APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 30 de junho de 2012

O SERTÃO E OS FRANCESES - Gilberto Cardoso dos Santos

Conheço gente da França que adora o nosso sertão. Encantam-se com a vegetação singular e persistente que parece morta, mas revive feito fênix aos primeiros pingos de chuva. Causam-lhes também admiração o verdor daquelas que sobrevivem em meio à seca. Nem tudo é flores entre nós, logo eles descobrem, mas há algo de respeitável nos espinhos que compõem a paisagem e nossas vidas. 
Nossas histórias de cangaço e vaquejadas os encantam. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, também tem a muitos deles como admiradores. Nossas poesias e cantos têm o poder de arrancar-lhes lágrimas. Alguns deles, aliás, (eu conheço pelo menos dois) entendem mais de cultura nordestina que muitos que aqui habitam. Um deles tem praticamente tudo que Luiz Gonzaga gravou e todos os filmes que falam do cangaço.
Nossa espontaneidade e alegria de viver a despeito das intempéries os emocionam. Já vi alguns com câmeras na mão, registrando aspectos de nossa paisagem que nos passam despercebidos. Isto nos faz chegar à conclusão que o nordestino tem um valor do qual nem sempre tem consciência.
O cantor Julien Clerc parece ter experimentado  o que acabo de descrever. Vejam e ouçam abaixo a belíssima homenagem que nos fez intitulada Sertão. Atraente melodia e letra. Emocionei-me ao ouvi-la pela primeira vez. De imediato, entendi três palavras: Sertão, Brasil e Cangaceiro. Os mais entendidos no idioma sintam-se à vontade para traduzi-la.




SERTÃO (Julien Clerc) 


Je crois que ce mot 
Voyage incognito 
Sauf parmi tous les enfants du Brésil 
C'est un mot tout chaud 
Qui vous colle í  la peau 
Tout juste comme un murmure 
Sur un ruisseau Sertao 


Oh imagine le Sertao 
Où résonnent les grelots 
Accrochés sur les chapeaux 
Des Cangaceiros Cangaceiros (3x)

Dans un grand désert sans eau
 Imagine le Sertao 
C'est un grand désert sans eau 
Où survivent les chevaux 
Des Cangaceiros Cangaceiros (3x)


Il vivait lí  bas
Depuis quinze ans déjí  
Ne connaissait rien d'autres du Brésil 
Ni les rythmes chauds Ni la vague, ni l'eau 
Pas même les bacchanales du carnaval, carnaval
Mais il était du Sertao 
Comme s'enlise un ruisseau 
Et rêvait d'un grand chapeau 
De Cangaceiros Cangaceiros (3x)


 Pour s'en aller au plus tôt Il était du Sertao 
Comme s'envole un oiseau 
Qui ne va jamais bien haut 
Dans la lumière puis vers la terre 
Parmi les pierres Revient bientôt 
Mais il était du Sertao 
Comme s'enlise un ruisseau 
Et rêvait d'un grand chapeau 
De Cangaceiros Cangaceiros (3x) 


Pour s'en aller au plus tôt (2x)