APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

SÓ SEI QUE NADA SEI! - Nailson Costa


Tudo no começo são flores, ou quase isso, quando fazemos o que gostamos. No início
de minha docência, lá pelos idos de 1982 a 1989, nutria uma forte repugnância pelo
capitalismo. Nesse período, vivia eu a devorar compêndios comunistas, anarquistas,
socialistas etc., etc., etc. e Engels, Trostsky, Marx, Frei Beto, Leonardo Boff,
Paulo Freire, Florestan, Chauí e outros eram meus amigos e teóricos do peito. E o
socialismo passou a ser a minha única praia, minha única, verdadeira e principal
verdade. Imaginem a minha prática em sala de aula nas disciplinas de Sociologia,
Língua Portuguesa, Literatura e Redação, bastante tendenciosa, não?!!! Eu tinha
certeza de que mudaria o mundo! Louvado seja a força da juventude! Rejeitava os
livros didáticos “democraticamente” indicados, escolhidos e nos enfiados goela
abaixo pelo governo. Trazia eu os textos que melhor se adequassem àquelas verdades
arrogantemente minhas. E essa alienação de esquerda passara a ser a minha resistência
aos discursos imperialistas, tão presentes na educação de meus tempos. Fui um
guerreiro fortemente armado com as armas teóricas de minhas assertivas. E o poema
a seguir O CALDEIRÃO DO DIABO, redondilhazinha maior, mal escrita em 1986,
ilustra, caricaturalmente, um pouco das trincheiras de minhas renhidas batalhas contra
aquele que eu julgara um poderoso inimigo, o capitalismo. Hoje não tenho mais a ilusão
de que o socialismo seja a solução da humanidade. Hoje, com toda certeza, o socialismo
não é mais a minha única praia, a minha única, verdadeira e principal verdade,
sobretudo quando vejo as bandeiras socialistas de Cuba, da Venezuela, da Coréia do
Norte e da China tingidas com as cores vermelhas do sangue, da pobreza, da corrupção
e da opressão de seu povo. Não foi desse socialismo que tanto falei em sala de aula. Não
foi esse socialismo que receitei aos meus pupilos. Hoje não luto por nada mais, e faço
minhas as belas palavras do meu grande amigo e craque da bola filosofal, Sócrates, que
sussurrara em meus ouvidos, bem baixinho, pra que ninguém mais ouvisse, “Só sei que
nada sei!”

O CALDEIRÃO DO DIABO

Veja meu caro estudante
Que tamanha obrigação:
Apagar o fogo ardente
Que esquenta o caldeirão
E ferve com tanto furor
Queimando o trabalhador
E o expulsando feito um vulcão.

Depois de bem queimadinho,
Despejado e humilhado,
O trabalhador sem forças,
Com fome, desempregado,
Por baixo vê o caldeirão
Que do burguês é a viração

E a exploração do desgraçado!
Ao estudante consciente
E com desejo de mudar,
Tire o caldeirão do fogo
Que o fogo se apagará!
Cuidado com a burguesia
Que não vê simpatia
O seu jogo se acabar!

O caldeirão ao qual me refiro
É a exploração suja e danada!
O fogo é o injusto sistema
Que de humano não tem mesmo nada!
Trapaceiro, corrupto, infiel,
Frutos do capitalismo cruel
Massacrando uma classe honrada!

A você vai o convite
Dum humilde professor,
Pra organizar nossa luta
Em prol do trabalhador!
E com muita decisão
Explodiremos o caldeirão
Que o diabo inventou!