APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 4 de março de 2014

A CHEGADA DE FIDEL NO INFERNO - Hélio Crisanto



O inferno foi mudado
Já criei minhas reformas
Quero ver tudo ampliado
Quero impor as minhas normas
Recolham as velhas beatas
E ligeiro prepare as atas
Na casa de Ferrabrás
Modifique o estatuto
Que aqui o sistema é bruto
Mando mais que Satanás

Vou preparar um chicote
Pra dar surra em mandrião
Se brincar leva um surrote
Mando arrancar um cunhão
Mandei avisar pro céu
Que sou um diabo cruel
E comigo ninguém pode
Tenho sede de mandar
Quem quiser contrariar
Boto fogo no bigode

Aqui não aceito bico
Nem tão pouco opinião
Não me venha com fuxico
Malquerença ou confusão
Nunca perdoei quem erra
Mesmo morando na terra
Quem teimou, levou castigo
Não passou de um submisso
Que me prestava serviço
Feito um coitado mendigo

Vou tirar as regalias
Desses cãos aposentados
E queimar as alforrias
Dos que foram liberados
Já mandei comprar um terno
Pra comandar o inferno
Na minha forma tirana
Chamei um cão salafrário
Pra servir de secretário
Que morreu de beber cana

Vou cortar água encanada
Das casas do purgatório
Pra aumentar a mesada
Das verbas do escritório
Vou comandar as cadeias
Onde tiver celas cheias
Vou empipar mais ainda
Nesse antro de fumaça
A injúria e a desgraça
Será mais do que bem vinda

As poucas luzes acesas
Hoje serão apagadas
E as trevas nas profundezas
Hoje serão conclamadas
Vou formar centuriões
Quero fundar legiões
De gente fazendo o mal
Quem sabe arranque o juízo
De quem causar prejuízo
Neste ambiente infernal

Vou construir um harém
Para os grandes ditadores
Mulher terá mais de cem
No palácio dos horrores
Aqui não tem paredão
Mas contratei um babão
Só pra vigiar quem mente
Pra pastorar quem discorda
Me tratando de calhorda
Batendo a língua no dente

A partir desse momento
O inferno terá dono
Vou dobrar o sofrimento
 Dando pisa como abono
E de amor dando a prova
Convidei uma diaba nova
Pra ser minha serviçal
Fazendo assim ninguém ousa
A mexer na minha lousa
Com medo de levar pau