quarta-feira, 15 de março de 2023
quarta-feira, 1 de março de 2023
BANHO NO BECO - J. Luz
BANHO
NO BECO
Passando o fim
de semana na cidade santuário, fui visitar meu tio Zuca, mais afetivamente
Zuquinha, barbeiro profissional. Visita breve. Fiz um agrado ao tio. Recebi a bênção.
Meio-dia.
Intenciono ir ao quiosque do Léo, na praça do coreto. Desejo ardente de uma cerveja
geladinha. Pego um atalho e sigo por um beco. Despreocupado, consciência
tranquila. Promessa paga. De repente, na esquina, da varanda do 1º andar, uma
nuvem de água suja desaba sobre mim.
– Misericórdia!
Clama a mulher.
Em seguida, terce
um rosário de desculpas.
– Me perdoe. Me
perdoe. Me perdoe.
Escapei do
banho completo por pouco. Mesmo assim fiquei todo enlameado de água servida.
Restou-me, com a educação que continuava limpa em mim, repreendê-la.
– Isso não se
faz! A senhora está errada! Olhe a rua antes de lançar fora a água de uso.
Na verdade, não
se joga na via pública a água usada na limpeza da casa.
Doravante vou
evitar o atalho dos becos. E espero que ela aprenda a lição.
domingo, 23 de janeiro de 2022
MUTAÇÕES NA PANDEMIA - José da Luz Costa
MUTAÇÕES NA PANDEMIA
Infelizmente,
aproxima-se o triste aniversário de dois anos da Covid-19 em terras
brasileiras. No início, lá longe na China, o vírus saía do berço. Aqui ainda
havia um ilusório sentimento de que estávamos protegidos na América do Sul, do
outro lado do mundo.
Claramente, já
sabemos que o vírus é um ator global, capaz de representar qualquer papel nos
mais diversos e adversos cenários. Escalado para o ataque, o vírus desafia as
defesas no campo das ciências médicas.
Diariamente,
continuamos a ouvir a gritaria nervosa e exaltada e histérica das
arquibancadas, onde se agrupam o preconceito, a superstição e o negacionismo
numa torcida macabra e funesta.
Politicamente, o
vírus entrou em campo aberto, enfrentando um time sem comando técnico e tático.
Desacertos e lambanças exigiram mudanças de regras no meio do jogo.
Improvisações equívocas voluntárias fizeram baixas no vestiário político e no
obituário nacional.
Economicamente, juiz
e treinador e jogadores não acertam o passe. A bola sempre escapando pela
lateral. O concerto desafinado faz subir as críticas e os preços. Acordaram o
dragão da inflação. Luz, comida, combustíveis. Tudo pouco e caro. Sobram: medo
e fome e insônia.
Comercialmente,
acompanhando o ritmo mutacional do vírus da pandemia, os empresários do setor
de alimentos diminuíram a embalagem e a quantidade de muitos produtos
populares, mas não se envergonharam de aumentar os preços “promocionais”.
Religiosamente, com
os templos fechados, foram convocados incitantes apregoadores de patamares e
altares, como gandulas responsáveis para repor a bola nas quatro linhas das
redes sociais e arrebanhar a torcida verde-amarela dizimista dos bancos
penitenciais.
Culturalmente,
cinemas e teatros e circos com as luzes apagadas. Autores e artistas
censurados, ofendidos, abandonados e vistos como inimigos da “nova era”.
Instituições extintas e recursos deslocados para projetos alinhados ao louvor
do “Brasil acima de todos”.
Cientificamente, as
vacinas chegaram como reforços contratados para combater a propagação do vírus
e reduzir o placar alarmante de mortes. Mas contra-ataques baixos e ilegais
tentam tirar de campo pesquisadores, médicos e técnicos que apoiam o jogo
limpo.
Ideologicamente,
agentes anônimos disfarçados de arautos públicos incendeiam com fake News
a sensível animosidade de seguidores que formam a legião armada e desalmada,
inquieta por montar suas trincheiras na praça dos poderes.
Juridicamente, a lei
sustenta a ordem e as instituições defendem o progresso. Magistrados e
militares, de senso e de consenso, estão no mesmo gramado verde-amarelo como
protagonistas da paz e da liberdade.
Pessoalmente, no ano
de Copa e Eleições, ainda em meio às mutações da pandemia, desejo que as
bandeiras das disputas do politibol sejam desfraldadas sob o hino da alegria, do
respeito, do compromisso e da transparência.
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José da
Luz Costa Natal, janeiro/2022.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2021
Crônica em Homenagem à Profª Drª Maria Angélica Furtado da Cunha
ANGÉLICA, UMA MULHER PROPAROXÍTONA
De forma explícita, a
retórica do dizer comum não me favorece neste ínterim para expressar os
atributos desta mulher superlativa, humana e intelectualmente.
Por isso, atrevidamente,
fiz opção por estratégias lúdicas para elaborar uma imaginável crônica (quase) poética,
como texto possível de enaltecer esta dama da ciência, ícone dos estudos
linguísticos na UFRN.
Para tanto, também esclareço
que não faço uso das lições do Manual do
cara de pau, de Carlos Queiroz Telles, que ironicamente preconiza que “É
fácil falar difícil”.
A princípio, lembro aos
interlocutores presentes a mística composição do nome de batismo, Maria
Angélica, pois já atiça a nossa imaginação a ponto de evocar modelos sacros e
heroicos da cultura universal.
No entanto, entre
tantos predicados evidentes, vou tentar construir um frame biográfico, utilizando
a metáfora como ferramenta metalinguística e tendo como moldura o cenário
acadêmico.
Carioca do bairro do
Catete, já faz tempo que trocou os mares do Sudeste pelos mares e ares do Nordeste,
principalmente os da ensolarada capital potiguar, tendo como habitat urbano uma aconchegante casa com
vista para a enseada de Ponta Negra. Privilégio indescritível, abrir a janela, todas
as manhãs, e receber a brisa suave e fresca regida pelas águas tépidas do
Atlântico.
A nossa homenageada, portanto,
é uma pessoa cidadã plena de tonicidade pela vida. Uma persona, sem máscara, no
teatro da ciência. Uma mente elevada por propósitos límpidos na abertura de
caminhos científicos e pacíficos nas pairagens linguísticas. Tem capacidade
multivalencial que lhe permite se locomover na transitividade funcional de
todas as estruturas argumentais das práticas sociocomunicativas. Ensina. Pesquisa.
Orienta. Escreve. Traduz.
No itinerário de suas
pesquisas, já percorreu a passos largos as trilhas do estruturalismo e as
veredas do gerativismo. Adentrou os caminhos do funcionalismo clássico
norte-americano, e avançou o roteiro, chegando ao funcionalismo contemporâneo,
que se deixa avizinhar-se das fronteiras cognitivistas, especificamente das
teorias que abordam a construção, o contexto, a variação e mudança dos
elementos linguísticos. Faz parte do grupo seleto que projetou a nova
arquitetura epistemológica do funcionalismo em terras brasileiras, a já
promissora Linguística funcional centrada
no uso. E, sem esquecer nenhum desses idealizadores, cito, em nome dos
demais, o nome de outra mulher culturalmente proparoxítona: Mariângela Rios.
Outra parceira sua, cuja interlocução vai além dos diálogos acadêmicos.
Aqui invoco, ainda, a
memória saudosa do seu amicíssimo parceiro de pesquisas, prof. Mário
Martelotta, que costumava sentenciar que “O tempo é uma passarela”. E essa
passarela do tempo proporcionou à grande mestra, ao longo de quatro décadas, com
sua vivência e didática, poder transformar a vida de muitos jovens nos níveis
da graduação e pós-graduação.
Sempre ética em suas
atitudes e profilática em seus textos, sabe dosar a orientação técnica com a solicitação
rígida, “sem perder a ternura jamais”.
Hoje, aposentada, no
ápice da carreira docente, chega ao pedestal máximo do reconhecimento público e
institucional, quando será homenageada com o título de Professora Emérita, ato
magnífico que me incentiva a declinar a concordância gramatical para o feminino.
Não há dúvida, sua
estatura pequena projeta uma silhueta de dimensão proparoxítona. Um espírito de
visão absolutamente pancrônica.
Facilmente podemos
descrevê-la com os adjetivos mais raros e caros nestes tempos de valores
mediocráticos.
Íntegra. Lúcida.
Pragmática. Solícita. Esplêndida.
Por fim, em gesto
unânime e uníssono, vamos aplaudir com júbilo a Profa. Dra. Maria Angélica, confirmando
as palavras do prof. Sebastião nesta cláusula intransitiva:
- “A moça
merece”.
P.S.: O livro em homenagem a Angélica "Pesquisas funcionalistas: da versão clássica à perspectiva centrada no uso" está disponível no repositório institucional da UFRN. Favor acessar e compartilhar o link: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/32775. Boa leitura!
José
da Luz Costa
UFRN
Natal,
25-06-2021
segunda-feira, 17 de maio de 2021
CHÃO DE LAMENTO - J. Luz
CHÃO DE LAMENTO
sábado, 27 de março de 2021
A PALAVRA... - José Luz
A PALAVRA...
A palavra
riqueza não é rica.
A palavra
pobre não é pobre.
A palavra
nobreza não é nobre.
A palavra
beleza não é bela.
A palavra
céu não é azul.
A palavra
inferno não é quente.
A palavra
mar não é profunda.
A palavra
noite não é escura.
A palavra
cor é incolor.
A palavra
perfume é sem odor.
A palavra
mensagem não é texto.
A palavra
brilho não é luz.
A palavra
coração não pulsa.
A palavra
mão não afaga.
A palavra
arma não fere.
A palavra
pão não alimenta.
A palavra
água não mata a sede.
A palavra é
apenas uma palavra.
Apenas.
A palavra
vive apenas no discurso dos sujeitos
reais
virtuais
sociais.
(J. Luz. Natal, 2014)
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
O ÚLTIMO ANDAR - J. Luz
O ÚLTIMO ANDAR
No centro da cidade
o edifício.
Estou no sossego do último andar,
de lá eu não vejo o mar.
Vejo o rio e várias pontes...
No silêncio do último andar,
ouço a voz poética do vento
me chamando pra cantar.
No último andar
não há calor.
Não há barulho de carros,
nem o burburinho das calçadas.
Vejo as casas.
Vejo as ruas.
Vejo as praças.
Tudo cheio de graça,
visto do último andar.
À noite, a lua desliza suave pelo céu.
Do último andar,
vejo o mercado,
vejo o teatro,
vejo a estação,
vejo a catedral.
Vejo a cidade dos mortos
dentro da cidade dos vivos.
Como tudo é bonito
visto do último andar.
Pena que eu não posso morar
no último andar.
Sou visita
e minha casa fica no chão
noutro lugar.
Sempre sentirei saudades
do último andar.
* * *
Numa breve estada em Mossoró, em dezembro de 2019. No apartamento de um amigo santacruzense, Francisco José (Dr. Cure).
Texto inspirado no poema de Cecília Meireles, O último andar.
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
DISCURSO ENIGMÁTICO - José da Luz Costa (J. Luz)
Discurso
Enigmático
Desde os primórdios da humanidade que todo
mundo tem uma ideia formada sobre as coisas, que faz entender que pau é pau e
pedra é pedra, até que se prove o contrário.
Como se diz por aí: casa de ferreiro,
espeto de pau. Não dá para falar à boca pequena, mas está todo mundo louco
porque a vaca foi pro brejo, e quem for podre que se tore, pois, afinal, isto
aqui não é casa de mãe joana não.
É isso aí, a pressa é inimiga da perfeição, e atirar no escuro é atirar
com pólvora alheia. Trocar o certo pelo duvidoso é coisa de fim do mundo,
entretanto não dá pra bater o martelo e ficar de bico fechado, pois ninguém é
de ferro.
Nesta guerra fria, não perder a cabeça é ponto de honra. É que tem rico
caindo das nuvens e pobre brincando com fogo. E isso é muito perigoso.
Ora, faz de conta que a vida é tão bela e há mil e um motivos para
sonhar, porque nem tudo está perdido e o problema sempre acaba em pizza, e vida
boa mesmo é a do vizinho.
A bem da verdade, tem gente chorando de barriga cheia e batendo com a
língua nos dentes, todavia tem muito mais gente pegando papel na ventania, uma
vez que estão comendo o pão que o diabo amassou. O que levanta a suspeita de
que nem tudo são flores e a vida não é um mar de rosas.
O futuro é escuro. Tempo é dinheiro. E o mundo é do mais esperto,
principalmente daqueles que são amigos do alheio. É de cortar coração, mas é
preciso fazer das tripas coração, senão um dia a casa cai e não dá pra ficar
chorando o leite derramado, nem tapar o sol com uma peneira.
Pois bem, é bom confiar desconfiando, porque o santo desconfia da esmola
grande, e há muitos lobos vestidos de cordeiros; seguro morreu de velho e de
boas intenções o inferno está cheio.
É triste viver de porta em porta, mas, antes tarde do que nunca, custe o
que custar é preciso navegar. Viver de quebra-galhos é remar contra a corrente,
acredite se quiser ou entra pelo cano. A barra está pesada e vai estourar a
boca do balão, pois não dá para ficar nesse feijão com arroz, sem ver a luz no
fim do túnel.
Caramba! deu zebra e essa onda pega. Se cochilar o cachimbo cai e termina
pisando na bola, porque está provando que dois mais dois são quatro e se correr
o bicho pega e se ficar o bicho come. É o fim da picada.
Companheiro, devagar com o andor que o santo é de barro. Cada coisa tem
seu momento e cada coisa funciona no seu lugar, pois quem faz pela vida tem e
só amor constrói. É que não adianta nadar, nadar e morrer na praia. É assim
mesmo, tudo que é bom dura pouco. Viver na corda bamba é coisa de maluco, pois
não dá pra ficar em cima do muro, que está assim de gavião. Com outras
palavras: o povo é grande, mas tamanho não é documento.
A
propósito, nada como um dia atrás do outro. Aquilo que Deus não quer,
paciência. Não adianta reclamar, quem sabe sabe, e escreveu não leu o pau
comeu.
Sinto muito, na dúvida deixo o dito pelo não dito. Lavo as mãos e salve o
melhor juízo.
Que Deus nos ilumine.
José da Luz Costa (J. Luz) Natal,
fevereiro/99.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
AI DE VÓS, DOUTORES DA LEI - José da Luz Costa
AI DE VÓS, DOUTORES
DA LEI
José da Luz Costa
Já
foi dito que a justiça é o pão do povo, mas, infelizmente, este sempre está com
fome.
O
Brasil está com fome de justiça. Em todos os recantos do país, a indignação e o
descontentamento tomaram conta da alma do povo.
Tais
sentimentos indesejáveis advêm de espetáculos deprimentes que acontecem nas
Altas Casas das Leis deste país. Não bastasse a politicalha, segundo Rui
Barbosa, que estraga a moral de nossos homens públicos, os zeladores da lei
também estão patrocinando um espetáculo censurável aos olhos da nação.
Inclusive
aqui, no solo potiguar, árido, quente e de muita gente com fome e sede de
justiça, as Casas das Leis (legislativo e judiciário) são protagonistas de uma
peça dantesca, em que o povo não foi convidado nem para chorar no ato final.
Em
cartaz o NEPOTISMO.
Nepotismo
– parece uma palavra poética e atraente, mas seu significado revela, em nossos
dias, um conteúdo abusivo e ilegal.
Sem
pretensão didática, nepotismo derivou-se de nepōtis
(latim), que significava em sentido próprio neto (nepo), sobrinho. Daí o
desejo de políticos e magistrados em aninharem seus descendentes,
salvaguardando o destino de sua posteridade. Em sentido figurado, o povo passou
a enxergar, sob as sombras da lei, a prodigalidade cultivada entre pais,
filhos, parentes e aderentes nas cortes e palácios.
Como
sentencia Rousseau, “as leis são sempre úteis aos que possuem e prejudiciais
aos que nada têm”.
Nesse
caso, nem o sangue, nem o saber, nem o poder devem justificar o apadrinhamento
de pimpolhos e pupilos nascidos ou criados nas cercanias de Câmaras ou
Tribunais.
A
Justiça, mesmo cega, precisa se comportar como uma autêntica mãe. Mãe de todos
os filhos seus. Nunca feito madrinha de alguns politicamente privilegiados, nem
feito madrasta de muitos socialmente desprestigiados. É obvio que ora, apenas,
se faz alusão ao folclore do protótipo de madrasta.
Vivemos
numa República, ou seja, no governo da coisa pública (res-publica). A coisa pública é propriedade inalienável do povo.
Cargos, funções e poderes são patrimônios da nação. Homens e mulheres passam
por eles a serviço da pátria. É lícito, pois, usufruir decentemente de suas
prerrogativas e direitos, mas é condenável apropriar-se de expedientes oficiais
em proveito particular, apoderar-se em regime privativo de suas instâncias
orgânicas.
Se
a Justiça é cega, como diz a consciência popular, então é imperativo que os
magistrados (juizes, desembargadores, ministros) emprestem seus olhos a essa
deusa-mãe, para guiá-la em seus passos trôpegos, interpretar seus ideais
ocultos, aplicar com retidão seus ditames falíveis. Tudo isso sob o manto da
imparcialidade, transparência, universalidade.
Na
verdade, se a lei – pela opacidade – precisa de intérpretes; a moral – pela
transparência – dispensa legisladores. Por isso, o povo está tão próximo da
moral e tão longe da lei. E a justiça sempre tão íntima da lei, porém às vezes
tão distante da moral. Embora a lei não corrompa os costumes, sabe-se que os
costumes podem deturpar as leis.
Justiça
verdadeira é justiça que não tarda, que não se aplica pela metade, que não se
esconde, que não se combate. É justiça inteira, imediata, justa no fiel da
balança.
Eis,
portanto, a minha leitura-síntese de justiça: a paz para os justos, a lei para
os injustos.
E
nestes tempos de crise pública, é sempre oportuno lembrar as palavras de Jesus
dirigidas aos escribas e fariseus, que continuam fazendo eco além dos templos e
sinagogas:
Ai
de vós, doutores da lei!...
Natal, 2005.
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