sexta-feira, 10 de julho de 2026

Elogio da Preguiça (Poeta Juvenal Antunes)

 

 

Elogio da Preguiça (Juvenal Antunes)

(A mim mesmo)

A preguiça amamenta muita virtude - Machado de Assis

Bemdita sejas tu, Preguiça amada, Que não consentes que eu me occupe em nada!

Mas, queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras, Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana sciencia Esta minha honestissima indolencia.

Lá está, na Bíblia, esta doutrina sã: — Não te importes com o dia de amanhã.

Para mim, já é grande sacrifício Ter de engulir o bolo alimentício.

Ó sábios, dai à luz um novo invento: — A nutrição ser feita pelo vento!

Todo trabalho humano, em que se encerra? Em, na paz, preparar a luta, a guerra!

Dos tratados, e leis, e ordenações, Zomba a jurisprudência dos canhões!

Juristas, que queimaes vossas pestanas, Tudo que legislaes dá em pantanas.

Plantas a terra, lavrador? Trabalhas Para atiçar o fogo das batalhas...

Cresce o teu filho? É bello? É forte? É loiro? — Mais uma rez votada ao matadoiro!...

Pois, si assim é, si os homens são chacaes, Si preferem a guerra à doce paz,

Que arda, depressa, a colossal fogueira E morra, assada, a humanidade inteira!

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