APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEM CHORINHO E TEM CHORÃO; NO MEU LENÇO, GONZAGUINHA; NO CINEMA, GONZAGÃO - Nailson Costa


Eurípedes e Wilard, há uns 15 dias, na Mesa Redonda Dominical do Bar do Baixinho, comentaram o filme GONZAGA, DE PAI PRA FILHO, e os seus comentários me deixaram bastante curioso pra ver esse filme, uma vez que eles choraram copiosamente com a belíssima história dessa produção nacional. Fui ver hoje. Gostei bastante. E chorei também, não com as fortes emoções da linda biografia de Gonzagão, contada com a beleza da linguagem que só essa sétima arte tem, mas sim, com algumas passagens cômicas, bem feita e muito divertida. Ri muito. E quando rio, meus olhos não aguentam a grandeza desse momento, e lágrimas descem em enxurradas nas já combalidas cascatas de minha face. O filme é bom. Aliás, é muito bom! E, sem me dar ao luxo e à pretensão de uma resenha ou mesmo de uma simples sinopse cinematográfica dessa boa produção nacional, digo que o enredo não se resume ao artista Gonzaga, na sua trajetória de sofrimento, desde sua infância e adolescência pobre e sofrida no sertão de Pernambuco até o reconhecimento nacional de sua melhor arte. O filme, na verdade, conta a história do drama real vivido por pai e filho, Gonzagão e Gonzaguinha, nos mais intrínsecos labirintos existenciais dum relacionamento conturbado entre pai ausente e filho carente. Pai cuidadoso, Gonzagão nunca deixara faltar nada pro filho, exceto a sua presença. Filho rancoroso, Gonzaguinha sempre sentira a falta do carinho de seu famoso pai. Quando da ascensão artística do filho no mundo de suas belas composições, e do coincidente esquecimento do Rei do Baião no universo das novas tendências musicais, é a hora de se lavar as muitas roupas sujas dessa conturbada relação. E Gonzaguinha oferece seu público e palco ao pai famoso, que retoma sua coroada estrada do sucesso. Acrescentaria também a esse pequeno comentário a máxima segundo a qual, e eu concordo, NÃO BASTA SER PAI, TEM QUE PARTICIPAR. Apesar de não ter chorado a Eurípedes e Wilard, recomendo a todos esse excelente drama cinematográfica da vida real.