APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 30 de março de 2020

REFLEXÕES SOBRE O PRESENTE E O FUTURO DA PANDEMIA - Psicóloga Lindonete Câmara

O texto abaixo faz parte de um projeto idealizado por Júlio César, psicólogo que consiste em "escrever um texto onde, baseados em nossas experiências de vida, relataremos o que entendemos que irá acontecer após a decretação do final da pandemia." Você que nos lê sinta-se convidado a fazer parte desta ideia. - Gilberto Cardoso dos Santos




REFLEXÕES SOBRE A SAÚDE MENTAL E O FIM DA PANDEMIA: MEDO E SUPERAÇÃO

Fui convidada a escrever sobre o que penso em relação ao fim da pandemia no Brasil. Infelizmente, visualizo uma árdua situação no que se refere às questões na área da saúde mental. No entanto, inicialmente sinto a necessidade de fazer uma breve explanação de como vejo o quadro atual. Com flexibilidade reconheço a preocupação e o medo da sociedade com o sofrimento instalado no mundo inteiro. Também tenho receio, mas estou procurando conviver em meio a esses riscos com cautela e em quarentena, levando em consideração que continuo no exercício da profissão.
Sobre a escancarada doença, e sua alta taxa de mortandade, é natural que o ser humano sinta medo, sendo esta uma emoção que lhe é peculiar, o qual alerta quando a vida está em perigo e mostra como o indivíduo pode se proteger. Por outro lado, estamos vivendo uma grande disseminação de informações sobre o Covid-19, fato que está causando um medo exacerbado na população e que provavelmente se transformará em transtornos de ansiedade nas suas diversas patologias. As pessoas estão se encharcando de notícias ruins e reais, muitas notícias falsas, as chamadas fake news, e com esse dimensionamento pode produzir um aumento considerável de adrenalina e cortisol, consequentemente baixando a imunidade e diminuindo a capacidade cognitiva para gerenciar essa situação difícil. Podemos nos informar de forma comedida, pelo menos duas vezes ao dia, talvez seja o ideal. Neste sentido, cada indivíduo precisa seguir as orientações das autoridades de saúde por serem as que têm embasamento científico sobre o assunto, tomar todas as providências necessárias e possíveis para diminuir os riscos de contrair o vírus, não tendo como espalhá-lo. Vale igualmente fazer higiene mental diariamente, saber administrar o medo e permanecer numa linha de equilíbrio para não adoecer de forma psicossomática antes do que venha de fato acontecer ou não. O medo além de ser contagiante, não deve paralisar o bom funcionamento psicológico, mas trazer responsabilidade sobre os cuidados pessoais e ajudar no compromisso com as demais pessoas que convivemos. Precisamos enfrentar o medo sem o desenvolvimento do pânico e sem causá-lo a outros, buscando ferramentas para a manutenção da paz, não nos tornando e não tornando outros reféns de adoecimentos psíquicos.
Diante de tal situação, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecer em declaração o fim da pandemia, poderemos vir a ter um número expressivo de pessoas vivenciando inúmeros sintomas psíquicos limitantes. A depender de intervenção equivocada ou insuficiente das autoridades governamentais poderemos viver um caos ainda maior na desigualdade social, na economia, e, entre outras perdas, teremos a perda humana que é irrecuperável. Nessa última perspectiva, a orientação é que todos os que possuem casa, e que podem, devem permanecer nelas.
Em contrapartida, acredito também que poderá haver inúmeros ganhos, como uma nova expansão da consciência, do espírito e da solidariedade.  O apelo é: façamos nossa parte, cumpramos todas as medidas de isolamento e restrições até a volta da normalidade dentro das possibilidades, cuidemos de nós e de quem está ao nosso lado, sejamos empáticos; não teremos risco zero com isso, mas evitaremos o pior. Se já estiver ansioso, sem conciliar bem o sono, preocupado em excesso com o vírus, com o futuro, com a morte, com a vida, procure ajuda de profissionais da psicologia e da psiquiatria, se ajude.
Procure se abster das enxurradas de informações e dos acentuados dados da pandemia, busque a resiliência para se adaptar a essa realidade que não podemos transformá-la com a velocidade da internet e suas notícias. Vivamos um dia de cada vez na certeza que tudo passa. Assim, mencionando a Lulu Santos e Nelson Motta:

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
            Tudo passa, tudo sempre passará.

Espero que a humanização invada cada mente, coração e alma.




Lindonete Câmara, Psicóloga.
João Pessoa, 30 de março de 2020.


Adquira o livro Centelhas Poéticas, da autora, que será lançado após a quarentena








domingo, 29 de março de 2020

EXPECTATIVAS PARA O FIM DA PANDEMIA - Por Joseni Santos

O texto abaixo faz parte de um projeto idealizado por Júlio César, psicólogo que consiste em "escrever um texto onde, baseados em nossas experiências de vida, relataremos o que entendemos que irá acontecer após a decretação do final da pandemia." Você que nos lê sinta-se convidado a fazer parte desta ideia. - Gilberto Cardoso dos Santos



O QUE ESPERO ENCONTRAR COM O TÉRMINO DA PANDEMIA?

“Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança” Papa Francisco em 26.03.2020 – Basílica de São Pedro


Após este tempo incerto e perigoso pelo qual estamos passando espero que esta pandemia deixe como legado a vontade e a prática de sermos humanos.
Que sejamos melhores pessoas e que de acordo com este novo olhar eu possa ter respeito pelo outro, pelo meu irmão, em todas as dimensões sejam elas políticas, sociais, religiosas, entre outras, e que eu possa ter empatia pelo outro, que eu possa me colocar no lugar daquele que sofre e daquele que pensa e age diferente de mim.
Que sejamos solidários sempre, nas nossas ações, nos nossos sentimentos, que possamos repartir com o outro, com quem precisa o nosso amor, o nosso abraço, o nosso pão na mais fina acepção da palavra.
Espero também que os nossos ditos “heróis” brasileiros sejam mais solidários no “dar e repartir o pão”.
Por onde andam os nossos milionários jogadores de futebol e grandes artistas de renome nacional que tanto recebem dos seus fãs e muito têm e que possivelmente poderiam dividir um pouco neste momento?
Hoje, domingo – 29.03.2020, pelo que consta na imprensa digital os únicos nomes brasileiros que se dispuseram a diminuir sua conta bancária através de doações ou do seu trabalho foram a Xuxa, Ivete Sangalo e Gustavo Lima. Por onde andarão os demais?
Ressalto que sou contra a propaganda do que se dá, no entanto, este momento é especial como os artistas e jogadores de futebol em geral são formadores de opinião e há pessoas que gostam de imitá-los é de bom grado que eles publiquem suas boas ações e quem sabe assim, outras pessoas o imitarão.
Espero também que depois desta pandemia eu tenha aprendido a lição de que devo ter cuidado ao escolher os nossos representantes, sejam eles de qual esfera for, do vereador ao Presidente da República, independente da bandeira do partido deste representante, eu aprendi que preciso olhar o histórico deles, as proposições postas no seu possível mandato e quais modelos de economia eles defendem.
Preciso entender que, apesar de muitos não gostarem e se absterem de falar sobre política e/ou economia, eu tenho que me apropriar destes conceitos, pois a qualidade da saúde, da educação, da segurança e outros serviços dos quais preciso passam pela chancela destes que eu ajudei a colocar no Poder. Ele decidirá por mim.
Espero também ter condições para defender a educação, a ciência, a saúde e a pesquisa, pois estes serviços são fundamentais na hora que qualquer um de nós estiver à mercê de qualquer doença, independente da nossa religião, raça, opção sexual e preferências partidárias.
Espero valorizar além da ciência e da pesquisa o SUS, que é a mola mestra e propulsora para a saúde do povo brasileiro. Eu, você, nós, eles dependem deste Sistema, independente da nossa condição social.
Espero também que o Estado se faça presente em ações em diversos âmbitos que possam minimizar o caos econômico que a pandemia deixará e que estas ações beneficiem a todos.
Espero que os gestores públicos valorizem os funcionários públicos em suas diversas matizes e, também fortaleçam os trabalhadores da rede privada e autônomos através de políticas públicas, sociais e trabalhistas que os respeitem e deem dignidade.
Espero ter aprendido a valorizar mais a família, os amigos, a paz, a fraternidade, o trabalho, o amor, as relações sociais e a união.
E que tenhamos fé, independente da religião que professemos.
E que todos nós, juntos, possamos contribuir e buscar uma sociedade mais justa, solidária e igualitária para com todos.
Será um sonho? Uma utopia? Uma quimera? Só o tempo dirá...

Francisca Joseni dos Santos
Professora
Psicopedadoga

sábado, 28 de março de 2020

LIÇÕES DO CORONAVÍRUS - por Zé da Luz


A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS REVELOU À HUMANIDADE A ESSENCIALIDADE DE COISAS SIMPLES...

É possível parar a festa, mas não se pode parar a música
É possível parar a escola, mas não se pode parar a leitura
É possível parar o restaurante, mas não se pode parar a comida
É possível parar a igreja, mas não se pode parar a fé
É possível parar o futebol, mas não se pode parar a bola
É possível parar o beijo, mas não se pode parar o desejo
É possível parar o abraço, mas não se pode parar o afeto
É possível parar o sexo, mas não se pode parar o amor
É possível parar o circo, mas não se pode parar a mágica
É possível parar o avião, mas não se pode parar o pássaro
É possível parar o navio, mas não se pode parar o mar
É possível parar a guerra, mas não se pode parar a paz
É possível parar o trânsito, mas não se pode parar a sociedade
É possível parar a economia, mas não se pode parar a ciência
É possível parar a política, mas não se pode parar o governo
É possível parar a rotina, mas não se pode parar a vida
É possível parar o mundo, mas não se pode parar o tempo
É possível ficar em casa...


José Luz

Natal, na quarentena de março de 2020.

sexta-feira, 27 de março de 2020

REFLEXÕES SOBRE O PERÍODO POSTERIOR À PANDEMIA

O texto abaixo faz parte de um projeto idealizado por Júlio César, psicólogo que consiste em "escrever um texto onde, baseados em nossas experiências de vida, relataremos o que entendemos que irá acontecer após a decretação do final da pandemia." Você que nos lê sinta-se convidado a fazer parte desta ideia. - Gilberto Cardoso dos Santos


O que pressinto, espero e não espero ocorrer pós-pandemia

Olá, meu amigos, olá, minhas amigas. 
Faz dias que venho pensando em escrever algo, mesmo porque, em afastamento social;  não isolamento social, que acho uma palavra muito forte, pois não estou isolado, mas afastado do meio social, quero assim dizer, me dar tempo para mais reflexões sobre a vida e o momento turbulento e difícil pelo qual passamos.

Pois bem, vamos à opinião que tenho sobre o que espero ocorrer depois de passada essa pandemia, que ocorre no mundo,  essa "hecatombe" aqui no Brasil.

Eu acho, sinceramente, que depois de todo o  "aperto" que passamos, esta situação não vai nos deixar nenhuma lição. Nossa sociedade continuará hipócrita e mesquinha como sempre foi e é.

Outro ponto interessante e, que espero um comportamento da sociedade, da imprensa e do poder central é da valorização do Sistema Único de Saúde (SUS), que na minha humilde ótica, com toda dificuldade e cortes imensos de receitas, é quem ainda vai amenizar o que seria uma tragédia anunciada.

Outra coisa, que espero ter acontecido, mas que eu mesmo não creio que aconteça,  é que as pessoas passem a reconhecer quem são os verdadeiros heróis deste pais. 
Onde estavam os heróis da Seleção Brasileira? Onde estavam num momento de clamor da  sua "Pátria Amada",  os milionários deste país?

Nelson Mandela nos deixou uma frase que diz : "Se acham a educação cara, vejam por quanto sai a ignorância", se referindo ao Apartheid (Regime de Segregação Racial, da África do Sul).  Quero com isto,  expressar o valor da educação de um povo.

Lembro-me desta frase, quando vejo as pessoas, coitadas, em aglomerações, pelas ruas das cidades, não seguindo os quesitos mínimos , tanto aconselhados pelas autoridades. Será que elas não sabem o mal que estão fazendo a outras e a elas mesmas?

Espero também , que no final de tudo isto, tenham-se dado mais valor à vida do que aos bens econômicos.

Valendo-me destes argumentos,  eu espero que, o que vejo hoje nas ruas das cidades,  de ignorância frente a este inimigo, próximo e invisível, não nos  dizime pela metade.

Portanto, aí está o que pressinto, espero e não espero que ocorra.





Crônica "Não arrumei o guarda-roupa"


Não arrumei o guarda-roupa 
Por: Maria Goretti Borges

Em tempos de quarentena ouvi e li sobre arrumar o guarda-roupa. Pasmem, não o arrumei! Atividade que fazia sempre quando me sobrava algum tempo e sempre reclamava por não ter tempo para arrumá-lo. Na quarentena, a arrumação deste móvel é o que menos importa. 

Primeiro, olhar para as roupas sem a necessidade de vesti-las é triste e desnecessário; segundo, para que selecioná-las se não tenho lugares diversos para ir; terceiro, estar em casa requer o mínimo de roupa, ou seja, a mais simples possível; quarto, a roupa é tão insignificante perante a urgência da preservação da vida; quinto, se tivesse que escolher não teria como priorizar as roupas, mas, sim, escolheria as pessoas que estão comigo, os alimentos (tenham arrumado os armários), os livros, a TV e o meu celular (muito importante nesse momento, uma ponte com um mundo lá fora) que é meu instrumento de trabalho e de risos, pois o povo brasileiro é bastante criativo e cria muitas postagens em redes sociais. 

Tenho olhado com muito carinho para a minha casa, sinto-me acolhida e até protegida do inimigo invisível, as portas estão abertas, esqueci até dos outros males externos. O alimento passou a ter outro sabor, a ser feito com mais carinho e cuidado e também degustado com mais respeito, dando-lhe o devido valor. A mesa é o lugar da junção da benção e do reconhecimento de quem trabalha e sustenta a vida. 

Voltemos ao guarda-roupa. Resolvi fechá-lo ou quase durante a quarentena. Separei poucas peças de roupa, como: dois shorts, três camisetas, roupas para dormir (duas) e duas peças para os exercícios físicos, diga-se de passagem, muito importantes sempre e agora ainda mais. Outras peças menores estão numa gaveta (risos). Mas, tão poucas roupas se teremos tantos dias de quarentena? Porque as mesmas serão lavadas dia sim, dia não, e nem precisam ser passadas. A praticidade faz parte da quarentena, deixemos para consumir nosso tempo com coisas mais necessárias. Eis porque os índios não precisam esconder “suas vergonhas”, há coisas mais importantes para fazer, sobreviver. Qual a importância da roupa? Eles querem o pescado, a caça, a vida! Primeiro o alimento do corpo e do espírito, depois a roupa. O guarda-roupa vem por último. 

Num desfile de modas o que menos importa é a roupa. Pego-me pensando: quem usaria aquelas roupas tão espalhafatosas? Quem teria coragem de sair às ruas vestido com as mesmas? “Faz muito tempo que os desfiles deixaram de funcionar como uma vitrine das roupas que vão ser vendidas nas lojas... hoje, o mais importante num desfile é apresentar o conceito, a mensagem por trás da coleção e essa sim, feita de peças de verdade”, como trouxe a revista Abril. 

Pensando bem, as nossas roupas são conceituais o tempo todo. Em casa e no guarda-roupa não dizem nada, não se adequam, não combinam com coisa alguma, não são da noite nem do dia, do frio, do inverno, do outono, nem do verão. Elas apenas são roupas. As roupas que antes eram de festas de casamento, de aniversário, da empresa, dos batizados, de formaturas, das reuniões, dos passeios nas praias, das missas, dos cultos, não podem mais estar presentes. Festa já não há, escolhas de roupas também não. 

Na quarentena não arrumo meu guarda-roupa. Para que as roupas se não tenho os conceitos? As roupas são conceituais, algumas poucas exercem a função apenas necessária, essas estão separadas, limpas e não passadas. Nesse período, recebo várias mensagens no WhatsApp. São as meninas vendedoras, oferecendo-me os seus serviços a domicílio. “As lojas estão fechadas, mas podemos atendê-la a domicílio”, dizem as meninas. Super agradeço, mando beijinhos, abraços e sorrisos através de emojis e me pego a pensar e chego a seguinte conclusão: para quê, para onde e por quê? Sempre serei gentil com as meninas! A roupa tem significado, hei de ressignifica-las mais ainda. 

Estou pensando, sinceramente, que nos últimos dias dessa quarentena com saúde, as amizades de sempre e com fé em Deus arrumarei o guarda-roupa. Organizarei tudo, organizarei as peças por cores, funções, combinarei calças com blusas, vestidos com sapatos, separarei outras para doação, recordarei o quanto elas fazem parte da minha vida, entenderei que o mundo lá fora nos aguarda, que não saio sozinha, elas me acompanham e tudo vai voltar a ser como era antes, ou até melhor. Todas as festas, encontros, reuniões e etc. vão voltar e nós estaremos lá. 

Roupas são conceituais! Visitarei as meninas das lojas, não para comprar, pois as roupas serão ressignificadas de imediato, mas logo tudo voltará a ser como antes. Essa é a dinâmica da vida. Arrumando ou não o guarda-roupa, o mais importante é que estejamos com a nossa mente organizada, encarando esse momento não como um isolamento, mas como um cuidado necessário à nossa sobrevivência e a dos nossos semelhantes. Sejamos gratos a Deus! 

Quem tem família, casa, comida, redes sociais, TV, não está sozinho nem isolado, pode-se dizer que está com restrições, limitações – é assim que vejo. A perda de um ente querido, sim, nos traz um isolamento definitivo, uma saudade eterna e não possibilidade do reencontro nesse plano (para quem assim crê). À vida digo sim! Salve, salve, Gonzaguinha! Como ele mesmo diz: “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. 

POEMA O ANO QUE O MUNDO PAROU


O ANO QUE O MUNDO PAROU

Com esse surto mundial
A China já se recuperou
Mas lá também tudo parou
O Brasil agora ele chegou
Pra tudo paralisar
Vamos nos higienizar
Lavando as mãos com sabão
Se viajar de avião
Fazer a tal quarentena
Passando álcool setenta
Para esse vírus exterminar
Se previna como puder
Homem, menino e mulher
Devemos todos nos conscientizar
Aeroportos, escolas e supermercados
lugares com aglomerados
São muito mais arriscados
Da gente se contaminar
Com os idosos devemos ter mais cuidado
É o grupo mais arriscado
Não saia de casa sem necessidade
O vírus chegou de verdade
E atinge qualquer idade
Uns mais e outros menos
É uma caixa de veneno
Que mata sem piedade
As grandes potências se curvaram
Diante de um invisível inimigo
Pode crê meu amigo
O novo coronavírus
Aos cientistas desafiou
Cadê a ciência do homem?
Do vírus só descobriu o nome?
Nada mais se concretizou!
Do homem todo o seu conhecimento
Hoje fica ao relento
O vírus só desaparecerá com o tempo
Sem nenhum medicamento
Assim como tudo começou
Mas todas essas pandemias
Jesus com Sua divina sabedoria
Há dois mil anos já profetizou
Quem não acredita em Deus porque não O vê
Passou acreditar sem querer
Num vírus do tamanho que se não vê
Na expansão e rapidez, que no planeta disseminou
Pare agora e reflita
Quem na bíblia não acredita
Eu respeito a você meu amigo
Mas não mudarás o que está escrito
O que Deus aos cristãos revelou
Com Deus ninguém brinque
Dois mil e vinte
Foi o ano que o mundo parou

..."Respondeu Jesus: haverá grandes terremotos, EPIDEMIAS e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais no céu..."(Lucas 21:11)

quarta-feira, 25 de março de 2020

FUGINDO DA MORTE (AO CORONA DIGA NÃO)


Fugindo da morte (Ao Corona digo NÃO!)

Não, eu não quero morrer
Pois amo muito essa vida
Mesmo imperfeita e sofrida
Existir me dá prazer
Não, não quero promover
A minha própria extinção
Não me entrego à depressão
Enquanto puder resisto
De esperança me revisto
Ao Corona digo NÃO!

Tenho medo de morrer
Mesmo sabendo que a morte
Abate ao fraco e ao forte
E a todos há de vencer
Mas é bom envelhecer
Crescendo em compreensão
Mesmo em face da extinção
Que há de vir naturalmente
Na luta serei valente
Ao Corona digo NÃO!

Finado não quero ser
Por isso estou confinado
Pra não ser contaminado
Qualquer coisa hei de fazer
Também não quero sofrer
Com fraca respiração
Rejeito o aperto de mão
Proximidade e abraço
Tente fazer o que faço
Ao Corona diga NÃO!

Não subestime o poder
Desse bichinho invisível
Que tem de modo terrível
Feito o mundo padecer
É necessário temer
Pois foge à nossa visão
Com a correta informação
Longe iremos nos manter
Tenha medo de morrer
Ao Corona diga NÃO!

Todos nós iremos ter
Dias maus, angustiantes
Se formos perseverantes
Iremos prevalecer
Muitos irão perecer
Sem ter arroz e feijão
Reserve a sua porção
Para aos demais dar suporte
Livre os carentes da morte
Ao Corona diga NÃO!

De morrer morro de medo
Seja ganhando ou perdendo
Prefiro escapar fedendo
Do que cheiroso ir mais cedo
Um mês ou mais no degredo
Por causa da prevenção
Pode ser a salvação
Até vir solução plena
Cumpra à risca a quarentena
Ao corona diga NÃO!

Gilberto Cardoso dos Santos







terça-feira, 24 de março de 2020

DESEJO ESTAR ENGANADO - Reflexões de um psicólogo em quarentena

O texto abaixo faz parte de um projeto idealizado por Júlio César, psicólogo que consiste em "escrever um texto onde, baseados em nossas experiências de vida, relataremos o que entendemos que irá acontecer após a decretação do final da pandemia." Você que nos lê sinta-se convidado a fazer parte desta ideia. - Gilberto Cardoso dos Santos



DESEJO ESTAR ENGANADO 

Estamos em 24 de março de 2020.

Para mim, hoje é o 8º dia do meu isolamento social.

Nasci no ano de 1958, portanto, tenho algumas experiências nessa vida brasileira, tão cheia de sobressaltos.
Desde a época das minhas primeiras letras, iniciada nos primeiros anos da ditadura militar, o país passou por período de inflação galopante, quando tive que reaprender a tirar três zeros da grafia da nossa moeda.
Passei por mudança do nome da nossa moeda: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro novamente, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real e real. Chegamos a utilizar, na época do Novo Cruzeiro, os BTN-Bônus do Tesouro Nacional, como indexador do nosso dinheiro. Alguém se lembra disso? Pois é, isso foi em 1.989.
Minha formação universitária aconteceu entre 1986 e 1992, ou seja, no final da ditadura e no início do processo de redemocratização política brasileira. Entretanto, minha vivência na Saúde Pública inicia-se em 1.993 no Ministério da Saúde e a partir de 1994 quando iniciei meus trabalhos em um CAPS- Centro de Atenção Psicossocial).
Especializei-me em Saúde Pública no ano de 1999 e iniciei meu mestrado, também em Saúde Pública no ano de 2001.
Em 1994 a cidade em que vivo estava se recuperando de uma epidemia de cólera e adentrava na epidemia da dengue, que passou da forma clássica para a hemorrágica em pouco tempo. Eu contraí a doença em três oportunidades.
Recentemente, passamos pelas epidemias da Chikungunya e do Zikavírus, que deixaram sequelas até os dias de hoje, embora pouco se fala delas.
Enfim, nossa sociedade passou por grandes turbulências, políticas, econômicas e de saúde (obviamente todas interligadas), nos últimos 60 anos.
Pois bem, hoje enfrentamos uma pandemia do COVID-19, conhecido como Coronavírus, que está paralisando quase todos os países do nosso planeta, fazendo com que as famílias fiquem confinadas em suas casas (pelo menos aqueles que podem se dar a esse luxo), fato esse que, se acontecesse há 25 anos, seria impossível, pois não havia internet, redes sociais, telefones celulares, entregas a domicílio, Netflix, dentre outros meios de comunicação.
As previsões dos especialistas mostram que ainda não chegamos ao pico da epidemia no Brasil, e que os dados apontam para números alarmantes nos próximos 30 ou 60 dias, com milhões de infectados e milhares de mortos.
Pois bem, vamos ao cenário que vislumbro para depois que a última vítima do COVID-19 for enterrada.
  1. Como todas as atividades produtivas estão em ritmo lento ou paralisadas, os detentores do capital acionarão todo seu poder de produção para buscar a recuperação do dinheiro perdido, além de lutarem por políticas que restrinjam os direitos dos trabalhadores ao máximo;
  2. Nossos políticos já descobriram a fragilidade do povo e vão eleger um messias (não confundam com esse Messias que está aí, pois ele é carta fora do baralho) para orientar os rumos da população, legitimando a restrição de direitos sociais, trabalhistas, cíveis etc.;
  3. A recuperação econômica do povo não acontecerá, pois a maioria da população brasileira vive do que ganha e gasta no período de um mês, não tendo condições de investir, portanto, a única batalha a ser vencida será a do emprego que estará disponível com poucas garantias e com redução dos valores anteriores;
  4. A concentração de renda, que já é absurda, se tornará mais visível, pois a classe média perderá seu poder de poupança e de consumo;
  5. A corrupção vai diminuir em número de corruptos, mas vai explodir em valores;
  6. O conhecimento voltará a ser um valor inestimável de poder;
  7. O setor de educação privado crescerá exponencialmente através dos cursos EaD e de faculdades caça níqueis;
  8. O serviço público será esvaziado e as relações de trabalho voltarão à precarização de 60 anos atrás;
  9. Cuba será uma potência em Saúde Pública, mas o capital continuará com os grandes laboratórios farmacêuticos, por razões óbvias e já presentes atualmente;
  10. A maioria das pessoas, em torno de 70% da população mundial, voltará às suas atividades e, em um ano, tudo será vivenciado como se fosse a coisa mais natural do mundo, ao estilo 1984 de Orwell.





EM TEMPO DE COVID-19, PASTOR DÁ RECADO POÉTICO A MEMBROS


ESSE TEMPO SERÁ

PARA ALGUNS ESSE TEMPO
SERÁ OPORTUNIDADE
DE CONTINUAR NA PRÁTICA
DA SUA REALIDADE
FICAR DOS IRMÃOS DISTANTE
SEM SENTIR SEQUER SAUDADE.

ESSE TEMPO SERÁ MESMO
DE MUITA REFLEXÃO
SOBRE O VALOR QUE SE DÁ
A NOSSA CONGREGAÇÃO
E NISSO AVALIAR
A VIDA COMO CRISTÃO.

DIGO QUE O TEMPO SERÁ
UM BOM TESTE DE VERDADE
PARA VER O COMPROMISSO
DA NOSSA COMUNIDADE
PARA SABER ATÉ ONDE
VAI SUA FIDELIDADE.

ESSE TEMPO SERÁ PROVA
QUE FAZ A GENTE ENTENDER
QUE AS COISAS QUE ACONTECEM
TUDO SIM TEM UM PORQUÊ
NOS SANTOS PLANOS DE DEUS
PARA MIM E PRA VOCÊ.

ESSE TEMPO SERÁ SIM
PODEREMOS ENTENDER
UMA OPORTUNIDADE
PARA O CRENTE A BÍBLIA LER
E QUANDO VOLTAR À IGREJA
TERÁ MUITO O QUE DIZER.

VEJA, ESSE TEMPO SERÁ
PARA CADA UM UMA BENÇÃO
NÃO SÓ PARA LER A BÍBLIA
MAIS FAZER REFLEXÃO
E TEMPO PARA FICAR
COM JESUS EM ORAÇÃO.

ESSE TEMPO ASSIM SERÁ
BOM PARA A VIDA DA GENTE
CADA CRENTE VAI CANTAR
OS LOUVORES CONSCIENTE
E QUANDO A IGREJA VOLTAR
ELE FARÁ NOVAMENTE.

NESSE TEMPO IREI DAR
TAREFAS PARA FAZER
QUERO AQUI DESAFIAR
CADA UM A BÍBLIA LER
PODE HOJE COMEÇAR
NO LUGAR QUE PRETENDER.

NESSE TEMPO PODERÁS
SER UM BEM AVENTURADO
SE A INICIATIVA TIVER
DE LER O LIVRO SAGRADO
COMO EM APOCALIPSE
UM TRÊS ESTÁ REGISTRADO.

E ESSE TEMPO SERÁ
DE GRANDE APRENDIZADO
DEPENDENDO DA ATITUDE
E O PROFESSOR ADOTADO
PARA QUE NÃO VENHAS A SER
DO PASTOR SEMPRE COBRADO.

FINALMENTE ESSE TEMPO
PODERÁ TAMBÉM VALER
PARA EM MEIO AS CIRCUNSTÂNCIAS
O CRENTE ASSIM APRENDER
QUE IGREJA NÃO É TEMPLO
E SIM, SOU EU E VOCÊ.

   Pastor Soares. (Igreja Batista Fundamentalista)

quinta-feira, 19 de março de 2020

DIGA NÃO - Dr. Zé da Luz


DIGA NÃO

Não se toque
Não se abrace
Não se beije

Não saia fora
Não vá embora
Não se aborreça

Diga não ao convite
Diga não à visita
Diga não à tristeza

Não se aproxime
Não se arrisque
Não se precipite

Não zorra
Não corra
Não morra

Higiene das mãos
Higiene do coração
Fé e oração

Diga não!
O não prolonga a vida.

                 
       J. Luz
       
      Natal, março de 2020.

domingo, 15 de março de 2020

OS PASTORES E O CORONAVÍRUS (Cordel)



OS PASTORES E O CORONAVÍRUS

Corona vírus deixou
As pessoas assustadas
Igrejas, infelizmente
Findaram prejudicadas
Pessoas religiosas
Ficaram mais cautelosas
Orando em casa isoladas.

Ontem ouvi um pastor
Os seus cultos cancelando
Disse: Em videoconferência
Estarei abençoando
Pela Live reunidos
Comentem, façam pedidos
Quando eu estiver pregando.

Devido o Corona vírus
Vamos  fazer suspensão
Das reuniões de cura
Cultos de libertação
Devemos ficar alerta
Quanto aos dízimos e a oferta
Devolvam pelo cartão.

Jesus disse: Onde estiver
Dois, três irmãos reunidos
Estarei no meio deles
E atenderei seus pedidos
E mesmo estando isolados
No quarto trancafiados
Poderão ser atendidos.

Com ósculo santo e abraço
Não devem mais se saudar
Nada de estender a mão
Pra o caído levantar
Só pelo ZAP os contatos
E façam como Pilatos
Lavem as mãos sem parar.

Aquele abraço de cura
E a imposição das mãos
Já não são mais necessários
Ao orar pelos irmãos
Devido esta circunstância
Deus vai agir à distância
Deixando os doentes sãos.

Segurem na mão de Deus
Mas na mão dele somente
Jovens da igreja se cuidem
Namorem corretamente
Se encostar demais enxote
Pois um xero no cangote
Pode ser inconsequente.

Diz a Bíblia: Nenhum mal
Deverá nos suceder
Para que isso se cumpra
Devemos permanecer
Em casa nos resguardando
E eu ficarei orando
Pra nenhum mal ocorrer.

Mil cairão ao teu lado
Dez mil à tua direita
E tu serás atingido
Com a higiene malfeita
Os anjos se acamparão
Decerto protegerão
A quem seguir a receita.

Cuidado com o álcool gel
Pra não ficar viciado
Dinheiro não, por enquanto
Pode estar contaminado
É melhor depositar
Ou no cartão debitar
Pra termos bom resultado.

Deus vai cuidar de vocês
Com todo carinho e zelo
Caprichem na higiene
Esse é meu maior apelo
Maomé disse ao beduíno:
Confie no poder divino
Mas amarre o seu camelo.

Evitem fazer jejum
A fim de o vírus vencer
O sistema imunológico
Poderá enfraquecer
No seu copo d’água ungido
Um limão seja espremido
Cada vez que for beber.

Preguem o santo evangelho
Pelas redes sociais
No site de nossa igreja
Há mensagens bem legais
São dias atribulados
Vocês estão dispensados
Das visitas pastorais.

Recorram diretamente
A Deus, nosso criador
Façam votos pra que ele
Mande o Anjo Protetor
E lhes cubra com seu manto
Não precisam, por enquanto
Dos encontros com o pastor.

Ouvindo aquela mensagem
Eu não quis acreditar
Jamais pensei que os pastores
Fossem se acovardar
Porém é bom ser prudente
E esperar que mais à frente
Possam a cura encontrar.

Lá na Coreia do Sul
A Igreja Rio da Graça
Continuou os seus cultos
Sem temer a ameaça
Do vírus devastador
Até que o próprio pastor
Sentiu no corpo a desgraça.

Mais de cem membros tiveram
E sua esposa também
Pararam todos os cultos
Atitude que convém
A quem crê, mas é prudente
Que ama de fato o crente
E quer promover o bem.

Pastores de todo o mundo
Tomaram igual decisão
O medo falou mais alto
O bom senso, a precaução
Melhor prevenido estar
Que depois remediar
Por causa da presunção.

Eu sou Gilberto Cardoso
O autor deste cordel
Vejo que esta pandemia
Deixou o povo pinel
No que aqui foi relatado
Posso até ter aumentado
Mas aos fatos fui fiel.

Gilberto Cardoso dos Santos
/ gcarsantos@gmamail.com





sábado, 7 de março de 2020

UM POEMA ATRASADO PARA BERNARDINA

UM POEMA ATRASADO PARA BENARDINA


UM POEMA ATRASADO PARA BENARDINA 

Benardina que tanto viveu
Que foi popular
Santa Cruz lhe esqueceu.
Maria também é seu nome
Sem altar, sem vela, sem ninguém pra chorar.
Conceição, concebeu? Quem lhe amou tanto ou quantos lhe amaram em vida?
Ah! Bernardina Maria da Conceição -  você é história encarnada - perdida no leito do Rio Inharé.
Viveu tanto!
Levou consigo muitos segredos
Trago hoje - com 65 anos de atraso da sua partida 
Esse poema sem flores,
Sim ele é seu, como foram os 41.245 dias da sua existência.

Francisco Martins
06 março 2020

Observação: A notícia acima foi publicada no jornal O POTI, edição do dia 5 de  abril de 1955.

terça-feira, 3 de março de 2020

A CARNE DO JUMENTO - Hélio Crisanto


Antes da semana santa
Me falaram num sussurro:
Vão botar carne de burro
Pra preso comer na janta.
Essa noticia me espanta
Esbravejou um detento
Se botar esse alimento
Prefiro comer carniça
Do que morder a linguiça
Do diabo desse jumento.

Já se encontra no mercado
Nos bares de Apodi
Porção de burro grelhado
Jumento a catupiri.
Tem lombo da frigideira
Jerico ao molho madeira
Ovo de burro na brasa...
Bisteca de jegue preto
Tripa assada no espeto
Como franquia da casa.
(Hélio Crisanto)