quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Sincretismo humano - Maria Goretti Borges

Mateus Régis


Sincretismo humano

Homens, mulheres, humanos, unos. Na conformatação da história de vida humana, os fios se cruzam e tecem histórias, ora tão distintas e ora tão semelhantes! Luiz Leocádio, estudou, conviveu num grupo familiar com valores, normas e projetos para o futuro; Matheus Régis, de certo, não teve sua história breve, construída com fios coloridos. Nós avaliamos o desenrolar dessas tantas construções nos colocando como analistas das situações que se apresentam. Via de regra profere-se frases como, por exemplo: cada um cuide do seu, eu estou fazendo a minha parte, garanto a formação e o futuro dos meus, as situações lá de fora não me dizem respeito. Posso faltar na Escola, no posto de saúde, votar pensando no meu projeto de vida, subir meu muro, etc. Nos tempos passados essas realidades humanas se cruzavam, porém, com funções predeterminadas: Cada um no seu lugar e com suas atribuições. Hoje, a realidade que se apresenta é outra, os encontros longe de serem harmoniosos, são um confronto.
            Na teia da vida, no espaço terra, não existe um lado e o outro. Somos um só lado, cuidemos todos de nós! Para que encontros, infelizes, com o de Luiz e Matheus não aconteçam. Um fim igual para pessoas tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes, socialmente falando.




segunda-feira, 20 de agosto de 2018

POEMAS SOBRE BOLSONARO - VERSOS CONTRA E A FAVOR


CORDEL SOBRE BOLSONARO
Com uma pergunta que ouvi
Aos bolsominions eu surro;
indagação cabulosa,
Mais poderosa que um murro:
“Se à escola militar
Ninguém pode superar,
Por que Bolsonaro é burro?”
Muitos querem que ele tenha
Prerrogativas de rei
“É o mito”, gritam eles,
Mas me decepcionei
Suas falhas são gritantes;
A perguntas importantes
Sempre responde: “Não sei”
Nada entende de saúde
Só fala em privatizar
Mesmo após tantos mandatos
Na esfera parlamentar
É mestre em homofobia
Mas zero em Economia
A mim não vai enganar.
Para ele a solução
É andar todo mundo armado;
Quer ver os bandidos mortos,
Mas bandido pé-rapado;
Pois, sem muita sutileza,
Vez por outra faz defesa
De bandido engravatado.
Diz que defende a família,
Mas três vezes já casou;
Que não recebe propina,
Porém cem mil embolsou
A principio, muito austero
Disse a quem o deu “Não quero”
Mas seu partido lavou.
Gosta de falar em Deus,
mas usa seu nome em vão,
à semelhança de Cunha
a quem já estendeu a mão;
Da Bíblia não segue nada
é só conversa fiada
Pra enganar a nação.
E por falar em partido,
Até mesmo um cego vê
Que é grande a disparidade
Entre o que faz e o que crê
Este corrupto enrustido
Que era do mesmo partido
de Maluf, do PP!
Bolsonaro hoje é riquíssimo
E merece toda crítica,
Pois se apresenta ao povão
Feito uma entidade mítica,
Do Brasil, o salvador;
Porém é um enganador,
Rico graças à política.
Se alguém de mim discordar
Pode se opor à vontade.
Espero que seja em versos
Ou prosa de qualidade.
Mas a insultos dispenso;
Apenas digo o que penso,
Não sou dono da verdade.

Autor: Pato Ativo do Inharé

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     Ubirajara ao lado de seu ídolo

EM DEFESA DE BOLSONARO 

Cumprimento a todos com palavras do Iluminismo:
Igualdade, Liberdade e Fraternidade!
E digo com toda Sinceridade: “Abomino o Comunismo!”

Com a devida vênia, discordo do Amigo Pato!
Porque o que ele diz é fake, mas, o que digo é fato!
Bolsonaro Presidente, esse eu defendo de graça; 
não precisa mortadela, nem dinheiro e nem cachaça.
Lave a boca para falar do amigo Bolsonaro!
Homem honrado que vale ouro, seu caráter é muito raro!
Militar Paraquedista, de família e Cristão;
Seus filhos foram educados e não tem comparação, 
com os filhos do ex-presidente, que são discípulos de ladrão,
alguns até processados, acusados de corrupção! 
Bolsonaro trata estuprador com a química castração;
Expulsa os invasores à bala, e não tem conversação, 
O MST que se cuide, tem muita vaga na prisão!
Bolsonaro odeia o aborto, mas, bandido bom ...é bandido morto!
Nunca compare o bom Capitão, com o maior bandido da nação!
Pois nem o STF aparelhado, conseguiu livrar o safado.
Não foi pelo Sítio de Atibaia, Triplex , nem maracutaia;
O pior foi a traição: se vendeu para Fidel e sucateou a nação;
Fez do Congresso um bordel; financiou invasão; desviou e assassinou;
Não lhe falta acusação, e mesmo enjaulado, vem falar de eleição!
O prisioneiro candidato, tem a moral de um rato, 
e quem defende esse bandido, é conivente de fato!
Faliu os Correios e arrombou a Petrobrás, 
Fez o Diabo na Caixa, BNDES e Eletrobrás. 
Saqueou até o Palácio, esse discípulo de Satanás!
Não perguntaram a Doida Terrorista, nem ao Sindicalista Ladrão:
Se alguém era economista ou se tinha profissão.
Agora, exigências mil, para o Nobre Capitão.
Já dizia Maquiavel, sobre a tal corrupção:
Se resistir ao circo, não resistirá ao pão!
Festas e Bolsa Família, eis a boa explicação;
Pois gado no curral exige sempre ração!
Presidentes do Partidão, Tesoureiros e líderes do Congresso;
Como ratos de bueiros viraram prisioneiros, na história de sucesso,
Para os jornais da humanidade essa esquerda apareceu,
Políticos atrás das grades, mas quem não presta sou eu.
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VERSOS AMIGÁVEIS A UM DEFENSOR DE BOLSONARO

Caro amigo militante
Essencialmente um alfeu
Certamente eu não comungo
Com este pensamento seu
Sobre um messias fajuto
Que na política ascendeu

Mas você já mudou tanto...!
Mudou você, mudei eu
Você já votou em Lula,
No bispo Macedo creu
Serviu de cunha pra Cunha,
A bandeira dele ergueu

Hoje pensa diferente,
Decerto amadureceu
E hoje aplaude um “patriota”...
Na verdade um fariseu
Um cristão de mentirinha
Que jamais se converteu.

Que durante tantos anos
Com Maluf conviveu
Que só ataca bandido
Analfabeto e plebeu
Um defensor da família
Que aos votos sacros rompeu

Que por três vezes casou
E diz que a muitas comeu.
Que aos ministros do supremo
Jamais críticas teceu
E à PEC55
Seu total apoio deu

À PEC dois quatro um
Teu heroi não rebateu
Um grupo de bolsomitos
Não gostou, se enfureceu
Só dois projetos aprovou
dos muitos que concebeu!

O seu passado o condena
Pois propinas recebeu
- A princípio rejeitou
Ao partido devolveu
Porém aos duzentos mil
Lavadinhos recolheu

E o caso de Walderice,
Que tanto açaí vendeu?
Que dizer do patrimônio
Que tanto e tanto cresceu?
Por que não sabe de nada
Se tanta coisa aprendeu

... Na escola militar,
Tão facilmente esqueceu?
Com a banda podre política
Várias vezes se envolveu
Do apoio dado a Aécio
Será que se arrependeu?

E no escândalo do Helicoca
Por que não se intrometeu?
Você é inteligente
Veja no que se meteu
Peço para ponderar
Se Bolsonaro ganhar
Não será com voto meu.


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Não existe chave de fenda, 
pra apertar arruela 
pois quando tá espanada, 
num tem mais jeito pra ela 
quando a cabeça lhe gasta,
melhor é livrar-se dela
pois num tem mais serventia,
igual a de um Mortadela.

domingo, 12 de agosto de 2018

AQUELAS IDEIAS... - Cecília Nascimento


A semana inteira Ela se fez morada de ideias; elas vêm de todos os lugares, quer planos, quer incertos. As mais instáveis rompem seus espaços inconscientes e fervilham toda noite, quando o barulho do relógio não a deixa esquecer que a existência é essa obrigação palpável da qual não se consegue evadir sem algum ópio... Logo Ela, que a nada provou... Logo Ela se vê lucidamente habitável por certas ideias inconvenientes que persistem em visitá-la tão logo os ponteiros do relógio conquistam atenção no seu soturno silêncio do seu lar... Lá onde tudo anda sempre em ordem, menos o essencial...
E por fazer-se morada de ideias impertinentes, algo nela a impele para a solidão dos raros espaços de sua pequena cidade em busca de desaguar, visto ser Ela própria algo como uma espécie de represa pseudo contida; um mar d'água até bonito de se ver por fora, mal transparecendo o assombro das forças que ali dentro contrastam, os impulsos que aquelas ideias alimentam, os freios que o super ego impõem em meio a sorrisos sociais destinados a dissuadir seu próprio inconsciente da consciência dessa odisseia emocional.
E nessa busca por lugares ermos, ora no Alto, ora no Parque, Ela dribla os transeuntes com suas necessidades de interação e por mais que não encontre vazios adequados à solidão, sua distração dá conta da necessidade e o cenário que for lhe convida a divagar. Dali, cada ideia se liberta, abandona aquela morada apertada e vai se encontrar no ouvido de alguém, numa mensagem de celular, na legenda de uma foto, na declaração prontamente arrependida, no desabafo apressado, numa sala de aula, quando o poema analisado dá conta da sua inquietação, na conversa com um amigo, no clamor de uma oração e, algumas vezes, numa crônica, como esta que está se escrevendo sozinha, enquanto Ela se esconde dos sorrisos felizes que infestam de selfies as redes sociais neste domingo dos pais.
Não foi desta vez que essa represa rompeu. No entanto, que se rompam certos silêncios para que Ela encontre, ainda que em meio ao tumulto dos lugares ou ao assédio noturno do relógio, a serenidade de quem sabe ser intensa sem se afogar... Cecília Nascimento 12/08/2018

No alto... Pra baixo...

PAIEMA PAI DE SETE FACES (Autor: Gilberto Cardoso dos Santos)


PAIEMA DE SETE FACES (Autor: Gilberto Cardoso dos Santos)

Pai nosso que estás no inferno
de um corredor de hospital:
que Deus pai, com olhar terno,
veja este drama fatal.

Papai, bebendo e fumando,
dizia sem embaraço:
- Quero que faça o que mando,
porém jamais o que faço.

O pai falho, atrapalhado,
graças a instinto profundo,
pelo filho é perdoado,
torna-se o melhor do mundo.

Um pai perfeito seria,
decerto maravilhoso,
se não fosse a homofobia
e seu machismo impiedoso.

Em sua última agonia,
o pai para a filha olhou;
e o silêncio que a feria
permanente se tornou.

Felizes, os marginais
ouvem, com prazer profundo
o "feliz dia dos pais
Para o melhor pai do mundo."

Com teu pai te revoltavas,
Pois vã foi a tua espera;
Era um homem de palavras,
Mas de palavra não era.

SANTA CRUZ, 12.08.2018


terça-feira, 24 de julho de 2018

Para que serve um poema? - Theo Alves

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Se um poema serve para alguma coisa prática, ele está definitivamente arruinado. Algo nele há que se desarranjou e desgarrou como o filho de um hippie que defende o capital e intervenções militares. Se o bom poema não tem utilidade alguma, o poema que serve para algo é mais inútil ainda.
A discussão é antiga, inúmeros são os poetas, críticos, filósofos e rabiscadores de banheiros de rodoviária que têm repetido a cantiga perene: a poesia não serve para nada. Pergunte a um poeta, por exemplo. Eu mesmo nunca usei um poema para tirar a barba, para juntar folhas no quintal da casa em que não vivo, apertar parafusos ou tosar um cão. Um poema não estraçalha uma pedra nem pode ser esfregado na louça até que ele ou ela brilhe.
Dia desses, numa mesa redonda em que tive o prazer de conversar sobre Literatura com o amigo Alessandro Nóbrega, o mediador e também poeta Gilberto Cardoso provocou-nos perguntando sobre essa tal inutilidade. E concordamos à mesa que um poema não serve para nada cuja utilidade seja puramente prática, objetiva, clara e funcional, como um parafuso, uma furadeira ou uma broca de metal. É verdade: um poema útil é um poema com defeito de fabricação, um poema quebrado, que carrega um ferimento letal à boca do estômago e sangrará até a morte.
“Serve então para que o poema?”, insistirão o engenheiro ou o mecânico. E a resposta continuará sendo: “serve para nada, está claro”. E isso basta. Que mania de gente besta esta nossa de querer dar uma utilidade a tudo, de querer mensurar, quantificar, objetivar e dar funcionamento às coisas! “Otimizar”, dizem agora. Um poema não otimiza nada sem ter vomitado o fel de uma baleia antes. O poema que serve para alguma coisa está quebrado, eu insisto.
É preciso remendá-lo, cozê-lo em trapos muito rotos até que ele esteja vestido gloriosamente de vergonha, até que ele carregue no desarranjo das cores a natureza de seu tempo; tem que se meter de estofo no bucho do poema a palha, o agave, o sangue coagulado dos porcos, as nuvens, os nenúfares e as espumas de onde Vênus brotou nua em carne e concha. Deve se esfregar um poema na pedra até descer sangue, ranho ou a medula do espírito, a alma do osso ou o osso da alma. Lima-se o poema no corpo desejado até que o gozo faça nascerem flores de lótus no chão em que pisa o ser amado ou cogumelos venenosos de quem se odeia. Mas o poema não pode servir para não estar quebrado.
Quanto mais inútil um poema, mais celebrada deve ser a palavra. Glorioso quem é capaz de inventar essa máquina de palavras cuja ossatura tem a fragilidade dos gravetos e a pele é pura pluma caída do ventre de um cão. O poema que não serve para nada, este sim, está maduro, desejoso e pronto para o uso!


"A poesia são os nervos do entulho", José Gomes Ferreira



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quarta-feira, 18 de julho de 2018

UM BANQUETE NA CASA DE MARIA GORDA (Marcos Cavalcanti)


Estava eu ali no largo da matriz de Santa Rita de Cássia, admirando um coreto holográfico de priscas eras, de onde ecoavam imaginários acordes das bandas dos mestres Oscar, Deusdeth e Camilo, numa costura imaginativa do passado com o presente, quando vejo vindo das bandas da 1º de Maio, o professor Nailson Costa, entusiasmadíssimo, com um livro na mão, perguntando-me se eu já tinha deitado os olhos nas CRÔNICAS DA CASA DE MARIA GORDA, aproveitando o ensejo para me mostrar os autógrafos em forma de bocas coloridas, recém colhidos das "mininas" do lugar. Respondi-lhe com igual entusiasmo: não só deitei os olhos, meu caro amigo e professor, como devorei-lhe as páginas saborosas em três tragadas de grande satisfação gastronômica.
A fome de leitura deste comedor de palavras começou, é claro, pela cobertura, que nos apresenta em esfíngea silhueta, aquela que é o mote e a personagem absoluta das narrativas deste querido prosador santacruzense, José Rosemilton Silva, rebento ilustre e parte de uma prole não menos famosa, do amor em Rosa do ainda mais afamado Mané da Viúva. Mas devo dizer, mestre Nailson, que de entrada, detendo-me nas orelhas, não deixei de reparar na figura quase monástica de Rosemilton, que melhor estaria representado, se o retrato fosse proveniente de um original em três por quatro do mais memorável lambe-lambe do Trairi, mas aí seria querer a perfeição em forma de iguaria iconográfica. Fica para a próxima edição.
Das orelhas saltei para a dedicatória que me foi carinhosamente assinada: “Meu caro, Marquinho, neste livro eu tenho a pretensão de contar um pouco da história dos 5O anos de nossa Santa Cruz, de forma diferente, sem qualquer compromisso.” Daí, passei a outra afetiva e generosa dedicatória que se segue, e já salivando, meti os olhos no menu-sumário do cardápio, lendo com atenção os evocativos títulos da cada prato, imaginando de antemão, os seus temperos e deliciosos ingredientes. Mesmo discordando veementemente daquele “sem qualquer compromisso”, fui entender melhor o significado ao degustar as palavras do prefácio, substância nutritiva da maior qualidade apreciativa, da lavra do mestre-cuca Nailson. Nele, o ex-aluno de francês, apresenta em excelente português e de maneira irretocável, a obra de nosso generoso conterrâneo. A admiração recíproca, logo se vê, não é mera troca de figurinhas; é antes de tudo, um mútuo reconhecimento de dois valorosos amantes de nossa Santa Cruz do Inharé. Ambos vibram na mesma sintonia, no mesmo diapasão, quando se trata das boas lembranças que a literatura desperta-nos através das reentrâncias profundas da memória. Quem não se lembra de “Futebol: Documento de uma Paixão”?
Mas há também cerejas na cobertura deste apetitoso bolo literário, são as saudações versejadas, dos chefes-poetas Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto, dois suculentos convites à mesa farta que se inicia já em festa, através de sua primeira crônica "Começou a Folia”. Daí por diante é um festival gastronômico memorialístico para se refestelar. São 47 gordas iguarias no cardápio: a política, muito menos indigesta que a atual; as agruras das secas, as festas tradicionais dos padroeiros, o carnaval, a semana santa, o São João, os folguedos populares, tudo isso apimentado numa prosa telúrica, ligeira, risonha, sem ser zombeteira, num respeito comovente pelos personagens inesquecíveis e demasiadamente humanos de nossa cidade, muitos ainda vivos, felizmente, e todos a desfilar seus traços marcantes, seus cacoetes, suas manias, seus costumes, que vão dando um colorido todo especial à missa e à messe que nos oferece Rosemilton. Em tempos de Copa, como dizia o escritor russo Leon Tolstói: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Você pintou a nossa aldeia, Rosemilton, com as tintas de um estilo despretensioso e único, e é justamente nisso que reside o seu sabor e o seu valor inigualáveis, que nos remetem, no campo da poesia, ao mestre Cocó da Canastra Véia.
A crônica que encerra o livro: “Até breve, cumade” dá-nos a certeza íntima de que este banquete terá novos e suculentos pratos para saciar a nossa fome de letras, de memórias e de saudades dos lugares e das gentes das Ribeiras do Trairi. Por isso vos peço dona Maria Gorda, continue a engordar a memória e a imaginação de seu cumpade Rosemilton!!!! Tenho dito!!!
Marcos Cavalcanti

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O OUTRO LADO DA POESIA - Gilberto Cardoso dos Santos



OUTRO LADO DA POESIA 
(Gilberto Cardoso dos Santos)

Às vezes a poesia
Cumpre um propósito vil.
Um poeta encabeçou
O Nazismo, tão hostil.
Convenhamos: quanto fel
Verte o poeta Michel
No governo do Brasil!


A Internet está cheia
De inspiração panfletária.
Utiliza-se a beleza
Da forma mais ordinária.
Fala-se em paz e amor,
Em futuro de esplendor,
Quando a intenção é contrária.


O poeta mercenário
Por interesses se guia.
Mas o poeta do bem
Exercita a empatia.
Com amor e simplicidade,
Asperge na humanidade
Unguento de poesia.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PARADA NACIONAL (Gilberto Cardoso dos Santos)

PARADA NACIONAL (Gilberto Cardoso dos Santos)

O brasileiro precisa
Revisar bem seus conceitos
Pois quando é dia de jogo
Todos param satisfeitos
Como se isso importasse...
Ah se o povo parasse
Pra lutar por seus direitos!

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Fui comprar material, praticamente tudo fechado. Entregas só a partir de amanhã.
Um dos trabalhadores não veio porque ia assistir o jogo. Daí surgiu esta estrofe.




segunda-feira, 18 de junho de 2018

O Diabo quando não vem, manda o secretario.


O Diabo quando não vem, manda o secretário.


Escrevo agora sobre um assunto que tive bastante dúvida em escrevê-lo. Mas o hábito que tenho, o prazer em escrever, me levaram a escrevê-lo

Diz um ditado popular que quando o diabo não vem, manda o secretário. E foi numa missa em trigésimo aniversário de falecimento de um velho amigo e parente meu, que o tinhoso, o coisa ruim , (como muitos chamam o diabo) resolveu intervir, acho eu!!!
Estava eu, acompanhado de um amigo, um idoso e também muitíssimo amigo do falecido, quando no começo da missa, sentou-se a nossa frente uma bela moça com um belo vestido comprido, lascado a altura da coxa e as costas toda nua! Ela estava presente à missa junto da mãe e aparentava ter entre 19 a 20 anos.
Confesso, amigos, sem nenhum exagero que não foi fácil pra mim concentrar-me na liturgia daquela cerimônia religiosa.

O amigo, homem já com seus 85 anos bem vividos, por sinal, chegou a dizer-me: - Fica difícil pra mim concentrar-me nesta missa, amigo, magine pra você, que ainda é moço!
Achei estranho uma mãe levar a filha a uma solenidade religiosa, ou permitir que a jovem usasse aqueles trajes num ambiente que exige certo respeito.
Ri um pouco, baixinho, claro e falei pra ele:
-Meu amigo, o diabo quando não vem, manda o secretário! Ele também riu e disfarçamos um pouco. Mas não foi fácil acompanharmos toda a solenidade. As vezes, baixávamos às vistas e, assim foi a missa quase toda.

Portanto, não se deve ir à missa com a mesma roupa que se vai ao Carnaval. Mas quem sou eu pra condenar ninguém? Quem sou eu para condenar o mundo?
Acho que, em cada ambiente, devemos usar umas vestimentas apropriadas ao momento, o que não foi o caso daquela bonita jovem. Não se vai à escola com a mesma roupa que se deve ir à praia e vice-versa. Assim como não se deve vestir-se com a mesma roupa de formatura e com ela ir jogar bola! Mas é assim, amigos , que caminha a humanidade.
















***João Maria de Medeiros é professor, poeta e cronista.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sobre o amor e vulnerabilidade do ser - Nelson Almeida



Todos os dias ficamos diante da imprevisibilidade dos acontecimentos que a vida nos proporciona. Nesses momentos é maravilhoso ter com quem contar. À guisa de exemplo, depressão. Um mal que assola dezenas de milhares de pessoas. Esta sutil moléstia sucumbe o ser humano e o faz sentir-se frágil, vulnerável e inútil. Quando assim estamos, um imenso abismo se abre diante dos nossos pés e não sabemos voar; o que nos leva fatalmente a cairmos nas profundezas da consciência humana. Tudo isso é complexo e intangível.
De fato, há tratamento médico contra esta terrível enfermidade. Existem medicações e longas sessões com psicólogos e psiquiatras; tudo isso ajuda e o bom senso recomenda que se procure ajuda especializada. No entanto, nada é mais aprazível e reconfortante do que o amor, carinho e atenção. Sendo estes elementos consequências de ações e palavras dos nossos pares, daqueles que se preocupam conosco. Isso mesmo, ações e palavras!
A magia habita nestes terrenos afáveis. A magia está nas palavras e nas ações. Às vezes pequenos gestos de amor ao próximo, palavras de compaixão, atenção e compreensão causam grandes efeitos positivos nas vidas das pessoas que nos cercam. Essa é a verdadeira magia, encanto e sentido da vida.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Quem são os Verdadeiros heróis deste pais? - João Maria de Medeiros


Tomei uma decisão radical sobre a Copa do Mundo! Mas sobretudo, sobre a Seleção Brasileira: "Não irei assistir jogos da "amarelinha". E mais, torço que não passe da primeira fase.
Esses caras são endeusados pela mídia, sobretudo pela Globo!
Quem sao os verdadeiros heróis deste pais?
Sao os professores, com seus salários baixíssimos e péssimas condições de trabalho (nem vou enumerá-las, pois não caberá neste espaço), os policiais, médicos, enfermeiros, condições de trabalhos mais péssimas ainda. Heróis são os agricultores , que labutam de sol a sol, para sustentar esse pais de alimentos, frutos do suor do seu corpo. Heróis são todos os trabalhadores, que veem seus direitos serem retirados por um Congresso corrupto, conseguidos na luta, com sangue, suor e lágrimas!!
Esses que a midia chama de heróis, não jogam nada, vão ali a campo por dinheiro, são mercenários. Não lembram mais da vergonha que sofremos frente à Alemanha?
Podem achar que estou louco, mas nesta Copa não torcerei por nenhuma seleção. Ou melhor, vou torcer que estes mercenários não passem da primeira fase. Só isso mesmo. Mas vou trabalhar, pois o trabalho dignifica o homem!


João Maria de Medeiros é professor, poeta, contista e cronista.


domingo, 10 de junho de 2018

Invenção Contínua (Nelson Almeida)


Invenção Contínua

09/06/2018 (Nelson Almeida)

Todo dia nasço e morro nos versos da poesia. Se o poema me consola, desola-me a agonia. A minha vida é assim, uma contínua invenção Onde a racionalidade luta contra o querer do coração Você é o meu querer, luz sobre a minha sina Iluminas minha vida, essa invenção contínua Onde a dor não sobrepuja os versos da minha rima Não há um dia somente que eu não pense na morte Inevitável partida que a nossa vida solapa Seja rico, pobre, gordo ou magro nenhum sujeito escapa Mas vivo a eternidade da brevidade poética Onde tudo é possível e a vida se completa.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

O PODER DOS ELEFANTES


                A cada dia fica mais difícil o ser humano se tornar elefante. Os elefantes possuem o controle dos meios de comunicação. Para mostrar poder, recentemente transmitiram uma chocante cena onde manifestantes eram esmagados por patas. Nossa comida ficou prejudicada por esse esmagamento. Nada disso importa para quem se alimenta de folhagens. 
             Outras cenas chocantes foi ver a união dos elefantes internacionais. Eles apoiaram os elefantes daqui com vista a defender o capim internacional. Usaram mensagens mentirosas e imagens distorcidas para denegrir o movimento reivindicatório. Venceram pelo cansaço. Pobres humanos. Precisam de gás para colocar a comida no estômago enquanto os elefantes conseguem in natura. 
          Como os dinossauros, os elefantes precisam ser extintos do planeta para que os seres humanos possam viver em paz. Enquanto eles estiverem no poder, só nos resta gritar, chamá-los de desumanos, mas nunca dizer que são deselefantes. Eles são unidos. Lutam por seus ideais e defendem a manada a qualquer custo. Mas não se amam. 
          Os elefantes menores ocupam cargos privilegiados e ficam satisfeitos por nunca faltar leite para seus filhotinhos. Alguns elefantes comandam outros nas tropas de choque. Em cada Estado há um elefante que é eleito por seres humanos para massacrá-los. É interessante como os elefantes conseguem convencer os humanos a votarem em outro ser que não seja da sua espécie. Acredito que isso acontece porque todos os elefantes na época da eleição usam a tromba para acariciar os domesticados humanos. Jamais utilizam suas presas de marfim para matá-los nem suas patas para esmagá-los.  Falam mal de outros elefantes com objetivo de conseguir apoio nas urnas. Dão-nos falsas esperanças para mais quatro ano de patadas, trombadas e espetadas. Eles sabem que nunca iremos entender suas artimanhas. São inteligentes, isso ninguém pode negar. Sua inteligência é proporcional ao seu tamanho e a utiliza para se manterem confortáveis.
        Os olhos elefantídeos nos observam dia e noite através da audiência dos seus berrosjornais. Utilizam bramidos, trombeteios e sons idiossincráticos para nos manter submissos. São muito competentes no que fazem. Sabem nos manter escravizados por longos períodos. O pior é que eles não se envergonham de ser elefantes. Não têm religião para domesticá-los, apenas fingem que têm. Não amam seus semelhantes, apenas se suportam por conveniência. Quando um deles quer roubar o capim do outro, não hesitam... matam! 
          Os paquidermes mais poderosos estão utilizando algo que inventaram para o ser humano: a cadeia. Muitos estão enjaulados porque elefantes pertencentes à outra esfera de poder assim decidiram. Mas será por pouco tempo. Há um consenso entre eles que precisam abolir essa punição. Até já combinaram para não usar algemas em elefantes. Só em seres humanos. Com frequência, elefantes estão ficando em prisões domiciliares com o objetivo de sensibilizar os seus eleitores que existe igualdade na lei. 
         Fofoqueiros, cafajestes, corruptos e hipócritas, os elefantes adoram manipular os humanos. Enquanto os seres humanos pensam em arte, empatia e altruísmo, os elefantes, em poder. Vinte e quatro horas por dia planejando como massacrar os serem desprovidos de inteligência racional, os humanos. Por isso que dá certo. Podem chamá-los de ladrão que eles adoram. É um elogio. O reconhecimento do que realmente são. Nesse momento seu ego é inflado em silêncio.
          O sonho da maioria dos seres humanos é se transformar em elefante, mas nem todos conseguem. O primeiro passo é pensar como elefante. Aprender a si vender. Fingir-se de bobo. Só assim, tromba e presas crescem. As pesadas patas irão sendo acrescidas com a prática nos palanques. Os berros precisam ser prolongados por anos para que os humanos possam reconhecê-los quando àquele elefante pregar uma ideia. 
Os caminhos são vários. Desde religião até associações e sindicatos. Mas o ser humano que pretender chegar rápido a esse clube corporativista precisa ter diversas folhagens armazenadas. Os elefantes adoram cana de açúcar na sua dieta. Quem conseguir mantê-los alimentados por mais tempo consegue o apoio de todos.
             Só não é permitido que um elefante de segunda classe queira liderar a manada. Se isto acontecer, o traidor irá para a cadeia escrever livros, assistir televisão e tomar remédio tarja preta.  

Autor: 

Natal/01.06.2018