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sábado, 6 de janeiro de 2024

HOMENAGENS À PROFESSORA JOSA



ACRÓSTICO PARA JOSA 

(Gilberto Cardoso dos Santos)


Jovial no dia a dia

Otimista e tolerante

Sorridente, atenciosa

Entusiasta e brilhante

Nobre em suas atitudes

Educada e confiante

Inteligente e bondosa

Delicada e carinhosa

Essencialmente elegante.











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Porque levaram o riso da Professora Josa*


Terna no seu olhar... O riso franco, afável, Como se fosse o cénico de pétalas Que se desprendiam de um bouquet, Que era sua alma bela! Passou lições, da forma inolvidável, De vida. De repente, saudade, sem saber porquê!


à Professora Joseneide Dantas de Araújo

(In memoriam)

J.E.S. (Jair Elói de Souza)








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Joseneide Dantas de Araújo foi minha primeira professora em uma escola pública. No início dos anos 80 fui matriculado em uma classe especial na escola municipal Theodorico Bezerra em Santa Cruz, RN. Lembro que já era alfabetizado, pois meu pai pagou uma jovem para ensinar a mim e a meus irmãos. Na época e escola Theodorico só tinha duas salas de aula. Gostava de Josa como minha professora, pois ela não castigava os alunos fisicamente, o que era ainda comum naqueles dias. E também não era contra a leitura dos marginalizados gibis que eu comprava em uma banca na feira livre ou no comércio de seu Lins. 

Jose Edmilson Felipe da Silva











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Procurei uma foto da saudosa amiga Joseneide Dantas de Araujo sem um sorriso no rosto, mas não encontrei. Esta marca ou legado, ela deixou: alegria sempre. Sorrir é encantador. E como diz a palavra ENCANTA A DOR. Por isso, nossa inesquecível amiga, nos deixa a certeza de que ser uma professora é muito bom. Ser uma filha é melhor ainda. Ser uma irmã é maravilhoso. Ser uma tia é perfeito. Ser uma sobrinha é muito lindo. Ser uma vizinha é mais que colorir a vida. Ser uma pessoa que sabe sorrir, é mais que brilhar. É sorrindo que evitamos as rugas. É sorrindo que atraímos coisas boas. É sorrindo que dizemos ao mundo que chorar faz parte, mas sorrir faz amigos. Sorriso é dom de quem espalha amor em forma de cor. Josa de Lelê nos ensinou que sem alegria a vida não te guia. Sem amor, nada se cria. Sem amizades, não existe um dia. A saudade e a falta vai ser enorme pra quem conviveu com ela nos últimos anos da sua vida. Eu convivi com Josa quando morávamos na mesma rua Augusto Severo, nos anos 70 e 80. De lá pra cá nos encontrávamos na Escola Isabel Oscarlina Marques e nas oportunidades que a sociedade nos proporcionava. Era sempre a mesma pessoa: calma, alegre e cheia de vida. Vai com Deus. Descansou desta vida. (Bernadete em 04/01/2024)

Bernadete Oliveira













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Querida tia Josa, obrigado por toda contribuição na minha educação, vocês professores do Brasil são mais do que educadores, desempenham papel que se assemelha a assistente social, psicólogos, vocês suprem todas nossas necessidades, muitas vezes faltando tanto pra vocês mesmo! Desde que tive chance de conhecer outros sistemas de educação, sou ainda mais grato a vocês professores, querida tia Josa, Muito obrigado, vocês São verdadeiros heróis com giz e lousa na mão! vocês são quem podemos confiar fora de casa! Obrigado por tudo. Tenha um bom descanso, trago na memórias nossas maravilhosas aulas de ciências, e a lembrança dos seus lindos olhos verdes cor de esperança! Nunca será tarde pra dizer: muito obrigado!

Rafael Pierdi














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Josa minha amiga de sempre Não fui te ver Não era daquele jeito, Não tive coragem. Quero lembrá-la daquela forma Bondosa, firme na fé na alegria e no encanto de seus gestos, suas atitudes amiga...aaah amiga professora, obrigada senhor pelo tempo e oportunidade de teve de conhecer um ser tão intensa e generosa. CHEIA DE AMOR..eu sou prova de sua intensidade de amar..fica na paz amiga..te ❤️

Ione Medeiros





sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O SILÊNCIO DA PEITICA - Jair Elói de Souza

 


O SILÊNCIO DA PEITICA*

Grassava a idade meã da década em que as novidades eram o biquíni de Brigitte Bardot, os primeiros passos do homem na lua, os meninos de Liverpool nasciam para a eterna tietagem mundial. Nos sertões dos Seridós x Seridós, a sinfonia ficava por conta da sonoridade das biqueiras esboroando as chuvas torrenciais dos invernos a cada ano mais abundantes.
Nessa toada, os bichos de pena na sementeira desfilavam seus cantos, e dentre muitos, um se destacava no seu púlpito preferido, a ponta da estaca mais alta, a PEITICA, com sua estridência, era o celebrante mais entusiasmado, e nas manhãs de sol tropical, chegava ao orgasmo de desfalecer e cair no chão pelo cansaço, no seu ritual típico e diferente dos outros pássaros.
Se naqueles tempos assistia essas sinfonias, nos tempos presentes, não só a peitica, como muitas outras aves, como o xexéu bico de osso, o gavião vermelho, o jacú do juremal, a ema com seu tropel desenfreado quando se deparava com um solitário vaqueiro, assuntando vaca parida amoitada, (Na fazenda "Esperas" do Major Marinheiro Saldanho), bandos viviam nos descampados do tempo (depoimento de meu pai, que sempre ia àquele feudo, no Mercury de Marinheiro, para o fim de caçar rolinha para os macacos deste latifundiário).
Mormente, naquelas nesgas de baixios e rios, não se ouve mais o Canto da Peitica.
Resta uma saudade silente, sepulcral, parte de seu bando foi dizimada, os sobreviventes migraram para outras terras.

*PEITICA: Pássaro nordestino.

J.E.S.


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

ONDE ENCONTRAR O SERTÃO? - Jair Eloi de Souza

 


ONDE ENCONTRAR O SERTÃO?

Dizia o Príncipe dos sertanistas, o Mestre Osvaldo Lamartine, que todos nós dessas nesgas aldeãs carregamos um Sertão dentro da gente. Pois, "O Sertão é o mugido da vaca sentindo o sungado do bezerro apojando em suas tetas";
É o zunir das abelhas a defenderem suas cachopas; é o boquejar noturno do peixe nos açudes; é o marmeleiro murchando em veranicos no inverno, dando coito pras vespas sanguinárias reproduzirem. É sentar quixó pra prender preás; é extrair raiz de mulungu pra fazer cavalete e desafiar o rio abotoado até as beiras;
O Sertão é fazer catimbóias em açude, pra fazer peixe dormir sem frio da cruviana, e fazer as pescarias, pra mandar peixe pro Brejo; é enterrar umbigo junto às porteiras de currais; é curar bicheira com reza no azimute indicado;
O Sertão é um paiol de saudade, a lembrança da cabrocha que fazia da janela, o verso mudo em riso; o cantar de incelências nas noites adentro pra defunto; o clarear de relâmpagos avisando o ribombar de trovões; Latonia de cachorro apanhando de caipora na sexta-feira treze;
O Sertão é o martelo agalopado; é Pinto fazendo verso, lembrando o grande Romano da Mãe d'água; ou mesmo o negro cativo, Inácio da Catingueira; o dia em que a vaqueirama pegou o boi mão-de-pau, lembrando de Fabião.
O Sertão é muito mais...
J.E.S



sábado, 8 de julho de 2023

PRA DOMAR O SOM DO ÓCIO




 PRA DOMAR O SOM DO ÓCIO (Jair Elói de Souza)

Livre é o olhar
ensimesmado
que escolhe o silêncio
à utopia
dos sonhos libertários
sutis soluços da mudez
que são vida
É como imaginar a cerca
de pedra no Seridó
Serpenteando os contornos
de uma caatinga seca
E ao mesmo tempo dar aselha
ao verde musgo da gitirana
Sendo a rima em versos de
fartura
Dando mote ao poeta pra
versar uma canção
Onde os ponteios da Viola
têm candura.
J.E.S.

domingo, 18 de junho de 2023

RABISCANDO NO PERGAMINHO DO SERTÃO MÍTICO - Jair Eloi de Souza

 


RABISCANDO NO PERGAMINHO DO SERTÃO MÍTICO

No vaquejar do rebanho, o canto triste no gemido de uma toada. O solfejo de uma canção, saída do improvisar de um cantador solitário que ponteia velho pinho. Um aboio reboado, uma orquestra "vacum", serpenteia nas veredas os bichos de cascos lascados, soalheira em "sol a pino", rompendo o entrançado do caatingote fechado, na busca de escassas pastagens e, mais grave, na ânsia voraz de encontrar algum choradouro, e nele fundar cacimba. A sede maltrata, mata, faz banquete pra abutre...
Doutra feita, os comboieiros, a exemplo de velhos tropeiros, tocando burros no estalo do chicote, rompendo léguas tiranas, nos caminhos do "Cariri", "anecho" com o nosso Padrinho Cícero Romão, no Crato, Missão velha, Juazeiro, a tenda da romaria, onde encontravam a rapadura no frescor do fabrico, para encalacrarem em surrões de sola curtida, para o refrigério do sertanejo, nas plagas do Seridó. Homens bravos, penitentes, pagavam o dízimo ao Padrinho de quem eram devotos e, de novo na estrada, a enfrentarem a fome na burrarada, a sede que castigava, e o banzo naqueles ermos de desvalia.
Nessa travessia desértica, escutando o tilintar da campainha da burra guia, davam-se a tirar loas no quengo em soalheira, a declamar a gesta dos "Doze Pares de France", as façanhas de "Cancão de Fogo", o poema de Canhotinho sobre as enchentes de 1924, poema este com no mínimo entre vinte e a trinta minutos para declamar.
Naquele Sertão mítico, do desbravar com currais, o medo trazido pelas onças, pois, era um perigo iminente. A suçuarana, fustigava o rebanho bovino, os touros eram provocados todo tempo por esse felinos. Tinham estes a função de defender sua manada. Mas, foi o bicho homem, que teve de usar o clavinote, as zagaias aladas, o murrão, coadjuvados por cães comuns, mas treinados no enfrentar aquelas feras na escuridão das furnas. Nessa faina, sobressaíram-se "Miguelão das Marrecas", na Serra do Doutor, morador de Joaquim Teles, que sempre matou onça na propriedade de Manequim Pinheiro, nas serrarias de Santana do Matos; José Gomes em Cerro Corá. Porém, foi dos ermos antigos das Espinharas, entre Pombal e Serra Negra, no pé da "Serra do Tronco", onde tinha grande criatório, que reinou o mítico e valente "Cazuza Sátiro", considerado o maior deles. Tem-se notícias, que os Valões, no Sertão do Pajeú (PE), também foram grandes cabras onceiros.
Sertanejo é um enamorado da fartura, um bravo combatente nas secas. Nesses tempos ásperos, de salvar os animais, temos que abrir alas, para o papel dos "velhos tangerinos" dos Sertões do Seridó. Condutores do rebanho Vacum para as pontas de serras, onde nos anos "ruins", de magrém, caiam as salvadoras "chuvas de manga". Onde criavam um refrigério alimentar, para salvar as vacarias de toda as Ribeiras do Piancó, Espinharas e Piranhas. Tangerinos foram verdadeiros pastores na salvação do rebanho. Uma similaridade dos antigos pastores na península ibérica. Dosavam a permanência do rebanho naquelas faixas, conduziam o rebanho do amanhecer até as 10:00 horas da manhã. Ainda madrugada, começavam a levantar as rezes fracas para início da caminhada. As retiradas do Velho Marinheiro Saldanha, eram famosas e grandes. Geralmente, eram conduzidas, pelo meu avô, Eloi de Souza, Macaco, Egídio de Guilherme, Sebastião Camelo, Basto e Manoel Eloi, estes meus tios avós.
J.E.S.

terça-feira, 4 de abril de 2023

AS CHUVAS DE OUTONO NO MEU SERTÃO

 









AS CHUVAS DE OUTONO NO MEU SERTÃO.

No hemisfério norte, o outono tem início no 22 ou 23 de setembro, finda na penúltima lua dezembrina, nominam lá, de "outono boreal". No hemisfério sul, nas terras equatoriais, dá-se o nome de outono astral, permeia entre 20 de março 20 de junho, quando recepciona o inverno. Noites mais longas e temperaturas mais brandas. Geralmente as folhagens maturam, e assumem um cênico de amarelo desbotado. também serve para os amantes soluçarem a perda de quem a tanto depositaram suas juras em cupido caliente, pois, não viveram um "verão do lobo vermelho", os queixumes e quimeras foram partilhados intensamente.
As chuvas fizeram as águas de março correrem nos duros no meu Sertão. A magrém e estreiteza dos tempos tinham ressonância no desespero do homem, para salvar seus teréns e haveres: a semente de gado, as cabras leiteiras, as últimas ovelhas do rebanho, que passara tantos anos para constituí-los. Isso em sí, não era só o que imaginava o sertanejo do meu Seridó. Na agudez de seus pensamentos, quando o crepúsculo se transformava na negritude do além e as trevas calavam o canto compassado e lastimoso da mãe-da-lua, havia a sinistra ideia de ficar só com as amarras e chocalhos dos seus bichinhos de estimação.
O rancho das estrelas, era aquela limpidez que reluzia um quadro de solidão e desespero. Parecia que o silêncio de Deus, era obra de uma demência precoce, extemporânea, sentença decretativa para que o homem embora rude, pobre, penitente, ajustasse as contas como se fosse o juízo final.
Imaginava-se ser mesmo eras de provação. Morria o aboio reboado, A toada na condução do gado emudecera. O relincho do cavalo que tantas vezes ajudara no traquejo diário, era uma visão imaginária, que só a estação do livre penar absolveria tamanha tragédia.
Os cientistas do cosmo, dos biomas terrestres, anunciam as finas veias em cacimba, não há chuvas. A acauã reclusa e em silêncio pétreo, as seriemas dessalivadas de tanto ecoar em fila indiana, também em reproche à tamanha amargura em fome e sede, eu as ouví em estação de banzo no maracujá da velha Altamira Araújo. Dias de tormento, daqueles que o sertanejo diz: "Valhei-me nosso Senhor, Divina providência", é seu último suspiro.
Mas, o templário dos homens da ciência, pelo menos nos sertões do Seridó, foi contraditado pelos nimbos-cúmulos de Deus, Divina providência. O ribombar dos trovões como trombetas em sonoridade alarmante, anunciaram e trouxeram as chuvas milagrosas, juntaram aguadas, baita refrigério para aliviar esse inferno de Dante Alighieri, nesse mundaréu nordestino.
Estou feliz, o outono está sendo generoso, ao ponto de nesta manhã de domingo, poder ouvir os arrulhos de um juriti que resolvera entrar em cio e chamava seu companheiro para a tenda do cupido, bem ali no Maracujá, da Velha Altamira do saudoso Chico de Quinca.
A lua nesta hora, nova, navega no firmamento, sem adereço de nuvens estáticas, isso é um bom sinal.
J.E.S.

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sábado, 18 de março de 2023

O RISO DO MANDACARU - Jair Elói de Souza






O RISO DO MANDACARU

O primeiro broto aflora em plena estiagem, mais um dia, outro. Mais dias, os demais. Embora em cores verde e vermelha, se abotoam nas galhadas como jabuticabas em tempos de prenhez...
E logo as flores riem para serem molhadas pelas chuvas de verão...
Não há óbice em dizer, que elas são como velhos e pontuais amantes, que mesmo com seus sobretudos, molham-se na chuva, mas estão a postos, para o abraço na estação...
É assim o riso do mandacaru no Sertão. Um poema que tem rimas que fazem a cabrocha da janela, olhar pra si e alhures, ainda mais, naquele que pensa nela...
A flor do cacto, nesses trópicos nordestinos, fez de Zé Dantas poeta, compositor. Despertou os solfejos de concertinas, fez dos toques em pé-de-serra, dançar-se em salas de reboco...
J.E.S.




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sábado, 11 de março de 2023

OS PÁSSAROS, SEUS NINHOS E MISTÉRIOS NA CHÃ DA GRAÚNA - Jair Eloi de Souza



ASSIM ESCREVI SOBRE OS PÁSSAROS, SEUS NINHOS E MISTÉRIOS NA CHÃ DA GRAÚNA

Em tempos de lua crescente e dezembrina, sem bolandeira ou cristais d`água em seu redor, ainda rompia o braseiro, pois a quadra chuvosa estava distante, tivera eu informação que escassas chuvas de manga tinham caído no Piauí. Certa manhã ainda meã, um Magistrado das bandas da Serra do Cuité, que além do juditio dedilha em fios literários, terminara sua aula e encontra-se com esse velho escriba nos jardins do CCSA. Em meneios sertanejos, recorre à lembrança dos tempos que vivera nos sertões do oeste potiguar, dizendo ter publicado em vespertino da cidade, a crônica “OS PÁSSAROS, AS CASAS E A LIBERDADE”, em cujo lenho, se reporta a um pardal, que de forma ousada confeccionara ninho em seu gabinete, utilizando os grampos e clips da escrivania, comenta a forma de moradias verticais e desagua na falta de liberdade e direito à integridade para o homem.
O tema albergou-se em minha memória, de forma latente e reflexiva, principalmente quanto à questão da liberdade, e deu mote para relembrar a melodia “Assum preto”, interpretada pelo velho Gonzaga, quando diz:

“Pois assum preto, cego dos óios,
Não vê a luz... canta de dor...”

Por outro lado, a quadra chuvosa chegou, as águas de março borrifaram a caatinga, e pude fazer verso como esse:
Da tênue veia em cacimba,
Encontrei a grota cheia,
Choradores na caatinga,
Nível em açude sem meia.

A mata encorpara e quase intransitável ficou. Mas, foi no pátio da Chã da Graúna, onde habitam os cocos-catulés, eucaliptos decenários, cajaraneiras trazidas do Braz no velho Seridó, flamboyants em brotos e cajueiros nativos, que lembrei do Magistrado, da Chã da Serra do Cuité, o Dr. Ivan Lira. É que na vizinhança do copiar da Chã da Graúna, vi a convivência da liberdade e da democracia na sua forma mais pura. Nas galhas da cajaraneira ninhos de galos-de-Campina, Sanhaçu, rolas-brancas e golinhas, já atulhados de filhotes que eram aquecidos pelas mães que dormiam em pleno meio-dia, o vai-e-vem das abelhas sem ferrão, de um lado as jandaíras e de outro as enxuís, também na reprodução.
Quanta alegria! Para um amante da natureza. Daí, passei a entender o porquê da sinfonia matutina, ofertada com esmero por esses habitantes das cercanias da Chã da Graúna a esse escriba. De ressaltar que a liberdade que tivera o pardal, em pleno gabinete citadino de um Juiz, construir seu ninho para a reprodução, tinha algo a ver com a liberdade da passarada que habita a Chã da Graúna. É que nas cercanias da choça campônia, assim como nas entranhas da justiça havia e há o direito de ir e vir, sem qualquer molestação.
Mas, é imperativo trazer o informe, que os ninhos nos grotões da Borborema potiguar, ou nos catingotes dos confins do Seridó, têm suas regras de confecção e de defesa. O golinha utiliza os fios nobres do capim panasco, o maçarico ribeirinho os gravetos mosqueados de branco e preto para despistar a serpente, o pindurim trança o seu com plumas de rosa-seda ou algodão nos últimos artelhos da ingazeira, o xexéu-bico-de-osso terce o ninho nas ramas da umarizeira espinhenta, à similaridade de um puçá pesqueiro, o Juriti na forquilha do mandacaru espinhento no entrançado da mata, com uma particularidade, se alguém descobrir este, quebra todos os ovos e recomeça uma nova confecção em lugar diferente e distante do primeiro.
O caburé de buraco aproveita as galerias de formigueiros extintos, para construir seu agasalho reprodutivo, nos limites de caber apenas os filhotes e a mãe caburé, pois, ao macho cabe ser na postura, o vigilante incansável, para evitar a invasão da serpente ou do furão violento, com direito a chorar quando chega a cruviana madrugadenha com seu gélido sibilo.
De outra feita a cambonje escolhe só e somente só, os alagadiços cobertos de tabocas ou pimentas d`água nos invernos intensos, para depositar seus ovos e colher sua ninhada, ao contrário não há nascimento em épocas secas. O nambu espanta-boiada, confecciona ser ninho nas capoeiras inclinadas, porquanto quando os rebentos saem dos ovos, já o fazem em correria desenfreada e não mais convivem com seus pais, pois, estão aptos à sobrevivência nos descampados do tempo. Assim, são os ninhos na Chã da Graúna, um santuário de vida e de mistério a desvendar.



J.E.S.