APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

AS "DURAS" FÉRIAS DA FILHA DE OBAMA OU COMO OUTRAS CULTURAS ENCARAM O TRABALHO - Por Aécio Cândido



"A filha do presidente dos Estados Unidos está a trabalhar num restaurante por alguns dias das suas férias de Verão. De acordo com o Boston Herald, a adolescente de 15 anos limpa mesas, ajuda na caixa e prepara a sala para receber clientes do Nancy’s, na ilha de Martha’s Vineyard, em Oak Bluffs, Massachusetts."http://www.redeangola.info/



    Há histórias que merecem ser contadas e, às vezes, recontadas. Uma notícia da Folha de São Paulo de sexta-feira passada diz que a filha mais nova de Barack Obama, Sasha, de 15 anos, está, nestas férias, trabalhando como caixa de um restaurante. A família descansa numa ilha no estado de Massachusetts e a filha aproveita para ganhar alguns trocados, mas, principalmente, está implícito no costume americano, para saber o que é a vida. Isto me faz lembrar duas outras histórias, uma acontecida no Brasil, outra no Canadá. 

   A do Brasil, primeiro: um dos mecânicos da oficina que cuidava do meu carro, em Mossoró, dizia, de peito cheio, que sua filha, uma adolescente, que, segundo seu relato orgulhoso, nunca se levantava antes das 9 horas da manhã, não trabalharia jamais enquanto ele pudesse sustentá-la. Tivemos um dia uma conversa a respeito, mas imagino que não muito proveitosa. Terminei desejando que ela encontrasse um marido rico. A probabilidade é muito baixa, sei, porque ela precisaria da combinação de duas qualidades numa mesma pessoa: rico e suficientemente idiota pra sustentar uma mulher que não aprendeu a fazer nada. 

    A segunda história: tive nos anos 1990, morando na cidade de Quebec, um amigo canadense anglófono, colega de curso, um rapaz de 23 anos, muito bonito, de voz também muito bonita, que podia muito bem escolher entre estas duas profissões: modelo e locutor de rádio. Encontrei-o uma noite num ônibus, o mês de maio já avançado. Ele voltava de uma entrevista para um possível emprego num restaurante, contou-me. E falou empolgado sobre a possibilidade de um verão quente, em que as mesas pudessem ser postas na calçada, atraírem um público maior e, com isto, aumentar o faturamento do restaurante e a incidência de gorjetas. Estava contente e fazia planos. Com o salário poderia, em meados de agosto, reencontrar os pais na Flórida, Estados Unidos, onde eles passavam férias. Embarcando no seu entusiasmo, perguntei o que ele faria no restaurante. “Vou limpar as mesas e lavar a louça”, respondeu. E respondeu com a alegria de um bancário brasileiro que, promovido, chega em casa e comunica à família: “Fui promovido a gerente numa agência da capital”. 

     O contraste entre as duas histórias pode ensinar muito sobre nós mesmos.