O PEDREIRO DO VERSO
Não faço verso ligeiro
Nem canto de improviso
Mas sei tirar do juízo
Um verso limpo e certeiro.
Boto a rima no canteiro
Do prédio da minha mente
No texto sou exigente
Na palavra vivo imerso;
Sou o pedreiro do verso
Na construção do repente.
Reforçando a estrutura
Pego a enxada, traço a rima
Coloco a glosa por cima
E deixo pronta a mistura.
Boto a métrica na textura
Estro na porta da frente
Se precisar de solvente
No escanção eu disperso;
Sou o pedreiro do verso
Na construção do repente.
Hélio Crisanto
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