APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

BOM DIA, BOA TARDE E BOA NOITE SERTÃO.


 Objetos, temas e problemas da generalização dos aspectos próprios da identidade Nordestina.


A cultura brasileira é tão diversificada que há um erro muito comum em muitos organizadores de pautas musicais: o sertanejo do sudeste e o sertanejo do nordeste.

Já muito me assusto com a falta de discernimento e também pelos erros honestos cometidos por muitos radialistas e produtores de entretenimento que usam o fenótipo sertão, e acabam por torná-lo contraditório em seus aspectos, situando-o fora do contexto ou sequestrando seu significado.

Erro que é também repetido na noção de Violeiro e cantador de viola... completamente distintos.

O rádio é o principal palco desta grave incoerência cultural. Os ouvidos do sertanejo do nordeste são torpedeados diariamente por uma moda de temas, palavras, canções e expressões que não são próprias de sua identidade.

Ele liga o rádio de manhã e ouve "Menino da porteira", "Fio de Cabelo", "Galopeira", "Caipira"... Enfim, tudo que se refere ao contexto cultural do Brasil do Centro sul; paulista, mineiro e pantaneiro... E os moduladores de tão cegos, fazem essa divulgação munidos por uma ignorância musical, antropológica, sociológica e simbólica que muito se repete em outras dimensões do segmento cultural.

Um dos maiores equívocos de alguém no tocante a cultura popular  é falar e promover uma suposta cultura nordestina fazendo as pessoas ouvirem as músicas SERTANEJAS do sul: como por exemplo Chitãozinho e Xororó;  Galopeiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa🎵? (sic), Almir Sater (Tocando em frente), Paula Fernandes, Sergio Reis e tantos outros... Não são símbolos de ordem identitárias do Sertão semi árido que compõem a cultura Nordestina.

Os que tocam isso, e ligam a nordeste comentem uma  homogeneização empírica. Mas é aceitável, afinal o discernimento cultural não é espontâneo....

Porém é preciso entender que a cultura nordestina é um objeto próprio e não pode ser generalizada pois isso conduz à estereótipos e todo tipo de preconceito, não pela ocorrência mas pela falta de entendimento e valorização da mesma.

Há uma série de músicas e artistas importantes e de grande obra que fizeram de fato a construção de uma cultura nordestina e não se pode desprezar. Só para registrar vale lembrar que no cenário geral temos  Marinês, Luiz Gonzaga e outros, no RN temos Elino Julião e mais recente Dorgival Dantas, o próprio Amazan e diversos outros que preencheriam com qualidade qualquer pauta musical...

Neste mesmo raciocínio, quem assistiu Velho Chico, e ao mesmo tempo conhecia esta perspectiva percebeu uma forçosa tortura antropológica, na busca de criar um planeta nordestino. Mas já é de praxe da rede globo fazer sua caricatura grotesca da humanidade que habitou neste espaço que não é apenas físico .... São reflexos da dimensão desta incompreensão....

Enfim, que seja entendido que o Sertanejo é uma cultura simbólica que tem diversas  composições no Brasil e não pode ser generalizada de tão diversa e tão cheia de significados. Então, use sua sensibilidade e discernimento e não cometa também essa generalização.


@andretrairi