APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 8 de julho de 2012

DEUS NA ÁGORA, E AGORA JOSÉ? - Marcos Cavalcanti


 
Gilberto, a primeira palavra que devo deixar aqui, é a de agradecimento pelas respostas dadas às minhas indagações [em O DEUS COM QUEM NÃO SE BRINCA], porque elas assumiram o mesmo tom, um tom que os “zelosos da fé” jamais compreenderão, daí porque nos comentários deles, que você em seu bom senso e por conta própria resolveu não publicar, pelo que ficou subentendido, tentaram destratar-me. Compreendo-os perfeitamente, meu caro Gilberto, e de há muito tempo. Eles, bem se distinguem de um Monsenhor Raimundo Gomes Barbosa.
 
Você, que me conhece bem de perto, dá o tom adequado a uma discussão deste nível, não deixando dúvida quanto ao deus a que se referes no texto, porque tal exemplificação de admoestação, é patente, não se restringe ao mundo cristão. Ora, judeus e muçulmanos certamente recorrem à suposta frase para também incutir medo nos seus respectivos fiéis. Se falei em tom adequado de suas respostas, digo também que o sabor, longe de ser insípido, adoça a mente dos livres pensadores, pelo menos é assim que sinto quando tenho um interlocutor à sua altura ou de outros amigos que tão bem escrevem neste blog cultural. Quantas boas conversas já não tivemos, circunscritas que sempre foram aos campos da teologia e da ontologia? Foram inúmeras e continuarão acontecendo, e porque, para lembrar o texto de Teixeirinha, não temos medo de emitir nossas honestas opiniões, somos por vezes hostilizados pelos que ainda não se debruçaram sobre os textos de Voltaire, para quem a tolerância no discutir opiniões, era um imperativo categórico. Estamos a salvo destes indivíduos Gilberto, e felizmente, a discussão destes temas, pode até causar a antipatia dos bitolados e dogmáticos, mas já não levam ninguém às fogueiras assassinas da Idade Média, cujas labaredas foram acesas pela “Santa Igreja Católica Apostólica Romana”. Cunhei certa feita uma expressão para distinguir o Filósofo do religioso, no que concerne à busca da verdade, em que digo: O filósofo é um fã da verdade, o religioso, é fanático. O primeiro a busca sempre, o segundo, pensa que já a encontrou.

Quando discutimos a noção de “deus” do ponto de vista ontológico, teológico pelo viés antropológico, uma gama de fatores são levados em consideração, sobretudo uma visão ampliada de todas as religiões ou seitas que se valem deste conceito “deus”. Não nos limitamos apenas a esta ou aquela religião especificamente, inclusive nos servimos do conhecimento científico e filosófico para corroborar com nossas particularíssimas convicções. Foi com este propósito que lhe fiz indagações, sobretudo para entender se na atualidade você dispõe de uma convicção definitiva (como a que os livros canônicos apresentam) ou transitórios, porque em processo de formação, uma vez que me parece, e pode ser que esteja equivocado, que depois que você deixou de ser adventista, não se filiou a esta ou aquela corrente religiosa. Toda a minha curiosidade, honesta curiosidade, reside apenas em compreender melhor este novo momento Gilbertiano, no que tange às questões fundamentais. E por isso digo: Bravo Gilberto, porque as suas respostas e textos como os que você escreveu (com deus não se brinca e o deus com quem não se brinca, nos apontam um caminho para uma compreensão. O blog, na minha concepção, deve ser como uma ágora grega, mas nem sempre os que a frequentam entendem o caráter democrático que ela representa no que tange à discussão das ideias, daí porque tantos anônimos tão cheios de opiniões. 

Nós dois ainda vamos tratar muito deste tema, porque ele nos instiga, e trataremos na esfera pública ou na do bem particular do diálogo de que privamos. E por fim, convido todos os leitores, sem exceção, a uma nova leitura do AT. Finda esta, teria o prazer de reunir em minha casa quantos quisessem participar de uma boa e respeitosa discussão, sem produtos químicos deslizantes, acerca da natureza do “deus” que lá no AT, tão intensamente se manifesta em prol de seu povo eleito.