APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 15 de abril de 2012

ENTREVISTA COM CARLOS SALES (Fusquinha) - Gilberto Cardoso dos Santos




Gilberto: Fale-nos um pouco sobre suas origens, família, e nome completo.

Carlos: Sou Francisco das Chagas Carlos de Sales. Nasci em João Câmara, filho de José Leonardo de Sales e Virgínia Ferreira da Silva. Família humilde, meu pai faleceu no ano de 1975, deixando oito filhos, fui trabalhar em um bar onde morei 16 anos com essa família.

Gilberto: Como e em que série aprendeu a ler? Qual foi sua experiência enquanto
estudante?

Carlos: Terceira série (quatro anos). Aprendi a ler com minhas professoras dos anos inicias e também o que ajudou muito foi a literatura de cordel , quando eu ia à feira ouvia aquelas pessoas cantando, achava muito bonito e comprava. Os leitores chamavam de versos.

Gilberto: Que professores foram marcantes em sua formação e quando decidiu que se dedicaria à Educação?

Carlos: Todos foram importantes, principalmente Marlene Farias.  Desde o momento que recebi o convite no ano de 1987.

Gilberto: Qual sua formação e em que áreas é especializado?

Carlos: Pedagogia e Matemática. Especialista em Psicopedagogia e Gestão Escolar.

Gilberto: Qual a importância da Escola e da Educação para você?

Carlos: A escola é uma parte do meu viver, porque adoro minha profissão. Quanto à Educação, sinto-me feliz por fazer parte de um contexto tão importante e fundamental no desenvolvimento de uma Nação.

Gilberto: O que falta na educação brasileira e, em especial, na do Rio Grande do Norte?

Carlos: Compromisso e respeito por parte dos governantes. Pessoas que priorizem a educação como base de tudo.

Gilberto: O que significa ser um diretor de escola? Acha demasiado espinhosa essa missão?

Carlos: Alguém responsável e comprometido com as ações administrativas, financeiras e principalmente a pedagógica da escola. Ser gestor é muita responsabilidade, mas quando gostamos se torna mais suave.

Gilberto: Cite características indispensáveis a um bom gestor escolar.

Carlos: Tem que ter compromisso, responsabilidade transparente e ser um  leitor das leis.

Gilberto: Que compensações podem ter um diretor? Do ponto de vista financeiro vale a pena?

Carlos: Se alguém pensar em estar gestor pela gratificação ele não fará uma boa gestão, sofre muito. Ser gesto é gostar do que faz.

Gilberto: Você se notabilizou em suas gestões como aquele que faz mais do que parece possível com os recursos públicos. Qual o segredo para tal eficiência? Os recursos disponíveis são suficientes para que se faça um trabalho bem feito?

Carlos: Sabemos que os recursos não atendem a todas as prioridades. Mas o pouco que a escola recebe sendo aplicado com responsabilidade e transparência dá para manter a escola com o básico e funcionar bem.

Gilberto: É possível a um diretor trabalhar democraticamente em consonância com o Conselho Escolar e fazer uma boa gestão? Ou é necessário, acima de tudo, ter pulso firme na tomada de decisões?

Carlos: Dentro de uma gestão democrática não podemos deixar a comunidade de fora das tomadas de decisão. Sabemos que é possível e importante a participação da comunidade escolar nas dimensões administrativa, financeira e principalmente a pedagógica. O gestor tem que estar preparado para trabalhar de maneira eficiente e eficaz, visando uma gestão democrática dentro da legalidade.

Gilberto: Apesar de ter ocupado cargos de chefia diversas vezes, financeiramente você não parece ter crescido muito. Vemos muitos que, com um currículo em tal área bem menor que o seu, mostraram-se eficientes no crescimento do próprio patrimônio. Dá para ser diretor de escola e melhorar financeiramente?

Carlos : Melhora um pouco o bem estar, mas o patrimônio não, pois a gratificação é pouca.
  
Gilberto: Como você deixou a Escola Cosme Marques em sua última gestão?

Carlos: Graças a Deus ficou bem estruturada de equipamentos , matérial de limpeza e expediente.

Gilberto: Em que escolas você já atuou como gestor ou nalguma função pedagógica que não a de professor e quais foram os resultados? Cite o ponto alto de suas atuações no campo educacional.

Carlos: Nos vinte e cinco anos que trabalho na área de Educação, passei treze na docência (sala de aula) e o restante como gestor nas escolas Aluízio Bezerra, Paulo Venâncio, Cosme Marques e Miguel Lula.

Gilberto: Por duas vezes, basicamente, você foi citado em blogs por supostos erros que cometeu. O que teria a dizer sobre as acusações feitas e por que não recorreu aos mesmos espaços pedindo direito de resposta? Não estaria seu silêncio favorecendo os que o acusam?

Carlos : As duas vezes que fui citado pelos blogueiros, acredito que foi por engano ou falta de informações corretas. Por último foi sobre livros didáticos antigos que estavam amontoados, que vêm sobrando de vários anos e foi para reciclagem, como a lei determina.

Gilberto: Pareceu-me louvável a atitude do prefeito Péricles quando, apesar de possíveis divergências partidárias, o chamou para gerir a Escola Miguel Lula. Por que, pensa você, foi chamado para cumprir tal missão e como tem sido esse início de experiência?

Carlos: Com certeza o prefeito tem uma visão bem acentuada sobre educação, Ele conhece o meu trabalho, meu nome foi mencionado e ele aceitou. Estou gostando.

Gilberto: Qual sua avaliação do trabalho desenvolvido na educação pela secretária municipal?

Carlos: Muito bom, ela tem desempenhado um grande trabalho.

Gilberto: Faça uma comparação entre as condições de trabalho e situação salarial dos professores municipais de Santa Cruz e os estaduais.

Carlos : Hoje, acredito que no Estado do Rio Grande do Norte um dos melhores salários é do município de Santa Cruz .

Gilberto: Gostaria que dissesse suas palavras finais aos pais, alunos, professores e diretores que leem este blog e nos deixasse algum pensamento para reflexão.

Carlos : A transformação ocorre quando a busca de segurança abre espaço para confiança. Os Dâmocles, que passaram a vida fugindo do perigo, começam a perceber que a maioria daquelas ameaças é fruto de sua imaginação. Nesse processo de mudança é muito importante contar com a ajuda de um orientador, de alguém em quem se confie. Um amigo, cônjuge, sacerdote ou terapeuta. Um forte abraço para todos. Finalizo com um provérbio árabe que diz o seguinte: "Sonhar é de graça, mas realizá-lo custa muito".