APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fazenda no pé do Carmelo - André Soares


Meu professor!

Rapaz por duas vezes sonhei com um lugar desconhecido, acho que ele só existe na minha imaginação... Mas veja só!



Fazenda no pé do Carmelo
Duas vezes já venho sonhando,  um sonho bem semelhante, se trata de um lugar perto, porém um lugar distante...

Um lugar ermo, cercado de belezas, lugar de maravilhas... Onde escaramuçou as riquezas, de um tempo de antanho. Tive esses sonhos ao me deitar no ultimo quarto de tarde, me senti estranho, mas parecia sair de uma cirurgia, me encantei, me transferi no tempo, vi em detalhes aquela Fazenda.

Eu não a conhecia, isso me causou estranheza, afinal, sou filho deste lugar, desde criança ando pelas suas veredas e me senti cirurgiado porque quando acordei, parecia que que me tinham arrancado do meu conhecimento e da minha natureza.

No sonho eu vinha num pau de arara parecia ir para feira, não sei se era o carro de Seu Basto não vi o motorista, mas eu sei ia pra "Rua" pra feira de Santa Cruz do Inharé.

O trajeto era diferente nós entravamos a sudeste, arrudiávamos  pela Santana, fazenda já conhecida e subíamos em direção ao Cruzeiro ou Monte Carmelo, hoje o Alto de Santa Rita.

Descendo do Monte Carmelo, pois a Santa ainda não estava em cima, tinha uma ladeira enviazada com um penhasco a esquerda, era repleto de pedregulhos, juremas e Xique-xiques...

Na entrada a Fazenda era deslumbrante... Tinha um pórtico arrumado. Feito em armação de Madeira pintado em marrom e bege enfeitado com detalhes antigos desconheci a inspiração artística, o que mais me destacou foi o fato de não ter nome, apenas o ano 1926.

Ao passar pelo pórtico, avistei do lado direito uma casa arrumadinha, sem fachada, sem cortina, pintada as portas de azul, imaginei ser do vaqueiro que de lado tinha acesso a seu lugar de trabalho, colado na casinha uma cerca de cimento, muro cumprido e escuro do reboco escurecido, neste muro largo,  algumas colunas elevadas, colunas trabalhadas pouco mais de 1 metro e meio por 1, 30 de muro.

Chegava ao Curral pomposo, casa de quatro águas, uma sala de ração, pra moer o alimento do gado, e a cocheira grande, imensa repleta de estrume, percebi que se tratava de um grande criador de vacas, a fazenda tinha um cercado de Madeira preta, mourões, estacas e caibros escuros e pintados de propósito, óleo queimado que a gente sentia o cheiro forte e gostoso misturado com o estrume do curral.

A vacaria parecia ser uma sede, era imensa! Logo a frente um armazém, portão grande, de Madeira nobre, lá com a porta semi aberta vi selas, silos, ferragens, um carro de boi encostado, os arreios dos cavalos, e tantos outros apetrechos do almoxarife da fazenda. A casa era um quase palácio, não pelo acabamento antigo e mal tratado pelo tempo, mas pela grandeza, pela representatividade que carrega.
A casa tinha 6 janelas na frente, e uma porta grande.

 Uma varanda corredor com entrada lateral, pouco mais de 2 metros essa varanda tinha, uma mureta pequena, e nos pilares armadores de Madeira, para as redes dos vaqueiros viajantes.
Percebi pela varanda que a casa era construída com dois tijolos grandes lado a lado na alvenaria... Não conheci o interior da casa.. Mas pude imaginar que seu interior era tão interessante como o exterior.

O carro passou devagar por isso pude contemplar, do lado esquerdo havia apenas um cerca, olhando para esquerda, de frente para a casa via-se os casarões comerciais da "Rua", vista privilegiada da igreja matriz do coreto do mercado, e olhando com mais exatidão a casa do Coronel.

O carro ia caminhando pro fim do terreiro da fazenda, na saída não tinha pórtico, apenas uma porteira, olhei pela ultima vez para o conjunto da Fazenda, vi a puxada da casa grande, e o casebre no fim do terreiro: o aparelho matuto, que muitos chamam banheiro....

 A medida que o carro ia se afastando eu fui ficando confundido, como pode, não ter conhecido aquela fazenda tão imensa ou ao menos ter ouvido falar daquele abastado senhor que possuía aquela propriedade...

O carro voltou pra estrada e logo chegou ao rio Trairi, atravessou logo, ele estava seco, so tinha a areia branquinha que mesmo assim não me fazia esquecer daquela cena, da fazenda 1926, misteriosa e bonita. No sonho ainda fui tentando transferir a lembrança, pois "no meu vê" aquela fazenda existia, eu a vi tão real, senti seu cheiro vi seu brilho, sua aurora, e como podia me parecer desconhecida de ser tão grandiosa!

Mas essa Fazenda foi desaparecendo do meu juízo quando fui voltando para o mundo real, o sono foi passando e eu despertei encabulado. Que fazenda era aquela, que me apareceu duas vezes! Idêntica, real, surreal! Resolvi escrever esse memorando pra tentar encontrar uma explicação, a fazenda não existe de fato, mas será que existiu? Será que existe e ninguém a viu? Será a Nova Atlhantica do sertão, que somente os escolhidos conhecessem...

 Acordando e escrevendo me lembrei de Matho Pichu, nos Andes peruanos que foi encontrada no século passado depois de séculos esquecida, e imagino que antes de ser achada ela apareceu pra alguem num sonho de tarde clamando por socorro no vão do esquecimento...

Essa fazenda não existe, mas decidi fazer surgir nesta imaginação debulhada em palavras... Uma coisa tão linda não pode deixar de existir,  num lugar tão favorável, tão belo, tão significante, precisa existir ao menos por um instante na memória de quem já sonhou bastante... Com uma terra bonita cheia de beleza e alegria, no nosso Trairi, sertão do Rii Grande.

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