MOMENTOS FUGAZES
Por que são tão fugazes os
momentos mais sublimes?
Por que tão encurtados os
instantes em que verdadeiramente se sente?
Há por acaso um mortal que
declare inabalável hoje: estou satisfeito e contente?
Antes fosse assim!
Será que ninguém se apercebeu,
nesta vida tão onírica, que, quando as gloriosas epifanias se dignam de
cumprimentar-nos, quase sempre despercebidas terão elas passado?
“Que desperdício!” Assim
deveria encerrar-se as alegrias e os lamentos de todos os homens, e seus
planos. Que desperdício do viver; de seus regozijos, tormentos e até dos seus
sonhos!
Ah, momentos saudosos! Só
agora vê-se quanto impropério vos legaram os tolos flagrantemente.
Esses sem rumo ou sabedoria,
andarilhos sem destino, que vos ignoram impunemente.
Deixa-me, no entanto, peço eu
bem agora, entendendo o que dantes me era obscuro,
Que num relance
final não me seja negado corrigir, ao menos em mim, tamanho absurdo – tal
atitude funesta.
Que apenas desta vez, ainda
que neste mui breve suspiro, absorvido, absorva eu a vida, o mundo e tudo que
me resta.
Silas Medeiros Cruz
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