APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Aos meus amigos - Meirice Fernandes



Em meio a tantas notícias e, em sua maioria triste, acredito profundamente que tenho mil motivos para sorrir. 
Ao ouvir e ver diversas matérias sobre a morte de um jovem PM, cujo nome de guerra era “Quirino”, “Fernando” para seus pais; “Nando” para os irmãos; “risos” para seus filhos “Amor” para seu amor. Para os demais, ele era tudo o que vocês já ouviram, leram, comentaram e constataram. 
Para mim era muito mais que cunhado – palavra que em poucas situações representa algo mais, este jovem era mais que tudo isso... Era um amigo, meu grande amigo de calças. Esteve presente nos momentos mais difíceis. Ele era assim... Calmo, calado, contemplativo e forte, como era forte, como o juazeiro no sertão. Encontramos-nos ainda na infância, como “os novos vizinhos” e aquele menino do bucho amarelo resolveu estudar e concluiu o E. Médio, e pelo destino ou prefiro acreditar que pela amizade, fui sua madrinha na colação de grau. 
A vida seguiu seu rumo e nos separamos um pouco. Até que um belo dia ouço sob o seu interesse em uma das minhas irmãs e, aí já foi. Pus em prática um plano para juntá-los, embora já estivesse escrito. Prova que tudo deu tão certo é que hoje estou cá, a escrever este texto. Não vou entrar em detalhes, porque o objetivo aqui é outro. 
O dia hoje é dela, de seu amor. Pois, a história deles foi se misturando a minha e virou nossa história de amizade, porque ela ganhou um amor em sua plenitude, eu, o amigo de volta – ah! E o autor de tudo isso: uma vida curta e plena. Confesso que neste momento diante de todas as lembranças me vi sorrindo para vida, ainda que algumas lágrimas se formassem por dentro, mas ao transbordarem já pareciam gotas de alegria. 
Não sei como, mas testemunhar a felicidade alheia é sempre um presente da vida. E de pessoas que amamos mais ainda, e isso não me revolta, me conforta. Porque ao longo desses anos a menina que vi nascer, gorducha, de cachinhos e bochechas rosadas viveu uma intensa e tórrida história de amor.
Uma menina que na infância tornou-se amorosamente grudenta, chorona, quase chatinha. Que tinha todos os olhares, que a viam como uma criança mimada, indefesa e cheia de quereres. O xodó do pai.
...Mais tarde cortaram-lhe os cachinhos e ficou como Joãozinho por muito tempo. Até que na adolescência surgia uma linda moça – de cabelos longos e com a força dos cachos vieram à força de uma mulher. E, assim como, o vizinho Fernando, a jovem também foi estudar e trabalhar desde cedo, horas a fio durante o dia e às noites na estrada para cursar a faculdade, depois a especialização, e o Amor? Por onde andavam as fortes emoções na vida dessa moça? Embora ela mesma não desse muita importância, ao ponto de brincarmos nos perguntando se estava ela a esperar o príncipe? Vou falar baixinho (ela ficava uma fera). E, não é que descobri o príncipe ao lado!? 
O início vocês já ouviram. Depois do primeiro beijo nunca mais desgrudaram, era como: café com leite, queijo com goiabada, Romeu e Julieta, uma lista infindável de comparações. E o meu amigo, já havia trilhado caminhos áridos, como trabalhou, gostava de ser agente de saúde e algum tempo depois, a profissão que tem como ofício cuidar da segurança alheia, que ironia e quem cuida da dele(s)? O Estado? 
Essa história seguia seu trailer, até veio um pequeno príncipe para abrilhantar e colorir ainda mais seus dias. E, a moça definitivamente mostrou-se com a força de Sansão, embora, os cachos fossem de Dalila. E essa coragem me fez ligar certo dia e dizer-lhe parabéns!!! Apesar de admirares minha vida maluca. És tu que estás a merecer meus aplausos. E, ela que mantém um jeitinho doce só para os muito íntimos, sorrio ao telefone. 
Mas, quando tudo parece perfeito, eis que a vida com seus redemoinhos nos puxa o tapete. E tudo isso tem que fazer algum sentido, embora não se explique. Mas é preciso para continuarmos adiante. Sei que esta mulher que tem muito da menina, descobrirá toda impetuosidade adormecida para seguir e se redescobrir vivendo sem seu amor, mas com muito amor. Esta que tem sido menina, moça, esposa, mãe, educadora, é antes de tudo MULHER, seu nome: MEIRE FERNANDES DE FARIAS. Ela tem identidade e precisa ser preservada para que ela como tantas outras “viúvas” sigam seus caminhos... 
PARABÉNS!!!!

Com imenso carinho e amor profundo
in memória de Fernando e, Meire.