domingo, 11 de outubro de 2015

As sombras do meu passado - Marcos Medeiros


A porta velha rangendo,
o telhado esburacado
uma chaleira fervendo,
um caldeirão amassado,
parece até que estou vendo
as sombras do meu passado


Marcos Medeiros

Infância de passarinho... - Jarcone Vital.


Infância de passarinho
Tempo bom,sem descompasso,
Sem droga e sem delinquência
Sem preguiça e sem cansaço
Com umas moedas no bolso,
E um galo embaixo do braço...

JARCONE VITAL


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A ESMOLA E AS INJUSTIÇAS SOCIAIS - José Ferreira



A esmola, em si, tem seu valor,

doação é um gesto sempre nobre


em Provérbios já li: quem dá ao pobre


bem empresta a juros ao Senhor

.
Eu, porém, ao invés desse penhor


gostaria de ver os meus iguais


Tendo acesso aos bens e tudo mais


quanto há nesse mundo, de riqueza


pois bem sei: toda onda de pobreza 


vem de um mar de Injustiças sociais. 




(ZéFerreira)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Essência - Marise Mamede


Nas manhãs de domingo
sinto o perfume de minha avó
exalado do pé de jasmim
no quintal da casa

De meu pai
avisto o par de botas
empoeiradas
cheias de estradas

De minha mãe
percebo o toque suave
(de mãos firmes)
que invade
as teclas de meus dias.







 Marise Mamede

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Imagens poetizadas poema sobre poema - Gilberto Cardoso dos Santos


Por que tamanha beleza
em detalhes pequeninos?
cheia de toques divinos
se mostra a mãe-natureza
alguns ao olho invisíveis
têm formatos incríveis
uma coisa de cinema
milagrosas pinceladas
Imagens poetizadas
poema sobre poema

Como não se extasiar
Contemplando o mimetismo
Que resguarda os organismos
De maneira singular?
com seus formatos diversos
bem metrificados versos
na estrofe do ecossistema
habilmente versejadas
Imagens poetizadas
poema sobre poema

As orquídeas me encantam
seu colorido profuso
deixam o racional confuso
certamente nos espantam
diversos são os formatos
matematicamente exatos
Há um cinema no sinema
nas pétalas perfumadas
Imagens poetizadas
poema sobre poema


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Mais um seminário - Cecília Nascimento


E riem-se de lorotas
Aquelas mesmas bestificantes
Vejo olhos
Olhos que correm pelo relógio
E cansam porque o tempo não foi nem ficou
Ouvidos atentos aos aromas de milho
Ruminar irritante de uma loira
Páginas de AVON são dedilhadas como a viola violenta numa pressa de ir embora
E batem nas cadeiras da frente
Os eus que se querem longe e estão aqui.
Agora dançam as pernas em ritmos nervosos
Os braços já descansam nas cabeças e servem de travesseiro às cabeças enfadadas do trabalho audível.
Fios capilares? Muitos no chão, irresistentes aos cortejos manuais!
Canetas, poucas, uma, Eu, a devanear...
Mentes centradas no Nada que se passa do lado de lá.
Eu no meu Eu a ver esses Eus desatentos
Com um papel cheio de letras sem muito discernimento
Eis mais um seminário!


(Cecília Nascimento)

sábado, 3 de outubro de 2015

AS RUAS E OS SEUS NOMES - Luiz Berto


As ruas têm uma geometria própria e indecifrável, cuja razão de ser escapa ao senso comum. Evidentemente, não estou me referindo às ruas determinadas pelos modernosos conjuntos residenciais construídos pelo governo, as malfadadas "cohabs". É um curioso exercício tentar adivinhar o senso de ordem das autoridades que, em remotas eras, estabeleceram o traçado que até hoje permanece. Ou terá sido o próprio povo, com sua lógica peculiar, quem determinou este curioso plano urbanístico?

Existem quarteirões triangulares que afunilam as casas localizadas nos vértices, e ruas nas quais só cabe uma carroça Se dois carros se encontram, um deles terá que dar à ré para o outro passar. Existem praças com nome de rua e ruas que se confundem com a praça, não se sabendo onde acaba uma e começa a outra. Existem becos que foram batizados pela Prefeitura com o nome de avenida, e ruas que não passam de becos. E há pelo menos um beco sem saída: é a Rua do Araticum, que faz divisa com a Rua do Limão. A Rua do Limão faz fronteira com a Coréia, onde está localizada a zona boêmia. Esta, por sua vez, vai até as vizinhanças do Beco do Esconde-Negro, e este acaba exatamente na Rua do Ferro de Engomar.

A origem dos nomes de alguns logradouros está contida neles mesmo: Beco do Mijo (ou do Mictório), Beco da Tapa, Rua dos Cornos, Beco da Bosta, Matadouro, Rua do Capim, Rua da Linha (do trem) e Rua do Açude. Outros não são tão fáceis de adivinhar: Rua do Parafuso, Rua da Viração, Rua do Cu do Boi, Beco do Mulungu. Rua do Papel, Rua Nova, Rua do Sabão, Rua Teimosa e Rua do Galo.

Evidentemente, nem todas estas denominações são oficiais, reconhecidas pela Prefeitura. Ao contrário, uma parte delas foi estabelecida por um poder bem mais forte e competente, que é o poder do povo.

Alguns nomes são poéticos: Rua da Boa Vista, Rua da Aurora, Rua do Bom Destino, Rua da Palma, Rua da Soledade e Alto da Saúde.

Alguns locais têm os nomes de figuras que pertencem à história da cidade: Coronel Austriclínio, Tenente Everaldo, Coronel Izácio, Letácio Montenegro, Vigário Bastos, Bispo Dom Pereira Alves, Coronel Pedro Paranhos, Conselheiro João Alfredo, Vigário Freire, Viúva Luzia Pedrosa, além de uma Rua Humbert Minkewitz e outra John Kennedy. E tem mais, muito mais, ruas com nome de gente. Fiquemos nestas.

A Praça da Luz não é nenhum ponto de encontro de esclarecidos ou de filósofos: tem este nome, porque é lá que se localiza o escritório da companhia de eletricidade.

Já a Rua do Ancião não tem nenhum velho. Trata-se do seguinte: há muitos anos, o Prefeito começou a instalar um gigantesco gerador para dar eletricidade a Palmares, e marcou a data em que dever ia ser inaugurado: 27 de setembro, Dia do Ancião. Logo, a oposição, descrente do cumprimento do prazo, apelidou ironicamente o gerador de Ancião. Mas quem pegou o nome foi a rua onde está localizado o motor. Nome oficial, constando do catálogo da Prefeitura.

A Rua da Notícia é assim chamada porque lá funcionava um jornal semanal com este nome. E tem também os locais batizados com datas: Rua 8 de Dezembro, Rua 1 de Maio, Rua 1 de Janeiro, Rua 15 de Novembro, Rua 6 de Janeiro, Rua 7 de Setembro, Rua 13 de Dezembro, Rua 13 de Maio e Rua 21 de Abril.

O bispo da cidade construiu uma casa no alto da ladeira do Matadouro, deixando o conforto do palácio no centro da cidade. Dos fundos desta casa, despenca um enorme vale, de linda vista e ladeiras íngremes, que foi sendo rapidamente povoado com as taperas que os menos afortunados construíam. O local cresceu, se encheu de gente, foi calçado pela Prefeitura e recebeu o nome mais apropriado, em consequência de sua localização: Buraco do Bispo. Nada mais correto para um bairro que se localiza nos fundos da Casa Episcopal.

E, para encerrar, só mais este: existe lá um beco que é um traço de união entre uma rua de família, no centro da cidade, e a zona do baixo meretrício. Os homens vêm de fininho, disfarçando, entram no beco e reaparecem já na zona. Daí o seu nome: Beco do Engole-Homem.

Do livro



Sustentabilidade - Manoel Guilherme de Freitas


Do planeta, não, da vida,
porque só existe se tiver,
gente, pessoas, entes,
que fazem acontecer,
o pior delas desmerecer,
a natureza mais bela.

É respeito mútuo, intrínseco,
valioso que nutre, cria a vida,
contato que o homem não destrua,
desmate, polua o ambiente,
coisa tão frequente,
que dá pena, dó, ameaça!

Assim, sustentar é manter e reestruturar,
o que nos resta, abdicando, pois, do lucro das fábricas, investindo em políticas ambientais,
de forma que a geração futura,
não sofra tanto o efeito estufa,
o EI Niño dentre outros correlatos.

Mas, precisa ter consciência de que o preço é pagado,
logo torna extenso, caro
para quem não tem educação.
Diante do quadro, como fazer irmão?

Dessa forma, a massa necessita cobrar,
adequar a qualidade ambiental,
devendo, pois, ter na escola a expansão de sua consciência,
principalmente de que a destruição a afeta diretamente,
pelos atos praticados,
tornado-a escravos
de um ambiente devastado.

Até isso é investimento em educação de qualidade
para que os cidadãos não fiquem marcados
como uma geração errada,
devorada pelo capitalismo selvagem,
explorável pela mente,
bem como a consciência.

Eis que vida sem qualidade,
já que a natureza por si só
não tem mais condições
de fazer o papel cidadão, pelo contrário irmão,
estenda suas mãos, para que toda beleza, ainda, reinante.
não vire pó, traças, cinza, mortes e nada...

Manoel Guilherme de Freitas. PROFESSOR, POETA

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

I FESTIVAL DE VIOLA POETA CHICO CARDOSO


Uma das duplas que estarão presentes:


CAVALGANDO EM VERSOS - Gilberto Cardoso dos Santos

Glosa minha, montada no mote de Francisca Araújo

Montado em um poema
Que combate o Especismo
Galopo com heroísmo
Sobre um humano dilema
Às palavras, sem problema,
Esporo com alegria
Relincham, sem agonia
Nos versos em disparada
Para fazer cavalgada
Nas trilhas da harmonia.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O GALO E O PREÁ (APÓLOGO) - Prof. Dr. José da Luz Costa

O GALO E O PREÁ

(APÓLOGO)

Já faz alguns dias, num gabinete da cultura potiguar aconteceu um encontro inusitado. Dois representantes da fauna, um local e outro universal, pela primeira vez tomaram parte em um polêmico debate.
Um galo, eloquente porém magoado, desabafa:
 – Tudo isso é uma grave inversão de valores! Os agentes da modernidade manipulam mundos e fundos para edificar suas obras. Derrubam uma muralha para construir um muro.
Com um olhar inquieto, um preá, recostado no canto da sala, hesitava:
–   Os tempos mudam... As pessoas, também.
–   A mudança existe e é necessária. Mas, isso não significa substituir, destruir ou mesmo esquecer o valor das coisas.
–   Você está ressentido, logo passa. Ninguém vai se lembrar de você. Então poderá viver em paz.
–   Essa é boa! Um nanico provinciano querendo me levar na conversa. Você, enquanto cavídeo, não passa de um roedor bisonho e iletrado.
A discussão se avolumava. A substituição do galo pelo preá no único veículo oficial de divulgação das produções culturais do Estado gerou a celeuma. O preá, aparentando controle da situação, dizia:
–   Meu objetivo é chegar aos grotões e de lá trazer informações, divulgar por lá o que se faz por aqui e carregar daqui notícias para lá.
–   Que vexame! Você só repete bem o discurso dos outros. Mas jamais será um arauto. Revela-se um mero entregador, desnecessário até, porque o correio já faz esse serviço de entrega. Excelente serviço, por sinal.
–   Não se trata disso, você entende...
–   O que entendo é que um pequeno pretório de intelectuais, sem sintonia com leitores e eleitores, prelibaram-se em alterar o curso da História.
–   Você dramatiza, amigo...
–   Ora bolas! Você surge de uma moita qualquer, seduzido por um canto de sereia, e ainda quer ostentar memória e orgulho.
–   Assim você me ofende...
–   Que nada! Esta é sua verdadeira estirpe: de linhagem inglória, animal roedor, fugidio, que habita entre rochas e buracos de tabuleiros ermos e áridos, longe do convívio humano.
–   Essa doeu, cara.
–   Esta minha atitude reflete o descontentamento das pessoas em geral. Imagine se a cada novo governo, os administradores resolvessem erradicar as marcas do governo anterior. Aqui muda o nome de uma praça, ali de uma avenida, lá adiante o de uma escola, de um hospital, de uma ponte, até de um beco...  com o passar dos anos, essas plásticas descaracterizariam a identidade histórico-cultural da cidade. Tudo novo e efêmero!
–   Amigo, seu discurso comove, mas não convence. Os idealizadores deste novo projeto viram em meu nome um novo paradigma, mais arrojado, moderno, ágil e de alta performance.
–   Vejam só quem fala! Você me obriga a biografar sua triste sina. Apesar de origem tupi, seu nome – formado por um conjunto de fonemas, espremidos enfumaçados – soa sem melodia nem brilho. Para nascer, passasse pelas cirurgias gramaticais de síncope e aférese: apereá > pereá > preá. Nascesse com gênero incerto. Há quem diga que você é masculino, outros classificam como feminino.
–   Sou parte da natureza, e na minha espécie existem machos e fêmeas.
–   Tudo bem. Todo ser animal tem sua cara-metade. Mesmo assim, seu caso é complicado. Você mais parece um gênero unissex. 
A conversa seguia acirrada. O preá tentando preservar a própria face e a de seus pistolões políticos e intelectuais. O galo, por sua vez, não poupava críticas às atitudes do preá e de seus defensores. Assim, alegava que era uma ave doméstica, comestível, reprodutora, de briga, líder do quintal, de convívio amistoso entre os membros da casa. Seu gênero inequívoco – masculino – formava par romântico com a galinha, sua consorte. E não deixando arrefecer o ânimo combativo, arrematou:
– Caro preá, a minha história é uma epopéia. Lucrécio já dissera que o canto do galo assombra leão. Na Grécia e Roma antigas, tornaram-se famosas as lutas de galos. E vem de longe a tradição de me chamarem relógio dos pobres.
– Galo que fora de hora canta, cutelo na garganta! Sentenciou o preá.
–  Você não passa de um roedor, pobre, pequeno e preguiçoso. Nas estórias populares, nos conta o grande Cascudo, você é retratado como um tipo de finório, intruso, aproveitador, penetra, dançando, comendo e bebendo sem convite.
–  Tudo isso é folclore...
–  Da lenda nasce a legenda. Reconheço que em tempos de seca, você vira boa caça para o sertanejo. Mas todo mundo sabe que um preá não faz um jantar. Há muita gente por aí que te deglute como tira-gosto em mesas de bar do interior, e às vezes só te encontrando em botequins de beira de estrada.
–  Confesso que não esperava isso de você!...
–  Não lhe estou faltando com a verdade. Eu vivo tão bem no campo como na cidade. Meu nome repercute sonoramente. Meu canto ritmado vem com o alvorecer, chamando os homens à labuta. Já disse um poeta que vários galos tecem uma manhã. Outro poeta local já escreveu: “No alto da abadia, / o galo do catavento / acende as cores do dia”. Além disso, lembre-se da missa do galo, celebrada pelo Papa.
–   O que sei é que todos somos iguais perante a lei. Você teve sua chance, agora tenho a minha...
–  Sei cá! As evidências têm demonstrado que todos são iguais perante a lei, mas não diante do juiz. E justiça boa e imediata só com um bom e bem pago advogado!
–  Você está radicalizando...
–  Ingênuo cavídeo, eu, o rei do quintal e do poleiro, não posso desperdiçar meu tempo e meu canto com um interlocutor arredio ao convívio social. Você virou apenas um parvenu, pois os ares da cidade não disfarçaram seus gestos burlescos e lamuriantes.
–  Olha que o destino pesa implacavelmente sobre todos nós!...
–  O meu destino é glorioso. Basta lembrar pra você que o Cristo admoestou a Pedro sobre as três negações do apóstolo antes de um irmão meu cantar na madrugada.
–  Águas passadas não movem moinhos, você sabe...
–  As águas passam, mas a história permanece. Infelizmente, parece que este postulado não foi considerado pelos seus projetistas. Deram-lhe uma roupagem nova, adornaram-lhe com uma virtual e refulgente armadura, para lhe afugentar os cães de caça e não deixar você morrer na cidade. Já que dizem nas redondezas que preá só vem à cidade morto. 
Como se percebe ao acompanhar esta narrativa, a conversa entre as rivais figuras da fauna cultural não foi nada harmoniosa. De um lado, um preá aperreado e reticente, mas desfrutando as benesses do novo cargo. Do outro, um galo, galante e retórico, argumentava ferrenhamente contra os expoentes da política local pelo golpe histórico desferido na memória cultural do povo e da terra potiguar.
–  Amigo, na verdade as intenções são boas... procurava contornar o pacato preá.
–  Não seja idiota! De boas intenções o inferno está cheio. Não vou baixar a crista, nem emudecer meu canto, mas lhe garanto: vou estar de esporão afiado para defender meu nome e minha honra. Pois, onde o galo canta, janta.
–  Caro galináceo, deixe eu viver minha história. O sol brilha para todos.
–  De sol e filosofia você não entende nada. Vive nos capinzais à beira de córregos e lagoas, saindo só ao anoitecer, para se alimentar de gramíneas. Enquanto eu compartilho da comida dos humanos. Sirvo-lhes de banquetes em festas de Natal, casamento e aniversário.
–  Você sempre ironizando...
–  Chega! A sorte está lançada. Espero que você não seja vítima de uma “preazada”, e vá passar o resto da vida solitário num buraco.

Esta história, ocorrida recentemente nesta cidade, foi-me contada por um amigo jornalista, que me segredou também ter passado a vida como um galo: no topo da cidade, tentando despertar os tolos do sono da ignorância e os sábios dos sonhos mirabolantes.


Zedaluz
Natal, junho/2003.
(publicado no Diário de Natal)


CHORINHO BRASILEIRO, de quem é a autoria? - Gilberto Cardoso dos Santos


Circulam na net produções textuais muito boas, como a que aqui publicamos  recentemente falando sobre o Whatsapp (CLIQUE AQUI PARA VER O ENGRAÇADO TEXTO), sem que saibamos quem são seus autores. É o caso do texto a seguir, a respeito do qual se diz:

"Na cidade de Joinville  houve um concurso de redação na rede municipal.
Título:  " dai pão a quem tem fome  ".
O primeiro lugar foi de uma menina de 14  anos.
Ela utilizou o Hino Nacional para fazer sua redação."



Ora, por que não aparece o nome desta garota inteligente? Fiquei com vontade de parabenizá-la, mas não tenho como. Por que tão pouco se veiculou a respeito dela? Teria isto um fundo de verdade ou se trata de mais uma e-farsa?
Lamentavelmente isto ocorre na net. Tão fácil teria sido a princípio colocar o nome do autor ou autora e preservá-lo a cada compartilhamento! Mas a desonestidade humana ou despreocupação com os direitos alheios não tem limites. 
Ou estaríamos diante de mais um daqueles casos loucos, inexplicáveis, de alguém que escreve algo mas posta-o anonimamente, atribuindo sua autoria a outrem? Isso também acontece!

Algumas postagens deste texto aparecem assinadas por diferentes nomes. Numa delas, aparece um endereço eletrônico, sem maiores esclarecimentos. É da autora ou de alguém que o compartilhou? 

 Autoria à parte, deleitem-se com o texto, o destaque nas cores patrióticas foi meu.

 
CHORINHO BRASILEIRO 

Certa noite, ao entrar no meu gabinete, vi, num mapa-mundi
que tenho na parede, o nosso Brasil chorar:
O que houve, meu Brasil brasileiro? _ perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido,
esparramado e verdejante sobre a América do Sul,
respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas:
- Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo...
Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores.
Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes.
O sol da liberdade era mais fúlgido E brilhava no céu a todo instante.
Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? 

Eu era a Pátria amada, idolatrada.
Havia paz no futuro e glórias no passado.
Nenhum filho meu fugia à luta.
Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.
E era gigante pela própria natureza que hoje devastam e queimam,
sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho
tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos
que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
E não suportando as chorosas queixas do Brasil, saí de casa
e fui para o jardim.

Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro
que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado.
Pensei...conseguiremos salvar esse país sem braços fortes?
Pensei mais...quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei ao gabinete mas encontrei o mapa silencioso e mudo,
como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.
Lá fora, nas ruas e praças, já estão sendo feitos os preparativos para os comícios.
Quem salvará o Brasil? Perguntei a mim mesmo como se tivesse a resposta...
Eu? Tu? Ele? Nós? Vós? Eles?

Ninguém isoladamente, certamente. 
Talvez quem sabe, numa nova conjugação?
Por favor, muito cuidado ao votar.
Esteja bastante consciente de sua escolha,
coloque acima de qualquer interesse
o amor por esta Pátria que precisa deixar de ser
um país do futuro para ser a nossa realidade de hoje. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

HOMENAGEM POÉTICA A DÉBORA RAQUIEL - Gilberto Cardoso dos Santos




Débora vem do hebraico
Abelha significa
Traz-nos mel de poesia
De uma flora muito rica
Nos versos mostra destreza
Somente em própria defesa
É que às vezes ela pica.

Raquiel vem de Raquel
De origem hebraica também
Combina com seu caráter
Que tantas virtudes tem
Se Débora é abelha
Raquiel quer dizer ovelha
Que não faz mal a ninguém.

E como se não bastasse
Lopes é “vitoriosa”
Nome de origem espanhola
Que quer dizer corajosa
De lupus se origina
Ser loba é sua sina
Além de ovelha mimosa.

COM A LUA NA MÃO (Hélio Crisanto e Gilberto)




(Hélio Crisanto)
Assim caminha o poeta
Solto como um beija-flor....
Ara os céus, toca as estrelas
Livre de qualquer rancor
De mãos dadas pela rua
Sonhando abraçado a lua
Cheio de paz e amor.

(Gilberto Cardoso)
Voa enquanto caminha
nas asas do arrebol
alcançando um sustenido
descansando num bemol
Feito o poeta Hélio
Que significa sol.

(Hélio Crisanto)
Sou sol, sou chuva, sou ar
Pingo de luz no infinito
Sou a voz do esquecido
Que ecoa em cada grito
Sou verso, rima e canção
Sou a lua do sertão
Onde o brilho é mais bonito.

(Gilberto Cardoso)
Não sou lua, não sou sol
Mas me sinto ensolarado
Também tenho algo da lua
Porque sou meio aluado
E à escuridão disperso
Sou o inverso do verso
Nas rimas de pé quebrado.

(Hélio Crisanto)
Eu sou o verso engessado
No pé desse cantador
Cada baião da viola
Treme o meu opositor
Não sei se faço obra prima
Mas na peleja da rima
Eu bato até em doutor.

(Gilberto Cardoso)
Depois que peguei a lua
Eu a cobri com um manto
Dei de presente à esposa
Que desmaiou de encanto
A lua é fácil pegar
Mas bem difícil enfrentar
A luz de Hélio Crisanto.

(Hélio Crisanto)
Ah se eu fosse do seu tanto
Um poeta tão perfeito
Pra fazer versos benditos
Mas não tenho esse direito
Por isso tiro o chapéu
Pra esse bom menestrel
Que faz poesia de eito.

(Gilberto Cardoso)
Quando o sol tira o chapéu
De nuvens que o rodeia
Nós temos visões do céu
Se ilumina a aldeia
E o poeta se alumia
Por causa da poesia
Que dentro nos incendeia.

domingo, 27 de setembro de 2015

Lacunas - Cecília Nascimento


***

Lacunas

Quem parte para não voltar deixa lacunas. Deixa saudades nos deixados para trás.

É possível, após perdermos quem nunca tivemos sentirmos que nos falta uma parte. O preencher deste vazio com coisas e pessoas aparenta aos expectadores a felicidade do Ser - Lacunado. Mas tenho uma confissão: Lacunas não são preenchíveis! Chato, não?

Aparentamos felicidade, e até somos de fato felizes. Mas elas continuam lá, guardadas na caixinha, embrulhadas com fitinha.

E, então, quando nos flagramos sozinhos, elas gritam e saltam diante de nossos olhos até que paramos e as acariciamos às escuras, em segredo. Isso, para que ninguém descubra que não somos assassinos, que as conservamos com vida... Uma vida sufocada, mas bem protegida. E fingimos ter matado tudo que não queremos mais que viva, e vive, e mata-nos! Mas, elas, não, elas não morrem. Somos nós quem morremos, dia após dia, com a angústia de matar nossas lacunas...

Se ao menos pudéssemos enviá-las por Sedex!

Ah, essas lacunas...


(Cecília Nascimento)