APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 15 de abril de 2017

LINDOS POEMAS E XILOGRAVURA DE EDCARLOS MEDEIROS

Xilogravura de Edcarlos feita por Jefferson Campos


ACRÓSTICO

Escrever me contagia
Declamar traz alegria
Com pureza e maestria
Acelera o coração
Revelando-me uma seta
Leva-me a trilha da meta
O oficio que me completa
Ser poeta do Sertão.

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 29 de outubro 2015.

GALOPE AUTOBIOGRÁFICO

Me chamo Edcarlos Medeiros Soares
Fazer poesia é a minha paixão
Por isso dedico total atenção
Levando os meus versos a todos lugares
Vivo com a cabeça assim pelos ares
Igual passarinho liberto a voar
Seguindo em frente e sempre a pregar
Mensagens de força, afeto e harmonia
Na essência que trago na minha poesia
Para que alguém leia e possa sonhar.

Eu tiro os meus versos de forma singela
Das coisas mais simples daqui do Sertão
Deixando aflorar toda minha emoção
Buscando as expor da maneira mais bela
Sentindo a magia que a mim se atrela
E faz o meu peito mais forte pulsar
É dessa maneira o meu caminhar
Rompendo as veredas com toda bravura
Levando a bandeira da nossa cultura
Presente em peito sempre a tremular.

Escrevo poesia olhando a beleza
Que tem no sorriso de uma criança
É quando eu me visto total de esperança
Prevendo um futuro de vasta nobreza
Todos ajudando a mãe natureza
De forma espontânea querendo a salvar
Porém outras vezes começo a chorar
Ao ver um menino pedindo um trocado
Vagando nas ruas faminto e drogado
Distante da escola sem pai e sem lar.

E assim dessa forma eu vou misturando
Minha alegrias com minha tristezas
Varias evidências, também incertezas
E um mundo de sonhos vai se edificando
Escrevo sorrindo e até mesmo quando
As lágrimas querem no rosto rolar
Perdendo ou ganhando aprendo a jogar
No jogo da vida eu caio e levanto
Sacudo a poeira, enxugo o meu pranto
Refaço a estratégia e volto a lutar.

Debruço-me a mesa com lápis, papel
E a imaginação já transborda da mente
As palavras surgem de forma fulgente
E eu busco a elas ser muito fiel
Escrevendo glosas, sonetos, cordel
Sentindo a magia de mim se apossar
Com a musa poética a me inspirar
Eu sei que jamais estou só nesta vida
Pois ela me guia nos passos da lida
Mostrando o caminho que devo trilhar.

Não me incomoda quem diz que sou louco
Pois a poesia é droga divina
Que a mim entorpece mais que heroína
Tou sempre querendo usar mais um pouco
Declamo meus versos até ficar rouco
E dessa maneira irei continuar
Já que a abstinência não deixa eu parar
E o meu ser por ela já está dominado
De versos e posas eu vivo drogado
Não passo um só dia sequer sem usar.

Porém não procurem na minha poesia
Uma só palavra de baixo calão
Meus versos não mandam descer até o chão
Tratando a mulher sem nenhuma avalia
Eu não me utilizo da pornografia
Falando pro povo sentar ou chupar
Jamais dessa forma irei apelar
Só faço poesia de forma descente
Com muito respeito a toda essa gente
Que ler os meus versos e vem me escutar.

Eu acho divino a beira do mar
Com suas paisagens de rara beleza
Só mesmo o Deus pai com imensa destreza
Teria o poder de tais obras criar
Porém se alguém quer me ver engrossar
Só basta dizer que daqui eu me mude
Que irei responder com bastante atitude
Não troco esta terra nem por um bilhão
Pois gosto é das coisas daqui do Sertão
Meu dez de galope? É NA BEIRA DO AÇUDE!

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 23 de março de 2015.


 LABOR POÉTICO

Exaltando a humildade em meu conceito
Vou tentando escrever minha poesia
Espalhando com amor essa magia
Que transborda do fundo do meu peito
A poesia tornou-se o meu preceito
Que serena os percalços dessa vida
Se me vejo por vez de alma perdida
É nos versos que busco me encontrar
E ao sentir a poesia em mim brotar
Vejo o quão santa e louca é essa lida.

Feito aranha tecendo a sua teia
Nesse quebra-cabeça de palavras
Arquiteto e executo as minhas lavras
Acendendo essa luz que me incendeia
Cada verso que Deus me presenteia
Mais eleva em meu ser essa paixão
E com o peito repleto de emoção
Ao notar a poesia me envolver
Ergo a face aos céus pra agradecer
Pelo dom da divina inspiração.

Mas por vez sou abelha que da flor
Espolia a matéria para o mel
Sorrateiro a buscar com tal papel
Colocar mais doçura em meu labor
Perco o tino e trafego com fervor
Por jardins que talvez nem deveria
E na busca de achar essa alquimia
Vivo instantes de intensos despudores
Extraindo esse néctar dos amores
Pra adornar de lirismo a poesia.

Se me ausento da escrita a mente pira
E eu me vejo em profunda nostalgia
Quando tento escrever uma poesia
Mas a musa poética não me inspira
Porém quando a presença dessa lira
Faz pulsar bem mais forte o coração
Com a verve fluindo em profusão
As paisagens se tornam bem mais belas
Cristalizo a beleza em aquarelas
Com a tinta da minha inspiração.

Caminhando nas trilhas dos cordéis
Vejo o quanto que essa arte me completa
Mas tornar-me o melhor nunca foi meta
Pois eu sei que não chego nem nos pés
De outros tantos gigantes menestréis
Mesmo assim não me canso de escrever
Semeando meus versos com prazer
Como expôs ‘Djavan’ com maestria
“Se eu tivesse mais alma, entregaria
Porque isso pra mim é que é viver!”

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 08 de fevereiro de 2017.


Pó-esia

Eu jamais fui de drogas dependente
Nem cigarro, bebida ou cocaína
Sempre agi com bastante disciplina
Para não me tornar um delinquente

Mas uma droga divina e atraente
Foi mudando o trilhar da minha vida
Relutei, mas em vão, não vi saída
A tal droga fisgou-me fortemente

Seu poder me deixou tão viciado
Passo as noites sonhando acordado
Perambulo extasiado em pleno dia

Quando a uso eu consigo flutuar
Rodo o mundo e nem saio do lugar
Pois a droga q’eu uso é poesia.

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 10 de janeiro de 2016.


Ser– tão

Sou da terra de um povo resistente
Que já traz no semblante a sua sina
De lutar da maneira mais divina
Enfrentando com garra o sol ardente

Onde a seca malvada predomina
Nove meses do ano vorazmente
E a paisagem que tem neste ambiente
Sem piedade ela logo descortina

Porém quando do céu a chuva desce
Tudo em volta depressa refloresce
Espantando pra longe essa aflição

E em três meses de encantos e bonanças
O meu povo renova as esperanças
Quer saber de onde eu sou? Sou do Sertão!

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 10 de outubro de 2015.


Trigésima sexta primavera

Trinta e seis primaveras e agradeço
A Deus pai o milagre desta vida
Por poder cumprir sempre a minha lida
Com amor, humildade e muito apreço

Cada dia pra mim é um recomeço
E a batalha jamais dou por perdida
Pois se as vezes a dor de uma ferida
Me machuca, procuro no tropeço

Aprender a cair e levantar
E na queda mais forte me tornar
Pra poder prosseguir na minha meta

De exaltar a cultura popular
E se os versos a nada me levar
Já me basta o prazer de ser poeta.

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 01 de novembro de 2014.


VERVE SERTANEJA

Caros senhores, licença!
Permitam-me, uma fala!
Não tenho muita sabença
Pois minha cartilha é rala
Não sou Drummond de Andrade
Já que da grande cidade
Só mesmo escuto falar
Mas com bastante emoção
Nos meus versos, o sertão
Irei agora exaltar.

Não julguem meu linguajar
Pois como bem já falei
Eu pouco pude estudar
Na luta cedo, adentrei
Meus versos não são iguais
De Vinicius de Moraes
Que a minha diplomação
Foi feita a foice e machado
E como certificado
Lhes mostro os calos, na mão.

Podem chamar-me, João,
Batista, Antônio ou José,
Pois sou representação
De um povo de muita fé
Sou olhar fixo pro céu
Pedindo a Deus que o escarcéu
Da seca tão inclemente
Der trégua pra nossa terra
E o seu cenário de guerra
Não dizime a nossa gente.

De maneira competente
Não sei decantar o mar
Pois meu verso é inerente
As coisas do meu lugar
Não sei falar da beleza
Da moça fina, burguesa
Que tem a face pintada
Porém falo da matuta
Que acorda cedo, labuta
E tem a pele queimada.

Não me peça uma toada
Para exaltar a riqueza
Que essa sua empreitada
Seria indelicadeza
Não espereis coisas boas
Que as minhas humildes loas
Com isso não faz adorno
Invés do tinir de joia
Prefiro o som da tipoia
Armada e a ranger no torno. 

Não quero causar transtorno
A quem a mim escutar
Forjo o meu verso no forno
Do calor do improvisar
Não sei compor obras primas
Que as minhas singelas rimas
Não possui grau de nobreza
Sou um matuto do mato
E a minha verve de fato
Provém da mãe natureza.

Com encanto e sutileza
Decanto a vida de gato
Sempre exaltando a beleza
De um sertão abençoado
Do gato maracajá
E o canto do sabiá
Espalhando a melodia
Do inverno em profusão
Devolvendo ao meu sertão
Toda beleza e magia.

Ao contemplar com alegria
A terra outra vez molhada
E a planta que antes jazia
Com sua copa florada
Bate forte o coração
Me enchendo de inspiração
De forma peculiar
Ser sertanejo, seu moço
É sempre após o destroço
Saber se recuperar.

Quem nasce neste lugar
Parece que tem mandinga
Tá sempre a se renovar
É igualmente a caatinga
Que perde a sua folhagem
Mas enfrenta a estiagem
Com coragem e paciência
Que só mesmo o pai dos pais
É quem pode ser capaz
De explicar essa ciência.

Por isso que a minha essência
É puramente sertão
E com bastante decência
Busco falar deste chão
Sou a Deus agradecido
Por no sertão ter nascido
Pois este pó me completa
E com bastante alegria
Convivo com a fantasia
De ter nascido poeta.

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 09 de novembro de 2015.