APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 17 de outubro de 2015

O FEDERAL - Joel Canabrava


O Federal

Todos sabem que existem algumas categorias para classificar a polícia: civil, militar, rodoviária e federal. Bem, todos também têm conhecimento que existem as universidades particulares e públicas; estas, dentro de cada estado, são classificadas em universidades estadual e/ou federal. Fiz e este pequeno introito para relatar um causo ocorrido num certo interior.

Um amigo, que morava no interior foi estudar na cidade grande e, como era muito estudioso, passou no vestibular para o curso de Administração na UFPI (Universidade Federal do Piauí).

A empolgação da família, da vizinhança  e dos amigos que moravam no interior era grande, afinal um menino pobre e do interior ir para a cidade grande e passar no vestibular não era comum lá. Pois bem, a notícia correu a cidade inteira. Onde se estava, os comentários eram os mesmos –“passou, o Bernardo passou no vestibular; ele vai fazer faculdade; o Bernardo vai fazer universidade; o Bernardo vai para a federal”.  Todas essas frases eram ouvidas frequentemente, principalmente a última e, depois, unicamente ela.

Em todos os locais a frase “o Bernardo vai para a federal” era constante. Houve inclusive uma pequena discussão entre uma vizinha do meu amigo e uma pessoa da cidade.
 - É mentira! Ele não passou na Federal. Nem teve concurso esses dias. A vizinha eufórica respondeu – passou sim, ele raspou até cabeça. Porque quando é para entrar lá, tem que cortar o cabelo bem baixinho.

A discussão continuou por algum tempo, até que resolveram parar porque nenhuma quis recuar.

Outro colega de Bernardo fazia certos comentários  do tipo: rapaz, agora sim eu posso ir para cidade e não ser multado, o Bernardo está lá e, ele não vai prender minha moto.
Certo vez um homem meio embriagado, ao ver a mãe de Bernardo na rua, aproximou-se dela e disse:

- Olhe dona Maria, a senhora sabe que eu sou zangado, que eu gosto de beber minhas pingas e que eu sou bagunceiro. Considero a senhora, mas se seu filho um dia quiser vir me prender, eu vou fazer uma besteira... Só porque ele vai trabalhar na polícia... Não é assim. A senhora diz logo para ele o que eu lhe disse.

Dona Maria respondeu meio temerosa, mas com um pequeno sorriso de zombaria:
- Não se preocupe que ele não vai lhe prender. Pode ficar tranquilo – Depois respondeu mais séria – o meu filho não vai ser policial, ele passou na federal, mas foi na Universidade Federal do Piauí. Ele vai  é estudar para trabalhar em empresa.


Assim, toda vez que Bernardo vinha visitar a família, ele tinha de explicar direitinho a história, caso contrário ia continuar sendo visto como policial federal. Coitado, antes fosse!!!