terça-feira, 8 de dezembro de 2015
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
RASGANDO A DOR - Carlos Medeiros
RASGANDO A DOR
Desejo rasgar a dor e viver com ela até a morte,
Arranco os pedaços de angustia e ainda me restam os mesmos pedaços,
O alivio, esse sim já desistiu de mim... Minh’ alma sangra,
Aquilo que espero findar não muda e talvez nunca mude.
Respiro a sensação de solidez que se alimenta em escrita,
Refúgio esse que mora em sintonia ao pobre papel apenas.
E faz morada nas fraquezas de minha própria desistência,
Que anela em meus sentidos a dor expressa em tormentos.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Rio Doce - Galvão Filho e Hélio Crisanto
Rio Doce
O rio em silêncio, desce agonizando,
Numa triste marcha do seu extermínio...
Trazendo rejeitos de ferro e alumínio,
Por onde ele passa, vai contaminando.
Rio doce, teu leito escorre lama
Tuas águas barrentas não tem vida.
Tua flora sucumbe destruída,
Tua fauna gemendo sente o drama.
Um cardume de peixe pela grama,
Agoniza torcendo a barbatana.
Sendo vítima de ação tão leviana
A natura cansada se maldiz;
O Brasil que lamenta por Paris
Também sente com a dor de Mariana
Galvão Filho / Hélio Crisanto
Parabéns à dupla. A Babal também pela execução.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Foi José Lucas de Barros Um poeta inesquecível (Marciano Medeiros)
Foi José Lucas de Barros
Menestrel reconhecido,
Pesquisador da cultura,
Trabalhador decidido,
Que amou nosso cordel
Produto bastante lido.
Ao lembrar deste poeta
Sinto bastante emoção,
Era um mestre da cultura
Vivendo com devoção,
Trazia na sua mente
Vigorosa inspiração.
O seu sorriso marcante
Agora se apagou,
Nosso povo entristeceu
Quando a notícia chegou,
Que José Lucas de Barros
Na vida eterna adentrou.
Fez muitos materiais
Em diversas cantorias,
Escolhendo lindos temas
Cantados nas noites frias,
Por repentistas famosos
Com diversas melodias.
Mesmo sem cantar ao pinho
Mostrou sensibilidade
Para redigir sextilhas,
Recebeu capacidade
Dos seres angelicais,
Ganhou versatilidade.
Guardava no coração
Refinada poesia,
Que de forma majestosa
Explodiu sem fantasia,
Gerando lindos poemas
Com bonita melodia.
Nunca foi indiferente,
O poeta dedicado.
É filho da Paraíba,
Tendo nascido em Condado,
Mas na linda Serra Negra
Do Norte foi batizado.
Sempre residiu feliz
No Rio Grande do Norte,
Plasmando no Seridó,
Um sentimento bem forte
Para enfrentar desafios,
Nunca esperava por sorte.
O tempo correu veloz
Para o nobre lutador;
E José Lucas de Barros
Ao mundo mostrou valor,
Ficando reconhecido
Por também ser trovador.
Uma lágrima de saudade,
Brotou no meu sentimento.
Ele agora se encontrou
Com gênios no firmamento,
Para escutar os poetas
Liberto do sofrimento.
Amigo, siga com Deus,
Seu trabalho foi incrível.
Esquecê-lo não podemos,
Isso seria impossível.
Foi José Lucas de Barros,
Um poeta inesquecível.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
PRISIONEIRO - Fernanda Cândido
Sai da senzala,
Procura tua alforria
Foge dessa ilusão de liberdade,
E voa além da tua gaiola,
Abandona a escravidão,
Deste mundo que te assola.
A paz que sentes hoje,
É apenas momentânea,
Pois todo sábio que pensa que é sábio
Vive em busca de
respostas pra viver aprisionado.
(Fernanda Cândido – Poetisa de Santa Cruz)
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
CHOREI ASSISTINDO A CENA, DO FILME DA SECA INGRATA - Rainilton e Gilberto
AO VER A SERRA CINZENTA,
E A SECURA DO BARREIRO,
O SERTANEJO GUERREIRO,
OLHA PRA O CÉU E LAMENTA,
LÁGRIMAS DESCEM NA VENTA,
POR VER A MORTE DA MATA.
ESSA IMAGEM SÓ RETRATA,
QUE A NATURA NÃO TEM PENA,
CHOREI ASSISTINDO A CENA,
DO FILME DA SECA INGRATA.
E A SECURA DO BARREIRO,
O SERTANEJO GUERREIRO,
OLHA PRA O CÉU E LAMENTA,
LÁGRIMAS DESCEM NA VENTA,
POR VER A MORTE DA MATA.
ESSA IMAGEM SÓ RETRATA,
QUE A NATURA NÃO TEM PENA,
CHOREI ASSISTINDO A CENA,
DO FILME DA SECA INGRATA.
MOTE: Poeta Nem Oliveira.
Sertanejo, que é um forte,
ao votar se mostra fraco
permanece no buraco
até à hora da morte
Fica apelando pra sorte
a má política o maltrata
grossa é a catarata
que a sua vista envenena
Chorei assistindo à cena
do filme da seca ingrata.
GLOSA: Gilberto Cardoso dos Santos
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
O Deus do poder - Professor Ismael André
O mundo está em conflito
E temos testemunhado
Um Ocidente aflito
Que está encurralado
Vítima de um ceticismo
Sem nada de humanismo
Que o Oriente tem causado.
Toda religião propaga
Paz, esperança e união
Porém, o que se indaga:
Qual é sua verdadeira missão?
Em nome de Deus tem matado
Ideologias divinas têm causado
Um poder de repressão.
Na verdade não é divino
O que o homem almeja
Escrever o seu destino
É sua grande peleja
Ser soberano e ter sorte
Usufruir além da morte
É tudo que ele deseja.
Poder é palavra mágica
Que responde a tudo isso
Do simples à forma trágica
Tem que velar compromisso
A guerra santa humana
Desde o princípio emana
Deixa o “Deus” é submisso.
Que se dane este Deus
Que só existe na mente
De pouquíssimos plebeus
Que vivem drasticamente
A sustentar uma nobreza
Egoísta, desumana e de avareza
Que de Deus jamais é crente.
O que é mais preocupante
É ver homens com antolhos
De suas vidas limitantes
Sem olhar olhos nos olhos
Semelhantes rejeitados
Sem poder são abastados
De uma vida sem refolhos.
Neste grande antagonismo
O tempo se atreveu
O divino virou cinismo
Até mesmo para o ateu
O homem não se humanizou
A hominização gerou
E a essência se perdeu.
O que é preciso entender
É que Deus virou moeda
Troca-troca de poder
Do apogeu para a queda
O homem se divinou
Deus, serviçal virou
Num furo que nada veda.
Na cegueira ideológica
Muitos estão a matar
Qualquer doutrina teológica
É motivo de anular
Independem do Deus que é fã
Alá, Javé ou Tupã
Zeus, Titãs ou Oxalá.
Temos que ter consciência
E estarmos a refletir
Sairmos da inocência
De tudo nos incutir
Que somos mesmos imortais
Os que não creem são anormais
Por isso, não devem existir.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O Tempo - Cecília Nascimento
O Tempo
Quando criança, corri com o tempo para crescer.
Quando adolescente, almejei já ser adulto e parar de sofrer.
Na juventude, corri contra o tempo para poder crescer na academia,
no trabalho, na “vida”.
Quando adulto, me propus a não perder tempo para avançar na
carreira.
Avancei demais em tempo de menos.
Velha já estou. Hoje sei. Quando adulto, dei meu tempo para o trabalho
e ele sugou-me a essência da visa.
Quando jovem, cedi meu empenho ao mercado e ele tirou-me a
liberdade que teria.
Quando adolescente, desprezei meu presente e vivi sempre ausente,
na esperança de um amanhã que não chegou.
E quando criança, tolhi o que de melhor havia em mim por não saber
que era o que de melhor possuía: a Fantasia.
Hoje, vivo à procura de aproveitar o lúdico do universo que perdi,
por isso brinco com meus netos.
Hoje, vivo na ilusão de aproveitar a diversão que a vida teria a
me oferece, mas não há mais lugar para mim no convívio com as Patys e com os
Boy’s Presença!
Hoje, quero discutir com os jovens o que tanto estudei, mas meu
saber não lhes interessa. Estou “fora de linha”.
Hoje, quero cultivar uma conversa tranquila com meus filhos, mas
agora são eles quem estão ocupados demais para perder tempo com velhos como eu.
Restou-me apenas viver o hoje que ontem semeei.
Como o tempo passa depressa!
Que horas são para você?
(Cecília Nascimento)
sábado, 21 de novembro de 2015
Cena Urbana - João Maria
É muito comum ultimamente,
frente aos acontecimentos políticos nacionais, se falar mal da classe política.
"Ladrão pra lá, ladrão pra ali, ladrão pra acola" é o que mais se
escuta nas conversas das pessoas, do chamado povão principalmente!
Não se pode negar que a
corrupção ocorre mesmo, que está muito grande dentro da classe política, mas
isso não é coisa de hoje; vem de longas datas, dos primórdios da nossa
história.
O pior não é isso.
Infelizmente, a corrupção tão falada e criticada pelo povão, não fica restrita à classe
política! Ela está entranhada no seio da sociedade, claro que não podemos
generalizar. Atos ilícitos , desonestos, vão desde os menos aos mais abastados
desta sociedade hipócrita e mesquinha.
Uma pequena prova disto, foi o
que vi hoje de manhã cedo na feira de Santa Cruz. Uma senhora , já de bastante idade, acho que
deve ter uns 60 anos de vida, que estava fazendo compras de verduras numa
banquinha ao meu lado , reclamava em tom até alto, da carestia e metia , sem
pena e sem dó , o pau nos políticos. Chamava-os de "ladrões" , de
"safados".
Mas o que mais me chamou a
atenção ainda estava ainda por vir.
Aquela senhora, que aparentava, pelas críticas aos outros, aos políticos, ser
uma pessoa honestíssima, mais a frente, após pagar as compras de verduras e
sair na minha frente, fez algo que me fez escrever esta crônica.
Vi que ao, se dirigir a uma
banca de laranjas, pergunta ao vendedor o preço das mesmas. Ao passo que o
vendedor fala que são 6 por R$ 1,00 .
Mas ao invés das 6 laranjas , ela põe 10
e diz que colocou 6. O vendedor nem confere se eram 6 mesmo. Acredito que
ele leva em conta se tratar de uma senhora
já bastante vivida, com cara de
gente boa! Paga com
uma moeda de R$ 1,00!! O vendedor diz:
- "Muito obrigado e volte
sempre"!
Depois de vê aquilo, fiquei
pensando comigo: Como pode? Uma senhora daquela idade, que transmitia uma ideia
de honestidade há pouco tempo atrás, quando teve oportunidade , também
"meteu a mão"!
É o que ocorre com muitos ,
meus prezados amigos! É como bem diz o ditado popular , "Quem rouba um
tostão, rouba um milhão"!
***João Maria de
Medeiros é professor, poeta e cronista.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Dessa seca feroz, quem resistir Tem assombros demais pra revelar - Hélio Crisanto
Um cachorro lambendo uma caveira
De uma vaca ceifada pela fome,
Toda a água que resta, o sol consome,
No riacho das moças do Teixeira.
Um novilho berrando na cocheira,
Já não acha ração para escapar,
Na cacimba nem lama vai achar,
Nem a caspa de um pau pra engolir;
Dessa seca feroz, quem resistir
Tem assombros demais pra revelar
De uma vaca ceifada pela fome,
Toda a água que resta, o sol consome,
No riacho das moças do Teixeira.
Um novilho berrando na cocheira,
Já não acha ração para escapar,
Na cacimba nem lama vai achar,
Nem a caspa de um pau pra engolir;
Dessa seca feroz, quem resistir
Tem assombros demais pra revelar
NO FIM TODOS SÃO IGUAIS - Professor Ismael André
A ciência consagrou
Em diversos manuais
No big bang deflagrou
O surgir dos animais
O homem evoluiu
Do macaco incidiu
No fim todos são iguais.
Se acreditarmos, então
Num Deus bondoso demais
Que criou Eva e Adão
E os outros animais
Ao homem deu poder divino
Este banalizou seu destino
No fim todos são iguais.
Católico, protestante, candomblé
Independem os rituais
Cada homem com a sua fé
Condutas espirituais
Energúmeno, laico, cético,
Proselitista, ateu, eclético
No fim todos são iguais.
Seja qual for a procedência
Dos valores e ideais
Do divino, a clemência
Dos profanos, atos banais
Se o homem é fruto de Deus
Se veio das ciências dos ateus
No fim todos são iguais.
Já tentaram ajustar
Alguns intelectuais
O negro, branco deixar
Mudando os conceituais
Cabelo sendo esticado
Pele de branco queimado
No fim todos são iguais.
O homem próprio dividiu
Entre si classes sociais
Desta maneira expandiu
Sociedades desiguais
O rico, conceituou classe A
O pobre, abaixo da miséria está
No fim todos são iguais.
Uma outra divisão chamou
As atenções atuais
Um briga de gênero começou
Gay, lésbica, transexuais
Colorindo o viver
O homem põe em dúvida seu ser
No fim todos são iguais.
Na opulência contida
Das suas mazelas reais
Vem a cobiça investida
De sentenças surreiais
A arrogância é quem manda
A vaidade desmanda
No fim todos são iguais.
Os que residem em mansão
Nem sempre são cordiais
Com o reflexo cidadão
Dos problemas sociais:
Habitação, drogas, fome
Deixa o cidadão sem nome
No fim todos são iguais.
Um barraco é moradia
De atores sociais
Que estampa o dia a dia
De ficções bem reais
Um morro vira cenário
Num palco extraordinário
No fim todos são iguais.
Tenho tido a clareza
Dos nossos dias atuais
Da ganância à pureza
Vislumbram os rituais
Uns trocando de cor
Outros perdendo o valor
No fim todos são iguais.
Não adianta fugir
Das condições naturais
O homem não pode fingir
Dos seus gravames animais
Sobrepor seu criador
Independentemente do “Senhor”
No fim todos são iguais.
Ismael André
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
POR QUE VIVO? - ASSUNÇÃO
terça-feira, 17 de novembro de 2015
POEMA DE DAURA CELESTE
Sucumbes,
óh pequena árvore!
Tua sombra negra haste
Folhas de refrigerar.
Morres cedo
deixas sequela
O torrão que esquentas querelas
Sem refrigério
Sem ar.
óh pequena árvore!
Tua sombra negra haste
Folhas de refrigerar.
Morres cedo
deixas sequela
O torrão que esquentas querelas
Sem refrigério
Sem ar.
Quem dera todas dores e alegrias do mundo
se convertessem em poesia.
se convertessem em poesia.
Chora Mariana, Chora Rio Doce! - Ubirajara Rocha
Chora Mariana, Mariana pode chorar!
Chora a tua destruição, pois é hora de lamentar!
Pelas vidas perdidas, pelas famílias abatidas,
não tem como se conformar!
Chora a tua destruição, pois é hora de lamentar!
Pelas vidas perdidas, pelas famílias abatidas,
não tem como se conformar!
Pátria de leis corrompidas, fauna e flora destruídas,
tantas dores e feridas, é hora de reclamar!
Chora Rio Doce querido, Rio Doce pode chorar!
Chora pela poluição, que só lama vai jorrar!
tantas dores e feridas, é hora de reclamar!
Chora Rio Doce querido, Rio Doce pode chorar!
Chora pela poluição, que só lama vai jorrar!
Não tem água para a lágrima, só tem lama no lugar!
Teus peixinhos sufocados, teus pescadores desempregados,
os teus nativos desabrigados, não tem como tolerar!
Teus peixinhos sufocados, teus pescadores desempregados,
os teus nativos desabrigados, não tem como tolerar!
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Violência: o colapso mundial das relações humanas - Roberto Flávio Dias Câmara
Violência: o colapso mundial
das relações humanas
Extremismo
e violência sem limites extrapolam as fronteiras do oriente.
A
bestialidade não poupa ninguém.
Crianças
são vitimadas na terra ou nos mares. Recrutadas para o “santo” combate, muitas
delas estão sendo preparadas para serem os heróis do amanhã.
Hospitais,
escolas e abrigos humanitários são bombardeados, quando não são covardemente usados
como escudos em conflitos que certamente não terão acordos definitivos de paz.
Etnias
e populações quase que inteiras migram desesperadas como um bando selvagem à
espreita da sobrevivência.
Os
senhores da guerra produzem e vendem armas cada vez mais potentes como nunca
visto em toda a história da humanidade.
Armas
nucleares podem reduzir a humanidade ao nada em fração de horas. Grandes
potências tem a bomba. A Coreia do Norte
também a possui. O Irã e a Síria já a teriam?
Um
planeta violentado agoniza em meio a tantas agressões ambientais.
Dados
geográficos indicam que “aproximadamente dois terços dos mamíferos e espécies
de pássaros ameaçadas de extinção” devem seu estado de ameaça à destruição e à
fragmentação de seus habitats”.
Secas,
enchentes, furacões, inundações de lama, florestas inteiras destruídas por
incêndios, poluição desenfreada das águas, do ar e do solo são fortemente o
prelúdio de um caos socioambiental desta feita provocado por quem domina a
terra: o homem.
No
Brasil, a violência social, também fomentada pela criminalidade, tráfico e uso
de drogas, produz uma verdadeira barbárie. O crime hediondo de hoje amanhã
facilmente será “esquecido” por outro maior.
Outra
forma de violência tem assolado o nosso país de canto a canto, e em todos os
poderes: a corrupção. Chaga que corrói as finanças públicas e deixa cada vez
mais a população longe dos direito sociais garantidos pela Constituição. A
corrupção praticada pelos agentes políticos tem se tornado um dos maiores
problemas a ser enfrentado nos dias atuais. Violência que urge punibilidade
severa.
Violência
contra as crianças traduzidas pela pedofilia, pior sabendo que religiosos
“cristãos” estão por trás de muitos desses casos. O Papa Francisco, em
entrevista ao Jornal La Republicca,
em 13 de julho de 2014, afirmou que “2%
dos clérigos católicos, ou um em cada 50, seriam pedófilos”. Pastores e outros
“ministros” ditos evangélicos também são denunciados a cada dia. Violência
cruel que deixa sequelas para toda a vida nas crianças e no entorno de seus
familiares.
Outras
tantas violências. O mundo jaz na maldade. O mundo jaz na violência.
Nossas
vozes e ações não podem se calar.
Amemos
cada vez mais quem está ao nosso lado, ao nosso próximo.
Lutemos
por nossos sonhos com as armas da honestidade, da ética, da incorruptibilidade,
da valorização humana e da tão imperiosa sustentabilidade do planeta.
É o começo
do fim?
Salve-se
quem puder, salve-se quem quiser!
Paraíba, 5º Estado mais
violento do Brasil, 16 de novembro de 2015.
Roberto Flávio Dias Câmara
domingo, 15 de novembro de 2015
ESTROFES SOBRE MARIANA E PARIS - Hélio Crisanto
Rio doce, teu leito escorre lama
Tuas águas barrentas não tem vida.
Sua flora sucumbe destruída,
Sua fauna gemendo sente o drama.
Um cardume de peixe pela grama,
Agonizam torcendo a barbatana.
Sendo vítima de ação tão leviana
A natura cansada se maldiz;
O Brasil que lamenta por Paris
Também sente com a dor de Mariana
Tuas águas barrentas não tem vida.
Sua flora sucumbe destruída,
Sua fauna gemendo sente o drama.
Um cardume de peixe pela grama,
Agonizam torcendo a barbatana.
Sendo vítima de ação tão leviana
A natura cansada se maldiz;
O Brasil que lamenta por Paris
Também sente com a dor de Mariana
(Hélio Crisanto)

Um riacho de sangue em plena rua...
Corre a lágrima no olho de quem ama,
E o instinto do ódio se derrama,
A crueza do mal se perpetua.
Um soldado do Islã já não recua
Carregando fuzis em seu poder,
Enche o corpo de bomba pra morrer,
Mata, fere, trucida e apavora
Dois minutos de paz, o mundo implora
Aos carrascos que matam por prazer.
Corre a lágrima no olho de quem ama,
E o instinto do ódio se derrama,
A crueza do mal se perpetua.
Um soldado do Islã já não recua
Carregando fuzis em seu poder,
Enche o corpo de bomba pra morrer,
Mata, fere, trucida e apavora
Dois minutos de paz, o mundo implora
Aos carrascos que matam por prazer.
sábado, 14 de novembro de 2015
O Trairy Club - Rosemilton Silva
Não me recordo bem do ano da inauguração, mas sei que foi após 1958, ano de seca braba, de arrepiar ao ouvir o canto do Carão. O Trairy Club foi construído com a colaboração de todos da cidade, alguns doaram mais outros menos, mas todos ou quase todos, deram garrafas secas para serem vendidas, outros fizeram doações em dinheiro comprando título de sócios.
Não tenho a menor ideia da data de inauguração mas até hoje está viva na memória a festa popular para recompensar aqueles que não podiam ir ao clube por não serem sócios ou não terem dinheiro para comprar uma mesa.
Era uma orquestra espetacular denominada “Marimba alma latina”, mas como ando perdendo parte da memória não me lembro de onde era também mas sei que até hoje, mesmo reduzida, ainda existe e toca. A impressão que me deixa é que seria uruguaia.
Bom, o fato é que por volta das oito horas da noite, as portas de um dos armazéns da Eloi de Souza*, depois do riacho das Craibeiras no rumo de quem sobe na direção da hoje Praça da Bíblia, foram abertas e pulei pra chegar pertinho do palco. É que já segurava umas baquetas com vontade de me arriscar na bateria.
Como eu, muita gente ficou encantada com aquela maravilha musical. A marimba, para quem não sabe, é uma espécie de piano que se toca com baquetas apropriadas. Tem um som belo e que ainda hoje pode ser ouvido em países da América do Sul como Uruguai, Peru, Paraguai entre outros.
Eu ali, abestalhado com o malabarismo do baterista mas sem perder a beleza dos sons de toda a orquestra. Era a primeira vez que via uma orquestra de perto. Estava acostumado a ouvi-las no rádio com aquele som fanhoso e sem muita qualidade. Até mesmo a meninada, acostumada a perturbar qualquer ambiente nem se mexia. Foi uma noite esplendorosa. Consegui com meu pai – nesse tempo a gente tinha que pedir, tomar a bênção, ter respeito etc e tal – a permissão para ficar do lado de fora do clube – eu só vim a entrar nele quando fiz parte do primeiro conjunto musical e da banda que tocava o carnaval – ouvindo aquele som maravilhoso e a festa animada.
Por entre aqueles pergolados podia ver a orquestra, as pessoas deslizando no salão encerado, a geladeira de madeira, algumas mesas com uísque, cerveja. Fiquei até por volta da meia noite quando Mané da Viúva veio me buscar a mando de dona Rosa. Houve outros bailes, outras belas orquestras mas lembro que uma das mais frequentes era a que acompanhava Bienvenido Granda porque esteve mais de uma vez na cidade. Raul de Barros, Tabajaras entre outros.
Hoje, quando estou em frente ao velho clube, estes filmes me passam pela cabeça e me vem a lembrança dos velhos e bons tempos vividos na poeira do chão que todos nós aprendemos a amar.
NOTA DE RODAPÉ: *As pessoas que de uma forma ou outra não puderam ir ao baile oficial de abertura das portas do sodalício - a palavra é antiga mas é boa -, tiveram a oportunidade de assistir ao show em um dos armazéns dessa rua.
Pois bem, os promotores da festa conseguiram abrir as portas de um dos armazéns do lado direito de quem olhando na direção do poente, onde não me lembro se Miguel Farias ou a Usina Nóbrega e Dantas guardava o algodão comprado no período da colheita. Pra quem não se lembra ou não conheceu, aquele armazém tinha uma parte das mais alta no fundo que serviu de palco e havia outros antes dele que se completavam com mais outros a partir da esquina da frente da casa de Cosme Ferreira Marques, no riacho das Craibeiras, na hoje avenida Rio Branco.
De modo que, as pessoas que não foram ao clube tiveram a oportunidade de se deliciar com um show antes da festa no clube, gratuitamente, me parece que como forma de agradecer a participação de todos na construção do prédio.
NOTA DE RODAPÉ: *As pessoas que de uma forma ou outra não puderam ir ao baile oficial de abertura das portas do sodalício - a palavra é antiga mas é boa -, tiveram a oportunidade de assistir ao show em um dos armazéns dessa rua.
Pois bem, os promotores da festa conseguiram abrir as portas de um dos armazéns do lado direito de quem olhando na direção do poente, onde não me lembro se Miguel Farias ou a Usina Nóbrega e Dantas guardava o algodão comprado no período da colheita. Pra quem não se lembra ou não conheceu, aquele armazém tinha uma parte das mais alta no fundo que serviu de palco e havia outros antes dele que se completavam com mais outros a partir da esquina da frente da casa de Cosme Ferreira Marques, no riacho das Craibeiras, na hoje avenida Rio Branco.
De modo que, as pessoas que não foram ao clube tiveram a oportunidade de se deliciar com um show antes da festa no clube, gratuitamente, me parece que como forma de agradecer a participação de todos na construção do prédio.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Culpa x culpados - Ismael André
Analisando o Brasil
Sabemos que a coisa está feia
De uma forma hostil
O socorro nos anseia
Um desmando que governa
Maltrata e subalterna
Seu povo de forma alheia.
Sabemos que a coisa está feia
De uma forma hostil
O socorro nos anseia
Um desmando que governa
Maltrata e subalterna
Seu povo de forma alheia.
Ver é horrorizante
Do menor ao maior
O seu poder governante
Deixando o povo na pior
Crise gerando inflação
Dinheiro público em corrupção
Numa nação que dá dó.
Do menor ao maior
O seu poder governante
Deixando o povo na pior
Crise gerando inflação
Dinheiro público em corrupção
Numa nação que dá dó.
A madame presidente
Nos discursos é "coisada"
Abre a boca em excedente
Da mandioca a roraimada
Vento tenta estocar
A meta tenta dobrar
Quando nem era usada.
Nos discursos é "coisada"
Abre a boca em excedente
Da mandioca a roraimada
Vento tenta estocar
A meta tenta dobrar
Quando nem era usada.
Porém não podemos culpar
Somente quem nos governa
A culpa maior está
No povo que só baderna
Se corrompe com tostões
Por não ter acesso a milhões
Se encurrala numa caverna.
Somente quem nos governa
A culpa maior está
No povo que só baderna
Se corrompe com tostões
Por não ter acesso a milhões
Se encurrala numa caverna.
A caverna de Platão
Aqui chegamos a comparar
Das correntes da escravidão
O povo tem que se libertar
Usar da ética e moral
Exterminar o banal
Voltar a se humanizar.
Aqui chegamos a comparar
Das correntes da escravidão
O povo tem que se libertar
Usar da ética e moral
Exterminar o banal
Voltar a se humanizar.
Enquanto milhões giram
De bancos, contas e mãos
Dos pobres já sucumbiram
Os direitos de cidadãos
Educação, cultura, lazer
Saúde, esporte, habitação, deve ser
Uma utopia, uma ilusão.
De bancos, contas e mãos
Dos pobres já sucumbiram
Os direitos de cidadãos
Educação, cultura, lazer
Saúde, esporte, habitação, deve ser
Uma utopia, uma ilusão.
A temática é salutar
Quanto a corrupção
Nas coisas simples vejo começar
Esta disseminação
Basta uma fila furar
Seu voto vender ou comprar
Está feita a consumação.
Quanto a corrupção
Nas coisas simples vejo começar
Esta disseminação
Basta uma fila furar
Seu voto vender ou comprar
Está feita a consumação.
Desta forma não nos detém
Assistir de camarote
Vendo aqueles que provém
De esplendor dar o seu bote
Utilize com rigor
Seu poder e seu pudor
Antes que aumente o calote.
Assistir de camarote
Vendo aqueles que provém
De esplendor dar o seu bote
Utilize com rigor
Seu poder e seu pudor
Antes que aumente o calote.
Comece sendo atrevido
E seus direitos cobrar
Com seus deveres cumpridos
Para não injustiçar
Faça seu poder valer
Que nada venha a deter
Seu privilégio de governar.
E seus direitos cobrar
Com seus deveres cumpridos
Para não injustiçar
Faça seu poder valer
Que nada venha a deter
Seu privilégio de governar.
Nas nossas mãos estão o futuro
Do cidadão exitoso
Muitas vezes imaturo
Vira tremendo medroso
De uma corja tem medo
De chegar, meter o dedo
E mudar o tenebroso.
Do cidadão exitoso
Muitas vezes imaturo
Vira tremendo medroso
De uma corja tem medo
De chegar, meter o dedo
E mudar o tenebroso.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
se o corpo de adão fosse um rio - Theo Alves
- para Tatiana
se o corpo de adão
fosse um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas em pares,
o homem
naufragaria.
fosse um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas em pares,
o homem
naufragaria.
mas o corpo de adão
era um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas ímpares
para desaguar
no corpo de seu
mar/destino.
era um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas ímpares
para desaguar
no corpo de seu
mar/destino.
o corpo de adão
feito um rio
entre os deltas de seus músculos
e as margens de seus
flancos
feito um rio
entre os deltas de seus músculos
e as margens de seus
flancos
o corpo de adão
feito um rio
violento e bonito
que não se pode conter de
cheio
feito um rio
violento e bonito
que não se pode conter de
cheio
o homem primeiro
como um
rio
de amor e volúpia
desaguado em
eva:
como um
rio
de amor e volúpia
desaguado em
eva:
adão:
este é o nome pelo qual
eu
também responderei.
este é o nome pelo qual
eu
também responderei.
SOBRE INÍCIO DA V SEMANA DOS TROVADORES - Martha Maueny
1° dia - V Semana dos Trovadores do Seridó, evento realizado pela Coordenação de Letras da UFRN Campus Currais Novos, com participação dos trovadores da região Trairi representados pelos poetas Gilberto Cardoso Dos Santos e Hélio Crisanto.
Hoje a conversa foi sobre Cultura Popular, com foco na literatura de cordel.
Poesias cantadas pelos poetas da Apoesc Associação de Poetas e apresentação cultural com a peça Cactus. Muito bom!
terça-feira, 10 de novembro de 2015
DIVAGAÇÕES - Peterson Javan
Pegando carona no papo que tive com o amigo J.C antes de dormir, sonhei com a inauguração de um museu em nossa cidade, era uma dessas construções tipo megalomaníacos meio estádios de futebol, meio shopping Center ou teleférico na cidade do interior que quer ser grande em tempos de “seca braba” e “pouco pasto” para o gado. Mas que para isso acontecer na realidade “eu teria que passar para o outro lado”, igual a cachorro ligeiro de espinhaço cumprido serpenteando a coluna, atravessando cerca de aram e farpado” ou “me esconder dentro de um pé de jurema preta e passar uma rasteira no cavaleiro que vai passando na vereda e se ele não ficar aleijado da queda ainda ter que dar um tiro no cabra”.
Ufa! Acordo atordoado com o barulho do tiro no pé que nunca irei dar.
Logo, o primeiro sentido me faz despertar! Percebo que os rotineiros filetes de cor neon solar que atravessam as frestas das janelas do meu quarto não me incomodava como de costume. Bom! Alivia-me render a preguiça e talvez voltar a dormir. Mas penso! Penso em Deus preparando mais uma maravilhosa manhã, meus ouvidos também despertam, lá fora ouço pingos d’água escorregando cabeça abaixo, ao passo que ao tato também posso me sentir, de súbito salto da minha cama e abro a janela inevitável foi a felicidade. Respirei a umidade de céu chuvoso e lembrei, lembrei de Hugo Tavares, da força do que ele escrevia e com o meu tato e mente em perfeita sincronia me pus a escrever essas linhas, após reflexão concluo. Um alvorecer chuvoso é como a própria noite. Tem suas nuvens carregadas de sonhos. Tende a me prender a preguiça do só pensar, Mas logo chega o sol e o dia, o calor e a agonia e com essas poucas linhas encerro o meu labutar.
Peterson Javan
sábado, 7 de novembro de 2015
A MORTE DE TACO, O URSO POLAR - Gilberto Cardoso dos Santos
Morreu aos 18 anos
Taco o urso polar
que viveu para alegrar
aos insensíveis humanos
no infernal ambiente
puseram à sua frente
uma paisagem enganosa
blocos de gelo pintados
lagos azuis congelados
da terra maravilhosa
em seus embaçados sonhos
nascidos das frustrações
consolavam-no visões
naqueles dias tristonhos
Enquanto ali vegetava
certamente acalentava
a esperança de voltar
mas aqueles que o prenderam
tal prazer não concederam
ao pobre urso polar.
Mais frios que o ambiente
que o urso tanto queria
quem lucrava não queria
libertar o inocente
grandes cifrões os cegavam
e insensíveis tornavam
os vis manipuladores
as multidões entretidas
também foram iludidas
por esses exploradores.
dos seus tediosos dias
finalmente escapou
do tempo que vegetou
sob paredes sombrias
desde novo expatriado
aos 3 anos foi tirado
do lado da mãe querida
para a humana diversão
foi posto numa prisão
até o final da vida
.
Muitos humanos existem
em igual situação
a vida de frustração
preenchem com o que assistem
a vida artificial
lhes provoca grande mal
mas não podem escapar
pela tevê iludidos
são por paredes contidos
iguais ao urso polar.
As cidades são zoológicos
onde vivem encerrados
definham desesperados
seus impulsos biológicos
iguais ao urso polar
precisam se alienar
enquanto a morte não vem
tentando sobreviver
buscam encontrar prazer
em coisas que não convêm.
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