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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Leituras e releituras, por que não? - Francisca Joseni dos Santos

 





Leituras e releituras, por que não?

 

Professora Francisca Joseni dos Santos

Pedagoga

Psicopedagoga

 

Sou uma leitora assídua e voraz. Quase sem preconceitos com relação ao que leio, pois leio de tudo, talvez por ser de uma geração que, por motivos sócios econômicos e por falta de políticas públicas de incentivo à leitura, tive dificuldades para ter acesso a diversos portadores de leitura da época, tais como revistas, gibis, jornais e livros em geral.

O meu acesso à leitura acontecia na Biblioteca Municipal de Santa Cruz – RN, ou então, através de pessoas amigas que tinham condições financeiras para comprar livros e revistas, o que, diga-se de passagem, eram pouquíssimas.

Li muitos autores brasileiros; aliás tenho quase certeza (quanta petulância!) que li quase toda a literatura clássica brasileira na minha adolescência e juventude. E cresci com um desejo, um sonho de reler todos estes clássicos brasileiros. E estou fazendo isto devagarinho e sempre.

Embora não seja necessário, quero ressaltar que abordo releitura como um ato de ler um livro já lido, ler novamente, de novo, mais uma vez o que difere do conceito de releitura como a elaboração de uma obra, no caso um livro, tendo outra como base, que seria escrever o mesmo livro adicionando novas técnicas, interpretações e contexto.

Segundo o filósofo Heráclito de Éfeso “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Partindo desta perspectiva, eu queria sentir/ver a diferença existente na percepção de uma leitura feita por uma adolescente daquela feita por uma pessoa na vida adulta.

Diante deste contexto, desenvolvi o hábito de reler livros/autores ao longo da vida.

E já fiz muitas releituras ao longo da vida, e estas me fizeram matar a saudade de histórias e personagens, além de que as vezes faz entender melhor uma história, ter um novo olhar, de perceber detalhes que não foram vistos na primeira leitura.

Reler é degustar algo delicioso e saboroso mais uma vez e não é cansativo, por mais que eu já saiba da história eu sempre descubro algo novo a cada nova leitura, absorvo novos detalhes, acrescenta-me um novo ponto de vista, para mudar ou ratificar algo já posto e construído.

Recentemente me foi perguntado quantos livros eu reli. Não soube responder. Só tenho uma certeza, a de que reli bastante. Sim, e não reli toda a literatura clássica brasileira, apesar de já ter relido diversos, Jorge Amado, José de Alencar, Érico Veríssimo.

Por força da minha profissão li e reli os grandes clássicos da literatura infantil mundial e sempre que tenho oportunidade leio novamente o Sítio do Pica Pau Amarelo de Monteiro Lobato em suas diversas sequências. Muitos livros sobre avaliação por ser um tema que desperta em mim muita curiosidade e sede de conhecimento, tenho predileção por autores como Jussara Hoffmann, Cipriano Carlos Luckesi, José Carlos Libâneo, Celso Vasconcelos, Mizukami, Selma Garrido, Perrenoud, Sacristan, entre outros. E releio também livros que me dão embasamento teóricos para ter uma postura crítico, social e política diante de fatos da sociedade.

No campo da leitura/releitura por entretenimento, tenho por critério selecionar as boas histórias para reler e tenho minhas leituras prediletas, entre elas ressalto Diana Palmer por ter relido, no mínimo 3 vezes seus mais de 70 livros publicados no Brasil e em português, inclusive no início da pandemia da covid-19 eu estava usufruindo de uma licença especial do meu trabalho e como tinha que ficar em recolhimento escolhi esta escritora americana para reler conforme a sequência das histórias que constam numa lista publicada neste blog  https://su-romanticgirl.blogspot.com/

Tenho predileção por histórias sequenciais, sejam elas trilogias, séries, sagas, inclusive estes livros de Diana Palmer acima citados têm suas histórias interligadas. Estou terminando de reler uma série de 24 livros escritos pela mesma autora e meu próximo objetivo é reler a série da Família Fortune que tem 36 livros e são escritos por autores diferentes.

Tive covid-19 no final de 2019 e entre as sequelas fiquei com perda de memória e descobri este problema através do hábito da releitura, pois ao ler livros que eu sabia da história não conseguia me lembrar de nada, ou seja, a cada página eu me deparava com algo totalmente novo e eu sabia que não era novo tendo em vista que eu estava num processo de releitura de livros dos quais gostava e sabia do enredo.

Fui ao médico e constatei que realmente estava com esta sequela da covid-19. Ainda bem que este quadro é reversível.

Como releitura por entretenimento, elejo autores como Jojo Moyes, Nora Robert, Debbie Mortimer, Anne Mather, Barbara Cartland, Maureen Child, Maya Banks, Saramago, Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende, Alexandre Dumas, Jane Austen, Eça de Queiroz, entre tantos outros. Os critérios usados para escolher minha leituras e, consequentemente, releituras se baseiam na qualidade da história, na empatia e no meu envolvimento emocional para com o enredo.

Uma curiosidade sobre o meu perfil de leitora: nunca abandonei um livro pela metade. Mesmo não gostando do enredo apresentado, jamais abandonei uma história; leio-a até a última página, embora demore um pouco. E nunca leio um só livro ao mesmo tempo, geralmente leio dois ou três livros no mesmo período. Coisas de leitor.

Sim, estas leituras me pertencem, portanto tenho liberdade plena para a escolha.   Leio para o meu prazer, não para terceiros.

Parafraseando a frase “meu corpo minhas regras” do movimento feminista A Marcha das Vadias, digo que: “minhas leituras minhas regras”.

E você? Já se entregou ao deleite de uma releitura? Ainda não? Não estou acreditando! Pois experimente.

 




domingo, 29 de março de 2020

EXPECTATIVAS PARA O FIM DA PANDEMIA - Por Joseni Santos

O texto abaixo faz parte de um projeto idealizado por Júlio César, psicólogo que consiste em "escrever um texto onde, baseados em nossas experiências de vida, relataremos o que entendemos que irá acontecer após a decretação do final da pandemia." Você que nos lê sinta-se convidado a fazer parte desta ideia. - Gilberto Cardoso dos Santos



O QUE ESPERO ENCONTRAR COM O TÉRMINO DA PANDEMIA?

“Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança” Papa Francisco em 26.03.2020 – Basílica de São Pedro


Após este tempo incerto e perigoso pelo qual estamos passando espero que esta pandemia deixe como legado a vontade e a prática de sermos humanos.
Que sejamos melhores pessoas e que de acordo com este novo olhar eu possa ter respeito pelo outro, pelo meu irmão, em todas as dimensões sejam elas políticas, sociais, religiosas, entre outras, e que eu possa ter empatia pelo outro, que eu possa me colocar no lugar daquele que sofre e daquele que pensa e age diferente de mim.
Que sejamos solidários sempre, nas nossas ações, nos nossos sentimentos, que possamos repartir com o outro, com quem precisa o nosso amor, o nosso abraço, o nosso pão na mais fina acepção da palavra.
Espero também que os nossos ditos “heróis” brasileiros sejam mais solidários no “dar e repartir o pão”.
Por onde andam os nossos milionários jogadores de futebol e grandes artistas de renome nacional que tanto recebem dos seus fãs e muito têm e que possivelmente poderiam dividir um pouco neste momento?
Hoje, domingo – 29.03.2020, pelo que consta na imprensa digital os únicos nomes brasileiros que se dispuseram a diminuir sua conta bancária através de doações ou do seu trabalho foram a Xuxa, Ivete Sangalo e Gustavo Lima. Por onde andarão os demais?
Ressalto que sou contra a propaganda do que se dá, no entanto, este momento é especial como os artistas e jogadores de futebol em geral são formadores de opinião e há pessoas que gostam de imitá-los é de bom grado que eles publiquem suas boas ações e quem sabe assim, outras pessoas o imitarão.
Espero também que depois desta pandemia eu tenha aprendido a lição de que devo ter cuidado ao escolher os nossos representantes, sejam eles de qual esfera for, do vereador ao Presidente da República, independente da bandeira do partido deste representante, eu aprendi que preciso olhar o histórico deles, as proposições postas no seu possível mandato e quais modelos de economia eles defendem.
Preciso entender que, apesar de muitos não gostarem e se absterem de falar sobre política e/ou economia, eu tenho que me apropriar destes conceitos, pois a qualidade da saúde, da educação, da segurança e outros serviços dos quais preciso passam pela chancela destes que eu ajudei a colocar no Poder. Ele decidirá por mim.
Espero também ter condições para defender a educação, a ciência, a saúde e a pesquisa, pois estes serviços são fundamentais na hora que qualquer um de nós estiver à mercê de qualquer doença, independente da nossa religião, raça, opção sexual e preferências partidárias.
Espero valorizar além da ciência e da pesquisa o SUS, que é a mola mestra e propulsora para a saúde do povo brasileiro. Eu, você, nós, eles dependem deste Sistema, independente da nossa condição social.
Espero também que o Estado se faça presente em ações em diversos âmbitos que possam minimizar o caos econômico que a pandemia deixará e que estas ações beneficiem a todos.
Espero que os gestores públicos valorizem os funcionários públicos em suas diversas matizes e, também fortaleçam os trabalhadores da rede privada e autônomos através de políticas públicas, sociais e trabalhistas que os respeitem e deem dignidade.
Espero ter aprendido a valorizar mais a família, os amigos, a paz, a fraternidade, o trabalho, o amor, as relações sociais e a união.
E que tenhamos fé, independente da religião que professemos.
E que todos nós, juntos, possamos contribuir e buscar uma sociedade mais justa, solidária e igualitária para com todos.
Será um sonho? Uma utopia? Uma quimera? Só o tempo dirá...

Francisca Joseni dos Santos
Professora
Psicopedadoga

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PELOS CAMINHOS PRAZEROSOS DA LEITURA: TESSITURAS - Francisca Joseni dos Santos



PELOS CAMINHOS PRAZEROSOS DA LEITURA: TESSITURAS

Francisca Joseni dos Santos
Pedagoga e Psicopedagoga


Eis que fui instigada pelo amigo poeta Gilberto Cardoso para escrever sobre minhas memórias literárias. Relutei. Depois fiquei pensando sobre as diversas formas de escrevê-las. Confesso que comecei escrevendo uma onde elencava a minha trajetória pessoal e profissional interligada às leituras que permearam minha vida, no entanto, achei um texto chato e enfadonho.

Pensei em fazer um texto técnico, desisti também, optei então pelo texto livre das amarras impostas pelo cunho acadêmico e que segue os ditames da famosa e temerária ABNT – Associação Brasileira das Normas Técnicas. Feito esta escolha, optei também em ressaltar as minhas leituras para puro deleite.

Fiz muitas leituras técnicas ao longo da minha vida acadêmica e profissional. Fiz o curso de Pedagogia (graduação) e pós-graduação em Psicopedagogia e em Gestão Escolar, trabalhei 32 anos em escola, tempos alternados entre sala de aula, coordenação pedagógica e gestão, então há de convir que o contexto de leituras técnica é muito amplo, vasto e serviram de alicerce e de arcabouço para que eu faça a minha leitura de mundo mesmo considerando que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” como afirmou Paulo Freire em A Importância do Ato de Ler (1988).

Fui alfabetizada aos 4 anos de idade, pois tive o privilégio de ter na minha casa uma Escola Isolada (Sítio Ipueira – São Bento do Trairi – RN). Eu era o desassossego da turma, não deixava a professora e os alunos quietos, subia na mesa, pegava os lápis e demais apetrechos dos alunos e atrapalhava bastante o desenvolvimento das aulas. Meu pai vendo tal situação achou por bem comprar material escolar pra mim e de posse deste rico material a paz reinou no local, fiquei quietinha e logo fui alfabetizada.

Como nasci em 1965 as lembranças de tempos difíceis de seca e de dificuldades para viver no meio rural são bastante fortes dentro de mim, no entanto, tenho lembranças memoráveis sobre a vivência com os meus tios, primos e com os meus avós, em especial, a minha avó paterna (Vó Maria Vital) que me inseriu no contexto maravilhoso de contação de histórias.

Era comum Vó Maria reunir os netos ao seu redor para à boquinha da noite, sentada no chão com seu cachimbo de fumo debulhar suas maravilhosas histórias de trancoso, assombração, de princesa e príncipes, e de “Camonge”.

Tive o privilégio de conviver com uma contadora de histórias nata na minha infância e em parte da minha adolescência, adorava estes momentos apesar de muitas das vezes ficar com medo de dormir com as histórias de assombrações que ela tão sabiamente nos contava. Estes momentos fazem parte do arquivo especial das minhas memórias.

Então a leitura e o universo mágico de contação de histórias se fez presente na minha vida muito cedo, embora tivesse dificuldades em ter acesso aos diversos portadores de textos, e estas dificuldades estivessem ligadas as questões financeiras, a disponibilidade de material à venda; pouca variedade, entre outros.

Sem ser saudosista ouso dizer que tempos atrás não tínhamos as facilidades que temos hoje para ter acesso à leitura. Os tempos são outros (graças a Deus!). De acordo com as condições financeiras pessoais podemos adquirir revistas, livros físicos, livros digitais, e também podemos ler nos tablets e smartphone de forma grátis além de adquirir livros e revistas em sebos por um preço bem mais barato.

Na minha infância e adolescência não tínhamos estas facilidades e nem tampouco condições financeiras para adquirir portadores textuais. Mas isto não foi impedimento para que eu cultivasse o hábito pela leitura.

Lia livros emprestados de amigas que tinham poder aquisitivo para comprá-los, frequentava as bibliotecas públicas existentes em Santa Cruz. Li praticamente toda a literatura clássica brasileira tomando livros emprestados na Biblioteca Municipal, bem como li muitos livros da Biblioteca Monsenhor Emerson Negreiros da E. Estadual Prof. Ribeiro. Além dos empréstimos de livros para leitura de deleite e era nestas bibliotecas que eu realizava, quando necessário se fazia, as pesquisas na famosa Enciclopédia Barsa, o equivalente ao google de hoje, e em outros livros e enciclopédias.

Faço parte da turma que para ingressar na 5ª série ginasial precisava prestar o Exame de Admissão, embora que depois de fazê-lo e ser aprovada, saiu uma determinação para que todos fossem matriculados independentemente do resultado alcançado.

Para fazermos este exame precisávamos estudar num livro grosso de capa verde e que continha umas quatro disciplinas chamado “Preparatório”, pois bem minha mãe que era costureira colocava-me na frente dela numa cadeira de balanço para estudar neste bendito livro. Olha o que eu fazia, na época existia uma revista chamada “Love Story” que tratava de assuntos voltados para adolescentes e dentro dela vinham 5 contos. O formato dela correspondia ao formato do já citado livro.

Eu me sentava seríssima diante da minha mãe colocava a revista dentro do livro e ia ler estes contos. No dia do concurso me deu uma crise de consciência tão grande que você nem imagina, mas consegui passar em 4º lugar.

Trabalhei uns 5 anos no comércio local e o dono do estabelecimento comprava revistas usadas para embalar as barras de sabão, eu separava os exemplares para ler, tomava emprestado estas revistas, sem contar que chateava as pessoas que tinham condições de comprar revistas pedindo-as emprestadas.

Talvez por gostar tanto de ler e de ter tido dificuldades para ler no período da minha infância e da adolescência e parte da vida adulta hoje eu compro muitos livros e não faço questão de emprestá-los.
Sempre tenho livros que não consegui ler, ainda. E, sempre tenho livros espalhados pelo “mei do mundo”. Sem medo de ser feliz.

Faço questão de ressaltar que os meus pais sempre se esforçaram para comprar os livros didáticos para mim e minhas irmãs, nunca mediram esforços. Nunca tivemos dificuldades neste sentido. Eles sempre valorizaram a educação. Viam através do acesso a educação nossa melhoria de vida.

Li muito. De Cassandra Rios a Jorge Amado. De Zélia Gattai a Antonio Callado. De Gabriel Garcia Marques a Jojo Moyes. De George Martim a Monteiro Lobato. De Antoine de Saint Exupéry a Padre Fábio de Melo. De Patativa do Assaré a Hugo Tavares Dutra. Não posso deixar de citar as revistas em quadrinhos, os famosos gibis, li de Walt Disney e Mauricio de Souza a Antonieto Pereira. Li diversos gêneros textuais. Como era difícil a aquisição de livros e revistas, eu lia o que aparecia. Sem preconceito. Uns eu escondia para que a minha mãe não visse. 

Li os clássicos da literatura infanto-juvenil mundial. Li-os por puro deleite e também por dever profissional. Li muitos autores regionais, Câmara Cascudo, Marcos Cavalcanti, Gilberto Cardoso, Rosemilton Silva, Adélia Costa, Jeanne Araújo, Nailson Costa, Salizete Freire Soares, Jair Eloi de Souza, Hermano Amorim, Chagas Lourenço, Alessandro Nóbrega, entre outros escritores do RN.

Não sei baseado em que teoria era comum no meu entorno acreditar-se de que as pessoas que estudavam muito e liam muito poderiam perder o juízo, tal mito era ilustrado com diversos exemplos de pessoas que tinham ficado “loucas” por estudarem ou lerem demais. E este mito fazia com que a minha mãe desligasse as luzes de casa e me proibisse de ler até altas horas. Como a casa na qual morávamos era enorme eu pegava uma vela ia para a cozinha e ficava lendo a luz de velas. Fiz muito isto. Não enlouqueci.

Lembro-me das revistas de fotonovelas em preto e branco, semelhantes aos gibis, o mesmo formato editorial. Depois veio as fotonovelas coloridas, uma verdadeira revolução, um deleite para os olhos. Lia os livros de Barbara Cartland publicados pelas Edições de ouro em formato de livro de bolso, depois as edições da Harlequim (Sabrina, Julia, Bianca). Revistas Tex. Sim, li muitas revistas TEx. Li também uns livros de faroeste que vinham em formato pocket. Eram leituras maravilhosas, eu fazia viagens estupendas pelo mundo do Texas. Como diria a contemporânea cantora de funk era “tiro, porrada e bomba”.

Também li muitos cordéis. Por dominar a leitura era costume ler cordéis para as pessoas da família quando nos reuníamos. Adentrávamos nas sagas nordestinas  e no mundo romanesco presente nos escritos dos expoentes desta literatura.

A leitura me proporcionou e me possibilita viagens incríveis.

Ainda hoje continuo diversificando a minha leitura. Leio jornais, revistas, encartes, bulas, textos na internet, aliás, tudo o que publico na página do meu facebook, eu leio.

No momento estou com diversos títulos de autores contemporâneos para ler, estou de licença prêmio do meu trabalho, portanto, com tempo livre para me dedicar a leitura e, elegi como prioridade, leituras de romances leves da editora Harlequim. Sempre estou visitando os sebos aqui em Natal e adquirindo novos exemplares.

Meu sonho de consumo é fazer uma releitura dos clássicos da literatura brasileira. Um dia eu farei. Terei um novo olhar sobre estes grandes escritos do acervo bibliográfico brasileiro.
Considero ler uma das coisas mais gostosas da vida.

Inclusive defendo que a leitura deve ser incentivada e não obrigatória; tenho um filho de 12 anos que adora ler gibis, mangás, literatura de ficção científica e Júlio Verne, Harry Potter, entre outros. Nunca o obriguei a ler um livro. O processo pelo gosto de ler foi natural, possivelmente me viu como exemplo e está incentivando o pai a ler.

Leiam. Leiam sempre. Leiam por prazer. Leiam por necessidade. Leiam romance, poesia, cordéis, revistas, artigos científicos, ficção, novelas, artigos informativos, textos de autoajuda, autores contemporâneos, autores clássicos, leiam. Leiam o que lhes convier. Afinal, a leitura nos proporciona viagens inimagináveis.





Natal(RN), 15 de setembro de 2019

domingo, 20 de outubro de 2013

SOBRE O BAIRRO PARAÍSO - Joseni Santos



Gilberto, 

lendo este seu cordel, desfila nos meus pensamentos os muitos preconceitos pelos quais passei por morar no Bairro Paraiso – Santa Cruz - RN. Tudo isto que você escreve é verdade. Não conheço o restante do seu cordel, portanto, não tenho conhecimento adequado para tecer outros comentários, mas me atrevo a dizer, até porque eu sempre falei sobre estes assuntos e a minha postura foi e é de defesa do Bairro do Paraiso como das demais zonas periféricas de qualquer cidade que viva à margem dos direitos sociais defendidos na Constituição Federal Brasileira.

Defendo que o referido Bairro deveria ser prestigiado e lembrado pelos representantes das diversas esferas do poder os 365 dias do ano e não só no período eleitoral. Existem muitos jovens e crianças que vivem em risco social, cultural, e educacional, entre outros, existe também os adultos que convivem diuturnamente com a falta de oportunidade do exercício da cidadania plena. Qual o remédio que combate estas mazelas sociais que imperam e derrubam a dignidade humana? 
Sabemos que risco social se combate com investimento maciço, duradouro, permanente e com objetivos precisos nas áreas de saúde, educação, segurança, moradia, entre outros. Mas, o que vemos?
Este tipo de investimento só dá resultados a longo prazo e os nossos políticos e demais gestores públicos "não querem" e "não podem" esperar por este tempo, portanto, o resultado é triste.
Temos hoje um "Bairro do Paraiso" generalizado em muitos lugares onde o que impera é a escuridão das leis, das drogas, da prostituição e das mazelas sociais.
Morei no Paraiso por muito tempo - hoje moro em Natal - RN - e vou constantemente para Santa Cruz e fico no Paraiso, não me envergonho e nem me envergonharei das raízes de onde saí. Não vejo motivos para isto, da mesma forma como não critico àquelas pessoas que de lá saíram em busca de outros locais por melhores condições de vida, de moradia, de segurança ou por puro preconceito.
Existem alguns fatos conflitantes que me intrigam com relação aos moradores do Paraiso (me incluo também): 1º) reclamamos bastante porque o Bairro é esquecido pelos políticos e dizemos sempre que eles só nos procuram em época de eleição, em contrapartida, em época de eleição os recebemos de braços abertos e, ainda, acreditamos nas falsas promessas; votando neles e reelegendo-os ou elegendo àqueles indicados por eles; 2º) quando qualquer político ou instituição querem fazer comícios, passeatas, carreatas, ou como dizemos "adjunto" de gente começa pelo Paraiso. 3º) Àquelas pessoas que tentam construir um diálogo consistente e conscientizador sobre a forma como os políticos e gestores tratam o Paraiso, geralmente, são "escanteadas" pelos próprios moradores.
FICO INTRIGADA. LIVRE PENSAR! SÓ PENSAR!


Francisca Joseni dos Santos – Professora – escritora – gestora educacional – psicopedagoga – cidadã.

sábado, 24 de setembro de 2011

COMENTÁRIO SOBRE POSTAGEM DE NAILSON - Francisca Joseni

 

Concordo com as palavras de Nailson [ver http://apoesc.blogspot.com/2011/09/raimundo-padre-nosso-de-cada-dia.html], pois necessário se faz que os verdadeiros heróis e heroinas da luta pelas adutoras sejam respeitados e lembrados: Monsenhor Expedito, Monsenhor Raimundo e os homens e mulheres deste vasto seco mundo que tanto lutaram pelo direito à água, à vida, à cidadania. Quando fiz a Especialização "Identidade Regional: A Questão Nordeste" a minha pesquisa foi sobre a "luta pelas adutoras" cujo trabalho apresentado teve como título "Atores sociais e políticos presentes no movimento água para todos na cidade de Santa Cruz - RN". No ano de 2004 juntamente com alguns amigos e professores de Santa Cruz lançamos o livro: "(Des)alinho: Ensaios de História Cultural e Social" e nele consta um recorte desta pesquisa. Dentro tantos testemunhos que encontramos ao longo da referida pesquisa ressalto este do engenheiro Rômulo Macedo responsável pela execução do programa adutor reconhecendo a importância da participação popular e que foi publicado numa entrevista concedida ao Jornal Tribuna do Norte em 06.07.97: "Nunca uma obra do Estado foi tão discutida e tão democraticamente debatida como esta Adutora Agreste/Trairi/Potengi... Esta adutora que foi inicialmente concebida no governo José Agripino (nós reformulamos e ampliamos os projetos e complementamos os estudos) não é uma obra só do Governo Garibaldi Filho, ela também é da Igreja que vem na luta há muito tempo, comandada pelo Monsenhor Expedito, é uma obra da bancada federal, que vai garantir recursos no Orçamento de 98, é da Assembléia Legislativa, que aprovou integralmente os procedimentos, e de várias associações organizadas do Estado, que fizeram questão de ir à imprensa dizer que aprovavam a obra. Tendo impressão que é uma obra de todo o povo do RN. Durante todo o processo de debates, eu estimo que não mais do que 20 pessoas se pronunciaram contra a adutora. Não mais do que 20 se declaram contrários a essa obra..." Baseada ainda nas pesquisas que foram realizadas ressalto ainda a participação dos estudantes através da União Secundarista dos Estudantes de Santa Cruz - USE;o Sindicato dos Trabalhadores em educação - Sinte-RN;o sindicato dos Bancários do RN;Wilson Bezerra Cavalcante - comerciante e líder do Bairro do Paraiso; Componentes da Companhia Teatral Arte Viva; e o povo. Nesta luta as participações especiais: Monsenhor Expedito - O Profeta das águas e Monsenhor Raimundo, além de uma grande participação de Hugo Tavares que sempre se fez presente nas ações e atividades realizadas pelo "Movimento água para todos". Monsenhor Raimundo,na época, com 32 anos de exercício sacerdotal na Paróquia de Santa Rita de Cássia empenhou-se com o Movimento "ADUTORA SIM, VOTO SIM; ADUTORA NÃO, VOTO NÃO" cujo objetivo era pregar o voto nulo nas eleições de 03.10.1998 - Governador, Senador, Deputado Estadual e Federal - se até 02.10.1998 o Sistema Adutor Agreste - Trairi - Potengi não fosse inaugurado em Santa Cruz - RN. Esta campanha foi desenvolvida da seguinte forma: por ocasião das missa em que atuava como Presidente da Celebração, Monsenhor Raimundo abria um espaço para informar em que situação se encontrava o projeto e alertava para o fato de que se o seu objetivo final não fosse atingido, deveriam todos optar pelo voto nulo. Outras estratégias utilizadas nessa campanha foram: o espaço da Rádio AM Santa Cruz quando das realizações de missas transmitidas e aposição na torre da Matriz de Santa Rita de Cássia de uma grande faixa branca com as letras azuis, enfatizando o tema do movimento. Essa faixa só foi retirada quando ocorreu a inauguração da Adutora. E muito se lutou - uns contra, outros a favor - mas o povo venceu e, no dia 30 de setembro de 1998, na presença de uma grande multidão, de auotridades políticas e eclesiais, a Adutora Monsenhor Expedito foi inaugurada. Portanto, o motivo deste tão grande comentário é para fortalecer o escrito por Professor Nailson: 1) pela luta da implantação do Projeto Adutor em Santa Cruz e por muitos outros fatos esta poesia à Monsenhor Raimundo é uma justa homenagem jamais será de cunho encumiástico. 2) O POVO, a participação popular ao longo de todo o processo da implantação das adutoras no RN foi fundamental para que ele se concretizasse, se este projeto tem um pai, reafirmo que esta paternidade é do POVO. 


FRANCISCA JOSENI DOS SANTOS - PROFESSORA - Especialista em Identidade Regional - A Questão Nordeste; Especialista em Psicopedagogia; Especializanda em Gestão Escolar; e POVO.