APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

CRIMINALIDADE ENTRE NÓS: ATÉ QUANDO? - Gilberto Cardoso dos Santos



Os assaltos, furtos e assassinatos continuam a suceder na Cidade Santuário. Nem santa nem leve é a cruz que temos carregado ultimamente.

Isso se tornou tão corriqueiro que os blogs nem mais se preocupam em noticiar, ou as pessoas não buscam mais os blogueiros para falar-lhes de suas angústias. Alguns devem temer represálias e outros sabem que tais notícias não mais causarão impacto na sociedade. De tão comuns, não aumentam os acessos.

A polícia, penso eu, acha-se sobrecarregada com tantas queixas e denúncias. Sente-se acuada e impotente diante da criminalidade crescente. Cheia de boas intenções mas, tolhida em suas ações por leis que favorecem a criminalidade, por insuficiência em seus quadros e falta de equipamentos e armamentos adequados. Feito um bicho valente, mas ferido e atacado por hienas.

Parece-me que a própria polícia e órgãos governamentais não têm muito interesse em divulgar tais fatos corriqueiros para não piorar a imagem daqueles de quem se espera solução.

Ontem, por exemplo, uma menina de seus 12 anos voltava da igreja com uma vizinha. Para sua surpresa, foi abordada no caminho para casa por um sujeito que pediu-lhe o celular. Eram 8:30 da noite. A menina, nervosíssima ante a surpresa, disse: “Moço, eu não tenho celular”, e de fato não tinha. Tentou correr, mas o jovem mascarado a segurou pela cintura e encostou um revólver em sua barriga. A evangélica mais velha com quem ia, não resistiu e caiu desmaiada. Chegou a urinar-se de tanto medo. O cara correu (ainda bem!) levando-lhe a bolsa onde havia uma Bíblia (torço muito para que ele a abra aleatoriamente e que caia no “Não furtarás”).

Há uns 4 dias, uma colega professora foi assaltada bem pertinho de casa. Levaram-lhe um celular e tudo o que lhe restara do salário mensal. Disse-me ela:


“Parece uma piada, faz mais de 1 ano que passo a semana em Natal e nunca fui assaltada por lá, quando chego aqui em Santa Cruz sou surpreendida por 2 rapazitos em uma moto e me levam o celular e o pouco que me sobrou do salário que recebi hoje.
Aí eu te pergunto: é pra rir ou chorar dessa situação? Nossa, está ficando arriscado andar pelas ruas de nossa cidade!!!”

Cito um último caso dentre os vários que conheço:
Assaltaram na outra semana, no sábado, pela segunda ou terceira vez, a casa de verduras que fica na rua da galeria.

Estes e outros crimes ocorridos em nossa cidade não têm sido noticiados com a frequência e intensidade com que se fazia antes. Tenho certeza que muitos outros estão ocorrendo sem que a população tome ciência deles.

Esta falta de informação sobre o que continua ocorrendo em Santa Cruz pode ser fatal para alguns que porventura venham a pensar que tudo voltou à normalidade.

Há uma clássica historinha de como se cozinhar uma rã que serve para ilustrar o que pode se dar conosco: para cozer uma rã, ponha n’água fria e vá esquentando a água aos poucos. A princípio, a aguinha morna, deliciosa, faz com que a rã não salte. Como vai esquentando aos poucos, esta nem percebe e acaba morrendo cozinhada.

Corremos o risco de nos acostumar com o que ocorre em nossa cidade. O valor da vida passa a ser banal para nós também. A aparente inevitabilidade do que de mal nos ocorre pode nos levar a cruzar os braços e a aceitar o estado caótico em que ora vivemos.

De algum modo, é necessário dar um basta nisso tudo. Precisamos arrancar a cizânia antes que esta se espalhe. Políticos, policiais, juízes, promotores e cidadãos conscientes: busquemos uma solução enquanto é tempo!