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domingo, 26 de junho de 2022

REZA E CULTURA POPULAR, POR TIO CHICÓ - Roberto Flávio

 


Amo a Pedagogia e todo o seu processo de transmissão do saber, da ciência e da cultura como um todo.

A religiosidade popular se encaixa nesse universo. Conexão entre o humano e o divino, entre a finitude ou infinitude do ser com o que se tem por sagrado através de diferentes crenças, com ou sem doutrinação de igrejas ou religiões.

Neste São João, conversando com um "tio", ouvi uma reza digna de ser escrita num pergaminho e de fazer parte de qualquer museu religioso.

Marcante, profunda, um enredo do Pranto da Virgem Maria e da morte de Jesus Cristo, rezada pela fé e gravada no coração pelo que ouvia de sua mãe há décadas (de nove ou dez filhos o único que guardou fielmente e assim reza a até hoje).

Convido você a ouvir, refletir, pesquisar, e, se quiser, tentar repetir ou sair por aí na "net" reproduzindo o "Pranto de Nossa Senhora". 

Ao Tio Chicó (homem simples e sem letras), do alto seus 83 anos, minha gratidão!

Aconselho um fone de ouvido, tempo e a devida atenção.

link:



Roberto Flávio (Santa Cruz/RN, 26/06/2022)




sábado, 7 de maio de 2022

SIMPLESMENTE MATERNAL - Roberto Flávio

 



SIMPLESMENTE MATERNAL


Mãe sublime, mãe amor

Mãe de chagas, mãe da dor.

Mãe que perdeu,

Mãe que ganhou.

Mãe que luta,

Mãe que se entregou.

Mãe que tudo tem,

Mãe que quase nada levou.

Mãe, filha da violência

Mãe da nítida ausência.

Mãe desfigurada,

Mãe abandonada.

Mãe sem flor,

Mãe que nunca viu o amor.

Mãe mulher, mãe menina

Mãe poetisa, Mãe Coralina.

Seu viver tragado sem que nada tenha

Mãe Maria da Penha.

Mitificada Rainha do Lar,

Mãe do verbo amar.

Mãe de Deus, na fé considerada,

Mãe é mãe, assim empoderada.

Mãe, sentimento universal.

Mãe, simplesmente maternal.

Roberto Flávio, 07/05/2022.




domingo, 17 de abril de 2022

QUE REI É ELE - Roberto Flávio

 


QUE REI É ELE


Emanuel, Jesus, o Cristo, o Messias, Yeshua Hamashia, Yehôshua,

Vários nomes, tantos significados e títulos.

Não havia Plano, Seguro ou Sistema de Saúde.

Não nasceu num palácio, mas ao redor de bichos numa estrebaria; ou ainda no piso inferior de uma casa onde também se guardavam animais, como afirmam outros pesquisadores.

Veio de Nazaré, da Galileia. Sendo rejeitado até por essa origem, seria hoje tipificado como discriminado por raça ou etnia.

Pregava à beira do mar, nos montes, nas praças, nas sinagogas, em lugares nada pomposos.

Não era dado aos costumes, dogmas e práticas sacerdotais.

Muito pelo contrário, sempre estava a confrontar a corrupção religiosa dos judeus daquele tempo e nos templos.

Fariseus, saduceus, escribas e hipócritas são chamados de raça de víboras.

Entrou em casa de amigos, publicanos, cobradores de impostos, de pessoas simples e chamadas pecadoras.

Não procurava hospedagens. Aliás, dizia que “não tinha onde reclinar a cabeça”.

Falava aos pobres, aos humilhados, curava os doentes, clamava pelas injustiçadas viúvas de Israel.

Disse que estaria nos que tiveram fome e sede, nos que não puderam se vestir, nos estrangeiros não hospedados, nos enfermos e nos prisioneiros.

Mandou jogar pedras quem não tivesse algum erro.

Que a bondade estava no inimigo samaritano, mas longe do falso religioso judeu.

Incomodou os seus compatriotas até mais que aos romanos.

Nem comunista ou socialista. Esse padrão sociológico sequer existia. Ao meu ver, simplesmente, o Maior dos altruístas.

Disse que havia muitas moradas na Casa do seu Pai.

Foi entregue pelos Chefes dos sacerdotes, escribas e líderes dos judeus aos romanos.

A multidão foi manipulada e convencida a pedir soltura para o homicida Barrabás.

Não se autoproclamou Rei. Mesmo quando perguntado pelo governador Pilatos, preferiu responder: “Tu o dizes”.

Condenado por um crime civil que não cometeu contra Roma. Açoitado e torturado até a morte.

Levado à crucificação num madeiro ou cruz fora dos muros de Jerusalém.

Na crucificação, ficou entre dois ladrões. A um foi manifestado a promessa de Vida no Paraíso e sem fuzilá-lo com palavras de ódio.

Aos seus torturadores ou assassinos clamou o perdão do Deus-Pai.

Nítida diferença: há quem sabe o que faz e há quem não sabe o que faz.

Pelo próprio Jesus, não estará no reino dos céus quem da boca para fora apenas disse “Senhor, Senhor”.

Sobre a cruz, em latim, em 4 letras, o motivo dado por sua morte no acrônimo INRI - Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum -.

O Rei dos Judeus passou a ser o Rei de Todos os que nele creem.

Luz Divina, Salvação, Vida Eterna ou apenas uma história da humanidade.

Que Rei é Ele?

A resposta é pessoal.

A minha é: “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”.

 

Roberto Flávio, Domingo de Páscoa, 17/04/2022.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

UM SETE DE CONFUSÃO - Roberto Flávio

  


UM SETE DE CONFUSÃO


Patriota com idiota

Civismo com cinismo

Independência com subserviência

Bondade com maliciosidade

 

Enlutados defendendo a morte

O real com a ilusão

Liberdade com maldade

Expressão e violação

 

Verdade com falsidade

Ação com omissão

Um discurso sem a prática

Solução com a negação

 

Milícia não é polícia

Educação não é dominação

Cultura não é censura

Saúde não é manipulação

 

Democracia não é idiocracia

Ditadura não traz a paz

Justiça não é a ameaça

A Constituição não é uma farsa

 

Ativismo não é golpismo

A Nação não é de fanfarrão

Armamentismo não é pacifismo

Das trevas não sai claridão

 

Querem impor a mordaça

À força e na base do fuzil

Não obstante as dificuldades

Que assolam o nosso bravo Brasil.

 

Roberto Flávio. Em, 07/09/2021.



Adquira na Livraria Educativa em Santa Cruz/RN





 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

A PRAGA - Roberto Flávio



A praga

Na história da humanidade muitas foram aos montões

Construindo narrativas

Para destruir reputações

Dispensando as oitivas.

 

Do nobre ilustre ao plebeu

Não fica nenhum de pé

Como um canto de Orfeu

Apresentada em boa-fé.

 

Adão e Eva não comeram uma maçã

Dita a fruta como um mito

De presente Freud ganhou um divã

Nem era ele o seu fito.

 

Cleópatra não era egípcia

Napoleão não era tão baixinho

Lia foi por Raquel para a núpcia

Pode ser pela boca ou até num pergaminho.

 

Dos macacos não viemos

No mais serão nossos primos

Em Cabral não confiemos

Como descobridor dos destinos.

 

Um dia é dedicado a tal

Como se fosse algo bom

Porém se torna letal

Quando em tudo muda o tom.

 

Há de se ter atenção

Porque é veneno agressivo

Faz cair uma nação

Num prejuízo expressivo.

 

No inglês é uma fake

E o que não é se vira

Estendendo-se por alqueire

Esta praga é a mentira.

 

        (Roberto Flávio, 09/07/2021)


sexta-feira, 25 de junho de 2021

O roubo da alegria - Poema de Roberto Flávio

 

O roubo da alegria



   

Não

Você não é invencível

Pode ser até terrível

Profunda transformação

Enfrentamento, reflexão

No seio de cada nação

A palavra é prevenção

Ciência com boa notícia

Não pode ser com estultícia

Sem saúde, economia enterrada

Por estapafúrdia empreitada

Diante desse tormento

A morte é debochada

Com disparate argumento

Num desatino sem fim

Impiedade e sofrimento

Misericórdia, Senhor, dizemos assim

Por tamanha agonia

Incompetência é a ordem do dia

Enquanto houver desgoverno

Não haverá alegria.

 

 (Roberto Flávio, 25/06/2021)

 

domingo, 20 de junho de 2021

LUTO - poema de Roberto Flávio



 LUTO


Santa Cruz amanheceu mais triste

Há um Brasil que chora 

Meio milhão de vítimas

Profundo pesar

Dor familiar

Amigas e amigos

Sentimentos cortantes 

Vazio

Tempo de resgate

O que há de melhor em nós

Ainda há tempo

Luto

Lutar até no contratempo

Pelo ético

Pelo decente

Do nascente ao poente

Falsa verdade despudoradamente

Ao pensamento de alienação

“De morrer pela pátria

E viver sem razão”

Pela vida, pela ciência

Contra experimentos sem comprovação

Afirmação versus negação pungente

Ao ser humano

Não apenas o futuro

O bem presente.


(Roberto Flávio, João Pessoa, 20/06/2021)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

A CHAVE - Roberto Flávio

 



A chave 

(Roberto Flávio)

 

Temos uma chave codificada.

Cada ser humano tem a sua com um DNA exclusivo.

Isso nos torna absolutamente únicos.

Imagino uma chave em minhas mãos.

Não exijo ser de ouro, nem de bronze, apenas uma chave importa que seja.

Em algum momento não tinha sequer habilidade para segurá-la.

Fui pegando aos poucos. Brincando com ela, jogava; alguém a devolvia.

De repente ficou comigo, sem mais desgrudar, enquanto houver vida biológica.

Função de abrir fechaduras. Abro janelas, abro portas e até grades de ferro.

Também me disseram, eufóricos e ufânicos, que era a chave do meu sucesso.

Há quem diga que uma grande porta está dentro de mim e posso usar a minha chave.

Somente a minha consegue abri-la. Inviolável para qualquer hacker que possa surgir.

Mas o que preciso realmente abrir dentro de mim?

Razão? Pensamentos? Ideias? Emoções? Sentimentos? Um conceito metafísico?

Não era apenas uma chave que me permitia abrir e fechar gavetas, janelas ou portas?

Vida, chave? Vidas, chaves? Assim como a chave, cada um vai ter a sua resposta.

Portas que não deveriam ter sido abertas, mas abrimos.

Inesperadas adversidades na estrada da vida. Perdas de humanas vidas que amamos.

Cenários sociais de flagelo e vulnerabilidade ao redor do mundo, bem pertinho de nós.

Minha chave agora abrindo uma fenda de luz.

Chave que abre, que fecha e que nos leva a outras possibilidades.

Não é o que se chama simpatia para o Ano Novo.

Apenas pensei numa chave.

Logo mais, sem me importar com o valor de uma sidra ou do champanhe mais caro,

não irei abrir o ano inteiro de uma só vez, nunca e jamais.

Um dia, a cada dia, quero primeiro abrir a porta que está dentro de mim, com um jeito

próprio, humano, acertando e errando, mas procurando aprender a usar a chave.

A minha chave, somente minha, pois cada um tem a sua.


Roberto Flávio, 31/12/2020. 







sexta-feira, 24 de julho de 2020

Ao sineiro da mensagem lutuosa: “Os sinos dobram por Ribeiro”



Ao sineiro da mensagem lutuosa: 
“Os sinos dobram por Ribeiro”


Caríssimo Doutor Professor José da Luz, certamente o precoce falecimento do Professor Ribeiro (22/07/1940*-14/08/1984†) pode ser considerado como um dos momentos de maior comoção na história de Santa Cruz.

Na qualidade de um familiar próximo, sendo ele primo carnal da minha mãe, te agradeço profundamente não apenas por me permitir fazer a releitura da sua homenagem póstuma ao Professor Ribeiro, mas principalmente pela oportunidade de também te dizer o quanto as junções das famílias Dias, Ribeiro e Damasceno foram acalentadas naquele dia por esta sua preciosidade literária.

O último conselho que recebi de Ribeiro foi durante uma visita, quando ele esteve internado no Hospital Ana Bezerra.  Estava com a minha mãe, Lindomar Ribeiro Dias. Minha idade era 16 anos e meses. Visivelmente com dores, quase sussurrando, por alguns minutos ele apertou bem forte a minha mão, falou várias coisas, mas uma me marcou naquele instante: Roberto, estude para você passar no vestibular e futuramente poder também ajudar a sua mãe, ela batalhou muito por vocês!

Veio o falecimento, o vazio do luto, passaram poucos meses, veio o vestibular de dezembro de 1984. Minha mãe sempre nos ensinava a rezar em todas as provas para pedirmos que “o Espírito Santo iluminasse nossa inteligência”. Ela também passou a dizer por várias vezes que eu também “pedisse para Ribeiro interceder por mim”, ao realizar o vestibular. Confesso que só pedi ao Espírito Santo, mas não havia como não me lembrar dos conselhos e lições de Ribeiro naqueles dias, principalmente na Redação e na Língua Portuguesa. Deu tudo certo. Pedagogia foi meu primeiro curso e marco na minha trajetória acadêmica. Obrigado, Ribeiro, por tudo o que você fez por sua família. Foram muitos os que contaram o quanto você foi um bom filho, um bom irmão, um bom tio, boa amizade, referência para todos por sua inteligência e por amor aos estudos.

Ao meu pensar e sentir espiritual, depois de tudo o que foi dado como honras e preitos de solidariedade pelos santa-cruzenses, representantes da chamada classe política do Trairi, de outras regiões do estado e da própria capital, autoridades e representantes religiosos, caso pudesse e de forma surreal diria Ribeiro a você: Zé da Luz, Zezinho, após tudo o que ouvi em minhas exéquias, só tenho mais que agradecer a Deus por ter me dado muitos amigos e tantas realizações. Eu, que vim de origem familiar humilde, pude ultrapassar inúmeros obstáculos até chegar aqui. Dê-me a sua homenagem, guarda-a no bolso do meu paletó, pois é ela a que quero para levar nessa viagem. Tenho dito!



Obrigado, Doutor, Mestre e Professor José da Luz, pelos sinos que dobraram por Ribeiro através do deslizar da sua caneta no papel. Não deve ter sido fácil para você expressar tantos sentimentos. O sonido marca a saudade ao nosso coração, contudo parece ainda soar aos nossos ouvidos para nos fazer relembrar do valor de um bom professor e seu legado, ora representado por Ribeiro.

Obrigado, Ribeiro, gerações te agradecem!

Obrigado, Ribeiro! Abençoada seja essa herança genética que me fez amar os estudos.

Em, 24 de julho de 2020.
Roberto Flávio Dias Câmara


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Violência: o colapso mundial das relações humanas - Roberto Flávio Dias Câmara


Violência: o colapso mundial das relações humanas

Extremismo e violência sem limites extrapolam as fronteiras do oriente.
A bestialidade não poupa ninguém.
Crianças são vitimadas na terra ou nos mares. Recrutadas para o “santo” combate, muitas delas estão sendo preparadas para serem os heróis do amanhã.
Hospitais, escolas e abrigos humanitários são bombardeados, quando não são covardemente usados como escudos em conflitos que certamente não terão acordos definitivos de paz.
Etnias e populações quase que inteiras migram desesperadas como um bando selvagem à espreita da sobrevivência.
Os senhores da guerra produzem e vendem armas cada vez mais potentes como nunca visto em toda a história da humanidade.
Armas nucleares podem reduzir a humanidade ao nada em fração de horas. Grandes potências tem a bomba.  A Coreia do Norte também a possui. O Irã e a Síria já a teriam?
Um planeta violentado agoniza em meio a tantas agressões ambientais.
Dados geográficos indicam que “aproximadamente dois terços dos mamíferos e espécies de pássaros ameaçadas de extinção” devem seu estado de ameaça à destruição e à fragmentação de seus habitats”.
Secas, enchentes, furacões, inundações de lama, florestas inteiras destruídas por incêndios, poluição desenfreada das águas, do ar e do solo são fortemente o prelúdio de um caos socioambiental desta feita provocado por quem domina a terra: o homem.
No Brasil, a violência social, também fomentada pela criminalidade, tráfico e uso de drogas, produz uma verdadeira barbárie. O crime hediondo de hoje amanhã facilmente será “esquecido” por outro maior.
Outra forma de violência tem assolado o nosso país de canto a canto, e em todos os poderes: a corrupção. Chaga que corrói as finanças públicas e deixa cada vez mais a população longe dos direito sociais garantidos pela Constituição. A corrupção praticada pelos agentes políticos tem se tornado um dos maiores problemas a ser enfrentado nos dias atuais. Violência que urge punibilidade severa.
Violência contra as crianças traduzidas pela pedofilia, pior sabendo que religiosos “cristãos” estão por trás de muitos desses casos. O Papa Francisco, em entrevista ao Jornal La Republicca, em 13 de julho de 2014, afirmou que “2% dos clérigos católicos, ou um em cada 50, seriam pedófilos”. Pastores e outros “ministros” ditos evangélicos também são denunciados a cada dia. Violência cruel que deixa sequelas para toda a vida nas crianças e no entorno de seus familiares.
Outras tantas violências. O mundo jaz na maldade. O mundo jaz na violência.
Nossas vozes e ações não podem se calar.
Amemos cada vez mais quem está ao nosso lado, ao nosso próximo.
Lutemos por nossos sonhos com as armas da honestidade, da ética, da incorruptibilidade, da valorização humana e da tão imperiosa sustentabilidade do planeta.
É o começo do fim?
Salve-se quem puder, salve-se quem quiser!
Paraíba, 5º Estado mais violento do Brasil, 16 de novembro de 2015.

Roberto Flávio Dias Câmara

  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

REDE GLOBO VEICULA REPORTAGEM SOBRE SANTA CRUZ


Reportagem remetida pelo conterrâneo Roberto Flávio, residente em João pessoa, com a seguinte mensagem:

 "Segue o link de uma matéria veiculada hoje na afiliada local da Rede Globo/PB. Vale pela divulgação da cidade e pelo ponto de vista antropológico.
Saudades de "nossa" terra.
Grande abraço,
Graça e Paz!"

http://globotv.globo.com/rede-paraiba/bom-dia-paraiba/v/santuario-atrai-turistas-para-cidade-de-santa-cruz-no-rio-grande-do-norte/3879534/

terça-feira, 20 de agosto de 2013

PORNOFONIA - Roberto Flávio

Estava numa clínica em julho passado. Uma tv ligada num desses programas matinais. De repente levantei os olhos, um tanto assustado, para o que acabara de ouvir: “A cada 17 minutos uma adolescente fica grávida no Brasil”. Com dados do IBGE, a matéria também mostrou que, em média, 17% dos nascimentos de 2011 foram originados de adolescente com idade entre 15 e 17 anos. A reportagem também abordou o alto número de abortos entre adolescentes. Bom trabalho jornalístico (créditos para Chris Flores e sua equipe) que buscou a contextualização da questão e visualizando que a maioria dos casos acontece na população de baixa renda e tem relação com a falta de estudo. 

Mas, Gilberto, esta outra nuance não foi explorada, nem nunca será pela grande mídia (que se alimenta comercialmente dela): a pornofonia. Seja ela humorística ou musicalizada, a pornofonia é a alma gêmea ou a versão “cultural” da pornografia. Aliás, estudos e pesquisas, em todo mundo, apontam a pornografia como elemento influenciador de muitos crimes sexuais praticados contra adultos, como motivador da pedofilia, etc. 

Questão polêmica, sim. A liberdade da expressão artística não pode se evocada para agredir, humilhar, explorar, perverter, transtornar sexual e socialmente crianças e adolescentes sem que nenhuma censura se estabeleça. Aqui também há um espaço para ser ocupado pelo regramento legal e jurídico. Boa índole, decência, respeito ao próximo, ética e a “vida como o maior valor humano” são valores universais indispensáveis à convivência presente e ao futuro.

* Escrito em resposta a Ímpar ou par? Jogo para seduzir garotas

sábado, 3 de agosto de 2013

As estatísticas e a nova realidade social do Brasil: Um breve olhar contextual - Roberto Flávio


É visível o quanto a ciência estatística tem se avolumado em importância. Não apenas às necessidades do Estado, como nos primórdios de sua aplicação, o universo dos negócios privados e inúmeras outras ciências cada vez mais se utilizam dela como fonte importante de subsídios. Impossível imaginar sobre o que afinal não se pesquisa hoje em dia, isto posto no sentido de se coletar, analisar e interpretar dados.  
No geral, espera-se que os resultados coletados juntos à população estatística demonstrem de forma mais fiel possível uma determinada situação física ou social. Entretanto, o uso que se faz desses números é que se torna o xis do problema ou da aceitação da situação estatisticamente apresentada. Ou seja, na maioria das vezes os números são usados pelos agentes políticos e pelos governos para justificar suas ações, manipular a opinião pública, para desencadear guerras e até para promover massacres genocidas. Nessas hipóteses reais, desmistifica-se a expressão de que “os números não mentem”.
Em nosso país, cabe ao IBGE, fundação pública federal, à “produção, análise, pesquisa e disseminação de informações de natureza estatística” (demográfica, sócio-econômica e geocientífica).  A SIS - Síntese de Indicadores Sociais (Uma análise das condições de vida da população brasileira) se traduz numa de Síntese de Indicadores Sociais Síntese de Indicadores Sociaissuas publicações mais importantes, sendo a última edição relativa ao ano de 2012.   
Desde 2011 nos tornamos a sexta maior economia do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Fraa. Por outro lado, a nossa sociedade continua convivendo com todas as desigualdades sociais possíveis (de renda, de oportunidades, de acesso aos serviços públicos de educação, saúde, segurança, habitação, saneamento, justiça, etc.,).
Segundo o IBGE, “houve crescimento econômico e redução das desigualdades, com políticas de transferência de renda e valorização real do salário mínimo”, e “os resultados para o Coeficiente de Gini¹ mostram diminuição consistente da desigualdade nos últimos anos, passando de 0,559, em 2004, para 0,508 em 2011”. No ano de 1990 este Coeficiente foi de 0,602.
Sabemos que todos esses resultados “qualitativos” serão amplamente comemorados e explorados eleitoralmente dentro em breve. O discurso do oba-oba vai imperar, interpretações tendenciosas dos números virão e parte considerável da imprensa se engajará nessa onda do “milagre social” brasileiro.
Não desejo apresentar uma visão negativista dessa nova realidade econômica e social, nem muito menos ignorar as evoluções positivas dos dados estatísticos. Todavia, percebamos o quão estupendo, excludente e profundo é o fosso social brasileiro ao nos compararmos com outros países. Vejamos o quanto na realidade precisamos de políticas públicas estruturantes no plano nacional e local. Ações de governos serão indispensáveis no sentido de se garantir o acesso à educação de qualidade a partir das crianças e visando que os mais necessitados não continuem “sobrevivendo” como dependentes de bolsas e demais programas sociais emergenciais. A guisa de exemplo, na tabela abaixo estão às cincos maiores economias mundiais, a Noruega como 1º lugar no IDH²/2011 e países da América do Sul em melhor classificação que o Brasil. A pura leitura dos dados nos leva a refletir preocupadamente sobre a nossa realidade social. Muitos são os componentes sociais analisados no IDH, mas deixo como destaques apenas saúde e educação por serem elementos basilares do desenvolvimento de qualquer nação.




Em, 3 de agosto de 2013.
Roberto Flávio.



Notas

¹ - O Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini. Uma sociedade com total igualdade teria coeficiente de Gini igual a 0 (zero), enquanto o coeficiente igual a 1 (um) representaria a total desigualdade (quanto menor é o número, menos desigual é um país). Para ilustração, o Relatório de Desenvolvimento Humano 2011, divulgado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas-PNUD (United Nations Development Programme -UNDP) traz, como últimos coeficientes disponíveis, 0,586 para Angola e 0,250 para a Suécia (HUMAN..., 2011). Fonte: SIS/IBGE/2011 (p. 162). Ou seja, o Brasil está mais para baixo do que para cima neste índice de desigualdade.

² - O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mede as realizações em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, o conhecimento e um padrão de vida digno.

³ - Esperança de vida à nascença: Número de anos que uma criança recém-nascida poderia esperar viver se os padrões prevalecentes das taxas de mortalidade por idades a data do nascimento permanecessem iguais ao longo da sua vida.

4 - Esperança de vida ajustada à saúde: Número médio de anos que uma pessoa pode esperar viver, gozando de “plena saúde”, tendo em consideração os anos vividos em estado de menos saúde devido a doenças e lesões.

5 - Anos de escolaridade esperados: Numero de anos de escolaridade que uma criança em idade de entrada na escola pode esperar receber, se os padrões prevalecentes das taxas de matricula por idades persistirem ao longo da sua vida.

6 – O Brasil, no Relatório de Desenvolvimento Humano, dentre todos os países pesquisados, encontra-se situado na faixa dos países com Desenvolvimento Humano Elevado (esta faixa apresenta o intervalo de classificações entre 48 e 94). A faixa dos países com Desenvolvimento Humano Muito Elevado termina na posição 47. A faixa dos países com Desenvolvimento Humano Médio começa na classificação 95 e termina na classificação 141. A faixa dos países com Desenvolvimento Humano Baixo se encerra com a classificação 187.

7 - A China, com o seu mega “império comunista-capitalista”, apesar de ser a quinta economia mundial, está abaixo do Brasil na classificação do IDH.

Para reflexão

            Na divulgação do IDHM/2010 dos municípios brasileiros, feita pelo PNUD no recente 29 de julho, o município de Santa Cruz (RN) tem o IDHM 0,635 e se encontra na classificação de número 3393 (num total de 5565 municípios). Os seus coeficientes foram: longevidade igual a 0,761 (Alto Desenvolvimento Humano), renda igual a 0,597 e educação igual a 0,564 (ambas na faixa de Baixo Desenvolvimento Humano). No geral, o município está classificado como Médio Desenvolvimento Humano e a renda per capita mensal divulgada foi a de R$ 327,61.