APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

REFORMA NA BANDEIRA DE JAPI - Entrevista com professor Maciel



GCS: Maciel, sabe  quando se deu e quem foi o responsável pela criação da 
bandeira de Japi?

Maciel: A bandeira teve a co-autoria do memorável Paulo Pinheiro, uma pessoa
mesclada à história política de Japi e a professora Irene pinheiro. Há mais de 20 anos foi
oficializada através de uma Lei municipal, seguindo os trâmites legais. Mas não tenho
datas, Gilberto, a gente peca por não ter o hábito de fazer registros.

GCS: Quando começou essa ideia de fazer mudanças na bandeira da cidade? Sempre
houve inconformados?

Maciel: A ideia não surgiu entre os japienses e sim a partir da escritora e historiadora
Anadite Fernandes em seu empenho para publicação de um livro referente aos símbolos
representativos dos municípios do Rio Grande do Norte. Sempre houve alguns
inconformados como há com tudo na vida e que em se tratando de uma coletividade
é previsível, natural e até saudável a presença do contraditório, mas até então, sem
nenhuma expressão.

Trabalho semelhante feito pela historiadora em Parazinho/RN

GCS: Quais as razões apresentadas para que se façam tais modificações?

Maciel: Nada que legalmente se justificasse, digo assim porque não existe nem mais um
projeto para se modificar a bandeira, pois o que existia não foi aprovado na Câmara
Municipal e defendo que este assunto seja encerrado até em respeito a todo um trabalho
realizado por aquela casa legislativa que foi bastante prudente e responsável em lidar
com a questão. Consultaram segmentos sociais, não votaram de maneira precipitada, nem
se deixaram levar por motivos partidários ou movimentos tempestivos. Achei que o
grande exemplo de cidadania veio exatamente do poder legislativo municipal.

Os argumentos eram todos subjetivos: que a bandeira não tinha tanta representatividade,
que era pobre, que era feia, que outros símbolos precisavam ser acrescentados, que a
gente precisa inovar...

GCS: Você foi contra mexer nela, por que motivos?

Maciel: Primeiro porque as mudanças sugeridas não foram iniciativas nossas e sim
motivadas por uma historiadora que iria publicar um livro. Segundo porque a escritora
já enviou um modelo de bandeira pronto, desenhado e isso considerei uma afronta.
Terceiro porque me irritei com a animosidade de alguns conterrâneos e até colegas
professores em torno do novo e em detrimento de toda uma história a que nossa
bandeira nos remetia. Quarto porque nenhum argumento era convincente. Por último,
alguns japienses rabiscaram modelos de bandeira, mas sempre entendi que não era
necessário e que qualquer mudança neste contexto não era bem vinda, pois teria
conotação com a maneira afrontosa à nossa cidadania como tudo começou.

GCS: Mesmo sem querer mudá-la, você admite que a bandeira de sua cidade deveria
conter algo mais?

Maciel: A bandeira, Gilberto, da sua querida Paraíba, lembrada tão bem aqui em
Japi pelo vereador João Maria, Bico de Pato, só tem basicamente o nome NEGO.
Desconheço qualquer movimentação por parte dos paraibanos para que contenha
algo mais. Desde quando bandeira tem que ter esse ou aquele símbolo ou precisa ser
atualizada? Eu entendo bandeira como um símbolo histórico que quanto mais o tempo
passa, mais ela adquire significação para aqueles a quem representa e até vínculos
sentimentais, como temos exemplos aqui na cidade, a não ser quando há uma ruptura
histórica significante.

O algo mais de que Japi precisa são de outras mudanças inclusive no alto índice de
analfabetismo que nos envergonha. Eu tenho dito, Gilberto, que se mudarmos os índices
de analfabetismo, mudaremos também nossa postura com relação à nossa bandeira,
criando com ela um vínculo de patriotismo. Muitos japienses não a conhecem, as
instituições não a tem e as escolas não a divulgam. Esse tem sido nosso comportamento,
o que por si só já nos desautoriza em pensar em modificá-la. São noutros aspectos a
mudança de que precisamos e são com estas outras mudanças que devemos objetivar
entrar para a história e não porque mudamos uma bandeira.

GCS: Verdade que aí estiveram pessoas de fora incumbidas da missão de promoverem
modificações na bandeira? Descreva-o um pouco. O que ficou decidido?

Maciel: A escritora Anadite Fernandes esteve aqui em Japi terça-feira, conversou
com pessoas da comunidade e por último esteve na Câmara de Vereadores e ficou
acertado o óbvio, até porque se deve respeitar a decisão soberana por parte daquela casa
legislativa que representa nosso povo, afinal, é ali onde se solidifica nossas decisões,
nossa cidadania e não estamos de brincadeira: decidiu-se que não se mexe na bandeira
e pronto, apenas devemos criar uma lei oficialilizando o brasão que é um terceiro
símbolo (Bandeira, hino, brasão), foi isso que ficou acertado. Aí sim, na confecção
do brasão, no momento certo, quero ver a participação e a criatividade de todos nós
japienses.

GCS: Diga suas palavras finais às autoridades e à população de Japi.

Maciel: Eu lutei por esta causa, os vereadores sabem disso, meus colegas professores
sabem disso, Japi sabe disso, mas eu disse na Câmara de Vereadores, que foi um dos
espaços onde sempre tive direito a voz: sou contra a mudança, mas se outra bandeira
vier substituí-la, na qualidade de cidadão japiense terei o mesmo respeito e reverência
por ela. E o apelo que faço agora, Gilberto, para as autoridades e para a população é
que esse assunto com relação à bandeira seja encerrado em Japi, inclusive nas redes
sociais, porque já foi amplamente discutido, decisões foram tomadas e corre-se o risco
de criarmos agora dois grupos de pessoas no município: os que gostam da bandeira e os
que são contrários a ela. Devemos agir com responsabilidade, civismo e entendermos
que a bandeira de Japi não é sequer verde ou vermelha, mas é de todos nós.