terça-feira, 19 de maio de 2026

O NOSSO FORRÓ - Hélio Crisanto



 O NOSSO FORRÓ 


Já não se vê nos salões

Nosso forró genuíno

Clamo ao povo nordestino

Honrar nossas tradições.

Não aceite imitações

Ouça Petrúcio e Dió

Flávio lá de Bodocó

Gonzagão e Marinez;

Estão querendo de vez

Sepultar nosso forró.


Escute um xote de pinto

Azulão e mestre Zinho

Santana e Jorge de Altinho,

Não deixe o forro extinto.

Ouça um Côco de Jacinto

Desses que levanta o pó

Escute João Mossoró

Em todo dia do mês;

Estão querendo de vez

Sepultar nosso forró


Na sua festa junina

Se quiser um clima bom

Convide o mestre Marrom

Com zabumba e concertina.

Pelos salões de Campina

Quero ver um ritmo só

E Deda abrindo o gogó

Cantando com altivez.

Estão querendo de vez

Sepultar nosso forró.


Quero um São João genuíno

Sem sertanejo e axé

Tocando Flavio José

Para o povo nordestino.

Na poeira um dançarino

Dançando “qui nem jiló”

E o contratante sem dó

Pagando bem os cachês;

Estão querendo de vez

Sepultar nosso forró.


(Hélio Crisanto)



OBRAS DO AUTOR



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