quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

SONHAR AINDA É O MELHOR REMÉDIO - Heraldo Lins

  


SONHAR AINDA É O MELHOR REMÉDIO


Saí de casa com o objetivo de comprar novas ideias em uma loja que foi inaugurada recentemente. As minhas encontram-se superadas, e por mais que eu queira inová-las, não consigo. O fato é que preciso achar novas fontes de inspiração. Fui então à famosa loja.  Apenas um robô me atendeu. No interior da loja não havia objetos nem para me sentar. Deparei-me com um salão enorme com paredes de vidro. Em cada seção uma paisagem temática para escolher em qual contexto estava eu querendo idealizar. Fui passeando pela loja sendo seguido pelo robô. Eu parava, ele também. Sugeri que ele ficasse no balcão enquanto eu procurava algo realmente interessante. Prefiro escolher sozinho! Ele lembrou-me que ali não existia balcão, e continuou me seguindo. Desconfiei que ele estava com medo de que eu pegasse alguma ideia e saísse sem pagar. A discussão só terminou quando acionei a chave do desliga. Ficou paralisado na medida em que eu continuava visitando a loja. Encontrei uma carroça com pneus quadrados. Um pente com um único dente. Dei-me conta que estava no setor pré-histórico das ideias. Mesmo assim, algumas ótimas, como por exemplo adotar um animal de estimação que fosse aparentado com o vaga-lume. À noite, serviria para iluminar a casa. Outra ideia era criar um cavalo que comesse o pé de milho inteiro, aproveitasse a palha e arrotasse os grãos.  Todavia eu não queria ideias com essa temática. Tudo bem, falou-me a poltrona. Virei-me e vi a poltrona da bruxa dizendo que estava à minha inteira disposição. Mesmo sem esperar, não me assustei. Estava preparado para eventuais surpresas. Ela estava começando seu horário de trabalho naquele exato momento. Explicou-me que trabalhava ali em um sistema de horas extras aproveitando o horário em que a bruxa dormia o sono das mal-amadas. Falei das minhas necessidades e ela me levou para o último andar. Nunca havia voado em uma poltrona de bruxa. Na vassoura eu já, mas na poltrona foi a primeira vez. Cheguei lá em cima com uma tremenda vontade de esnobar. Falei do meu helicóptero de oito lugares. Se ela quisesse eu poderia contratá-la para fazer parte dos assentos da minha aeronave. Ela disse que não. Preferia viver sem depender de gasolina para voar. No último andar encontrei o que havia de mais novo em matéria de inovação tecnológica. O salão de ideias atuais estava lotado. Vi um rádio que o ouvinte podia interferir no discurso do locutor, mudar a música e até fazer o seu próprio comercial. Um micro-ondas que, além de esquentar, projeta uma colher e um prato usando a comida como matéria-prima. No final da refeição come-se os dois. Lavar louça, nunca mais! O que despertou com intensidade o meu interesse, foi uma televisão em que o telespectador entra no programa que está assistindo. Basta ficar pertinho da tela que se é absorvido. Comprei uma dessas para entrar nos programas de viagens que mais gosto. Daqui a meio minuto vai começar um que fala dos hotéis sete estrelas e das massagistas que lá trabalham. Com licença...


 

Heraldo Lins Marinho Dantas (arte-educador)


Natal/RN, 14/12/2020


showdemamulengos@gmail.com


84-99973-4114

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