia

Que derrama o seu suor

Com esforço e valentia

Com tanta dedicação

Para conseguir seu pão

Saúdo com alegria.


Seja você um Vigia,

Um Gari ou Professor,

Moto-taxi, Moto boy,

Taxista, Encanador,

Arquiteto ou Engenheiro,

Ajudante ou o Pedreiro,

Jornalista ou Locutor.


Vigilante ou Zelador,

Marceneiro, ou Artesão,

A doméstica, o Agricultor,

Que cuida da plantação,

A Cantora ou o Cantor,

A Atriz ou o Ator,

Que sai na televisão.


Não importa a profissão

Se é Gari ou se é Doutor

Se não foi nem a escola,

Se tem grau superior

Importa a sua batalha,

E o amor com que trabalha;

PARABÉNS, TRABALHADOR!

SEMANA SANTA - Adriano Bezerra




SEMANA SANTA (Adriano Bezerra)


Na era dos meus avós

E no tempo dos meus pais

Chegando a semana santa

Até certo tempo atrás

O povo se resguardava

E a doutrina respeitava

Mas isso não vemos mais.


O velho, moça ou rapaz

Demonstrando a sua fé

Sentindo a dor de Jesus

Se viam na cruz; ao pé

Vivendo o seu sofrimento

Com remorso e com lamento

Feitos Maria e José.


Até pra tomar café

O doce se retirava,

Ficava sem tomar banho,

Cabelo não penteava,

Nem varrer casa podia

Muita gente nem comia,

Rezando, só jejuava.


Bicho não se maltratava

Nem se via palavrão,

Até mesmo a criança

Respeitava o seu irmão

A briga não existia,

E carne ninguém comia

Só peixe na refeição.


Mas na nossa geração

Tudo isso se acabou

O tempo foi se passando

E o povo já desprezou

Ficou tudo para trás

Quase ninguém sente mais

Tudo o que Jesus passou.