APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A BUNDA, QUE INJUSTIÇADA! - Nailson Costa


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“Este é um país bunda de um povo bunda que só pensa com a bunda!”, vociferou um colega meu. O cara estava puto da vida com a pobreza do nosso povo, e quando falo pobreza, não me estou referindo à condição econômico-financeira não. Bem, em todo o caso, fiquei matutando por alguns instantes naquela sentença proferida, se era ela colocada num contexto positivo, ou se negativo. Se neste - e quero acreditar que tenha sido, dado o tom e a intensidade de seu latido - poxa, quanta injustiça com a bunda! E aí o colega não levou em conta que ela, a bunda, é uma figura muito ilustre no Brasil, é uma preferência nacional e que, portanto, nem toda coisa tem a devida competência para seduzir milhares de bundas para a sua louvação. Respeite a bunda! Afinal, no Brasil ela é uma celebridade! Mesmo sendo seu nome oriundo do dialeto kimbundu (tribo africana em que suas mulheres eram deliciosamente popozudas e seus admiradores a ela exclamavam “kimbundu!”, ou seja, “que bunda!”, para nós), a bunda é brasileirissimamente nossa. Aliás, esqueci-me dizer no começo deste batido dirigido neste momento ao meu colega, que estou falando de bunda feminina, nunca de bunda masculina, até porque homens não têm bunda, se a tivessem não seria bunda, seria bundo. A bunda é um ser feminino e especialmente singular. Todos sabemos que ela, na verdade, são elas. Há na bunda duas bandas que fazem a bunda. Mas ela não se permite no plural, como os seios, as pernas, os olhos, as orelhas e muitas outras seções do corpo de uma bela. A bunda, quando muito insistimos em que ela seja elas, chamamo-las de bumbum, isso mesmo, bum e bum, e não é porque de quando em vez ela venha a dar alguns tirinhos não. Uma bela bunda não se dá a esse desfrute! Quero, portanto, dizer ao meu colega que tenha mais cuidado em seus momentos verborrágicos de pura ira. Nem todas as coisas merecem comparações tão injustas! Pense na felicidade de uma bunda, quando sua dona passa 3 horas diante do espelho só a contemplando! Imagine a alegria de uma bunda quando um homem com os olhos a come ou a cumprimenta com aquele fiu fiu! Pense no sorriso dela em ter a certeza de que é a preferência nacional! Os seios já tentaram de tudo para suplantar a hegemonia bundiana, até andaram e andam siliconando-se, copiando os das americanas, mas nunca serão como uma bunda, simplesmente porque bunda nunca serão! Há quatro anos abandonei meu doutorado por achar que a minha tese não tinha consistência. Vou retomá-lo com essa quase tese bunda de que agora falo, pra provar que a bunda merece o respeito de todos os brasileiros e, sobretudo, para convencer aqueles que ainda fazem depreciativamente uso da bunda em seus momentos de angústia, raiva e/ou embriaguez, de que são as belezas naturais, tais como o sol, céu azul, o verde das florestas, a riqueza fluminense, as praias nordestinas, enfim, a pujança de nossa fauna e flora, e ela, a bunda, as responsáveis pelo bom nome de nosso país além fronteira. Portanto, mais respeito, ela merece nossos melhores beijos, nossos melhores afagos e nossas melhores palavras.