APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CARRO DE BOI - Coroné Cafuçú

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Na fazenda de vovô,


Não faltava um mandingueiro,

Nem um cão que ali morou,

Que acompanhava o vaqueiro,

Cerca, Caniço e cancela,

Em cada torno uma sela,

De lado o quarto da tenda,

As cangaias do comboi,

Na frente um carro de boi,

Valorizando a fazenda.



Era feito de aroeira,

Fora de marca e de moda,

De canzil, reidão e corda,

E de pinhão uma cantadeira,

Três juntas de bois puxavam,

dois carreiro acompanhavam

Com a vara de ferrão.

Sempre de choto a galope

Descendo e subindo tope,

Nas quebradas do sertão.



Feito de madeiras forte,

De talha cumprida e larga,

Era o transporte de carga,

Do povo também transporte.

No Sábado cedo do dia,

Reunia a freguesia,

Da velha comunidade,

E seguiam encima do bruto

iam comprar o produto

Ao pessoal da cidade.



Parece que tô ouvindo,

Do carreiro o velho grito

E do carro o canto bonito,

As suas rodas rangindo.

Ele descendo e subindo

Da gruta pro chapadão.

Se atolando nas brenhas,

Levando morões e lenhas

Pra fazenda do patrão.



Lá na estrada de barro,

Cortando o meio do carrasco,

Inda tem dos bois o casco

E marca das rodas do carro.

Debaixo de um pé de manga,

Tem canzil, reidão, e canga,

E um vara de ferrão,

Soltas pelo abandono,

Depois da morte do dono

Sem a menor descrição.



Meu velho carro de boi,

Que me levava a novena,

Transformou-se em peças e cena

De um filme que já se foi.

Os bois a tempo morreram,

As terras os donos venderam

E foram morar na cidade.

Eu sou o velho carreiro,

Que hoje estou prisioneiro

Nas muralhas da saudade.



Autor: Coroné Cafucú,