domingo, 28 de dezembro de 2025

MOMENTOS FUGAZES - Silas Medeiros Cruz



MOMENTOS FUGAZES


Por que são tão fugazes os momentos mais sublimes? 

Por que tão encurtados os instantes em que verdadeiramente se sente? 

Há por acaso um mortal que declare inabalável hoje: estou satisfeito e contente? 

Antes fosse assim!

 

Será que ninguém se apercebeu, nesta vida tão onírica, que, quando as gloriosas epifanias se dignam de cumprimentar-nos, quase sempre despercebidas terão elas passado? 

“Que desperdício!” Assim deveria encerrar-se as alegrias e os lamentos de todos os homens, e seus planos. Que desperdício do viver; de seus regozijos, tormentos e até dos seus sonhos!

Ah, momentos saudosos! Só agora vê-se quanto impropério vos legaram os tolos flagrantemente. 

Esses sem rumo ou sabedoria, andarilhos sem destino, que vos ignoram impunemente. 

Deixa-me, no entanto, peço eu bem agora, entendendo o que dantes me era obscuro, 

Que num relance final não me seja negado corrigir, ao menos em mim, tamanho absurdo – tal atitude funesta.

 

Que apenas desta vez, ainda que neste mui breve suspiro, absorvido, absorva eu a vida, o mundo e tudo que me resta.


Silas Medeiros Cruz


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