APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

EU VI A MORTE FRENTE A FRENTE - Por João Maria de Medeiros


Ontem eu vi a morte frente a frente, acreditem. E não pensem que foi à noite, de madrugada, na escuridão. Não, não foi. Eram cinco da tarde, de um lindo dia ensolarado. Local: quem conhece a cidade de Santa Cruz, deve saber bem onde se localiza o cemitério do centro, o Cemitério São Miguel, ali próximo ao Hospital Ana Bezerra.
Entre o cemitério e o hospital há duas vias de mão única. São vias de trânsito preferenciais. Eu vinha descendo numa delas, na do lado direito, quando dei de frente com ela. Mas não pensem leitor, que era aquela morte horrível, magricela, pintada e cantada em canto e verso com uma foice na mão à procura do moribundo. Não era.
Era uma moça linda, alta  e de cabelos longos, montada numa moto Bross 150. Feia foi sua ação: não parou antes de cruzar a via em que eu vinha. Colocando em risco minha vida, nossas vidas. Por sinal, havia até uma placa de sinal de trânsito a sua frente que dizia: PARE!
Não parou. Quando a vi, vinha ao meu encontro e aí  percebi, ali naquele instante, que eu bateria bem no meio da sua moto.  A pancada seria fatal, principalmente para mim que descia uma ladeira. Os freios não seriam suficientes para evitar o impacto.
Local perigoso aquele. Algumas vezes, quando comentávamos sobre a situação de trânsito aqui na cidade, eu sempre dizia que naquele local Deus devia está com sua mão salvadora a proteger muita gente, pois constantemente eu observava jovens fazer o que aquele moça fez: Cruzar a preferencial, desrespeitando a placa de trânsito, as normas de trânsito.
Pois isso aconteceu sábado, exatamente comigo. Deus, como eu dizia sempre estava mesmo ali e me salvou da morte que seguiu em frente à procura de outro, sem sequer olhar para mim, pois não era meu dia. 
Devo a vida, acima de tudo a Deus, a minha prudência ao dirigir e aos freios da minha moto. Se não fossem eles eu não estaria entre os vivos.
Está muito difícil dirigir aqui. 

*João Maria de Medeiros é professor, poeta e cronista.