APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Convite: Renan II Pinheiro lançará o livro "Cárcere: Vozes de um prisioneiro"

Ao centro, o autor recebendo sua certificação de premiado.

Renan II de Pinheiro e Pereira, membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN, convida seus amigos e conterrâneos de Santa Cruz para o lançamento de seu livro "Cárcere: Vozes de um prisioneiro", que ocorrerá no dia 05 de outubro, às 19 hs, no Teatro Candinha Bezerra.

O autor obteve o segundo lugar do Prêmio Othoniel Menezes de poesia, promovido pela Capitania das Artes. O prêmio deu-lhe direito à publicação de Cárcere: Vozes de um prisioneiro, livro de poemas.


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

TE AMEI! - Alexandre de Assis


Te amei!

Brincávamos todos os dias, todas as tardes,
Éramos crianças ingênuas, alegres, saltitantes, 
Queríamos apenas viver, correr, sorrir, 
Deixar a felicidade nos invadir da melhor e simples maneira,
Passávamos horas e dias caçando borboletas, 
Florindo as manhãs com sorrisos e pureza, 
Amava correr contigo naquele capim verdinho 
Que tinha nas terras do teu pai, 
Exalava um perfume até hoje impregnado na memória, 
Um dia comecei a te perceber com outros olhos quando minha mão se esbarrou na tua, 
Tudo tão comum, aliás, 
Brincávamos todo tempo e isso acontecia rotineiramente, 
Mas naquele dia foi diferente, 
Quando nossos olhos se faiscaram pela primeira vez, 
Te amei...
Estávamos maiores, não corríamos mais, 
Das borboletas restaram-me apenas lúcidas lembranças,
Conversávamos ainda, o que era bom,
Caminhávamos pelos campos, no entanto, 
Pouco tempo nos sobrava, as responsabilidades te afastaram de mim, 
Quando meus lábios se fundiram com os teus já te amava!
Quando nossas mãos se uniram com a alma, te amei! 
Me enlaçava o brilho estonteante do teu olhar, não foi culpa minha!
Não foi de propósito. 
Na verdade, não sabia que estava caindo em tuas redes, 
Me afundando, como chumbo no mar, sem retorno, 
Cheguei à conclusão que só eu amei... 
Quando nossos corpos se uniram naquele dia de chuva 
Pude sentir tua alma dentro da minha, 
Senti que seria eterno. 
Te amei cada vez que via teu sorriso angelical, 
Te amei enquanto te via da janela, em teus sonhos, 
Te velava escondido naquela árvore em frente ao teu quarto, 
Rezando para que fosse protagonista do teu desejo, 
Te amei quando você se afastou de mim, 
Sei que nosso amor poderia ser impossível, 
Mas a impossibilidade só existe quando acreditamos nela!
Te amei enquanto te via escorrendo de minha vida como água nas mãos, 
Te amei quando teu sorriso não correspondia o meu, 
Quando nossas palavras se restringiram apenas a cordialidades, 
Te amei quando te vi com outro alguém...
Morria a cada dia ao saber que não era eu quem tocava tuas mãos suaves, 
Quem beijava tua face... 
Te amei quando não mais te vi. 
Pensei mil vezes em esquecer-te! 
Mas meu coração moribundo ainda lutava, 
Quis mil vezes odiar-te!
Porém minha alma se negava ao meu sacrifício. 
Um dia, quando eu estava no celeiro, 
Apareceste como estrela cadente que perdeu o rumo do céu, 
Chegastes com os olhos ardentes em lágrimas.
Havia me preparado para este momento, 
Havia ensaiado noites e noites para negar-te por toda a vida, 
Porém, te amei...
Te amei quando teus soluços se uniram aos meus lábios, 
Enquanto te amava sem palavras,
As lágrimas minhas se uniram com as tuas, 
E pude sentir a dor do eterno estraçalhar-se dentro de mim e chegar ao fim, 
Pude sentir tua alma mudada, aflita, turva, 
Quando colocastes a capa, fitastes em meus olhos tanto tempo quanto um soluçar, 
Estalastes um beijo frio nos meus lábios ainda atormentados pelos teus 
E silenciosamente saístes e te amei ainda mais... 
Nunca mais a vi. 
Sei que milhões de outras aparecerão,
Mas não será você, não haverá intensidade,
Não haverá amor, não existe amor na tua ausência.
Estou condenado a viver te procurando em mil bocas,
Te vendo em mil faces,
Porém o amor levastes contigo,
Naquele dia no celeiro...
Mas te amarei até o meu existir
Quebrar-se em mim 
Como o eterno que sonhei.

Alexandre de Assis

FURO DE REPORTAGEM (Conto de Cleudivan Jânio)



Furo de reportagem

Era uma aconchegante tarde de sábado e eu estava totalmente entregue à Orfeu. Ao acordar olhei para o visor de meu relógio, que marcava 17h00. De súbito percebi que estava deveras atrasado para o casamento de Glorinha, a filha do fazendeiro mais rico e bravo da região. Pois é, quem mandou ficar na boemia até o alvorecer? Agora estava atrasado para a cobertura jornalística desse “emocionante” evento que iria ocorrer nessa pequena cidade, que, diga-se de passagem, é pra lá de monótona e tediosa, onde os únicos fatos que o editor do jornal em que trabalho me permite cobrir, são as besteiras que a “alta sociedade” insiste em fazer, para não morrerem de tédio. Isso inclui bingos, leilões de quermesse, vaquejadas, exposições bovinas e de cães – que são sempre os mesmos animais -, sem falar nos batizados, aniversário e outros eventos sem nenhuma relevância.
Tomei um café amargo e “congelado”, que não me recordava em que século eu o havia passado, vesti minha melhor roupa, que consistia numa calça jeans já desbotada pelo tempo e uma camisa branca de mangas longas que ganhei de minha pobre mãe, durante os festejos natalinos do ano passado. Peguei minha bicicleta Monark, e logo senti a falta de um pedal, que acredito ter perdido na noite anterior. Despedi-me de Kilate, o meu cachorro, velho guerreiro de longas batalhas e lambidas no rosto ao me encontrar dormindo, pelas ruas e vielas da cidade, por conta da embriaguez.
Sai em disparada em pedaladas trôpegas pela Rua do Brejo, tomei a ladeira Reze Antes de Descer e encurtei o caminho pelo Beco da Maldade, que dava em frente à Avenida Ponta da Peixeira. Ao passar pelo Hospital Santa Genoveva, me deparei com algo inesperado: A única ambulância da cidade, que de tão velha tinha sua porta fechada com fios de enrolar cadeira de balanço, parava em frente à unidade hospitalar, quase me atropelando nesse feito. Por já estar totalmente atrasado, encostei minha magrela num poste e resolvi tomar satisfações com Gotardo, o motorista (parceiro de longas noites de bebedeiras). Foi quando percebi que dentro do veículo encontrava-se só arquejando padre Julião. Justo ele, que iria celebrar o “casamento do ano”. Usando das minhas atribuições de repórter detetive, logo deduzi: sem padre não há casamento.
Padre Julião quase inconsciente gemia demasiado na maca, aguardando a chegado do médico que se encontrava no horário de almoço. Aproximei-me do Sacerdote e perguntei o havia acontecido. O velho então me respondeu:
― Quem está aí? É o doutor que já chegou? ...ai!
― Não! Respondi. ― Sou eu, Abílio, o repórter do jornal O Estacionário, lembra-se?
Com um sorriso meio amarelo o velho pároco disse:
― Oh, desculpe meu filho, não o reconheci, estou cheio de dores e levei uma pancada na cabeça, minha mente está um pouco falha.
Logo percebi que havia algo errado, pois aquela “raposa velha” conhecia todos na cidade – do mais novo até o mais antigo morador daquele município. Foi então que ele pediu que eu me aproximasse, pois tinha algo para me falar. Foi o que eu fiz. E o velho continuou:
― Fui atacado por alguém e levei uma pisa sem precedentes. Só não me recordo quem foi o autor deste ato brutal contra um pobre ancião como eu. Só lembro que teve algo relacionado com o casamento que eu iria realizar hoje à tarde.
Após cinco minutos de conversa tive uma ideia inspirado pelo detetive Sherlock Holmes, em suas aventuras ao lado do Dr. Watson. Sugeri que ele falasse sobre as pessoas que possivelmente estariam prestigiando o casamento, talvez uma delas pudesse ser o autor(a) daquela barbárie. Então o velho começou:
―Ai!... Boa ideia, por quem começo?! Já sei, talvez D. Gasparina, tia da noiva, que é protestante, aquele brucutu...ops! digo, aquela boa senhora, que queria de toda maneira que sua sobrinha contraísse o matrimônio na igreja “concorrente”. Ela sempre anda com um guarda-chuva, pode ter sido ela!
Mas como bom observador que sou, lembrei ao padre que na semana passada, no aniversário da irmã mais nova da noiva, D. Gasparina comentou com sua amiga Fulgência que já que era da vontade de seu irmão, deveria se conformar que sua sobrinha se casasse mesmo na Igreja Católica, afinal era ele quem mandava e sustentava quase toda a família.
― Então não pode ter sido ela! - Disse o velho.
Pedi para ele esfriar a cabeça e pensar em outro suspeito.
― Será que foi o Astolfo, aquele bexiguento... ops! Aquele rapaz que veio lá dos cafundós da Bahia, que se esquenta com tudo e luta aquele negócio que dá uns cangapés. Olhe que ele não estava nem um pouco conformado com o noivado de Glorinha, sua ex-namorada.
Desta vez, lembrei-me que há mais ou menos um mês, dona Crisantina apresentou Luzia, a sobrinha de seu Aparício, a Astolfo, durante a exposição de cães. Na ocasião, o rapaz mostrou-se bastante interessado na moça. Disso eu me lembro bem, pois, ele sequer se importou quando Kilate fez xixi em sua perna. Expliquei isso ao padre e sugeri que ele citasse mais alguns suspeitos que pudessem ter interesse em impedir a cerimônia. Ele por sua vez, citou três pessoas: a própria noiva Glorinha, o noivo Frederico e o doutor Feliciano, o médico da família.
― Doutor Feliciano?! O que ele tem om tudo isso? - Indaguei.
Pe. Julião fez um esforço e continuou:
― É porque... é porque... por que era mesmo?! Ah! Lembrei! É por causa do exame.
Neste momento, o médico que iria atender o padre, chegou e falou:
― Falando em exame, vou te examinar agora. E você seu “fuinha” nos dê licença, pois, esta área é restrita apenas aos pacientes.
Peguei minha bike e me mandei para a Igreja Matriz, onde era esperado o casamento. Em direção ao local, comecei a matutar acerca de quem poderia ter espancado o velhote para não haver casamento. Me acalmei, esfriei a cabeça, que ainda “rodava”, diga-se de passagem, e procurei encontrar uma solução para o caso. Tentei seguir a pista dada pela vítima e comecei a divagar: Por que o Dr. Feliciano? Padre Julião informou que foi por causa do exame, mas que exame? Pode ser um exame ... sim é isso! Um exame ginecológico! O médico deve ter examinado Glorinha a pedido de seu noivo e constatado que ela não era mais “moça”, tendo informado ao vigário para não mais realizar a cerimônia. No entanto, o padre que era muito amigo de Tributino, o pai da noiva, decidiu omitir o fato para evitar um possível escândalo na cidade. Os dois devem ter discutido e o médico sem querer deve ter machucado o padre na cabeça, fugindo da cena para a história não se complicar mais ainda.
Me aproximei do local do evento e de cara notei que todos estavam em festa, pareciam esquisitos, mas festejando. Naquele momento, eu estava tão compenetrado com minhas ideias e a pressa era tamanha, que caí da bicicleta e me esborrachei no chão tal qual uma jaca madura ao desprender-se do pé. Fui socorrido por doutor Feliciano e outras pessoas que por hora não me recordo. Naquele momento sequer me importei com as dores provenientes das escoriações, e sim, com a matéria do século, depois do salvamento do jegue de Juvenal da enchente do ano passado.
Informaram-me que o casamento já havia sido realizado. Naquele instante não entendi mais nada. Chamei o doutor num canto de parede, coloquei para ele todas as minhas habilidades investigativas, indagando-o se havia me saído bem no papel de detetive. Narrei tudo a ele, desde o porre da noite passada, até a queda da bicicleta, ele quase se escangalhou de rir e contou a sua versão para o caso:
― Meu caro Abílio, em partes você está certo, mas não fui eu que agredi padre Julião!
― Então foi o noivo? – Perguntei. – O Sr. Informou o informou do resultado do exame, ele, porém chateado, foi falar com o celebrante, tendo os dois discutido...
― Neste caso, meu caro repórter, não haveria casamento mesmo! Já que o noivo renunciaria. – Respondeu o médico - Você está errado num ponto: o noivo ainda não sabe que ela fora deflorada. O coitado só saberá na noite de núpcias, ou seja, logo mais!
― Então quem mandou fazer o exame? Não vá me dizer que foi Sr. Tributino!?
O médico afirmou que fora realmente o velho fazendeiro que solicitara tal exame. Nesse momento, todos se dirigiam cambaleantes para a recepção na casa da noiva. Doutor Feliciano me ofereceu uma carona em sua caminhoneta D-20, logo coloquei a bicicleta na carroceria e fomos conversando durante o percurso. Perguntei por que todos estavam entorpecidos. Sorrindo, ele me fez um breve relato:
― Você perdeu o fuzuê que ocorreu na cerimônia. O padre demorou a chegar, aliás, como você sabe, nem chegou; o pessoal começou a ficar inquieto; a noiva ficou nervosa e começou a choramingar baixinho; o tio dela, que a conduziria até o altar, porque seu pai também não havia chegado de início tentou consolá-la. Não obtendo êxito, perdeu a paciência e iniciou uma leve discussão com a sobrinha; a mãe da noiva, que por sua vez suava mais que tampa de chaleira, discutiu com o noivo; a partir de então, meu amigo, a vaca foi para o brejo!
Espantado com toda a história, perguntei:
― Onde estava o pai da noiva nesse momento? Não era ele que deveria conduzir a noiva?
Respondeu-me o médico:
― Ele chegou atrasado, não se sabe de onde, banhado em suor e alterado, a confusão instaurada era tão grande que ninguém notou a sua chegada. O velho, esquentado que só ele, diante de toda a confusão já armada, sacou um revólver, deu dois tiros para o alto. Nesse instante, meu amigo, o circo incendiou de vez! Todos ficaram à flor da pele. Mãe e filha começaram a chorar; o noivo desmaiou. Foi então que me surgiu uma ideia: chamei o Sr. Tributino à sacristia e sugeri que colocássemos calmante na água que estava sendo servida naquela ocasião. E assim foi feito. É por isso que todos estão assim, ébrios. Logo após a poeira ter assentado, o fazendeiro, alegando que o pároco não poderia vir, pois se encontrava muito doente (de fato), autorizara um diácono por nome de Francisco Lisboa (mais conhecido como Chico Caçote) a celebrar o casamento. E assim foi feito!
Chegando à casa do Sr. Tributino, juntei o restante do quebra-cabeças. Ora, se o pai da noiva chegou atrasado, não se sabe de onde, suado e nervoso, provocando uma confusão maior do que a que já estava instaurada, estava na cara que foi ele que espancou padre Julião, por este recusar-se a celebrar o casamento de Frederico, advogado famoso, aliás, o único da cidade, inocentemente com uma mulher “desonrada”. Naquele instante só pensei em me tornar um repórter de verdade. Seria a melhor matéria já publicada desde a fundação do jornaleco O Estacionário, superando o episódio do jegue de Juvenal.
Claro que eu não fui confirmar com o velho a veracidade de minhas conclusões, pois, bem sabia que ele estava armado. Além da autoria do espancamento do padre, outra questão pairava no ar: quem havia se aproveitado da “inocência” de Glorinha? Minha intenção foi perguntar à própria, mas, como faria isso? Foi então, que percebi que os convidados tinham direito a uma dança com a recém-casada. Esperei um pouco, tendo sido o terceiro a dançar com ela. Amigos desde a infância, já tínhamos certa intimidade; contei a ela tudo o que havia me ocorrido desde a noite anterior, até aquele momento; então fiz a pergunta que todos iriam ter interesse em saber posteriormente. Ela me respondeu sorrindo mostrando seus belos dentes:
― Foi no ano passado durante a enchente, enquanto todos estavam ocupados tentando salvar o jegue de Juvenalzinho. Fiquei ilhada na casa do sítio de papai, imagina com quem?!
Usando a minha massa cinzenta, lembrei-me que o único personagem que não se encontrara na cena da salvação do jegue, era o próprio dono, que só ficou sabendo de tudo após o ocorrido. Ela, então, confirmou imediatamente, novamente exibindo seu belo sorriso, e continuou a história:
― Ele foi buscar uma galinha que papai tinha lhe prometido, foi então que a barreira do açude arrebentou e inundou tudo. Fiquei desesperada, comecei a chorar. Juvenal teve a ideia de irmos para o alto de uma pedra que existe no sítio. Molhados, cansados e com a roupa rasgada em alguns pontos, me desesperei, achando que iria morrer. Ele me abraçou, me consolou... Eu que já sentia uma quedinha por ele, não pude evitar que acontecesse.

*****
O casamento, por sua vez, foi anulado a pedido do noivo no dia seguinte, logo que constatou a condição de sua, agora, ex-esposa. Dois dias após o acontecido, o velho Tributino após pagar uma fiança pelo crime cometido contra o padre e se comprometer em colaborar com a reforma da igreja, naquele ano, me chamou em sua casa, para uma conversa reservada. Na oportunidade, ele me proibiu de publicar uma linha sequer do ocorrido. Deu-me duas passagens, uma boa quantia e uma carta de recomendações a um amigo seu, diretor de um jornal em Natal. Junto com tudo isso, me entregou também, a bela Glorinha como prêmio pelo meu silêncio.
Neste exato momento, eu, Glorinha e meu fiel amigo Kilate, estamos seguindo para a capital potiguar, em busca de uma nova vida, enquanto os demais continuam nessa cidade monótona, torcendo para que logo aconteça algo que venha a sacudir novamente o dia a dia de seus habitantes.

Abílio (o repórter boêmio)



Autobiografia do autor:

Nascido em Currais Novos em 20/06/77, embora natural de Campo Redondo/RN, onde sou registrado. Filho de Terezinha Izabel Campelo de Araújo (professora primária), falecida de parto em 1980 e José Cardoso de Araújo (Pedreiro), falecido em 1982 de acidente automobilístico. Criado junto com meu irmão mais velho, por tios em Natal/RN desde 1983, com uma pequena temporada no Estado do Rio de Janeiro (set/1983 a mar/1985), onde aprendia ler.
Lá aprendi a ler em casa e iniciei aos 6 anos e meio de idade os estudos, tendo passado apenas duas semanas na 1ª série, indo direto para a 2ª, para desespero total da Diretora da Escola Estadual Trazilbo Filgueira (localizada no Bairro Jardim Catarina, São Gonçalo/RJ). Há época ela não queria admitir minha matrícula na escola porque eu não havia ainda, completado 7 anos de idade, o que só ocorreria em junho/1984. O fato é que minha tia armou uma espécie de barraco por lá e disse que não ia ficar comigo em casa perdendo tempo, porque já sabia ler e escrever, sob o olhar incrédulo da Diretora, que para acabar com a celeuma resolveu admitir a matrícula. Não sabia ela o que a esperava kkkk.
De fato, eu já sabia ler e escrever. Foi aí que na segunda semana de aula, após uma atividade de ligar objetos similares, entediado, virei a folha mimeografada (é o novo!) e comecei a escrever palavras avulsas como uma espécie de cruzadas. A professora se aproximou e perguntou? Você sabe escrever? Eu timidamente disse: Sei! Ela me pegou pelo braço e levou para a Diretora e disse: esse menino não fica mais em minha sala, passe-o para a 2ª série na próxima semana. A diretora disse: “De jeito nenhum!” Daí ela quis tirar a prova dos nove e me levou para a biblioteca, onde li em alto e bom som um texto intitulado: “A Chácara de Chico Bolacha”.
Daí pra frente foi só aprimorar as leituras: Walt Disney, HQ’s Marvel e D.C. Comics, Série Vaga-lume, Faroestes de bolso, Agatha Christie, Conan Doyle, Gabriel Garcia Márquez, Suassuna e cia.
No início do Séc. XXI (2001/2003), junto com os amigos Miguel Rude e Geilson Volking, editamos o Fanzine 100 Ideias, que veiculou em quatro edições. Após divergências da linha editorial do zine, criei o Zine Espólio, que teve vida mais breve, apenas dois números, em função de minhas ocupações com o trabalho e faculdade. O 100 Ideias, por sua vez, só teve mais um editado pelos dois amigos.
Outra coisa peculiar em minha trajetória ocorreu, quando ainda na passagem de criança para a adolescência, tive o primeiro contato com os selos postais através de um colega, no ginasial. Aos 16 anos de idade fui estagiar em uma Agência de Correios franqueada (onde trabalhei por 4 anos) e novamente tive contato com os selos postais e iniciai na arte da Filatelia. Muitos me perguntavam: Para quê juntar essas porcarias? Eu dizia: “Deixe que um dia há de servir para alguma coisa. De fato, aflito por estar terminando o curso de Pedagogia, na UFRN, e não ter até então ideia do que iria me ater em meu trabalho final, resolvi, perguntar a meu professor da disciplina Ensino de História, se havia a possibilidade de fazer uma monografia utilizando as imagens dos selos postais. A resposta foi imediata e ele, inclusive, disse que me orientaria. Foi aí que surgiu o meu livro (O Rio Grande do Norte nos selos postais do Brasil: filatelia como fonte do conhecimento), que foi fruto desse trabalho de final de curso e culminou na gênese da Editora CJA.    
Essa minha identidade “secreta” (editor) – hoje não mais – foi muito complicada em função de ter, durante 7 anos, acumulado com o trabalho nos Correios, onde cumpria jornada de 8 horas de trabalho diário. Nos Correios, onde passei 22 anos e decidi pedir exoneração, agora em maio de 2019, desempenhei várias atividades, dentre elas: carteiro (como ingressei), atendente e gerente de agência, assistente comercial, pregoeiro, chefe de seção de contratação e gestão de contratos e outras.


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

GILBERTO CARDOSO, UM MENESTREL NO SALÃO DE DANÇA DA ARTE DO CORDEL - por Nailson Costa


UM MAÇO DE CORDÉIS - LIÇÕES DE BICHOS E DE GENTE, livro de versos populares do professor Gilberto Cardoso, abriu as cortinas de seu show, pegou a mão de seu autor e o puxou pro salão  dos memoráveis bailes literários. E o Maço de Cordéis, elegantemente conduzido nos passos e talento de seu mestre , ao longo de suas 115 páginas, se insinua, se mostra explícita e seduz com as suas belas e atraentes formas: mote e acróstico que beijam docemente a décima,  septilhas  e sextilhas, estrofes de métricas perfeitas adentrando suavemente  o íntimo de suas sílabas poéticas, todas elas no bem bom do agarradinho cúmplice do balanço do ritmo gostoso, da beleza da rima e da oração de seu autor.  São muitas as lições captadas nos poemas de bichos e de gente que o poeta sopra, canta e baila, todas fantasiadas de letras, fonemas, palavras e versos que dançam no salão do baile de UM MAÇO DE CORDÉIS. Gilberto Cardoso pode até não ser um exímio dançarino das danças de salão, mas é, com certeza, um menestrel no salão de dança da arte do cordel. Abri, li e gostei! Recomendo!


Nailson Costa (Nailson)


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  ou pelo link da editora CJA:
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FACEBOOK: https://www.facebook.com/gcarsantos
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Fone/ZAP: 8499901-7248

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

UM AMOR DE EVENTO PARA RECORDAR


UM AMOR PARA RECORDAR é o nome de um livro que virou filme. É a ele que faço alusão no título, pois se trata de um dos momentos mais emocionantes de minha vida.

Em 21.09.2019 foi lançado meu livro Um maço de cordéis - lições de gente e de bichos. Muitos foram os contratempos. Um deles, só para exemplificar, teve a ver com a morte de dois entes queridos de uma mesma numerosa família que iria ao teatro naquela noite; outro com uma grávida de sete meses que teve sangramento;  eventos concorrentes; chicungunya etc. Apesar dos muitos pesares, o lançamento foi um sucesso. Pessoas que eu não imaginava compareceram ao evento. Exemplos; O respeitado intelectual Aldenir Dantas (homem de múltiplos talentos) e minha adorável ex-professora de mestrado Ana Paz.

Disse-me Leonardo Beneson: "O evento foi espetacular, meu amigo! Não faltou nada."

Sem a ajuda de bons amigos, nada disso teria sido possível. Fiquei extremamente feliz com a participação do Trio Arapuá, composto por Tiago, Eduardo e Diêgo Cassiano. Hélio, o vocalista do grupo, mereceria um parágrafo à parte. Graças a ele o evento teve uma boa dinâmica. Sem a ajuda dele, o evento teria perdido muito. Justíssimos seriam os álibis que ele teria para não estar ali, mas esteve. Não apenas esteve: fez acontecer.

Emocionei-me com a vinda do hiper talentoso Ericleidson Lima. Tinha um show agendado para aquela mesma noite. Comprometera-se a cantar apenas uma música, mas nos brindou com várias. Estevam, grande violonista - provavelmente o maior da cidade - comprometera-se a fazer a abertura mas, devido as mortes citadas, não pôde vir. Seu filho, João Estevam, emocionou-me: Saiu do sepultamento e foi ao teatro já no finalzinho para pegar minha dedicatória. Peterson Javana quem até então eu não conhecia, não apenas divulgara o lançamento em seu perfil, mas foi um dos primeiros a chegar e a solicitar a dedicatória. Maciel Souza e Adriana Medeiros vieram doutra cidade para partilhar de meu regozijo naquele momento único, irrepetível.

Débora Raquiel e sua adorável mãe Lúcia demonstravam, em seu olhar, o regozijo de estarem ali vendo tudo a ocorrer tão bem. Débora filmava e fotografava sem parar tentando eternizar os melhores momentos. Nilson Rocha, dono da Web TV, também muito me alegrou com sua prova de amor à cultura e amizade genuína. Lembro de Oziel, um dos primeiros a chegar, de Wilson Filho (grande incentivador e mão ajudadora nos convites), Sânzia, Jailson e Sara...

Adriano Bezerra e sua adorável família mereceriam um capítulo à parte. Liane Bezerra e Andressa Nascimento protagonizaram pontos altos do evento. Andressa e Liane esbanjam simpatia e talento sempre que declamam. Não é à toa que já apareceram na tela da globo e já brilharam em tantos palcos. 

Como se já não fosse muito o que deles eu esperava, deram-se ao trabalho de decorar poemas de minha autoria e a declamá-los com tal desenvoltura e beleza que nem pareciam ser meus.
 Adriano Bezerra deu um passo além: fez um cordel em minha homenagem. Esforcei-me para não chorar. Vejam que presente:

AO POETA GILBERTO CARDOSO

Gilberto, sinceramente
Achas que enganas quem?
Fique sabendo o senhor
Que não enganas ninguém
Pra quê ficar se escondendo
Todos já estão sabendo
Que és um homem de bem.

Tem sorte aquele que tem
Na vida um amigo assim
Sempre pronto a ajudar
Quando vê que está ruim
Digo isso porque sei,
Pois quando mais precisei
Você muito fez por mim.

Vou contar só um "pouquin"
Quem é Gilberto Cardoso:
Pai de família exemplar,
Cidadão nobre e honroso,
Professor de profissão
Que vê na educação
Um caminho precioso.

Na arte é um talentoso
Seu dom é fenomenal
É poeta, prosador,
Cordelista genial...
Por mérito na poesia
Entrou para academia
E tornou-se um imortal.

Tem do homem o principal:
Caráter e muita humildade
Deve ser por tal motivo
Que sente a desigualdade
Quando ver o pequenino
Sendo escravo do granfino
Sem voz e sem liberdade.

Gilberto tem essa idade
Mas é feito um meninote
Se o cabra não for ligeiro
Ele chega e dá o bote
Basta falar distraído
Qu'ele muda no sentido
E lhe pega no pinote.

Não passa de um simples trote
Pra não ter mal entendido
Sem ofensa e sem deboche
De um jeito bem divertido
Só para descontrair
E o amigo se sentir
Cada vez mais acolhido.

Tudo aqui foi resumido
Pois Gilberto é muito mais
Dos humanos que conheço
Ele é dos mais legais.
Muito sucesso poeta!
Que atinja a sua meta
Você merece demais.

Adriano Bezerra (21/09/2019)

Mesmo imerecidas, estas estrofes tão bem construídas ecoarão em meu coração por muito tempo. Obrigado, Adriano!

Agradeço a Siomara, a Juracleide, a Deney Carla e esposo, bem como tantos outros que nem daria para citar sem tornar o texto demasiado longo e enfadonho. Gustavo e Alan Nedson também marcaram presença. Meu amigo João Maria e sua filha fizeram questão de chegar logo cedo. Detalhe: Ele estava doente, mesmo assim veio. Karla Angélica, que tanto me auxiliara na divulgação fez-se presente e muito contribuiu com sua simpatia. Aliás, levou gente consigo. Nizeuda Patrícia, filha do soldado Andorinha sobre quem já escrevi, também marcou presença. Meu amigo Marcelo Pinheiro, Fátima Pereira, Jéssica. Tive também a ilustre presença do notável professor Luis Negri, do IFRN. Como não sentir-se honrado com a presença de pessoas tão talentosas e cultas como Alessandro Nóbrega e Cristiane? 
Gilvan Oliveira, que tem desenvolvido trabalhos acadêmicos com base em textos meus chegou perto do encerramento, mas veio. 

Fiquei muito feliz com a vinda surpresa do múltiplo artista Francisco Martins, carinhosamente conhecido como Mané Beradeiro. Veio de Natal com este objetivo e decerto muito me emocionou.
Hoje escreveu em seu blog a respeito do evento.

Muitos ainda teria a citar - Josélia Queiroz e Dailva, por exemplo - mas o ponto final nervosamente me espera. Cristina Nunes, que tanto contribuiu incentivando outros a irem, Rogério Almeida que trocou os encantos de Natal por esta festividade e Roberto Gabriel bem sabem quão delicado é começar a citar nomes e esquecer algum amigo. O Sr Eudimar - homem que já teve o privilégio de dirigir para o ex-presidente Lula , não só veio como trouxe sua linda filha Juliana e seu filho Pedro Granjeiro.

Por fim, sinto-me extremamente feliz por ter merecido a confiança de Cleudivan, dono da CJA Editora, uma das mais expressivas do Nordeste. De acordo com suas palavras no evento, o livro já se encontra em mais de cem escolas do RN e tem tudo para se esgotar dentro de pouco tempo. Temos já alguns lançamentos agendados para outras cidades, inclusive para universidades.

Infinitamente grato sou a todos que por mim torceram, que me deram a mão, que apostaram na minha competência, que têm me procurado para justificar as razões de seu não comparecimento e para adquirirem o livro. Gente de outros estados e cidades - Zulene (MG e Washington Ribeiro (Barcelona)), por exemplo - têm feito tal procura. A todos que me incentivaram e ainda incentivam com palavras e ações, meu mais genuíno reconhecimento!























As histórias de João-de-barro - Siomara Spineli



As histórias de João-de-barro 

Os livros sempre me rodearam. Isso foi muito bom. Meu amor pela literatura começou quando eu ouvia meu pai contar historinhas para dormir, na verdade, ele não lia, inventava histórias, só dormia com suas histórias. Em casa, havia uma estante com muitos livros, coleções e enciclopédias, não os lia, apenas os infantis, mas todos os trabalhos da escola eu pesquisava nos livros da estante do meu pai. Ainda criança, sempre brincava que vendia livros, fazia cartões e etiquetava os preços. Foi quando descobri ela...ela, que tanto encantou minha vida. Uma máquina de escrever da minha mãe. Comecei a criar minhas próprias histórias, ilustrar minhas próprias capas, não sabia desenhar bem, mas tentava do mesmo jeito. Tinha uns oito anos de idade. Depois me encantei pela leitura com A moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo e não parei mais, muitos livros e autores influenciaram minha escrita, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, José de Alencar, Machado de Assis, Vitor Hugo, Shakespeare, Camilo Castelo Branco... mas o principal deles, foi o meu pai. Ele e suas histórias de João-de-barro, um passarinho que sempre ajudava alguém, sempre solícito e cordial, como meu pai. Também as suas engraçadíssimas historinhas do Pequeno Polegar, que ele mesmo inventava, narrava com maestria as confusões que ele criava. Sempre li muito a Bíblia, os valores cristãos permearam minha vida e consequentemente, minha escrita. Meu pai deu-me asas com suas histórias, deu-me luz para que pudesse ser guiada, mesmo sem saber que fazia isso, a Bíblia deu-me um coração humano além de uma infinidade de coisas que transcendem a imaginação. A leitura é revolucionária! Mario Quintana já dizia  "Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas, os livros só mudam as pessoas."
Em um mundo superficial, onde as pessoas entram e saem da vida das outras deixando estragos em vez de consertos, a leitura é uma argamassa que entra na vida de todos para causar muito mais que reflexão, entra na vida das pessoas para trazer a humanidade desgastada ou perdida. A leitura é um ato de amor próprio. Como diz o poeta Theo G. Alves "...o poema é sempre uma violência..." em um mundo que não sente.
Leia para uma criança se a ama.
Dê de presente livros para pessoas especiais.
Leia junto de pessoas as quais você quer por perto por toda a existência.
Ler é trazer para si o infinito.