APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 20 de abril de 2013

Resenha de O CEMITÉRIO DE PRAGA - Nailson Costa

 

Esse texto aí não é 100% meu. Trouxe algumas passagens de outros resenhistas e fundi ao meu ponto de vista. - Naílson Costa

O romance O Cemitério de Praga é uma espécie de síntese da história do preconceito. É um tratado sobre o mecanismo do ódio. É uma porrada nos religiosos. O protagonista, Simonini, um anti-herói, cínico e maquiavélico desce o cacete em padres, jesuítas, comunistas e, principalmente, nos judeus. Livro histórico (90% de passagens históricas) lembra um dos episódios mais impressionantes da história: os protocolos de Sião, um texto forjado pela polícia secreta do Czar Nicolau II para justificar a perseguição aos judeus - no livro se dá de outra forma, razão do nome do livro. Esses escritos descreviam um suposto plano para a dominação mundial pelos israelitas e serviram de inspiração a Hitler para os campos de concentração. O Cemitério de Praga leva as mentiras históricas a novos patamares. Uma obra memorável de filosofia da história e a natureza da ficção, ao estilo Eco de ser, e que passeia pela história da unificação da Itália, a Comuna de Paris e o caso Dreyfus, além de personagens como Giusepe Garibaldi, Sigmund Freud e Alexandre Dumas, conflitos do século XIX e pela históra do antissemitismo. Eco, que em seus romances dificilmente fala de amor e sexo, cria um personagem, caso o leitor não seja habilidoso, capaz de ressuscitar clichês e preconceitos a respeito dos judeus. Livro de difícil leitura, dadas muitas digressões historicamente flashbackeanas. Vale a pena ler o livro? Sim, caso o leitor esteja buscando origens do preconceito e teorias da conspiração, beleza da ficção, falsificações e manipulação dos meios de comunicação na história e na cultura. Não, caso o leitor busque apenas o prazer de uma boa narrativa.