APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O fabuloso caso do amor e seus desencontros - André Ipoema da Silva Domingos.



O fabuloso caso do amor e seus desencontros
                                                                                          André Ipoema da Silva Domingos.

Amor... Duas vogais, duas consoantes e milhares de significados. Impressiona uma palavra tão simples ter sentido tão amplo. Aquilo que sentimos por nossos pais, filhos, irmãos, ou pelo ser enamorado. Quando pensamos em amor relacionado a “outro alguém”, a rima imediata que pensamos é “dor”, mas não estou escrevendo a fim de inspirar algum jovem poeta apaixonado (por mais que queira), e sim para refletirmos sobre o quanto é difícil o envolvimento emocional em tempos difíceis para sonhadores (como diria Amelie Poulain), em que as pessoas se fecham para o amor.
“O amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”, já dizia Camões sobre o assunto. E dói mesmo! Em uma sociedade onde o egoísmo atinge parte das pessoas, o amor tornou-se escasso, tornou-se 3º plano nos planos de pessoas que se separam, se isolam e até mesmo nunca mais se falam. O filósofo Bauman nos disse que “Vivemos em tempos líquidos, nada é feito para durar”, teria o grande Bauman sofrido com a dor do coração partido? Talvez sim, talvez não... Mas é fato que falta a nossa sociedade mais empatia, alteridade, respeito, e isso só será possível quando permitirmos que o amor floresça em nossa vida.
Florescer... assim como uma flor no jardim em tempos de primavera, pois, o sentimento que está em nós precisa ser cuidado, lapidado. O amor próprio é uma das coisas mais belas que o ser humano pode ter, e mais lindo ainda é quando compartilhamos nossa história com alguém que também está disposto a florescer. Amar é cuidar e não se esquecer disso é uma das premissas do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, ambos os personagens estão cansados de tanta correria, de tanto ter que provar seu amor (que deveria ser espontâneo), cansados de apenas sobreviver e não viver a felicidade. E viver é ter surpresas, arrepios, reflexões, poder sentir na pele um abraço carinhoso, um beijo apaixonado, entoar num coro só com nossa companheira (o) “Ah, vai... me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar...” (Isso mesmo! Aquela música da Los Hermanos). Nos resta pensar fora da caixa e romper a zona de conforto para viver bem mais intensamente.
Por fim, coragem! Para ir vivendo um dia de cada vez e ir vencendo o medo de amar, as decepções ao decorrer da nossa “Timeline da vida real” e seus obstáculos. Com um pensamento positivo e ao contemplar as belezas que nos rodeiam, fazemos jus ao pensamento de Aristóteles: “ Em todas as coisas da natureza existe algo maravilhoso. ” Já convidou o amor da sua vida para tomar um café hoje? Permita-se!




terça-feira, 22 de outubro de 2019

AOS CUITEENSES DO FUTURO (Gilberto Cardoso dos Santos)


A pedido de Eliel Soares, educador e historiador, fiz o seguinte poema para a cápsula do tempo que se encontra enterrada no Museu Homem do Curimataú, em Cuité - PB. Só será aberta em 2068.



Aos cuiteenses do futuro (Gilberto Cardoso dos Santos)

Nasci em sessenta e quatro
Vi minha Cuité crescer
Hoje observo as mudanças
Sinto a saudade bater
Contemplando o que restou
Cuité se modernizou
Sem sua essência perder.

O antigo Cuité-Clube
Em museu foi transformado
Converteu-se num baú
Dos tesouros do passado
Tudo que de bom havia
Hoje virou poesia
No que ali é conservado.

Sou de Cuité dos Furtado,
Dos Venâncio, dos Medeiros
Dos Pereira, dos Fialho
Sujeitos bons e ordeiros
Do tempo dos Ascendino
Dos Palmeira, dos Galdino
Cuiteenses verdadeiros.

Dinamérico é de meu tempo
E comigo conviveu
Foi um artista de peso
Que Cuité reconheceu
Pelo importante legado
E foi imortalizado
Numa sala do museu.

No Olho D'água da Bica
Banhei-me na puberdade
Hoje a água ainda escorre
Servindo à comunidade
Bem perto vê-se o progresso
De jovens fazendo ingresso
Na bela universidade.

Foi transformado em abrigo
Um antigo cabaré
Feito pelo Nego Tota
Que hoje vive da fé
De modo bem respeitoso
Busca tratar-se o idoso
Sem condições de Cuité.

Em espaços importantes
Bons nomes são colocados
O Largo José Soares
Ecoa fatos passados
No antigo Bar de Biléu
A lembrança ergue o seu véu
Primórdios são resgatados.

As lembranças me embriagam
Diante do  ex Drink Bar
Ou do mercado central
De existência secular
Abaixo, com novo emblema
Vê se o antigo cinema
Que tanto nos fez sonhar.

Grande troca de poder
Cuité ora vivencia;
O espetáculo da Paixão
De Cristo se evidencia
Como parte da cultura
Que ao passado emoldura
Com a tecnologia.

Ecoa em meu pensamento
a voz de Zé Luzia
Nos tempos da Mobralteca
declamando poesia
Lembro do bar de Braulino
Onde eu ainda menino
Lanche e cachaça servia.

Sou do tempo de Aécio,
Poeta, ator, pensador;
Cresci junto com Ramilton
Bom contista e educador.
E percebo que Israel,
Júnior de Moca e Eliel
Fazem algo de valor.

Pois lutam pela cultura
Com Crisólito e Zé Pereira
Na defesa de Cuité
Enfrentam qualquer barreira
Com paixão obsessiva
Querem ver corada e viva
A cultura brasileira.

Claro que há acidentes,
Que aumentou a violência
Nada que em outros lugares
Não esteja em evidência
Mas com ações pontuais
Medidas racionais,
Venceremos a imprudência.

Há muita coisa a dizer
Mas prefiro ser sucinto
Contemplo a minha Cuité
E é grande a emoção que sinto
Apesar do que sofreu,
Cuité saudável cresceu,
Tornou-se um lugar distinto.

Daqui a cinquenta anos
Muita coisa irá mudar
Aqui não mais estarei
Não poderei contemplar
Os avanços do progresso
Mas com confiança expresso
Que tudo irá melhorar.

Daqui a 50 anos
Uma nova geração
De 3 séculos de existência
Fará comemoração
Muito do que hoje vemos
Com certeza não teremos
Além da recordação.

Ao pensar que estarei morto
De mim mesmo sinto dó
Mas que fazer? É a vida
Irei, mas não irei só
Milhares que aqui estão
Na presente geração
Terão retornado ao pó.

Você que está no futuro
Adulto, velho ou criança
Saiba que escrevo estes versos
Repleto de confiança
Em um porvir radiante
Numa "cuité" transbordante
De paz, amor e bonança!


Santa Cruz, 13.07.2018











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sábado, 19 de outubro de 2019

JOÃO E O ESPAÇO AVOANTE



JOÃO E O ESPAÇO AVOANTE - Gilberto Cardoso dos Santos

1


Eu fui à inauguração
do belo Espaço Avoante
mas não fui com a intenção
de ver algo interessante
em termos de show artístico
fui com sentimento místico
ver algo mais importante


2


O meu desejo real
era ouvir a voz de João
ver o ator principal
d uma incrível construção
com grande amor se expressando
o seu íntimo mostrando
naquela inauguração.


3


E jamais me arrependi
de a Currais Novos ter ido
pois o que ali ouvi
deixou-me bem comovido
seu discurso sem enfeite
causou-me grande deleite
não foi um tempo perdido.


4


Disse que  63
foi o ano em que nasceu
depois, de modo cortês
falou do que padeceu
durante os 18 anos
de frustrações, desenganos,
Tempo em que o teatro ergueu.


5


Por longos 18 anos
ele lutou com bravura
jamais desistiu dos planos
e a bela e sólida estrutura
Reina no bairro imponente
dando prova a toda gente
de seu amor à cultura.


6


três anos de construção
foi o que ele estipulou
porém a situação
desfavorável ficou
faltou-lhe o devido aval
do poder municipal
e a construção se arrastou.


7


Imagine Currais Novos
que é a Cidade Princesa
Repleta de artistas novos
de cultura e de beleza
sem espaço teatral
no âmbito cultural
Mostrava grande pobreza.


8


Os recursos que circulam
naquela rica cidade
os prédios que se acumulam
mostrando prosperidade
provam de maneira viva
que a arte está à deriva,
que falta boa vontade.


9


A falta de tal espaço
causava indignação
um verdadeiro fracasso
pra arte na região
mas João consigo dizia
que se o poder se omitia
ele entraria em ação.


10


Em 26 de agosto
se inaugurou tal espaço
e eu fui com muito gosto
pra dar em João um abraço
e ouvir sua sapiência
nascida da experiência
de quem supera o fracasso.


11


2011 ficou
naquela noite marcado 
João muito se emocionou
vendo o teatro lotado
e eu por dentro chorei
assim que me deparei
com o sonho realizado.


12


Vi ali, diante de mim
um exemplo de altruísmo
e uma lição assim
tem grande magnetismo
fica na mente ecoando
reluzente, contrastando
com o nosso vil comodismo.


13


Noventa e sete por cento
dos gastos da construção
saíram de seu sustento
da venda e da produção
de quadros que ele pintou
João, de fato, se doou,
deu-se à Arte em oblação.


14


Um feito tão singular
não precisa comentário
mas é preciso exaltar
pois é extraordinário
é preciso propagar
e muitas lições tirar
refletir é necessário.


15


Que nessa hora se esqueça
da fria formalidade
e a palavra resplandeça
em toda simplicidade
isenta de hipocrisia
untada na poesia
que vem da sinceridade.


16


João  Antônio, conhecido
como o bom João Macambira
um carinhoso apelido
para alguém que tanto inspira
irá  entrar pra história
e ficará na memória
do povo que o admira.


17


Mas que recursos teria
este homem de valor?
o que justificaria
gesto tão inovador?
não existe explicação
pois o nosso amigo João
é somente um professor.


18


Professor que decidiu
em suas limitações
dar ao poder arredio
às artísticas expressões
e a todo povo em geral
uma “aula” magistral
e a mais bela das lições.


19


Ele, que já brilharia
simplesmente sendo artista
também se consagraria
como grande apologista
da arte seridoense
um norte-rio-grandense
generoso e otimista.


20


Assim que João começou
seu discurso inaugural
todo o povo se aquietou
fez-se silêncio geral
ninguém queria perder
o que ele tinha a dizer
era a parte principal.


21


Usando termos modestos
sem qualquer verborragia
não carecia de gestos
de frases com poesia
João simplesmente falou
e o povo atento escutou
com a maior simpatia.


22


Quem era João nessa hora?
creio que a arte encarnada
a voz da fauna e da flora
em oráculo, sagrada
dizendo em breve compasso
que agora tinha um espaço
para ser poetizada.


23


Nos tempos  de abundância
Currais Novos não ligou
A cultura em mendicância
Um teatro não ganhou
Somente em 93
Alguém teve a altivez
E à causa se devotou


24


O gesto de João dá tapas
no rosto da burguesia
e rompe todas as capas
próprias da hipocrisia
dos que detêm o poder
e nada querem fazer
por arte e por poesia.


25


O João Guimarães Rosa
fez obra monumental
enriqueceu nossa prosa
a nível nacional
No entanto nosso João
fez veredas no sertão
cujo alcance é mundial.


26


À obra que construiu
chamou de Espaço Avoante
e com tal nome exprimiu
a sua ideia brilhante
que o fez na luta insistir
de ver seu povo subir
feito uma águia gigante.


28


João ficava indignado
ao ver artistas locais
sem um espaço adequado
para funções teatrais
e assim, em 93,
de bom grado se desfez
de objetos pessoais


29


Mas o dinheiro que tinha
não era suficiente
sua mãe, dona Lourdinha
mostrou-se benevolente
e o terreno foi comprado
em um local afastado
em lugar alto, imponente.


30 


Enormes dificuldades
João precisou enfrentar
Porém as necessidades
não puderam derrotar
a esse amante da arte
que buscava em toda parte
modos de continuar.


31


O dinheiro necessário
Para o que imaginava
Retirava do salário
E dos quadros que pintava
Era cara a mão-de-obra
Ficava só com a sobra
recurso em casa faltava.


32


Certa vez, cheio de tédio,
Disse “Eu não vou insistir
Acho que o melhor remédio
É do sonho desistir
mas um íntimo apelo
não deixou tal pesadelo
seu pensamento nutrir


33


Macambira é uma planta
da caatinga, resistente
dificuldades suplanta
em meio à seca inclemente
tal como João Macambira
que hoje a todo mundo inspira
por ser bom e persistente.


34


Não é um homem saudável
porém tem muita energia
é um guerreiro indomável
que a todos nós contagia
sua fala é simples, contida
porém repleta de vida
não restrita à teoria.


36

João nos serve de exemplo
De altruísmo e de ousadia
Com a construção desse templo
Dedicado à poesia
É mais um João precursor
Um profeta de valor
Que bons tempos anuncia.

37

Que todos nos inspiremos
No exemplo bom que nos deu
E de algum modo busquemos
Romper as grades do eu
Pra que o mundo rastejante
Se torne um espaço avoante
Como a Vida o concebeu.








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