quarta-feira, 15 de julho de 2026

UMA VISITA INUSITADA (Poema de Gilberto Cardoso dos Santos)

  

UMA VISITA INUSITADA

Vanusa Andrea pediu 
E eu vou tentar discorrer 
Sobre a vinda inusitada
De um maravilhoso ser 
Que desfilou triunfal
Na parede do quintal 
Procurando se aquecer.

No meio de uma reforma 
Da qual me fiz protestante
Me apareceu este bicho
Com seu passinho elegante
E lento em cima do muro
Neste momento obscuro 
Político e polarizante.

De índole feminista,
Não gostou de ser tocada
Por gente que não conhece
Nem mesmo acariciada
Mesmo que seja um nababo
Se alguém tocar no seu rabo
Vai levar uma lapada.

Extremamente ecológica,
Ervas são sua ração.
Rejeitou filé mignon
Que pus em grande porção.
Um banquete ofereci,
Mas das coisas que servi
Só quis banana e mamão.

Ela quis fugir pra rua, 
Mas eu mudei seu roteiro
Pensei nos cachorros soltos
E em menino maloqueiro 
Ou em ser atropelada
Ou acabar temperada 
No prato de um cachaceiro.

O meu vizinho que é sigma
Gestos tentou produzir
“Six Seven!”, ele gritava
Tentando à iguana atrair
Farmar aura ele queria
Mas a iguana não sabia
Para qual lado seguir.

Um therian da minha rua
Que se diz réptil também
A origem da iguana-verde
Explicou como convém.
Disse: "De áreas destruídas
Onde torres são erguidas
Esta 
aflita iguana vem”

Indiferente ao carinho
Que em vão eu tentei lhe dar
No telhado do vizinho
Subiu e foi se esquentar
Distante das iguarias
Foi recompor energias
Perto da placa solar.

Podendo alterar a cor,
Não é boa em camuflagem.
Porém feito estátua viva
Ela sumiu na paisagem
E eu, internauta matreiro
Sem ligar para o bombeiro
Fiz bombar essa postagem.


Gilberto Cardoso dos Santos

 Contatos: gcarsantos (Gmail / Instagram / Facebook e WhatsApp)

 

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