APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

UM DISCURSO MEMORÁVEL



Na sexta-feira, 13 de julho de 2012, o senhor Reinaldo Ricardo (diretor/fundador do CEDAP), recebeu o título de cidadão em Santa Cruz-RN numa bela cerimônia ocorrida no teatro Candinha Bezerra. Encantou a muitos ao discorrer sobre temas relevantes para os nosso dias.


Não foram poucos os elogios e grandiosa foi a repercussão. Enquanto ele falava, o poeta Marcos  Cavalcanti sugeriu-me que postássemos seu discurso no blog. 


A vereadora Odete tem sido muito elogiada pela escolha feliz que fez ao apresentar nomes ligados à educação e à cultura. Para mim - Gilberto - foi uma honra, juntamente com outros, receber tal título ao lado de tão ilustre cidadão.


Eis, abaixo, a íntegra de seu discurso:

"Fiquei pensando nestes dias o que deveria evidenciar nesta minha fala, pois, trata-se de uma platéia exigente no conteúdo e na compreensão das ideias. Pois é, e aí optei por três delas: a ideia de Educação, a ideia de Responsabilidade Social e a ideia de Política.

A primeira é a minha área mais especifica a 52 janeiros e por isso mesmo já vi de tudo e mais alguma coisa. A começar pelos cursos noturnos onde iniciei e se encontravam lá dois personagens, dois trabalhadores que labutavam o dia inteiro e estavam ali muito mais como farrapos humanos querendo encontrar o conhecimento.

Naqueles ídos de 1961, pré-golpe de 1964, a juventude e a educação queriam um Brasil melhor e independente e lutavam por isso. Eles não tinham esperança. Eles sim, conjugavam o verbo esperançar, pois, esperança é a espera e esperançar é buscar, lutar, insistir, desafiar e desafiar-se. Existia até uma música que falava assim: “Vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – Geraldo Vandré.

Pois bem, veio o golpe militar de 1964 e ficamos 25 anos na penúria, no sufoco das ideias onde tudo era subversivo e proibido. Eis que nasceram duas ou três gerações na indiferença e no limbo das ideias. Aliás outro cancionista popular cantava que: “Já podaram seus momentos; Desviaram seu destino; Seu sorriso de menino, quantas vezes se escondeu”. E acrescentava: “Há que se cuidar da vida; Há que se cuidar do mundo”. Coração de Estudante – Milton Nascimento.

Era o prenúncio de uma nova aurora, ainda que mataram e torturaram muitos homens e muitas mulheres. Porém como eles conjugavam e ensinavam o verbo esperançar, as suas ideias não morreram e agora é que o desafio se encontra em nossas mãos: Que Educação temos e que Educação queremos.
Uma Educação onde os jovens possam conhecer e compreender o mundo vivido no tempo de avanços tecnológicos, onde a informação se renova a cada momento com muita perspicácia na análise dos fatos e dos acontecimentos.

Para o desafio se apresenta uma Educação que nos faça enxergar com outros olhos o que acontece a nossa volta e nos ajude a sair da resignação mortal para o desejo de que as coisas melhorem. Assim, pode-se descobrir que pela Educação elege-se diferente, pode tornar-se força e poder. Com ela ainda pode-se tomar decisões mais acertadas, fazer melhores escolhas, ser mais gente, cuidar melhor de si e dos seus. Gostar mais de si, valorizando-se, sendo valorizado, aprendendo e sendo feliz. Isto representa a prática cidadã onde a autonomia, a responsabilidade, a participação e a solidariedade funcionem como parâmetro da decência social, política e moral. Isto posto, que segmentos de nossa sociedade têm interesse por um povo decente e consciente?

Para a segunda ideia que se refere à Responsabilidade Social, a sociedade toda convoca todos e todas para o desafio dos novos tempos. E este desafio nada mais é do que a decência na família, na vizinhança, no lazer, na escola, nas atitudes e comportamentos. Isto é, também, responsabilidade social. O mundo se sustenta nas contradições e controvérsias que devidamente analisadas podem estabelecer outras relações. Não é no muro das lamentações que enxergamos os caminhos novos mas sobretudo em ações sem medo. Assim é que Nelson Mandela no seu discurso de posse como Presidente da África do Sul evidenciou: “Você pensando pequeno não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que outros não se sintam inseguros ao seu redor. Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo nossa presença automaticamente libertará outros”.

Pois bem, a nossa responsabilidade social passa, ainda, em saber distinguir o melhor do pior, ser capaz de observar e argumentar. Fora disso, meus caros, não há salvação, até porque o quadro que se apresenta diante de nossos adolescentes é estarrecedor, pois crianças de 11 anos frequentam festinhas em que rola o que não podemos narrar aqui: onde estão pai e mãe? Adolescentezinhos rodam de madrugada pelas ruas, dirigindo bêbados ou drogados: Onde estão pai e mãe? Quase crianças passam os fins de semana em casas de granja e praias reais ou fictícios, com adultos irresponsáveis ou só entre outras crianças, transando precocemente, drogando-se, engravidando, semeando infelicidade, culpa, desorientação pela vida a fora. Onde estão os pais? É tempo de reflexão, é tempo de cuidar, pois já houve quem dissesse quem ama cuida e isto tudo é uma reflexão e um convite a todos para a responsabilidade social.

Quanto a terceira ideia que trata de Política, optei evidenciá-la como a arte e a ciência da participação e do bem comum. Aliás a esse respeito, existe um intelectual brasileiro que dizia: “A Constituição deveria ter apenas dois artigos: Artigo 1º - Todo brasileiro tem que ter vergonha na cara, Artigo 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Ainda se assim fosse, caberia uma reflexão sobre o real significado da política, que não se reduz à ação dos parlamentares e dos governantes eleitos, mas é constituinte da vida de todos nós, nas sociedades, mesmo se não nos damos conta. Ela diz respeito às escolhas que fazemos enquanto cidadãos, com relação a tudo que tem a ver da Pólis(cidade e sociedade). Ser político é tomar partido. Mesmo que não sejamos filiados a uma sigla nem estejamos ocupando um cargo, seja no poder legislativo, seja no poder executivo de qualquer instância, nossos gestos são políticos. E eles têm implicações éticas. Afinal, é com base nos princípios éticos que nossas ações – sempre políticas – devem ser avaliadas.

A política não está presente na vida social apenas na época das eleições. O que se decide nesse momento é importante e interfere na vida de cada um. Mas é no interior de cada espaço de convivência que a política acontece no seu sentido mais amplo. A política portanto deixa eufórico o ideal de vida coletiva. Ela nos dar a possibilidade de admitir e reconhecer o conflito de fazer com que ele produza energia positiva e construa, em vez de paralisar ou destruir.

Neste campo podemos, também, recorrer ao intelectual Berthold Brecht que escreveu com euforia o poema O Analfabeto Político:

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

E assim meus conterrâneos, para concluir, digo que a minha fala foi um chamamento para uma educação de qualidade, para responsabilidade social e a causa política. As três ideias dizem respeito à formação cidadã, pois, o homem é educável, sociável e político. Fora disto ou desprezando não haverá cidadania, até porque o não cidadão acha que pode tudo. Já o cidadão pode muito, deve poder muito, porém jamais poder tudo.
E o CEDAP neste contexto?

O nosso esforço é no sentido de que essas ideias se operacionalizem. Para isto, trabalhamos com três enfoques prioritários com os seguintes resultados: Ensino - Com aprovação no vestibular de mais 60% dos nossos alunos.

Cultura - a cada ano os nossos alunos produzem de 30 a 40 telas que ficam em exposição no CEDAP por 45 dias. Além disto, dois grupos musicais estão estruturados: Grupo Alfa – MPB – Está gravando seu 1º disco nesses dias com lançamento ainda este ano. Grupo de pagode INOVAÇÃO que anima os nossos intervalos e promete outros vôos.

Esporte - No JERN’S 2012/Regional de Santa Cruz, tivemos 34 atletas participando e obtivemos 22 medalhas de ouro, 16 de prata e 11 de bronze. No quadro de medalhas fomos o 1º colocado.
Ainda podemos ressalvar o nosso projeto em gestação CEDAP NA PRAÇA. Este projeto se constituirá de uma ação comunitária onde teremos Ensino, Cultura e Esporte.

Muito Obrigado!"