APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 1 de maio de 2012

A Ciência, a fé e a inexistência da receita de bolo - João Estevam


 
Há alguns anos, quando ainda estudava no Instituto Cônego Monte, quando o Monte Carmelo ainda era assim denominado e Santa Cruz ainda era do Inharé, freqüentemente, nos finais de semana, subíamos o cruzeiro para observar a paisagem, jogar xadrez ou só pra gastar o tempo mesmo. Discutíamos sobre todo tipo de assunto e em uma dessas vezes alguém indagou se a ciência poderia provar que Jesus existiu. “Está na Bíblia” – disse outro, eu permaneci calado...

Passados alguns anos um ateu me fez pergunta semelhante e agora posso com ele argumentar ou pelo menos tentar, já que a argumentação que ele pleiteia inexiste. É um grande equívoco acreditar que a ciência pode provar alguma coisa, que o método científico infalível existe, mas todos aprendemos que é assim e, infelizmente, aprendemos errado... Arrisco-me a dizer que a ciência é mais feita com fé do que com método científico. Curso a licenciatura em física presencialmente no IFRN e licenciatura em física à distância pela UFRN, em ambas as instituições já tive oportunidade de participar de disciplinas práticas em laboratório e a visão que tenho hoje é que aquela receita de bolo que nos dão e que chamam de Método Científico inexiste, a ciência é feita de tentativas e erros, não há um método capaz de determinar um resultado permanente, sem que inúmeros requisitos/parâmetros sejam levados em conta, sendo desta forma a generalização, quase sempre, apenas um caso particular. Numa determinada aula de laboratório, nós realizamos um experimento simples para calcular a gravidade – um dispositivo mecânico soltava uma esfera de uma altura determinada e marcava o tempo até um determinado ponto, teoricamente pra achar a gravidade bastavam simples divisões, mas pasmem os resultados nunca eram os mesmos, o que teoricamente deveria ser 9,8 m/s2 variava entre 9,4 e 9,7 m/s2, os experimentos estavam errados? Não – a ciência aceita uma margem de erro.

A ciência é feita de observações, deduções, erros, acertos e fé. O cientista precisa acreditar em suas deduções, nem sempre há condições de teste em laboratório, teorias como as de Stephen Hawking sobre buracos negros e a formação do universo são basicamente teóricas. Quando Einsten disse em seu trabalho sobre a relatividade restrita que corpos de massa provocam deformações no espaço, isso só pode ser observado muito tempo depois, não sendo possível crer que assim seja em todos os cantos do imenso universo. Ainda sobre ciência, não se pode falar sobre “Lei Universal” ou “dogma irrefutável”, tudo pode mudar, nada é fixo, a história possui inúmeros exemplos de teorias antes irrefutáveis que foram derrubadas. Newton ao desenvolver seu trabalho sobre a dinâmica, que hoje conhecemos com as leis de Newton, acreditava que aqueles preceitos funcionariam para todos os referenciais inerciais e quaisquer velocidades, porém depois se mostrou que para velocidades próximas da velocidade da luz, suas “Leis” não serviam, chegando-se a conclusão muito depois que era apenas um caso particular da relatividade restrita de Einsten.... Sem contar as inúmeras histórias fantasiosas que são amplamente divulgadas como verdadeiras e que investigações de historiadores da ciência constantemente refutam, como a maçã de Newton e o experimento da torre de pisa atribuído a Galileu Galilei.

Infelizmente, a história do período e local onde Jesus viveu é pouco documentada, temos a Bíblia, os textos apócrifos e a carta atribuída a Pvblivs Lentvlvs, suposto centurião romano que havia visitado os domínios romanos na época de Jesus e fez um breve relato sobre o mesmo. Mas convém ao ateu dizer que para acreditar nos citados textos é preciso fé e que supostamente ele não a possui, sendo que para acreditar na ciência também de fé se precisa e como esse não a possui como pode nela acreditar? A própria ciência na atualidade já se abriu para as idéias antes impensadas, como fé e oração, ou místicas da cultura oriental, tais como mantras, acupuntura, energia ki, do-in, shiatsu e outras, na tentativa de compreendê-las, transformando-as em objeto de estudo. Já que a ciência não pode provar a existência de Jesus, tampouco negá-la, prefiro acreditar que sim, Jesus existiu! E você, em que prefere ter fé?