Mostrando postagens com marcador João Maria de Medeiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João Maria de Medeiros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

O RIO TRAIRI E EU - João Maria de Medeiros

 



O RIO TRAIRI E EU


O rio que corria, rente e em curvas, 

Da minha vida, 

Hoje, seco, vazio Trairi

Só em pensar, me arrepio, 

Na minha infância querida.


Aquilo não era simplesmente um rio, 

Na quimera da minha vida, 

Nadando, cortando as águas 

A fio, no frio. 


Ali, aprendi a nadar. 

Nem me lembro como foi 

Que me ensinou tanto. 

Portanto, obrigado, rio

Pela vida que nos deu 

À sua margem.


Mas ainda espero no Rio das Traíras

No seu curso, nadar, 

Nas tuas águas, 

Ainda poder abraçar.

 

A braçadas não tão fortes, 

Como era, 

Mas aqui à espera, 

De te atravessar.


Autor: João Maria de Medeiros









sábado, 5 de fevereiro de 2022

Pedro Maribondo e a Vacina - João Maria de Medeiros

 

Imagem meramente ilustrativa

Pedro Maribondo e a Vacina


Pedro Negaciano da Silva era um cidadão de bem da pequena cidade onde morava. Homem muito trabalhador e exímio tirador de mel das colméias da região.

Por isso, ganhou o apelido carinhoso de Pedro Maribondo dos amigos mais próximos;  coisa que ele até gostava. Nunca se chateou com o apelido. Era sempre muito servidor, fazia favores a quem precisasse dele com a maior boa vontade.

Era casado e amava sua família. Já tinha a cabeça branca.  De sua esposa recebia todos os conselhos e vivia em harmonia com as duas filhas que tinham. 

Uma delas, trabalhava como exímia  enfermeira no hospital regional daquela cidade.

Durante a devastadora pandemia, era muito comum a filha enfermeira ligar pros pais, alertando sobre os cuidados que deveriam manter. 

Mas Seu Pedro Maribondo ouvia mais aqueles que negam à ciência, os avanços da medicina.

Dizia sempre à filha e aos preocupados com os milhares de infectados e mortos pela covid:

- Nada, isso só pega em quem tem que pegar mesmo. A gente só morre no dia. Quando chegar a hora, ninguém escapa da mulher da foice. 

Com a chegada da vacina, todos da família correram à UBS do bairro e deram o braço à vacina, como todos nós fazemos desde quando nascemos. As vacinas têm nos salvado de muitas doenças; algumas até extintas pelas forças dos imunizantes.

Infelizmente, Seu Antônio preferiu seguir os negacionistas ao invés da  filha e dos amigos, que diziam:

- Homem, vá tomar a vacina!! Tá todo mundo tomando. Os casos até estão diminuindo e as mortes também despencaram!!

A filha enfermeira já não sabia mais o que fazer para convencer o pai a se vacinar!

Infelizmente, Seu Pedro se infectou, o quadro evoluiu pra grave, foi intubado e, depois de uns 25 dias lutando pela vida, sob o olhares tristes e chorosos da filha e da família toda, veio a falecer. 

Toda a cidade está de luto pela morte de um homem bom, mas um dos moradores que negou a vacina e entregou a vida à própria sorte.

João Maria de Medeiros (educador, cordelista e prosador)



sábado, 29 de janeiro de 2022

UMA DE MINHAS FRUSTRAÇÕES NO CAMPO DA LEITURA

 




Uma de Minhas Frustrações no Campo da Leitura (João Maria de Medeiros*)


Estive pensando muito hoje sobre as nossas fraquezas. E percebo que não são poucas, não é mesmo, caro leitor?

A gente , na verdade, procura ser melhor, chegar mais um pouco perto da perfeição.  Mas não é fácil; parece-me que algo nos tira do rumo certo, e nos faz retrocedermos.

Quero aqui confessar uma fraqueza, que já falei para  o amigo e colega, professor, poeta e grande escritor Gilberto Cardoso, nas nossas conversas sobre leituras e outras amenidades.

A fraqueza minha, de que tratei,  com Gilberto, repito, foi sobre a dificuldade de concluir a grande obra de Guimarães Rosa. Esta é uma grande fraqueza minha: não consegui ler totalmente o famoso livro de Riobaldo e Diadorim. 

No campo da leitura, enveredei cedo nas histórias em quadrinhos (Tex, Zagor, Histórias do Faroeste, etc), versos em cordéis etc.

Depois, já na graduação, lembro-me das obras machadianas, das poesias de Drummond, 

Manoel Bandeira, meu poeta preferido e outros mais, e nunca tive dificuldades.

Li obras fantásticas, como As veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, A História da Riqueza do Homem, de Leo Ruberman, que foi-me emprestado pelo hoje rei do mamulengo curraisnovense, Ronaldo Gomes. 

Obras inesquecíveis também foram as crônicas de Afonso Romano de Santana.

 Ainda há poucos dias, li e  reli para minha filha uma de suas mais importantes crônicas, Porta de Colégio. Lorrane gostou muito também, como alunos aos quais a indiquei.

Entretanto, já tentei , já retentei tantas vezes,  mas nunca consegui chegar perto de concluir Grande Sertão: Veredas.

Não sei se minha desistência à obra  se deve a uma linguagem difícil,  regionalista,  de um sertão diferente do meu.

Pra que se tenha uma ideia desta situação adversa , li o conto "A Terceira Margem do Rio", do  mesmo autor, que me foi indicado pelo mesmo colega e amigo, este com uma linguagem muito mais acessível e confesso que posso contá-lo oralmente a qualquer pessoa daqui a 100 anos. Adorei.

Já o grande clássico, não consegui lê-lo totalmente. Tem coisas que a gente não consegue explicar e  esta é umas das minhas fraquezas no campo da literatura que aqui  confesso.

Mas, como diz Geraldo Geraldo Vandré, "Quem sabe faz a hora/ não espera acontecer".

Quem sabe um dia...


*João Maria de Medeiros é educador , cordelista e cronista.






segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Uma Reflexão - João Maria de Medeiros


UMA REFLEXÃO


Estive pensando como o ser humano trata os animais e penso que não é justo o tratamento dispensado aos nossos companheiros de morada neste planeta azul.

Vamos refletir um pouco: Nós seres humanos condenamos sempre a escravização e comemoramos ainda hoje o fim dela, não é mesmo?

O que me decepciona é que, o que o homem não quis pra ele, faz com os animais. Quando quer se divertir, usa os animais; quando precisa da força de trabalho, usa os animais e inúmeras outras formas de uso dos coitados. 

E o pior que isso, ocorre quando o homem, após uma bênção alcançada, um pedido a Deus, ao pai celestial, ao invés de agradecer de uma outra forma, faz é uma grande festa, onde quem acaba pagando o pato são os animais. 

Isso, com  com certeza, não agrada ao Criador. Não haveria outras formas de agradecimento, como por exemplo uma festa, mas com utilização de frutas e legumes? 

Com toda certeza, esta opção agradaria muito ao Todo Poderoso. Não essa  matança dos animais. Vocês já pararam pra pensar na quantidade de animais que são abatidos nesse período que se comemora o nascimento do filho do homem? Absurdo,  não?

Outra coisa: estudos científicos comprovam que a espécies humana não surgiu pra comer carne. A nossa dentição é formada por dentes que servem para amassar os alimentos, os legumes, as frutas; não a carne. 

Além do que, estudos científicos também apontam os produtos derivados dos animais, como indutores de problemas sérios de saúde.

Por tudo isso, vamos tratar melhor os animais antes que seja tarde demais!   Melhor para nós e melhor para eles. Nós merecemos; eles merecem.


***João Maria de Medeiros é educador , poeta e cronista.





terça-feira, 24 de agosto de 2021

A HISTÓRIA DE SANTA CRUZ EM CORDEL - João Maria de Medeiros

 



Publicado em 2008, reeditado em 2021

APRESENTAÇÃO (Gilberto Cardoso - Poeta, cordelista e cronista

 

Eu apresento a vocês

em forma de poesia

o cordel de João Maria

- professor de português.

O bom cordel que ele fez

fala de nossa cidade

com muita fidelidade

quanto aos acontecimentos

por isso meus cumprimentos

seu cordel tem qualidade.

 

Certamente ao estudante

há de ser de utilidade

Um cordel sobre a cidade

me parece interessante.

Sua ideia foi brilhante

ao escolher tal temática

de maneira muito prática

a história se desfia

em forma de poesia

facilitando à didática.

 

João Maria é professor

além disso ele é cronista

Pra se tornar cordelista

teve Acaci por mentor

Dedicou-se com ardor

a falar de nossa história

nem sempre cheia de glória

mas digna de se contar

para nos direcionar

rumo a melhor trajetória.

 

A HISTÓRIA DE SANTA CRUZ EM CORDEL 

Autor: João Maria de Medeiros 

1

Com licença, meus amigos

Para mostrar meu cordel!

Pra falar de Santa Cruz

Procurarei ser fiel

Depois de longo estudo

Ponho aqui neste papel.

Pra começo de história

Aqui já havia gente

Antes da colonização

Havia um bom contingente

Eram os índios Tapuias

Um povo forte e valente

 3

E com o passar do tempo

A colônia avançando

Todo o esforço dos índios

Ia por terra ficando

Só restou àquele povo

Seu domínio entregando.

Em mil novecentos e trinta

Digo aqui com precisão

José Rodrigues da Silva

Começa a povoação

Alia-se a João da Rocha

E a Lourenço seu irmão.

O povo aglomerou-se

E o povoado aumentando

O seu nome foi mudado

Conforme o tempo passando

De Santa Rita a Santa Cruz

Do Inharé foi mudando.

Existe uma antiga lenda

Que o povo acreditava

Se quebrasse o inharé

A fonte d'água secava

Surgia uma assombração

Todo animal atacava. 

Um santo missionário

Lembrou de fazer uma cruz

Dos ramos do inharé

Ele teve essa luz

Os malefícios cessaram

É isso o que se deduz.

Santa Cruz do Inharé

Por isso ficou chamado

Se não fosse aquela cruz

O mal não tinha passado

O bem superou o mal

Naquele tempo passado.

No ano de trinta e cinco (1835)

Instalou-se a freguesia

Com a Matriz de Santa Rita

Buscou-se a autonomia

O povo todo alegrou-se

Era tudo o que queria.

10 

A luta foi muito grande

Pra mudar de povoado

Pra isso teve a ação

Do Senhor Ivo Furtado

E padre Antônio Rafael

Um sacerdote honrado.

11 

Não se pode sequecer

Dois homens de valentia

Félix Antônio de Medeiros

E Trajano de Faria

Dois bons fazendeiros

Daquela ainda freguesia.

12 

Dia 11 de dezembro

Santa Cruz foi desmembrada

Era setenta e seis (1876)

E consegue ser desligada

De São José de Mipibu

E ficou emancipada.

13 

No ano setenta e sete (1877)

Não nos trouxe muita sorte

A seca foi muito grande

A chuva não veio ao Norte

Foi um período dificil

Causando fome e morte.

14  

Chegando o ano quatorze (1914)

Uma lei é aprovada

Era trinta de novembro

Uma data comemorada

De Vila para cidade

Santa Cruz é elevada.

15 

Como em todo Nordeste

Aqui tinha um coronel

Que nasceu em Araruna

Seu nome era Ezequiel

Um homem de trato fino

E sempre muito fiel.

16 

O Coronel Ezequiel

Um coronel diferente

Conciliador e paterno

Para toda sua gente

Do trato bom se detinha

Homem muito diligente.

17 

Seu filho Gentil Ferreira

Foi Prefeito de Natal

O Senador José Ferreira

Foi destaque nacional

E Odorico de Souza

Bom gestor Municipal.

18 

Dentre os fatos marcantes

Que não deixarei de lado

O padre Manuel Gadelha

Apoiou o discriminado,

Acolheu as prostitutas

E acabou denunciado.

19 

Uma dose de veneno

Ele mesmo preparou

No dia nove de outubro

O próprio Padre tomou

No ano de vinte e seis (1926)

Um suicídio praticou.

20 

O suicídio do padre

Nunca ficou explicado

Para algumas pessoas

Ele tinha se apaixonado

Mas há outra corrente

Que ele foi pressionado.

21 

Seu Theodorico Bezerra

Foi líder na região

Tudo se tornava ouro

Onde colocava a mão

Com um grupo organizado

Não perdia uma eleição.

22 

Sob a sua indicação

Elegeu vários prefeitos

Durante alguns mandatos

Nem sempre foram perfeitos

Assim mesmo o Major

Deixava todos satisfeitos.

23 

Um outro bom cidadão

Sempre muito respeitado

Era seu Miguel Farias

Muito calmo e educado

O carinho e o diálogo

Dele será bem lembrado.

24 

Antes da construção

Da nossa Maternidade

Aqui havia três parteiras

Na nossa comunidade

Menininha e Moacir

São exemplos de bondade.

25

Completando essa tríade

Um exemplo de devoção

Que tendia a todos bem

Com muita dedicação

Junto com o seu marido

Era Chiquinha Dadão.

26  

Quando o povo precisava

Remédio de eficácia,

Pois o xarope caseiro

Era uma grande falácia

Muita gente  procurava

Sebastião da Farmácia. 

 27

Muitos cidadãos daqui

Não devem ser esquecidos

De Fugão a Mané Fava,

Alice com seus pedidos,

Amado Batista e Mano

Do povo sempre queridos.

28 

Por todo esse período

A poesia chega aos lares

Com Gastão, Antônio Borges,

Letácio e Adonias Soares

Estes até já morreram

Às famílias meus pesares.

29 

Durante a repressão

Do Regime Militar

Um nosso concidadão

Dele não pode escapar

Se chama Maurício Anísio

Um cidadão exemplar. 

30 

Maurício hoje é um símbolo

Que deve ser respeitado,

Ele pagou alto preço

Por não ter se acomodado,

Enfrentou a Ditadura

E por ela foi torturado.

 31 

Hoje o Brasil está livre

Do  regime opressor

Muitos deram suas vidas

Sem direito a uma flor

Outros desaparecidos

As famílias sentem a dor.

32 

O mito da educação

Em Santa Cruz é Ribeiro

Nunca em cima do muro 

Declarava-se primeiro

Grande comunicador

Do rádio nosso timoneiro.

33 

Ribeiro sabia muito

Sua opinião era forte

Dominava todo tema

Línguas, política, esporte

Cumpriu bem tudo o que fez

Pena que lhe veio a morte.

34 

Um dos fatos importantes

Que veio a acontecer

Foi a energia elétrica

Que Santa Cruz passa a ter

A João Goulart e Aluízio

O povo quis agradecer.

35 

Santa Cruz foi a primeira

A receber neste Estado

Vindo lá de Paulo Afonso

A ficar eletrificado

Era sessenta e três (1963)

Dois de abril inaugurado.

37 

Por aqui também passou

Um pacifista do mundo

Um homem sacramentado

Chamado Padre Raimundo

Cumpriu com o seu dever

Sério, reto e profundo.

38 

E na luta pela água

Da Lagoa de Bonfim

Vendo a coisa demorada

O padre disse assim:

“Adutora não, voto não.

Adutora sim, voto sim”.

39 

No ano oitenta e um (1981)

O lugar foi arrasado

Causando grande aflição

Principalmente do lado

Da ponte do Paraíso

Levando todo o Mercado.

40 

Uma enchente medonha

Causou o desabamento

Foi lá em Campo Redondo

Que caiu chuva com vento

Desceu com aquele açude

Demorado sofrimento.

41 

Mais um fato importante

Merece ser relembrado

Foi a chegada da água

De Bonfim daquele lado

O povo deste lugar

Estava necessitado.

42 

O Governo Garibaldi

Botou o plano em ação

O Prefeito Dr. Cabral

Exerceu boa pressão

E Monsenhor Expedito

Grande mobilização.

43 

Não podemos ser injustos

E não mostrar a coragem

De um homem lutador

E que tem grande bagagem

Formando opinião

Levando sua mensagem.

44 

Junto com o Monsenhor

Fez a coisa acontecer

Mobilizou toda gente

Pra aquela água trazer

O grande  Hugo Tavares

A quem quero agradecer.

45 

Ainda me lembro o dia

Que isso aconteceu

Era trinta de setembro

Em Noventa e oito se deu (1998)

A água chega à cidade

Grande festa ocorreu.

46 

Lugar bom pra se viver

E área de transição

Entre o sertão e o mar

Já foi terra de algodão

Temos na agropecuária

Hoje nossa ocupação.

47 

É vizinho de Japi

De São Bento bem pertinho

Divisa com Sítio Novo

E Tangará no caminho

De Natal a capital

Terra que tenho carinho.

48 

Não podemos esquecer

Outras cidades decentes

Coronel e Jaçanã

Situados mais a frente

Campo Redondo e Lajes

Terras de povo contente.

49 

A feira de Santa Cruz

A maior da região

Há tudo que se procura

Na feira não falta pão,

Verduras, frutas, farinha

E lugar de diversão.

50 

Depois de falar da feira

Falaremos de cultura,

Pois havendo incentivo

Haverá desenvoltura

Nossos artistas locais

Fazendo cultura pura.

51 

Existe aqui cantadores

E artistas de verdade

Grupos de capoeiristas

E bois-de-reis na cidade

A poesia aqui tem vez

É de muita qualidade.

52 

Aqui a nossa homenagem

A dois Antônios especiais

Seu Antônio da Ladeira

O boi-de-reis ele faz

E a seu Antônio Borges

Que da poesia é às.

53 

Ao grande José Antônio

Que é um bom cantador

Aqui nossos cumprimentos

Por demonstrar o valor

Da poesia popular

Que ele é defensor.

54 

Outros grandes escritores

Merecem ser bem lembrados

Hélio Crisanto e Marcos

Cavalcanti são falados

Zé da Luz e Maroquinha

São Poetas respeitados.

55 

Outro grande expoente

Da cultura popular

É Gilberto Cardoso

Que veio a despontar

Dentro da Literatura

Em todo solo potiguar.

56 

Quero aqui encerrar

Este primeiro cordel

Pra falar de Santa Cruz

Agradeço a Deus do céu

Que me deu inspiração

Pra cumprir este papel.



João Maria de Medeiros é cronista, poeta cordelista e educador.


















sábado, 17 de outubro de 2020

Rodrigo Brum: uma síntese do artista por dentro e por fora - Por João Maria de Medeiros

 


Rodrigo Brum: uma síntese do artista por dentro e por fora

 Mesmo num momento angustiante, de pandemia, levando uma vida "pela metade", na maioria do tempo, " em casa" com a familia, em um tempo restrito e recluso, há certos acontecimentos importantes, que não podemos deixar de externá-los, de publicizá-los, de torná-los eternos.

Um destes momentos importantes, em plena pandemia do novocoronavírus, foi quando, numa das das boas lives criadas e ainda mantidas semanalmente  por nosso colega, Gilberto Cardoso dos Santos, conheci o outro lado do grande Chargista Rodrigo Brum.

Conhecia Rodrigo Brum das páginas da Tribuna do Norte. Um chargista admirável. Um artista que consegue, através de sua arte, externar os anseios do povo; levando-nos à reflexão e à formação de uma opinião.

Não conhecia o outro lado da moeda:  de onde veio? como chegou ao sucesso? O seu lado humano?

Também não tinha ouvido Rodrigo Brum se expressar, ou seja, eu conhecia sua arte , sua charge, sua escrita nas páginas dos jornais, mas seu jeito de se comunicar oralmente, pela fala, foi na live que vim a conhecer.

Pois bem, meus amigos, na live, que "me prendeu do começo ao fim", percebi que o "cabra" é tão bom nos rabiscos (como ele gosta de chamar suas charges), quanto na maneira de falar com o público! Além de demonstrar uma beleza interior de poucos.

O cara transmite uma leveza de ser, uma simplicidade, uma criatura que condena o preconceito, a discriminação. Mesmo sendo carioca e, não esquecendo suas raízes, se considera um potiguar. Um dos nossos: "um comedor de camarão"( grifo meu)!

Rodrigo Brum é tão bom no que faz, que mesmo não morando no eixo (Rio - São Paulo), consegue se destacar, há vários  anos, com  premiações em nível nacional!

Ontem parecia ser um dia como os tantos outros da semana. Mas a tardinha recebi uma caixinha entregue pelos Correios. Ao abri-la me trouxe a alegria: O livro atraente de Rodrigo Brum, TriBRUMna.

Um livro lindo, moderno; Dentro, charges maravilhosas e um autógrafo carinhoso!!

Há muito a se falar sobre a grandeza da figura humana e artística de Rodrigo Brum, mas que não caberá numa crônica; talvez somente num livro.

Finalmente agradecê-lo pelo ser humano que é, assim como ao amigo Gilberto Cardoso, professor, poeta, escritor e atualmente tão bom livista, que nos deu a oportunidade de conhecê-lo.



Assista à LIVE com BRUMnos seguintes links:

No Youtube



No Facebook:






 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Um pouco da importância da leitura para minha vida - João Maria de Medeiros

 


Um pouco da importância da leitura para minha vida

 

Vou tratar neste momento sobre um assunto dos mais importantes que aqui já escrevi: a importância do ato de ler.

Eu vivi meus primeiros dias de vida no Sítio Várzea Grande, municilio de Santa Cruz, na fazenda de mesmo nome, de propriedade de meu bisavô Manoel da Costa Palma, que veio de Araruna na Paraíba, onde fincou morada ali até seus últimos dias de vida, acho qur por volta de 1968.

Cresci ali naquela fazenda ouvindo de meu pai, José Estevam Dantas, cantar à noite antes de dormirmos cordéis famosos , como "A Chegada de Lampião no Inferno" dentre outras histórias de valentia. Eu acabava adormecendo com aquela melodia. Bom lembrar que meu pai, por sinal, é parente do Maestro Felinto Lúcio Dantas e de  Tonheca Dantas, músico(autor de Royal Cinema).

Sabendo que aqueles versos cantados, meu pai tinha aprendido lendo cordéis famosos da época, tomei gosto pela leitura. Ao ir à escola meu objetivo principal era ser como ele: um devorador de Cordéis e claro alcançar meus sonhos de vida.

Ao crescer, ao aprender a ler , me tornei um assíduo  leitor  de histórias do cangaço em cordéis e histórias em quadrinhos. As mais lidas naquela época ainda lembro: "Histórias do Faroeste" , "Tex" e "Zagor"

Ao ingressar no Ensino Médio, meu sonho era ser professor, uma profissão que sempre me encantou desde meus primeiros dias na escola pública!!

Eu dizia à querida mãe: " Um dia serei professor"! E não é que passei no primeiro concurso que fiz ,  no ano de 1988?

Em fevereiro do ano seguinte( 1989) eu entrava nas salas de aulas , como professor; um sonho realizado!

Anos depois , ingressei no Curso de Letras, através de vestibular dificílimo, no Campus do Ceres(UFRN), em Currais Novos, a famosa Princesa do Seridó.

Lá fiz grandes leituras que  nunca esquecerei , como "A História da Riqueza do Homem" , de Léo Ruberman , que foi me  emprestado por Ronaldo Gomes, atual Secretário de Cultura daquela bela cidade (homem forte do "Caçuá de Mamulengos") e "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano, só pra citar algumas.

Percebi a grandeza de poetas como  Ferreira Gullar, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Augusto dos Anjos, Patativa do Assaré, Ney Leandro de Castro, dentre tantos outros. Livros importantes como obras machadianas, como "A Cartomante", Memórias Póstumas de Brás Cubas e outras. A história de  Luzia-Homem, Triste Fim de Policarpo Quaresma, A Nova Califórnia e outros livros   também nunca irei me  esquecer.

Não quero aqui me esnobar, crescer, nem aparecer. Quero prestar um serviço, demonstrar que , através do meu  empenho, destas minhas importantes leituras, consegui alcançar meus objetivos.

Quem lê conhece outros mundos mesmo sem sair de casa, melhora a escrita e a argumentação. Digo aqui que a leitura é fundamental e que, quem  seguir , pelo menos um pouco do que eu fiz, não se arrependerá. E como dizia um pensador famoso: "Os estudos são amargos, mas seus frutos saborosos".

 

A Leitura engrandece a alma ( Voltaire).

 

João Maria de Medeiros é professor e cronista.