sexta-feira, 20 de novembro de 2020

MEIA-NOITE NO CASTELO - Crônica de Heraldo Lins



MEIA-NOITE NO CASTELO

 

 

Deparei-me com um filme de 1922. Nosferatu. Pensei: Deve ser chato. Fora de moda. Sem graça. Sim, porque vivemos em uma época do barulho, onde os vídeos com áudio e imagens coloridas prevalecem. Neste filme nada disso há. Só imagens em preto e branco e o som da orquestra. É o famoso cinema mudo. As falas são escritas de forma reduzida. Pelas ações entende-se o enredo. Neste caso, uma estória de vampiro. Acredito que Drácula ainda nem era famoso o tanto quanto hoje. Como trata-se de  um clássico do cinema, aventurei-me a vê-lo. Estou fazendo a conta-gotas. A cada dez minutos vou para outros afazeres. Preciso digeri-lo calmamente porque sei que jamais repetirei a façanha. O bom é que se pode ter uma visão de como se fazia filme no tempo em que uma pessoa inteligente era chamada de quenguista. Este está como uma peça de teatro. Fim do primeiro ato... apaga-se a imagem e começa o próximo. Depois das cenas vem uma tela branca com letras pretas explicando. Mas apesar das limitações tecnológicas, o que impressiona é o roteiro. Muito bem feito. Amarrando as cenas... bem... não tenho mais nada a falar sobre o filme. Poderia pesquisar o nome do diretor, o protagonista ... mas parece que fui mordido pelo feioso Nosferatu. A verdade é que estou bastante aterrorizado. Esse filme é tão real que estou andando com uma estaca dentro das calças e uma marreta no bolso. Fico cauteloso na hora de apagar a luz. Olho debaixo da cama e detrás da porta a cada cinco minutos. Já comprei crucifixos e um caminhão de alho... dizem que é bom para espantar Vampiros. Em todo lugar vejo um deles. Para me distrair entrei no site Xvídeos. Vi algumas Vampiras sugando. Saí rápido de lá. Ligo a televisão e vejo um gordão falando: ô loco meu! Penso logo: esse deve ser o rei dos vampiros. Está gorducho de tanto sugar as dançarinas. Na eleição quando apertei o confirma escutei um barulhinho: tri triiiii... coisa de vampiro disfarçado. Saí de lá atropelando.         ,

 

 

Autor: Heraldo Lins Marinho Dantas

Natal/RN, 19/11/2020

 

Heraldo Lins é arte-educador

Zap:  84-99973-4114

Email: showdemamulengos@gmail.com


Um comentário:

Comentários com termos vulgares e palavrões, ofensas, serão excluídos. Não se preocupem com erros de português. Patativa do Assaré disse: "É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada”