APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MINHAS FLORES DE AGOSTO - poema de Nailson com reflexões de Gilberto

Muitos estudiosos do Velho Testamento consideram a história de José do Egito a mais bela de todas. Eu concordo com eles.
José do Egito era um jovem de inteligência rara, destinado a receber proeminência entre seus contemporâneos. Sua vida, porém, apesar de suas múltiplas qualidades e êxitos, teve altos e baixos. A inveja, o ciúme e a incompreensão trouxeram-lhe dias amargos.
De uma hora para outra,  foi injustiçado por uma calúnia, lançado no calabouço da forma mais humilhante e tornou-se suspeito para pessoas  que antes nele depositavam toda confiança.
Nessa hora, ele encontrou alento nas metáforas e fábulas de sonhos poéticos belíssimos que povoavam sua imaginação desde a infância, descansou  na certeza de sua inocência. Depois disso, esteve na côrte, entre reis e juízes, onde cada vez mais progrediu e mereceu destaque.
Algo similar ocorreu com o José de Santa Cruz, o José Nailson. Jovem de destaque no meio literário e profissional em que vivia, viu-se inesperadamente lançado no calabouço da suspeita. Mas, como ocorreu com aquele, encontrou na poesia e na certeza da própria integridade uma válvula de escape poderosa para seu problema, pouco depois solucionado.
O poema abaixo, rico em metáforas e paradoxos, reflete bem esse momento vivido por ele e mostra como a tristeza pode ser convertida em alegria. - Gilberto Cardoso dos Santos




MINHAS FLORES DE AGOSTO

Assim que amanhece o dia em agosto
 Desperto regando a flor do jardim
Que brota, que murcha e fica no rosto
O cheiro, o mofo da vida em mim.

Flor que perfuma, buquê da beleza
 No choque da outra ofusco horizonte,
Cacho antítese, alegria-tristeza
 Que rega e desrega a poesia na fonte.

Vergel florido jardinado a gosto
 És berço e marca de espinho latente
 Crescido à luz em chão de desgosto.

Vergel florido és berço contente
 De mim não esquece e me vem de repente
 Assim que amanhece o dia em agosto.

Nailson Costa