APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Definição de TEMER


terça-feira, 19 de setembro de 2017

VERSOS SOBRE CURA GAY - Jadson Lima


Doença?
Doença é seu preconceito!

Vamos amar sem medida
Só o amor é perfeito
Não encha o peito de ódio
Exclua esse preconceito
Doença é intolerância
Desrespeito e arrogância
Pois cada qual tem sei jeito.

Ao invés de criticar
Junte-se, ame também
Não se importe com o outro
Pois pra o mundo, o que convém
É somente nosso amor
Felicidade e pudor
E hoje poucos o têm.

Não trate como doença
As mil formas de amores
Doença é ter no país
Imorais como os senhores
Estuprando a educação
Assassinando o irmão
E milhões trabalhadores.

O ódio mostra os desastres
Em notas, dentro das malas
Mostra a educação
Sendo agredida nas salas
E o grito da insegurança
No choro de uma criança
Se desviando das balas.

Defendo de peito aberto
Qualquer forma de amar
Se o amor é a chave
Se abra pra o bem entrar
Pois se existe uma doença
Vou lhe dar uma sentença...
AME se quer se curar.

Jadson Lima
Bom Jesus-RN

Setembro de 2017


HOMENAGEM EM VERSOS A MARCELO REZENDE



Hoje Marcelo Rezende
Começou nova jornada

Marciano Medeiros

Marcelo saiu do ar
Deixou nossa dimensão
Legando para o Brasil
Imensa recordação
Quando combateu o crime
Em nossa televisão.

Foi imensa a provação
Contra a doença brutal
Seus olhos mostravam medo
Da morte fera letal
Mas agora emancipou-se
No plano espiritual.

Deixou a vida carnal
Plantando muita saudade
Foi jornalista decente
Teve grande austeridade
Combatendo os desatinos
Da tal criminalidade.

Lutou com serenidade
Sem perder seu otimismo
Querendo viver bastante
Falava com realismo
Mas a morte o conduziu
Pela lei do fatalismo.

Ficou triste o jornalismo
Vestindo luto fechado
Marcelo partiu do mundo
Fazendo o grande translado
Acredito que Jesus
O fez ficar preparado.

Será muito relembrado
Pelas tevês do Brasil
Por ter usado a palavra
Mais forte do que fuzil
Para combater o crime
De modo muito viril.

Olhando o céu cor de anil
Irei meu cântico entoar
Pra que os anjos dedicados
O botem num bom lugar
Aliviando o sofrer
Na dimensão singular.

Desejo homenagear
Registrando num cordel
Os passos que deu na vida
Nesse planeta cruel
Onde lutou fortemente
O jornalista fiel.

Sou um simples menestrel
Falei com simplicidade
Pra família de Marcelo
Envio sem falsidade
Meu abraço caloroso
Com solidariedade.

O prazo de validade
De modo firme escorreu
A morte não discrimina
Conduz de rei a plebeu
Mas somente o corpo morre
Voltando ao chão que nasceu.

A divulgação se deu
De forma emocionada
Conforme a notícia triste
Que se tornou divulgada
Hoje Marcelo Rezende
Começou nova jornada.

Feito a noite de 16/09/2017.



Sobre a própria ausência - Cecília Nascimento



Sobre a própria ausência Onde estará aquela garota que trazia sempre um fone nos ouvidos e um chiclete a mascar? Seu semblante era tão triste... volta e meia a víamos cantarolar suas músicas que imaginávamos ser de rock, devido às roupas que usava... jamais parecia empolgada... sempre cabisbaixa, vez ou outra deixava cair suas lágrimas ao pedalar a bicicleta, correr na esteira ou usar qualquer máquina... Nenhum exercício parecia produzir nela a endorfina que a nós outros. Era como se ela viesse pra academia apenas para exercitar os músculos faciais, pois mais chorava que treinava aquela garota.
Por que será que ela parava tanto tempo naquela janela? O que será que estava a imaginar? Será que percebia que alguém a estava a observar? Provavelmente não; tão distraída que sempre foi, parecia até que se achava invisível. Mas o fato é que aquele ar tristonho, aquela aparência sombria inundava este lugar... Não importava o quão animados os ritmos da ginástica estivessem tocando, era só ela entrar que tudo parecia um campo solitário, onde pensamento algum passava despercebido mesmo em detrimento do barulho exterior.
Que fim levou aquela garota? Terá se encontrado? Terá se perdido? Terá recebido algo inesperado? Não se sabe... O que eu sei é que depois que ela se foi eu não tive mais com o que me distrair e agora a única tristeza que encontro por aqui é a minha.

Cecília Nascimento

domingo, 17 de setembro de 2017

VAZIO - Nelson Almeida


VAZIO

Tenho dentro de mim Um vazio de outrora Carrego dentro de mim A dor e a nulidade do agora Cresce dentro de mim A vontade de ir embora Agora que não existo Morro de dentro para fora.


Nelson Almeida


ROSAS PARA SAMUEL, DO SKANK


sábado, 16 de setembro de 2017

FORA - Gilberto Cardoso dos Santos


A REALIDADE NÃO EXISTE - Ramilton Marinho

A REALIDADE NÃO EXISTE

Monstros, Sereias, Harpias & Minotauros

Você sonhou estar em um labirinto? Sem pista alguma a apontar o seu início ou fim? Um labirinto eterno cujas paredes, altas e escurecidas, parecem possuir a propriedade de se estenderem para onde tudo for sempre?
Não se assuste! Esse quase pesadelo é tão antigo quanto á própria humanidade. Os gregos fizeram-no famoso na mitologia do Minotauro, criatura meio touro e meio homem, que todo ano, por sorteio, devorava num banquete fantástico sete rapazes e sete moças perdidos nesse labirinto da morte.
Desde a infância dos tempos; de forma descuidada, inocente ou tensa e dolorosa, erguemos dentro de nós as paredes mágicas desse labirinto sem fim.
Nesse labirinto eterno, os dias e as noites se confundem, as idéias se prendem uma as outras em uma cascata infinita de significados que mudam a cada nuance e se deslocam para ser outra coisa que na realidade nunca seriam.
Nesse labirinto não inventaram a palavra, a lógica, nem o enfadonho percurso das causas e efeitos. Nele a razão se dobra como faz a luz diante da gravidade e o tempo torna-se pastoso, elástico e relativo como só Einstein previu. Nesse pântano a nossa lógica cartesiana afunda, a nossa vontade reluta, e as nossas certezas desvanecem - para desespero dos Iluministas, adeptos incondicionais do racionalismo.
Tal labirinto esconde e revela em todos os vãos, percorrido em vão, os nossos ódios e desejos negados, deslocados e adiados pelo peso sagrado e profano da civilização judaico-cristã.
Habitat de monstros épicos: lascivos e profundos como as Sereias, amedrontadores como o Dragões do caos e das trevas, sombrios como as Esfinges do oculto, temerosos como as Harpias da morte e da destruição, cegos e rastejantes como Édipos; esses labirintos são o avesso, do avesso, do avesso.
E os monstros que os habitam são criados no reverso do espelho do pecado, do bom senso, da moral e dos bons costumes. São os anti-narcisos.
E tememos em olhar nos seus olhos, para não ver algo que teimamos em esquecer, negar, sufocar, para continuar a viver a ilusão da vida normal, de um cidadão que aos domingos vai ao zoológico dar pipocas aos macacos e acredita que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social – como ironizou Raul Seixas.
E sob esse peso ancestral seremos cordiais, sensatos, monogâmicos e pontuais, paramos ao sinal vermelho, decoramos orações para serem repetidas antes de dormir, cortejamos pessoas amadas com flores, vinhos e poesia, erguemos catedrais para os nossos Deuses oniscientes e palácios para nossos Senhores onipotentes, e mandamos correntes pela internet buscando a salvação, o alívio e a cura.
Mas, sob esse tormento, também fabricamos forcas e máquinas de tortura, promovemos massacres, guerras e genocídios, jogamos as Pragas sobre o Egito, rasgamos o mal com Martelo das Bruxas, trucidamos os vestígios do medo pelo giro caleidoscópico da suástica, e propagamos nas redes mensagens obscuras nas quais heróis travestidos de discursos e carapaças aparecem como salvadores do mundo e da vida normal dos homens de bem.
Caetano Veloso cantou: “De perto ninguém é normal”. De perto somos labirintos sem fim, dimensões múltiplas de seres obscuros, fabricados mais pelos delírios do sonho do que pela matéria da realidade. Diante do espelho somos tudo o que continuamos a desconhecer, precisamos desconhecer, rezamos pra desconhecer.


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Ramilton Marinho Costa é Doutor em Sociologia e professor da UFCG

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O que eu faço? - Cecília Nascimento


O que eu faço? O que eu faço? Eu leio? Escrevo? Remeto? Ou desfaço? O que eu faço? Eu falo? Me calo? Entalo? Ou disfarço? O que eu faço? Eu bebo? Eu fumo? Eu como? Ou rechaço? O que eu faço? Eu olho? Cumprimento? Me atormento? Ou perpasso? O que eu faço? Eu digito? Eu apago? Eu envio? Ou estilhaço? Não importa O que eu faça Nada passa Essa vontade De passar Dessa vida... Como faço?





Cecília Nascimento


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A DIVINA COMÉDIA DE DANTE - Gilberto Cardoso dos Santos

A DIVINA COMÉDIA DE DANTE - Gilberto Cardoso dos Santos

1.Eis a Divina Comédia imponente, 
meio arredia à compreensão, 
obra importante para o Ocidente.                                  
2. Decerto digna de toda atenção. 
Arrepiante, mas fonte de riso 
fruto de um tempo de superstição.
3. No Purgatório, Inferno e Paraíso 
De tão humana  e trágica odisseia 
vemos alguém que usa seu bom siso 
4. sem retirar viseiras da ideia. 
Ler traduzida traz-nos prejuízo 
mas com certeza farta é a colmeia. 


Gilberto Cardoso dos Santos