domingo, 18 de julho de 2021

CADA UM TEM A MÃE QUE MERECE - Heraldo Lins

 



CADA UM TEM A MÃE QUE MERECE


   

Todas as vezes que vou visitar minha mãe, ela tem uma história de ratos para contar. Relata que armou a ratoeira, mas o bicho é tão pequeno que não caiu. Há os que passam por baixo das portas, e há também os que arrastam a bendita ratoeira. Nestes últimos é preciso lascar um pau na cabeça para levá-los a óbito. 


Seus inimigos têm diplomas nas mais renomadas universidades do circo. Sobem nos fogões, descem por fios, abrem ralos de banheiro... mesmo que eu não dê muita trela a histórias de ratos, sou obrigado a ouvi-las. 


Desde que me entendo de gente vi minha mãe caçando ratos. Lembro-me que morávamos em uma pequena cidade e no quintal da casa havia lenha amontoada. Ela me obrigava a tirar as achas para procurar ratos, e o pior, encontrava-os. Eu não sei se eles viajam atrás da gente, mas o fato é que em todas as residências que já fixamos moradia há os bichos infernizando minha mãe, e, de bônus, eu vou junto. 


Sua luta não é totalmente em vão. Muitas vezes consegue pegar alguns, cava um buraco e os enterra. Uma vez por semana chama os vizinhos e faz o funeral dos ratos, inclusive, agora tenho que ir para o quintal: o padre acaba de chegar para rezar a missa de corpo presente.            

           

          



Heraldo Lins Marinho Dantas

Natal/RN, 29/06/2021 – 18:16

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