APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 28 de outubro de 2012

GONZAGÃO EM 45 TÍTULOS DE HOMENAGEM - Marcos Cavalcanti


 
VIRA E MEXE e o Candinha Bezerra vai construindo NUMA SALA DE REBOCO sua história através de apresentações antológicas em seu palco DANADO DE BOM. Já na entrada do teatro, a foto do homenageado, ao lado de um SÃO JOÃO DO CARNEIRINHO, dava boas-vindas ao público que acudiu com satisfação ao chamado de mais uma destas maravilhosas NOITES BRASILEIRAS; público que durante uma hora e meia cantou e bateu palmas numa felicidade de PAGODE RUSSO.
Passados 100 anos do nascimento, em Exu/PE, do mais virtuoso PAU DE ARARA nordestino, dono da mais famosa SANFONINHA CHORADEIRA já existente, podemos entoar orgulhosos, DE FIÁ PAVI, o verso da canção VIVA O REI, essa “incelência” nordestina que nos lembra sempre: Luiz Gonzaga não morreu!  Nem morrerá, pois findos outros centos anos e estará ainda mais vivinho da silva o SANFONEIRO MACHO, o rei do BAIÃO, o mestre Lua-Luiz-Luz Gonzaga!  
Nem sei qual foi o FORRÓ Nº 1, mas bastou o regional, sob a batuta do triangulo do Maestro Camilo, ecoar os primeiros acordes gonzaguianos, para que se estabelecesse entre os artistas e a platéia, a tão desejada empatia que emociona, nascida, neste caso, de uma cumplicidade telúrica, doces sentimentos saudosistas...coisas de raiz de um Sertão de CASA DE CABOCLO e do BURACO DO TATU; mundão do CALANGO DA LACRAIA, do CIGARRO DE PAIA, da FEIRA DE CARUARÚ. Quem é que não fica com o CORAÇÃO MOLIM ouvindo as canções de Gonzagão? Até mesmo o prefeito e o diretor do Saae, que lá estavam, hão de se sensibilizar com as VOZES DA SECA e a triste visão do balde que inda hoje, em nossa cidade, IMBALANÇA na CABEÇA INCHADA da dona de casa que clama por um bucadim d´água.         
Sobrevoando o palco e espantando morcego, a ASA BRANCA, ainda que feita de leve isopor, sentia nas asas o peso de sua popularidade; e eis que de repente, aparece em cena A MINI SAIA, coladinha na CINTURA FINA da MORENA que ajunta num só nome, a Rosa e o Mar. Pois é! Rosemar rodopiando DAQUELE JEITO num FORRÓ DE CABO A RABO quase que DEIXA A TANGA VOAR. Seu parceiro, um caboclo serelepe fungando no seu cangote, parecia sussurrar:  tu tá danada QUI NEM JILÓ. APROVEITA GENTE, dizia eu baixinho pra minha mulher não escutar e ia acompanhando com os olhos, com os ouvidos e com o coração, o pinicado do xote, do xaxado e do baião em suas DEZESSETE LEGUAS E MEIA de andanças pelas terras nordestinas desfilando nossas tradições, sentimentos e afetos.
De tantos momentos bonitos, destaco o gemido de UMA SANFONA SENTIDA, nos braços de oito baixos de um mais sentido Severino, que ao lado do filho, reviveram ali, juntinhos, na troca de carinhos não ensaiados ou combinados, um momento marcante da vida do rei do Baião, e assim, hoje e sempre, no ABC DO SERTÃO se ensina: RESPEITA JANUÁRIO!
Não digo mais porque na HORA DO ADEUS me falta a inspiração dos Gonzagas, e ademais, a AVE MARIA SERTANEJA cala fundo, por força da voz da divina arte, a crentes, agnósticos e ateus. Assim, sob o LUAR DO SERTÃO, encerro este tiquim de homenagem, parabenizando a todos os artistas que nesta noite memorável renderam loas ao nosso Rei do Baião. TÔ SAINDO, mas não faço disso uma TRISTE PARTIDA, bem ao contrário, porque Luiz Gonzaga viceja no Sertão; é um mundo e está onipresente no JUAZEIRO, no canto do SABIÁ, da ACAUÃ, a navegar no RIACHO DO NAVIO, e a minorar “Ludimilicamente”, os nossos sofrimentos, as nossas dores com a força de sua voz brasileiríssima; voz que NEM SE DESPEDIU DE MIM nem de vós, amantes da mais bela e genuína arte nordestina.