APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 4 de junho de 2011

LAMENTO E VINGANÇA DA NATUREZA - Marcelo


LAMENTO E VINGANÇA DA NATUREZA.

Estou hoje com aproximadamente 4,5 bilhões de anos e sei que de acordo com os parâmetros da astronomia sou uma jovem de meia idade, mas confesso: nos últimos anos estou me sentindo extremamente fatigada. É como se os meus dias estivessem chegando ao fim.

Vou contar as razões do meu presságio e do meu desgosto.

Não é tão fácil fazer o que eu fiz. Trabalhei duro por milhões de anos esculpindo este planeta e fiz dele o melhor que pude. É certo que as condições ao meu redor me foram favoráveis: pressão de um ATM, temperatura média em torno de 15°C, gravidade de aproximadamente 9,8 m/s² etc. Aproveitei bem essas condições e criei os mares e oceanos; separei os continentes; plantei magníficas florestas, com plantas de todos os tamanhos e formas; ornamentei muitas delas com flores e noutras pus saborosos frutos. Criei animais, grandes e pequenos; milhares e milhares de espécies.

Mas o meu impulso criativo chamado evolução me traiu. É que gosto de ver as coisas evoluindo, contrariando a tendência universal da matéria bruta inanimada. Adoro ver as moléculas se organizando, formando vida e de ver a vida se transmutando. Quando fiz tudo isso aqui, permiti que a evolução invadisse e preenchesse toda a vida na terra. Isso foi bom, mas gerou um efeito colateral que me ameaça: o homem.

Precisei de milhões de anos para deixar as coisas organizadas e agora o homem resolveu acabar com tudo: devastou as florestas; poluiu os ares, a terra e os mares; levou milhares de espécies à extinção; rasgou a preciosa camada de ozônio que me protege..., enfim, ele se apossou de mim como se fosse sua.

...é profundamente revoltante.

Mas vou me vingar! Com os ares poluídos com que me presentearam, criarei o efeito estufa e derreterei as geleiras dos polos. Lançarei sobre as cabeças de seus filhos terríveis chuvas ácidas; soprarei furacões e varrerei as cidades com maremotos. Pelo buraco que abriram na camada de ozônio, enviarei cancerígenos raios ultravioletas sobre suas peles. Pelas florestas devastadas, criarei desertos inóspitos. Com os inseticidas e herbicidas envenenarei as plantações, os rios e os mares. A semente já não produzirá mais seu fruto. Na velocidade com que me agredirem, criarei vírus imortais para os dizimarem. Da volúpia inconsequente dos seus atos, criarei sua própria ruína.

Autor: Marcelo Pinheiro