Leituras
e releituras, por que não?
Professora Francisca Joseni dos Santos
Pedagoga
Psicopedagoga
Sou
uma leitora assídua e voraz. Quase sem preconceitos com relação ao que leio,
pois leio de tudo, talvez por ser de uma geração que, por motivos sócios
econômicos e por falta de políticas públicas de incentivo à leitura, tive
dificuldades para ter acesso a diversos portadores de leitura da época, tais
como revistas, gibis, jornais e livros em geral.
O
meu acesso à leitura acontecia na Biblioteca Municipal de Santa Cruz – RN, ou
então, através de pessoas amigas que tinham condições financeiras para comprar
livros e revistas, o que, diga-se de passagem, eram pouquíssimas.
Li
muitos autores brasileiros; aliás tenho quase certeza (quanta petulância!) que
li quase toda a literatura clássica brasileira na minha adolescência e
juventude. E cresci com um desejo, um sonho de reler todos estes clássicos
brasileiros. E estou fazendo isto devagarinho e sempre.
Embora
não seja necessário, quero ressaltar que abordo releitura como um ato de ler um
livro já lido, ler novamente, de novo, mais uma vez o que difere do conceito de
releitura como a elaboração de uma obra, no caso um livro, tendo outra como
base, que seria escrever o mesmo livro adicionando novas técnicas,
interpretações e contexto.
Segundo
o filósofo Heráclito de Éfeso “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio,
pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o
próprio ser já se modificou.” Partindo desta perspectiva, eu queria sentir/ver a
diferença existente na percepção de uma leitura feita por uma adolescente
daquela feita por uma pessoa na vida adulta.
Diante
deste contexto, desenvolvi o hábito de reler livros/autores ao longo da vida.
E já
fiz muitas releituras ao longo da vida, e estas me fizeram matar a saudade de
histórias e personagens, além de que as vezes faz entender melhor uma história,
ter um novo olhar, de perceber detalhes que não foram vistos na primeira
leitura.
Reler
é degustar algo delicioso e saboroso mais uma vez e não é cansativo, por mais
que eu já saiba da história eu sempre descubro algo novo a cada nova leitura,
absorvo novos detalhes, acrescenta-me um novo ponto de vista, para mudar ou
ratificar algo já posto e construído.
Recentemente
me foi perguntado quantos livros eu reli. Não soube responder. Só tenho uma
certeza, a de que reli bastante. Sim, e não reli toda a literatura clássica
brasileira, apesar de já ter relido diversos, Jorge Amado, José de Alencar,
Érico Veríssimo.
Por
força da minha profissão li e reli os grandes clássicos da literatura infantil
mundial e sempre que tenho oportunidade leio novamente o Sítio do Pica Pau
Amarelo de Monteiro Lobato em suas diversas sequências. Muitos livros sobre
avaliação por ser um tema que desperta em mim muita curiosidade e sede de
conhecimento, tenho predileção por autores como Jussara Hoffmann, Cipriano
Carlos Luckesi, José Carlos Libâneo, Celso Vasconcelos, Mizukami, Selma
Garrido, Perrenoud, Sacristan, entre outros. E releio também livros que me dão
embasamento teóricos para ter uma postura crítico, social e política diante de
fatos da sociedade.
No
campo da leitura/releitura por entretenimento, tenho por critério selecionar as
boas histórias para reler e tenho minhas leituras prediletas, entre elas
ressalto Diana Palmer por ter relido, no mínimo 3 vezes seus mais de 70 livros
publicados no Brasil e em português, inclusive no início da pandemia da
covid-19 eu estava usufruindo de uma licença especial do meu trabalho e como
tinha que ficar em recolhimento escolhi esta escritora americana para reler
conforme a sequência das histórias que constam numa lista publicada neste
blog https://su-romanticgirl.blogspot.com/
Tenho
predileção por histórias sequenciais, sejam elas trilogias, séries, sagas,
inclusive estes livros de Diana Palmer acima citados têm suas histórias
interligadas. Estou terminando de reler uma série de 24 livros escritos pela
mesma autora e meu próximo objetivo é reler a série da Família Fortune que tem
36 livros e são escritos por autores diferentes.
Tive
covid-19 no final de 2019 e entre as sequelas fiquei com perda de memória e
descobri este problema através do hábito da releitura, pois ao ler livros que
eu sabia da história não conseguia me lembrar de nada, ou seja, a cada página
eu me deparava com algo totalmente novo e eu sabia que não era novo tendo em
vista que eu estava num processo de releitura de livros dos quais gostava e
sabia do enredo.
Fui ao
médico e constatei que realmente estava com esta sequela da covid-19. Ainda bem
que este quadro é reversível.
Como
releitura por entretenimento, elejo autores como Jojo Moyes, Nora Robert, Debbie
Mortimer, Anne Mather, Barbara Cartland, Maureen Child, Maya Banks, Saramago,
Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende, Alexandre Dumas, Jane Austen, Eça de
Queiroz, entre tantos outros. Os critérios usados para escolher minha leituras
e, consequentemente, releituras se baseiam na qualidade da história, na empatia
e no meu envolvimento emocional para com o enredo.
Uma
curiosidade sobre o meu perfil de leitora: nunca abandonei um livro pela metade. Mesmo não gostando do enredo apresentado, jamais abandonei uma história; leio-a
até a última página, embora demore um pouco. E nunca leio um só livro ao mesmo
tempo, geralmente leio dois ou três livros no mesmo período. Coisas de leitor.
Sim,
estas leituras me pertencem, portanto tenho liberdade plena para a escolha. Leio
para o meu prazer, não para terceiros.
Parafraseando
a frase “meu corpo minhas regras” do movimento feminista A Marcha das Vadias,
digo que: “minhas leituras minhas regras”.
E
você? Já se entregou ao deleite de uma releitura? Ainda não? Não estou
acreditando! Pois experimente.



