sábado, 10 de julho de 2021

A CONSTRUÇÃO DA SOLIDARIEDADE - Diogenes da Cunha Lima

 


A CONSTRUÇÃO DA SOLIDARIEDADE

 

Diogenes da Cunha Lima

 

Todos nós somos responsáveis pela preservação da dignidade humana. Há, para tanto, razões jurídicas e filosóficas. A Constituição Federal, em seu artigo primeiro, estabelece a dignidade do homem como fundamento da nacionalidade. Sob outro prisma, é mandamento para quem pensa com sabedoria.

Toda pessoa merece respeito, tem direito à honra, ao exercício dos bons costumes, à vida cultural.

O nosso confinamento, como defesa sanitária, é povoado por sentimentos e emoções, insegurança, medo, ansiedade e depressão. Desemprego. Tudo isso alimenta a consciência da nossa fragilidade, o que incentiva o reconhecimento do outro, a aproximação, bem como nos conscientiza da necessidade de ajuda mútua, independente do nosso “lugar” na sociedade.

A expressão “estamos juntos”, usada como afirmação de cumplicidade amiga, tornou-se planetária, evidenciando que nunca a humanidade esteve tão próxima.

A imprescindível solidariedade há que ser construída na família e na escola. Educar e aprimorar o sentimento dos jovens.

Na crise por que passa o País, podemos observar o crescimento da solidariedade, notadamente nas pequenas e nas mais humildes comunidades. Também se observa movimentos de cooperação das empresas e entre as mais diversas categorias profissionais.

Um belo exemplo foi dado por cem fotógrafos natalenses, sob o tema “Olhar Potiguar”, que doaram a sua arte em favor dos mais necessitados.

A solidariedade pode ser manifestada das mais diferentes formas. Usa-se a doação, o empréstimo, a participação no esforço para a solução de um problema. Até mesmo com um abraço ou um sorriso.

Guardado na lembrança: Uma mulher de mais de noventa anos que veio reclamar dos meninos da rua. Eles gritavam o seu apelido: “Gasolina!”. Ela respondia com todos os nomes feios conhecidos. Meu pai a confortou: “Não se preocupe, você não é Gasolina, você é Maria. Por isso, nada responda”. Ela replicou: “Eu sou uma pobre órfã, não tenho pai nem mãe”. E ele: “Você vai ser uma pobre órfã silenciosa. Porque não é Gasolina. Você é Maria, mesmo nome de Nossa Senhora”.

O confinamento traz consigo, também, o sentimento de solidão, mesmo em meio a outros, na multidão. Contudo, a solidão não é apenas desvantagem. Ao contrário, é, muitas vezes, a razão de ser da criatividade e do melhor uso da liberdade. Sozinho, o homem passa a monologar e nesse diálogo consigo mesmo, reconhece a sua verdadeira função, limitações, o seu destino. Ainda que não atinja a completa felicidade, afinal. É verdadeira a revelação de Tom Jobim quando afirma que “ninguém é feliz sozinho”.

Na prática, o homem não consegue viver isolado. É do seu espírito, de suas necessidades. Assim, comprova o poeta John Donne: “Nenhum homem é uma ilha”.

Até Deus constatou, como está no livro do “Gênesis”, não ser bom que o homem esteja só.

Há grande solidão cósmica, o homem estará sozinho? Jesus ensinou que a Sua casa tem muitas moradas.

Devemos fazer da terra, nossa bela morada, a vida solidária.

 

 

 

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