quinta-feira, 16 de novembro de 2017

HÉLIO CRISANTO NASCEU PARA FAZER POESIA - Homenagem de Gilberto Cardoso e Amigos

J. Campos, Hélio e Gilberto Cardoso dos Santos



HÉLIO CRISANTO NASCEU 
PARA FAZER POESIA

MOTE: Gilberto Cardoso dos Santos

Estrofes de Gilberto Cardoso:

Ao poeta Hélio Crisanto,
Forrozeiro cinquentão
Sobre quem repousa o manto
Da divina inspiração,
Queremos, de coração,
Em versos dar primazia.
Pois hoje aniversaria
O que pouco envelheceu
E com certeza nasceu
Para fazer poesia.

Quando a Hélio ensinei
Lembro que era bem calado
Com ele jamais ralhei
Nunca foi mal educado
Me parecia antenado
Com as coisas que eu dizia
O seu olhar refletia
Profundidades no eu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Aos sete anos de idade
Em um cavalo montava
E em alta velocidade
Pelo campo galopava
Sua mãe se aperreava
Ao vê-lo na montaria
Um bom vaqueiro seria
Mas isso não ocorreu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

O seu pai, Celso Crisanto,
De fabulosa memória
Trouxe cordel e encanto
À humilde trajetória.
Teve existência sem glória
Mas cheia de fantasia
Com o tempo mudaria
Cedo seu dom floresceu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Três irmãs e dois irmãos
Dona Neuza trouxe ao mundo
Todos no caráter sãos
donos de um  saber profundo
Do pai, jamais iracundo
Herdaram sabedoria
O amor à cantoria
Neles se desenvolveu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Apesar do tempo ido
Está jovem e atraente
Meio século vivido
Com outra metade à frente
Afiado no repente
À idade desafia
Cada vez mais contagia
Com o dom que recebeu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Nasceu no Sitio Jacu
De Órfãos, lugar singelo
Teve infância sem tabu
Na contemplação do belo
Não carecia chinelo
Para agir como devia
Seu pai na rede dizia
Coisas que nunca esqueceu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

De Campestre a Santa Cruz
Onde raízes fincou
De Luiz susteve a luz
Suas brasas atiçou
Geógrafo se tornou
Mas noutra geografia
Se especializaria
Grandes alturas venceu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

 Feito planta catingueira
Resistiu à sequidão
É miolo de aroeira
Forte que nem um mourão
Na rima com perfeição
Pelo nordeste nos guia
É luz que nos alumia
Quando a mente tá um breu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Pra não entrar numa briga
Hélio dá uma boiada
E pra sair duma intriga
A fazenda inteira é dada
Da forma mais educada
Reage no dia a dia
Aprendeu diplomacia
Com o bom pai que Deus lhe deu
Hélio Crisanto Nasceu
Para fazer poesia.

Estrofe de Valdenides Cabral:

Deus lhe deu o primeiro verso
Recheado de emoção
É guerreiro do universo
Solta a voz e o violão
Faz do poema canção
Seu verso tem simetria
Quem ainda não sabia
E aos que sabem como eu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Estrofes de Adriano Bezerra:

Conhecer esse poeta
Foi uma felicidade!
Pois é de forma completa
Um exemplo de amizade.
A sua grande humildade
É o que mais contagia.
Tem no seu verso a magia
De inebriar quem já leu.
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

É artista e é completo
Seu talento não tem par
O seu hobby predileto
É fazer verso e cantar.
Seja em qualquer lugar
Que ele for leva alegria
Com sua arte irradia
E sempre me comoveu.
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Como os bravos nordestinos,
Na alma leva o sertão
Traz dele os detalhes finos
Na palma de sua mão.
Por isso com precisão
E grande sabedoria,
Mostra uma fotografia
Em cada poema seu.
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Estrofes de José Ferreira:

Com a métrica no ouvido
A inspiração na veia
A oração no sentido
E as rimas em cadeia
Com sobrenome de rosa,
Uma lira caprichosa,
Fluidez e maestria,
Fala quem o conheceu:
"Hélio Crisanto Nasceu
Para fazer poesia."

De quengo cheio de mote,
Como dizia Quirino,
Matava a sede no pote
Da verve, desde menino
Daí brotou verso, prosa
E seu texto, sua glosa
Foi crescendo a cada dia
Como disse um amigo meu.
Hélio Crisanto Nasceu
Para fazer poesia.

Estrofe de Rainilton de Sivoca:

Um presente que Jesus
Para o mundo concedeu
Direto de Santa Cruz
Aqui no Nordeste meu
Sempre mostrando talento
Um cabôco cem por cento
Que nos enche de alegria
Versando do jeito seu
Hèlio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.

Estrofes de Valdeilson Ribeiro:

 Um poeta inspirador
Um orgulho potiguar
É cordelista, é cantor
E o que mais precisar
Um artista competente
Destemido,  inteligente
Formado em geografia, 
No mote que "Gil" me deu
"Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia"

Um poeta de renome
Com todos os predicados
Poesia lhe consome
Seus versos são aclamados.
Meus parabéns pra você!
Que quando ainda bebê
Enquanto você nascia,
Santa Cruz estremeceu
"Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia"


+++++++++++++++++++++++



Estrofe de João Maria de Medeiros:

Leva uma vida reta
E a todos contagia
Tem na vida uma meta
De transmitir a alegria
Sua música é perfeita
A ninguém Hélio rejeita
E com muita simpatia
Juventude sempre em dia
Quem conhece Hélio sabe
Que nasceu pra poesia.


Estrofe de Laelcio Pontes:

Ao lado de Gilberto
Outro poeta inspirado
Que sempre trabalha certo
E os dois cantam lado a lado
Percorrendo nosso estado
Sempre com muita alegria
O amigo João Maria
O seu verso também leu
Hélio Crisanto nasceu
Para fazer poesia.


Ubirajara da Rocha escreveu:




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sábado, 11 de novembro de 2017

LANÇAMENTO de Livro resgata obra do rabequeiro Fabião das Queimadas

Após produzir  significativa obra sobre a vida do patrono do cordel Leandro Gomes de Barros e outros tantos textos de resgate histórico necessários, o grande poeta e pesquisador Irani Medeiros brinda-nos com mais esta importante biografia: FABIÃO DAS QUEIMADAS, DE VAQUEIRO A CANTADOR. Neste livro consta o meu cordel sobre a vida de Fabião e muitas outras coisas dignas de leitura, em prosa e verso, sobre a vida daquele que encontrou na arte o rumo para a liberdade.

Irani Medeiros, Gilberto Cardoso, J. Campos



Naturalidade: Pombal – PB.
Nascimento: 27 de novembro de 1961.
Atividades artístico-culturais: poeta, escritor, biógrafo, pesquisador e filósofo.
Nascido em Pombal (PB), Irani é professor da UFPB, poeta e pesquisador da cultura popular. Seus livros traduzem com clareza e riqueza de detalhes o universo da poesia sertaneja, resgatando a história dos pioneiros menestréis, divulgando com estilo e perspicácia, os detalhes e encantos de cada verso, de cada cordel, de cada repente, reavivando a memória e reativando o gosto pelo pelos nomes de expressão da poesia sertaneja.
Dentre seus livros publicados contém diversas biografias de nomes importantes para a cultura regional. A exemplo de “Fabião das Queimadas – de Vaqueiro a Cantador” que foi um rabequeiro e poeta popular que nasceu escravo em 1848, na Fazenda de Queimadas, no atual município de Lagoa de Velhos. De acordo com o escritor e especialista em literatura norte-riograndense, Thiago Gonzada, Fabião foi responsável pela primeira manifestação literária negra que se tem registro em solo potiguar.
Escreveu também a história do Cego Aderaldo e Cego Sinfrônio, no livro “Dois Cegos Cantadores”. Embalado pelas lembranças de criança quando se encantava com os diversos cantadores cegos, personagens conhecidos das feiras livres do sertão nordestino, o biógrafo Irani Medeiros lança esse livro, que é seu segundo. Nascido no Crato, interior do Ceará no ano de 1878, o “Cego Aderaldo” começou a cantar pelo sertão nordestino após um sonho no qual descobriu que sabia criar versos e tocar rabeca. Já Sinfrônio, nascido por volta de 1888, em Fortaleza, ficou cego com um ano de idade e viajou depois de moço por praticamente todo o Nordeste, sendo reconhecido como um excelente improvisador, mesmo sendo analfabeto.
Além desses dois livros, Irani Medeiros conta com outros livros biográficos de personagens importantes da cultura regional, mas também livros de poesia, como o “Todas as Ilhas”. O autor também organizou a terceira edição de uma publicação que homenageia o paraibano Leandro Gomes de Barros, figura importante para a difusão do cordel enquanto literatura no país. O livro conta com textos sobre Leando escritos por Astier Basílio, João Martins de Ataíde, Arlindo Pereira de Almeida e Carlos Drummond de Andrade, que, de acordo com o editor da Patmos, Carlos Alberto Oliveira, chegou a considera-lo o maior poeta de sua geração.
Fontes:





quarta-feira, 8 de novembro de 2017

BAGUNÇA TROVADORESCA - Vários poetas


Se este grupo me aprova
E se oportuno, decerto,
Convido a meter a trova
Nesse colar de Gilberto.
(Zé Ferreira - Natal/RN)

Amigo, na minha trova,
A que você tem em vista
Só um dedo se aprova,
O dA proctologista.
(Gilberto Cardoso - SC/RN)

Quem quiser se aproxime
A trova não tem segredo
No ABAB você rime
E no colar meta o dedo
(Zé Ferreira Natal/RN)

Sou cara que se destaca,
no espaço trovadoresco
doido pra meter a faca
em qualquer sujeito fresco.
(Gilberto Cardoso - SC/RN)

Não façam xilogravura
Para o colar de Gilberto
A arte dessa gravura
É moderna,  não dá certo.
(Zé Ferreira - Natal/RN)

Na trova de Zé Ferreira,
Alguém deixou-me avisado
Cabe uma septilha inteira
Nos versos de pé quebrado.
(G. Cardoso- S.C. /RN)

Quem vê um tocador desse
Querendo metrificar
Sabe que seu interesse
É metro no seu colar
(Zé Ferreira - Natal/RN)

Meu colar de diamantes
em teu pescoço não vai,
pois usas falsos brilhantes
comprados no Paraguai.
(G. Cardoso- S.C. /RN)

Gilberto é cobra ligeira
Nessa arte de trovar
Mas só vejo Zéferreira
Botando no seu colar
(Hélio Crisanto SC/RN)

Hélio, é minhó calá.
De trova tu não entende.
Se o "Negão do Paraná"
te pegar, tua trova fende.
(G. Cardoso- S.C. /RN)

Crisanto, digo a você,
Pode até não soar bem
Mas nesse colar de Gê
Tu pode meter também
(Zé Ferreira - Natal/RN)

Zé Ferreira é da sextilha
Na trova impotente é
Minha trova é uma ilha
E eu sou Robinson Crusoé
(G.Cardoso - SC/RN)

Ilha, carente, sem fé
Pensando muita besteira
Qual foi a de Crusoé
Com o índio Sexta-feira?
(Zé Ferreira Natal RN)

Ouço as rudes cantilenas
De dois poetas pedantes;
São asquerosas hienas
A fugir de um elefante.
(G.  Cardoso- SC/RN)

Gilberto nessa postura
Agarrado no pau torto,
Segue fazendo a leitura
De que está em desconforto.
(Francisco das Chagas - ) 

Estes três têm verve fraca;
Da trova não têm domínio;
Não podem ver uma estaca;
Freud explica esse fascínio!
(G. Cardoso - SC/RN)

Eu sei que pra um poeta
É humilhante trovar
Mas vamos ver quem completa
De Gê Cardoso o colar?
(Zé Ferreira - Natal/RN)

Glosar é como gozar;
Décima é uma larga cova.
Por isso adoro adentrar
na estreiteza da trova.
(Gilberto Cardoso SC/RN)

Nesse estreito de Cardoso
Lembrei da foto da estaca
O vi um tanto reimoso
Sua carne ainda mais  fraca.
(Zé Ferreira Natal RN )

Vate, vá tomar no sul
Um chimarrão numa cuia.
Explore o novembro azul,
no dedo grite aleluia.
(Gilberto Cardoso, Santa Cruz RN)

Jamais irei lhe dizer
Pra ir àquele lugar
Se assim não quer proceder
É bom fechar seu colar.
(Zé Ferreira Natal RN )

De pau e estaca falamos
com bom humor e esmero.
Aqui limites fincamos,
Chegamos à estaca zero.
(Gilberto Cardoso, S. Cruz/RN)


VEJAM TAMBÉM:

PELEJA EM TROVAS SOBRE NOSSA SENHORA ... - apoesc - blogger

apoesc.blogspot.com/2017/10/peleja-em-trovas-sobre-nossa-senhora.html







BLOG DA APOESC: TROVAS SOBRE O PROFESSOR

apoesc.blogspot.com/2017/10/trovas-sobre-o-professor.html



BLOG DA APOESC: TROVAS INSPIRADAS EM OBRA DE PAWEL ...

apoesc.blogspot.com/2017/10/trovas-inspiradas-em-obra-de-pawel.html

BLOG DA APOESC: TROVAS CRÍTICAS - João Dorico

https://apoesc.blogspot.com/2014/02/trovas-criticas-joao-dorico.html?m=1


BLOG DA APOESC: SANTA CRUZ EM TROVAS - Gilberto Cardoso ...

apoesc.blogspot.com/2017/08/santa-cruz-em-trovas-gilberto-cardoso.html

BLOG DA APOESC: ARTE EM TROVAS - diversos autores

apoesc.blogspot.com/2017/10/arte-em-trovas-diversos-autores.html


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Sintam-se à vontade para comentar, em prosa ou em trova

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

MARCO HAURÉLIO: ENTREVISTA EM VERSOS SOBRE O CORDEL

Entrevistador: Gilberto Cardoso dos Santos
Entrevistado: Marco Haurélio Fernandes


 Xilogravura de Jefferson Campos, especialmente feita para ilustrar a entrevista.

Mais opçõ 
Foi em “Tecendo Linguagens”,
Um livro de português,
Que algo de Marco Haurélio
Vi pela primeira vez:
A capa de um cordel
feito pelo menestrel,
Mas nada do que ele fez.

Antes, alguém me falou
De sua vinda a Natal;
Disseram que ele deu
Aula substancial;
E eu resolvi pesquisar
E por fim entrevistar
Ao grande intelectual.

Com prazer ora apresento
A Marco Haurélio, escritor,
Cordelista premiado,
Profundo pesquisador
Do lirismo nordestino
Que se fez, desde menino,
Do cordel um defensor.

Marco Haurélio, de início,
Fale-nos de seu passado;
Das influencias que teve;
Do lugar em que foi criado;
Dos cordéis que escutou
E como isso o levou
A ser tão requisitado.

MARCO HAURÉLIO:

Nasci no sertão baiano.
O local? Ponta da Serra,
Comunidade rural
Onde o céu encontra a terra
E onde eu escutava histórias,
Baús de muitas memórias
De tempos de paz e guerra.

Quando pequeno, eu ouvia
Juvenal e o Dragão,
O Herói João de Calais,
Rosinha e Sebastião,
A Coragem de um vaqueiro,
O Santo do Juazeiro,
História do Boi Leitão.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Fale-nos de suas obras.
Dos livros que publicou,
Qual que mais lhe dá prazer?
Quantos prêmios já ganhou?
Seu legado é muito rico
Pois pra fazer Velho Chico
A Rede Globo o buscou!

 MARCO HAURÉLIO:

Publiquei quarenta livros,
Entre contos e cordéis,
Mais dezenas de folhetos
Aos velhos mestres fiéis.
Alguns prêmios recebi,
Porém reafirmo aqui:
Meus livros são meus lauréis.

À novela Velho Chico,
Eu servi de consultor,
Criei algumas histórias,
Também fui compositor,
Ao estilo do cordel,
Pra Xangai e Maciel,
Uma dupla de valor.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Dos muitos cordéis que leu
Se tivesse que eleger
Dois ou três entre os demais
Quais iria escolher
Como os mais valiosos?
Que cordelistas famosos
Você recomenda ler?

MARCO HAURÉLIO:

Já li bastante romance,
Porém os de maior brilho
Foram Alonso e Marina,
Do qual não me desvencilho,
Também A Sorte do Amor
Do notável trovador
Manoel d’Almeida Filho.

Cada um lê o que quer
Neste distinto celeiro.
Em minha estante, porém,
Moram Delarme Monteiro,
O grande Leandro Gomes,
Minelvino e outros nomes
Do bom cordel brasileiro.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

O cordel subsistiu
À nossa modernidade
Mas parece hoje passar
Por crise de identidade,
No entanto se fortifica!
Ratifica ou retifica?
Corrija-me, por bondade.

 MARCO HAURÉLIO:

O cordel nunca mudou,
Mesmo com novo suporte,
Pois soube se adaptar,
Mostrando ser muito forte.
E se assim não ocorresse,
Perdia o povo o interesse
E decretava-lhe a morte.
Mais opções

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Há mitos sobre o cordel
Quanto a tamanho e estrutura;
Há quem ache que na capa
Tem que ter xilogravura;
Até tipo de papel
Escolhem para o cordel;
Linguagem, cor e largura.

MARCO HAURÉLIO:

Cordel é sempre cordel,
Isso afirmo com orgulho.
É Capitão do Navio,
Rufino, o Rei do Barulho,
Princesa da Pedra Fina,
A Imperatriz Porcina,
E isso independe do embrulho.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Número mínimo de estrofes
Deve-se estabelecer
Na criação de um cordel?
Quantas deveriam ser?
Os textos de Bráulio Bessa
Que fazem sucesso à beça
Que nome deviam ter?

Como costuma enfrentar
As ideias radicais
Dos que amam o cordel
Porém têm zelo demais?
Tente ao gênero definir;
Busque em versos resumir
Aspectos essenciais.

MARCO HAURÉLIO:

Creio que, para ser bom,
Precisa duma estrutura,
Contar uma boa história,
Com uma régua segura.
Declamado ou no papel,
Ouso dizer que é cordel
Quando for literatura. 

Bráulio Bessa é um performer,
Um sujeito carismático
De uma escola diferente,
Tem apelo midiático,
Conversa com o cordel,
Mas enxergo o seu papel
Num outro leque temático.

Cordel é literatura
Da letra e também da voz,
Tem origem nas sementes
Que o tempo espargiu em nós,
O canto de muitas eras,
O pólen das primaveras,
A bíblia dos meus avós.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

O cordel em sua origem
Devia ser diferente;
Como era na Europa,
- Portugal, principalmente?
Na Espanha ele existiu?
Como foi que evoluiu
Ao que é atualmente?

MARCO HAURÉLIO:

Cada país teve um gênero
Similar ao romanceiro
Depois chamado cordel
No Nordeste brasileiro.
Canções, baladas e lais,
Dessas vozes ancestrais
Nós seguimos o roteiro.

Contudo, em nosso Nordeste,
Houve um diferencial:
O cavaleiro galante
Da gesta medieval
Permutou-se no vaqueiro
Atrás do boi mandingueiro,
Perdido no carrascal.

Há histórias de princesas,
Resquícios do medievo,
Mas também há cangaceiros,
Personagens de relevo;
Sem contar os sabichões:
João Grilo, Cancão, Camões,
Num ciclo alegre e longevo.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Diferencie e aproxime
O cordel da cantoria;
Fale-nos da métrica oral,
Tão condenada hoje em dia
E em versos criativos
Cite alguns autores vivos
Que nos recomendaria.

O cordel e a cantoria
Têm valores pontuais:
Dois gêmeos bivitelinos,
Dois legados ancestrais,
Se aproximam, se repelem,
E, por mais que tagarelem,
São filhos dos mesmos pais.

MARCO HAURÉLIO:

O cordel, em outros tempos,
Se assemelhava em prosódia
À cantoria, porém,
Hoje, com outra custódia,
Se vale mais da elisão,
Sem perder a condição
De moderna rapsódia.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Rima, métrica e oração
Ao cordel servem de guia
Mas o que é oração?
Algum leigo indagaria.
E sem fugir do assunto
Ao pesquisador pergunto:
Marco, o que é  poesia?

MARCO HAURÉLIO:

Em minha concepção,
Oração é o sentido,
A razão da poesia,
O fio por ela tecido.
Poesia é harmonia,
Que foi inventada um dia
Por um deus desconhecido.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Cite uma ou mais estrofes
Ditas por um cantador,
Algum trecho de cordel
De inegável valor
Guardado em seu coração,
Digno da atenção
De nosso amado leitor.

MARCO HAURÉLIO:

“O amor quando se alberga
No peito do rico ou pobre,
Se torna logo um guerreiro
Com capacete de cobre,
E só obedece a honra
Porque a honra é mais nobre.

Se o amor é soberano,
A honra é sua coroa.
Portanto, um amor sem honra
É como um barco sem proa,
É como um rei destronado
No mundo vagando à toa.”

[José Camelo de Melo Resende, Entre o Amor e a Espada]

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Finalizo esta conversa
Conselhos solicitando
Para os que fazem cordel.
Os que estão iniciando
Em quem devem se espelhar
E o que devem evitar
No rumo que estão tomando?

MARCO HAURÉLIO:

Se conselhos posso dar:
Leia! Leia! Leia! Leia!
Leia os novos, leia os clássicos,
Ouça o canto da sereia.
Fuja dos espertalhões,
Caga-regras, mandriões,
Gigolôs da verve alheia.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Após tão boas respostas,
Precisas e prazenteiras,
Dirija aos nossos leitores
As palavras derradeiras;
Diga o que o coração manda,
Faça alguma propaganda
E vamos romper fronteiras.

MARCO HAURÉLIO:

O cordel verdadeiro é garimpado
Nas cavernas do tempo e da memória.
Quem buscar entender a sua história
Beberá nas cacimbas do passado,
Mas também estará conectado
Ao futuro, com estro soberano,
Decifrando de vez o grande arcano
Que sustenta a coluna resistente:
É passado, é porvir e é presente
Nos dez pés de martelo alagoano.

GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS:

Agradeço demais ao entrevistado
Por nos dar de seu tempo e inspiração
Respondendo à sincera indagação
De quem vê no cordel grande legado.
Exagero nenhum foi endossado.
Ser fiel às origens, eis o plano.
Sem jamais renegar o avanço humano,
Pois cordel é uma árvore frondosa
Nas raízes e frutos vigorosa,
Nos dez pés de martelo alagoano.

Agradeço a Jefferson, grande artista
e amante da arte popular,
que assumiu a tarefa de ilustrar
a tão bela e tão útil entrevista;
Ele que é do cordel apologista
E que tem poesia no tutano
não se deixa levar pelo engano
da cultura vazia e destrutiva;
ele quer que o cordel pra sempre viva
Nos dez pés de martelo alagoano.



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Marco Haurélio, Gilberto, Jefferson Campos