APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A IMPORTÂNCIA DE SE EDUCAR PARA AS EMOÇÕES - Prof Ivanilson

 
Por muito tempo, e até os dias atuais, as ideias de Alfred Binet sobre a
mensuração da inteligência por um único teste padronizado de inteligência, o
chamado Quociente Intelectual – QI, foram utilizadas em inúmeras seleções
e avaliações psicológicas, sendo determinante para o reconhecimento e
ascensão de um bom estudante ou profissional.
Com o passar do tempo e a contestação dessas ideias por outros estudiosos,
como o psicólogo Howard Gardner, por exemplo, que desenvolveu a teoria
das Inteligências Múltiplas, os fundamentos de Binet foram, aos poucos,
sendo substituídos por conceitos mais elaborados e profundos sobre o
comportamento e o desenvolvimento psicológico dos indivíduos.
Apesar de se saber da importância da intelectualidade no século presente,
essa capacidade não se constitui como única determinante para o pleno
desenvolvimento psicointelectual do sujeito, pois é muito relevante também
que o indivíduo possa se desenvolver emocionalmente, o que Daniel Goleman
chama em seu livro “Inteligência Emocional” de Quociente Emocional – QE.
Goleman ressalta que a crise que a humanidade vive hoje, com aumento
da criminalidade, violência e infelicidade é o reflexo de uma cultura que se
preocupou apenas com o intelecto, esquecendo o lado emocional da pessoa.
Tanto o QI quanto o QE podem ser desenvolvidos e potencializados,
dependendo da orientação da pessoa que pretenda desenvolvê-los. Concebe-
se, portanto, que esses quocientes não têm a qualidade de serem estáticos,
mas podem ser aprimorados e desenvolvidos durante a vida do indivíduo.
Ainda segundo os estudos de Goleman as pessoas só utilizarão 15%
do que aprenderam na escola na sua vida prática, enquanto a inteligência
emocional demanda 85% da capacidade do indivíduo na sua convivência
social.
O questionamento que se faz é: Por que se dá tanta ênfase ao ensino
apertado, ao cumprimento rigoroso de programas, provas, testes dentre outros,
e se ignora ou desconhece-se a Inteligência Emocional? Não é proveitoso
formar-se adultos, estudiosos, cientistas cultos se não sabem lidar com o outro,
se são sujeitos frios, desprovidos de sensibilidade e humanismo.
A importância de se educar as emoções é notável, pois uma pessoa
educada, emocionalmente, é um ser equilibrado, que sabe lidar com uma
variedade de situações do cotidiano e com as pluralidades de ideias, pessoas e
sentimentos. Destaca-se que educar para as emoções não significa abandonar
os conteúdos do currículo escolar convencional, mas integrá-las de forma que
sejam trabalhadas constantemente, destacando sempre seu caráter inter e
multidisciplinar.
Como destaca o educador Paulo Freire “e escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima”. A
escola não é uma mera construção de concreto e cimento, mas uma célula
viva, viva como a própria educação, não consiste, portanto, numa experiência
fria, mas repleta de ações, vivências e emoções.
As instituições escolares e os pais precisam atentar para o fato de que
qualidade no ensino não significa horas exaustivas de estudos e notas boas,
mas a capacidade do educando ser autônomo, ter autonomia para (re) elaborar
conhecimentos; colaborativo, saber lidar com o outro e trabalhar em equipe; e
um ser criativo, dinâmico. O memorável educador Rubem Alves destaca que
muitas escolas não passam de jacarés. Devoram as crianças em nome do
rigor, do ensino apertado, da boa base, do preparo para o vestibular. É com
essa propaganda que elas convencem os pais e cobram mais caro... Mas e a
infância? E o dia que não se repetirá nunca mais? Infelizmente o Brasil ainda
tem muito dessas escolas, “escolas jacarés”.